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Posted on 16-06-2009
Filed Under (Newsletter) by vitor on 16-06-2009

Hage: ambiente de integridade
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O poder público e a iniciativa privada tentam estreitar laços para atuar em conjunto no combate à corrupção no País, pelo menos em algumas áreas. Nesta terça-feira (16) a Controladoria-Geral da União (CGU), o Instituto Ethos e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) lançaram durante a décima edição da Conferência Internacional do Instituto Ethos, em São Paulo, o manual “A Responsabilidade Social das Empresas no Combate à Corrupção”.

O ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, assinalou que a iniciativa busca promover um ambiente de integridade no setor empresarial e sensibilizar as empresas para o papel determinante que podem exercer na luta contra a corrupção. “Ao adotar voluntariamente um conjunto de princípios que garantam um sistema de integridade nas relações com o setor público, com seus colaboradores e com os demais setores do mercado, as empresas engajadas na luta contra a corrupção poderão se tornar uma referência exemplar para toda a sociedade”, diz o ministro.  

Jorge Hage chamou a atenção ainda para o caráter inovador da parceria entre o poder público e a iniciativa privada no combate à corrupção. Sustentou que, ao criar, no curto prazo, aparentes vantagens às empresas, a prática de ilícitos leva à falsa percepção de que pode ser vantajosa. Mas, como lembra um dos prefácios do manual lançado hoje, “a corrupção distorce a competitividade, estabelecendo formas de concorrência desleal, e deteriora os mecanismos de livre mercado, o que gera insegurança no meio empresarial, afugenta novos investimentos, encarece produtos e serviços e destrói a ética nos negócios, afastando qualquer possibilidade de lucratividade consistente no longo prazo”.   

Nesta edição, a Conferência Internacional do Instituto Ethos discute o tema “Rumo a uma Nova Economia Global: A Transformação das Pessoas, das Empresas e da Sociedade”. Os convidados debaterão a respeito das transformações que pessoas, empresas, sociedade e Estado precisam empreender para construir uma nova economia global, mais justa e sustentável. 
O ministro Jorge Hage participou, como expositor, do painel “Crise Econômica: Mais Corrupção ou a Oportunidade de um Novo Modelo?”. O painel aconteceu às 14h30 e teve como moderadora a jornalista Miriam Leitão.

 

Sarney: discurso reprovado no Senado
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O apelo ao emocionalismo para obter apoio de seus pares, em lugar das aguardadas medidas e ações concretas,  para enfrentar as denúncias graves de desvios e corrupção na instituição que preside, marcou o pronunciamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) , nesta terça-feira (16).

O presidente do Congresso citou Joaquim Nabuco, ao afirmar que “defender-se não é vergonha”, tentou comover o plenário e a plateia ao lembrar problemas de saúde da filha e governadora do Maranhão, Roseana (a que atribuiu uma das causas de seu alheiamento diante do agravamento da situação no Senado) e disse em sua defesa: “A crise do Senado não é minha, é do Senado, essa instituição que devemos preservar”, afirmou no pronunciamento feito de tribuna na abertura da sessão plenária.

Na tribuna, o que deveria parecer grave e solene, soou patético e, em certo momentos até arrogante, em contraste com a habitual imagem de modéstia do senador pelo Amapá. Em nenhum momento luziu nem o Sarney intelectual, nem o orador empolgante que se vê,  por exemplo, no famoso filme sobre o Maranhão feito pelo cineasta baiano Glauber Rocha.

O que se presenciou nesta tarde, no plenário e nas imagens que as TVs transmitiram para o país, foi um político vacilante, um administrador claudicante, mesmo quando tentava falar grosso, além de um homem atemorizado diante de uma crise que ele tentou jogar no colo ou, ao menos, dividir com seus companheiros de Casa, sem sucesso. É o que ficou evidente na frieza com que suas palavras foram recebidas do começo ao fim do discurso, e pelos discursos de protesto e reprovação que se seguiram no Plenário.

RETÓRICA REPROVADA

“A instituição é maior que todos nós. Nós a recebemos assim e temos de transmiti-la da mesma maneira, pois somos transitórios”, repetiu pela enésima vez o senador do PMDB e senhor do Maranhão há mais de meio século. Sobre os escândalos que acontecem no Senado, Sarney disse: “Não seria agora na minha idade que iria praticar qualquer ato menor que nunca pratiquei na minha vida. Aqui assisti a muitos escândalos, muitos momentos de crise, mas em nenhum momento meu nome esteve envolvido”.

