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Postado em 21-06-2009
Arquivado em (Artigos, Multimídia) por vitor em 21-06-2009 13:55

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CRÔNICA DA MEMÓRIA

De goleada

Gilson Nogueira

Está no site da Tribuna da Bahia:“Há exatos 39 anos, o Brasil de Félix, Carlos Alberto, Brito, Wilson Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino vencia a Itália pelo placar de 4 a 1, no Estádio Azteca, no México, no dia 21 de junho de 1970.”

Era a conquista do Tri. O Brasil saia às ruas para comemorar o terceiro maior feito seu no futebol mundial. A pátria de chuteiras, como classificou a Seleção o saudoso cronista e dramaturgo Nélson Rodrigues, parecia um jardim zoológico, tamanha a quantidade de feras envergando sua camisa, em campo, naquele ano inesquecível.

Cantinflas, nome artístico de Fortino Mario Alfonso Moreno Reyes, ator e humorista de sucesso, nascido na Cidade do México, capital daquele país amigo, em 12 de agosto de 1911, e morto, em 20 de abril de 1993, foi um dos mariachis que vibraram com a extraordinária vitória brasileira.

E aí, por que Cantinflas, neste início de texto? Tudo, – lembrei, agora, que, no ínício de minha carreira de jornalista profissional, como repórter esportivo da Rádio Cultura da Bahia, de onde me transferi, pouco tempo depois, para a TB,- por conta de meu bigodinho mexicano.

Alguns amigos achavam que eu parecia o grande Cantinflas, de infância marcada pela pobreza,o que o levou a trabalhar muito, primeiro, como engraxate, depois, na sequência, como aprendiz de toureiro, motorista de táxi e pugilista, até que, aos 20 anos, como empregado de um teatro popular, foi convidado para substituir o apresentador que adoecera e, daí em diante, ao abusar do improviso, trocando e invertendo frases, conquistou o público hispânico. Era um improviso que fazia rir, bem diferente do improviso que faz chorar, pela TV, se é que me faço entendido.

Ah, a Seleção, que tive a feliz oportunidade de cobrir um dos seus treinos preparativos para a Copa do Mundo que se avizinhava! Lembro-me bem do belo dia, na antiga – e inesquecível – Fonte Nova. As feras de João Saldanha preparando-se, em dois toques, para o grande salto que daria no Planeta Bola. Os canarinhos iriam enfrentar, no domingo, o Esquadrão de Aço, ou seja, o Bahia, aquele que me fazia torcer e ser feliz, mais que o Bahia de hoje, que me faz amargar depressão de não querer ver a luz do sol por semanas.

Meu coração bateu mais forte, naquele treino, ao entrevistar, para a Resenha do Meio Dia, capitaneada por França Teixeira – o homem que dividiu, por sua inventividade, no programa, e valorização dos profissionais que atuavam em rádio, naquela época, as águas da radiofonia baiana, ao lado de sua Equipe Quente, constituida por gente bastante talentosa, que ,até hoje, brilha no jornalismo -Jairzinho, Edu, Pelé e Tostão, os autores dos gols da vitória da Seleção sobre o Bahia, por 4 a 0. Quis o destino que assim fosse. Fiz a gravação dos goleadores da partida, na véspera do jogo. A fita, cassete, em total desuso, na atualidade, é uma das recordações materiais de meus tempos de repórter esportivo. De vez em quando, tiro-lhe a poeira e a ouço. E fico a imaginar, como era bom aquele tempo, como era bom. De goleada!

Gilson Nogueira é jornalista

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