“Nunca tive meu nome associado às coisas que são faladas aqui dentro do Congresso, e isso é crise mundial, o que se fala aqui fala na Espanha, Inglaterra e Argentina em todos os lugares”, enfatizou o presidente, sempre genérico e vacilante do começo ao fim

“Estou aqui há quatro meses como presidente. O que nós praticamos? Só exclusivamente buscar corrigir erros, tomar providências necessárias ao resgate do conceito da Casa, isso não se faz do dia para a noite, e nem é do meu estilo que o faça soltando fogos de artifício”, concluiu, quando já praticamente ninguém duvidava que a montanha havia parido um rato.

“Não devo dizer contudo que pude me dedicar totalmente, atravessei um problema que todos aqui como pais sabem, nesses meses todos, e agora me libertei deles, Deus me exige a penitência dessas coisas que tenho que falar, mas muito maior foi a graça da recuperação da minha filha”. O presidente do Senado se emocionou ao falar da filha, Roseana, que passou por uma delicada cirurgia recentemente.

Firmeza apenas nos trechos do pronunciamento em que o presidente do Senado se referiu a funcionários subalternos da Casa. No fim a indiferença, pior condenação para um homem público: Sarney saiu da tribuna meio trôpego e coberto por um silêncio dos mais expressivos para quem entende o mínimo de signos do poder, apoiado no ombro amigo do velho aliado Romeu Tuma e mais uns poucos colegas.

Bem merecido!
(Vitor Hugo Soares)

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Posted on 16-06-2009
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Trailer do filme

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Vanzolini:mestre da música e da biologia
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Maria Olívia/Cinema

Corra para o Unibanco Glauber Rocha. Já está em cartaz o documentário Um Homem de moral, de Ricardo Dias, sobre este mestre da Música Popular Brasileira e zoólogo , Paulo Vanzolini, em homenagem aos seus 85 anos. Sabemos todos que os cinemas não ficam muitas semanas com filmes brasileiros em cartaz, exceto se tiver atores globais no elenco.

Compositor de belíssimas canções, Vanzolini conta na fita como nasceram Volta por cima, Ronda, Cuitelinho, Boca da Noite entre outras obras maravilhosas gravadas por alguns dos maiores intérpretes brasileiros. Ele conta também algumas histórias saborosas sobre sua vida de cientista.

Paulo Vanzolini e o cineasta Ricardo Dias são amigos de longas datas. Ricardo foi aluno de Vanzolini no curso de Biologia da USP, nos anos 70. Nessa época, ele começou a documentar o trabalho do professor como zoólogo.

Não vacile, o filme só é exibido na sessão das 18 horas do Unibanco Glauber Rocha. Chico Buarque de Holanda sempre disse que aprendeu fazer música com Paulo Vanzolini. Pense nisso, um belo aperitivo.

Maria Olívia é jornalista.

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Posted on 16-06-2009
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Depois da crônica da jornalista e escritora carioca Aparecida Torneros, que saiu na edição on-line do Pravda.ru, reproduzida hoje no Bahia em Pauta, a música para começar o dia nesta terça-feira (16) só poderia ser Woman, de John Lennon, recolhida em vídeo sensível e autoexplicativo do You Tube. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

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Posted on 16-06-2009
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Virtudes , magias e mistérios
pravda

CRÔNICA DE CIDA/ MULHERES

O MISTÉRIO DA FÊMEA

Aparecida Torneros

Mariazinha tinha 7 saias, alguém cantava antigamente, a Cigana dançava sob 7 véus, a Bruxa enfeitiçava os homens, a Mulher que era Fada, amadrinhava as criancinhas, a Fêmea Sereia atraía os pescadores, aquela que habitava os sonhos é a mesma que nos envolve no seu Mistério.

Mulher é isso mesmo. O mistério da bolsa que carrega: um cofre que contém band-aid, batom e fotos da família. Pode-se passar o raio x e lá há de se encontrar um mundo à parte. Talvez um pacotinho contendo folhinhas de alecrim, ou de hortelã, remédios para alma ferida, quem sabe um papelzinho dobrado com a oração do Anjo de Guarda.

Na agenda, há as que anotam os dias de lua cheia para se auto- reconhecerem ou mais belas ou mais feiticeiras nessas noites, em suas cidades ou em suas camas.

Sob as saias moram as virtudes e as magias, e sob os olhos há qualquer vestígio do incompreensível que assuste o desavisado, ou confunda o experiente. Há no conjunto delas, dessas mulheres modernas a enfrentarem com luta sua conquista de lugar ao sol, um mixto de compaixão e ternura, aliado ao retumbar de bumbos que rebatem estridentemente sua corrida para a independência e seu dispor para comandar e formar famílias, cidades, países, terras e corações, mares e olhares, sentimentos e sofrimentos ultrapassados.

Ora, ponham-nas diante das maçãs do tempo, Evas e Liliths, tentações lendárias, e que se comam as vicissitudes da sua dança do tempo, mordam-se seus lábios degustando parte dos seus medos, para que sobrevivam seus feitos e desfeitos, enquanto filhos e filhas, sobrinhos, netos, bisnetos, tantos que as descendam, se encarreguem de interpretá-las na inútil tentativa de decifrá-las.

Tantos séculos, tantas mudanças de saias, das anáguas pulou-se para as saias justas, ou para as mini, ou para a audácia das calças compridas, e o passo de cada fêmea parece adequar-se à passarela dos ventos, ao passo que sua voz se faz ouvir num repicar constante de idéias que reverberam no som interno dos que param, enfim, para ouvir cada mulher que integra o dia-a-dia das metrópoles ou dos campos.

A garota sai sozinha pelo mundo, mochila às costas, a pequena voa sem destino certo mas vai em busca de si mesma, caminha pela estrada da vida e se descobre inteira. Talvez nem tenha completado os 18 anos, mas já se sente dona do seu nariz, precisa saber de tudo um pouco, o mundo é tão vasto, o tempo corre, há que ultrapassar barreiras e protestar pela minimização das diferenças e contra a persistente injustiça.

Nos campus universitários ou nos pátios industriais, elas se multiplicam, são as mulheres se especializando , além dos fogões e dos tanques de lavar roupa, são as fêmeas misteriosas, como se não bastasse seu papel de procriadoras da espécie, seu bailado atávico qual dançarinas que se movem ciosas da cadência dos próprios quadris, elas se vestem com terninhos coloridos e falam nos microfones.

Discorrem sobre energia, organização social, desenvolvimento dos seus países, elas aprenderam a contra argumentar, contra atacar, contra por, contra cenar, contra bandear até. E bandeiam para os lados que escolhem ou são escolhidas, vai da sorte e da mirada.

Algumas miram o alvo certo, pregam sua atenção em metas pessoais ou coletivas, e não se desviam do caminho traçado. Chegam lá, não há como duvidar das obstinadas. Porém, suas crianças nascem e crescem, e por incrível que pareça, não é que elas se desdobram e vão nas reuniões de pais das escolas? Como conseguem cozinhar e ler ao mesmo tempo, indagam os de pensamento machista tradicional?

Ainda bem que são assim, seres múltiplos, rebatem os antenados, os melhores companheiros para as misteriosas fêmeas modernas. A senhora setentona viaja pela Europa sozinha descobrindo a história, se atualizando com os eletrônicos, calçando tênis iguais aos das suas netas para caminhadas, e fotografando cada momento e monumento, como registro e conquista.

Certamente, em cada mulher reside, além da sede de viver, o gosto pela descoberta da própria liberdade. E isso tem preço, claro, o preço que surpreende os incautos que lhes cobram posturas, enquanto tentam decifrar porque ainda choram diante de meninos índios desnutridos ou de crianças abandonadas nas ruas.

Cada uma delas sabe que o desafio é imenso, há um planeta desordenado a reconstruir, nada que não se possa incluir num sonho dantesco, na medida que se vai fazendo a parte que lhe cabe, pequenina embora, mas importante para a construção do todo. Disso, toda mulher tem certeza.

A partir de pequenos gestos, unindo esforços e cultivando esperança, não é que o mundo está mudando? Pelo menos para elas, para suas irmãs de gênero, seus pares de caminhada, seus namorados e maridos com quem dividem medos e enfrentam guerras diárias, essas misteriosas criaturas que portam úteros-celeiros de vidas e promessas, são realmente uma fonte inesgotável de perguntas sem respostas e de surpresas em cascata.

Delas, pode-se esperar a qualquer instante, a novidade que aquece a alma e o novo discurso que reorganize o trabalho ou redescubra a pólvora, em lugar incerto e não sabido, no mais longínquo reduto de sobriedade que houver num sentimento pleno de audácia feminina, ou de disciplina humana.

Se alguma ainda apavora a um desavisado que não a consiga entender, aconselha-se a meditação em hora do por do sol, posição de lotus, pensamento vago, soltando as amarras culturais e religiosas, apenas cheirando o ar impregnado de busca, deixado pelo rastro de uma delas.

Quando ela passa, leva consigo nossa admiração ou nossa perplexidade, legando-nos muitas interrogações e alguns pontos exclamativos para compensar as histórias universais, com gestos e mesuras de saias e véus, danças e gargalhadas, acenos e sorrisos, ares de quem sabe onde vai e o que quer, a despeito do seu eterno mistério!

Aparecida Torneros ,jornalista e escritora, autora do livro “A Mulher Necessária”, mora no Rio de Janeiro. Esta crônica foi publicada  na edição on-line do PRAVDA (Russia).

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