jun
11
Postado em 11-06-2009
Arquivado em (Artigos) por vitor em 11-06-2009 13:28

limao3
Jornalista ensina como transformar limões

===============================================

Na sua edição on-line desta quinta- feira o jornal Tribuna da Bahia publica, na coluna política assinada pelo jornalista Ivan de Carvalho , o artigo intitulado “Atenção, tensão e tesão”. O autor fala do dia-a-dia nas redações dos jornais e nos ambientes da política baiana, mexendo com extremo bom humor e senso de oportunidade nas mazelas de ambos.Uma aula de texto e do melhor jornalismo político que se faz por aqui e que o Bahia em Pauta reproduz para seus leitores. Confira a seguir:

(Vitor Hugo Soares, editor)

=================================================================
ARTIGO

ATENÇÃO, TENSÃO E TESÃO

Ivan de Carvalho

“Em primeiro lugar, cumpre esclarecer que o artigo que segue foi escrito para ser publicado ontem. Mas em seu lugar – por motivo que não investiguei – foi publicado o artigo “A subida de Dilma”. Na edição impressa, corretamente assinado por Luiz Holanda. Na edição online, erroneamente atribuído a mim. Mas o nosso assunto não é este, e sim o tratado no artigo que devia ser publicado ontem e que aí segue.

Recomenda a sabedoria popular que, se lhe derem um limão, faça uma limonada. Não sei qual o motivo desse preconceito contra o limão, que, se houvesse um “estatuto de igualdade” entre as frutas, teria muito a cobrar sobre seus direitos a ser tratado com a mesma gentileza conferida, por exemplo, ao cacau, ao figo, à uva, à maçã – esta, até por Adão e Eva, segundo falsamente se espalhou.

Trata-se apenas de um mito popular, não uma história do Gênesis bíblico, que em nenhum momento menciona a maçã, mas apenas “o fruto da árvore do conhecimento”, que seguramente não era uma macieira. Isso prova que nem sempre a voz do povo é a voz de Deus. Muitas vezes não é.

Mas o descuido de algum revisor me presenteou, na edição de terça-feira deste jornal, com um limão e, ainda que goste mais do limão do que de limonada, vou tentar aplicar a sabedoria popular. Assim, dou uma explicação e de uma tacada resolvo a necessidade de ocupar este espaço.

Tratei, no artigo, do discurso feito na segunda-feira pela deputada Maria Luiza Carneiro, mulher do prefeito João Henrique e revelei minha perplexidade ante o lançamento da tese de que o PT precisa discutir imediatamente o lançamento de um candidato petista a senador (contrariando posição pública do governador Jaques Wagner). Feitas modestas observações sobre esses dois fatos políticos, apliquei ao artigo um título também modesto: ‘Tensão aumenta na sucessão’. O artigo, com este título, está salvo no meu computador, assim como no meu e-mail e no e-mail de Antônio, um dos bambas deste jornal no setor de informática e para quem enviei o escrito.

O título enviado não é o título publicado. Alguém da revisão (a revisão, como o mordomo, é sempre a culpada), que aparentemente não estava pensando em trabalho, mas em alguma outra coisa mais divertida, enquanto trabalhava, terá estranhado a palavra tensão em meio ao seu relax mental e a substituiu pelo vocábulo tesão, obviamente convicto de que sem esta não haveria solução.

Foi assim que ‘Tensão aumenta na sucessão’ tornou-se ‘Tesão aumenta na sucessão’, o que talvez não fosse de todo uma irrazoabilidade, pois há situações em que tesão desencadeia evidente tensão localizada. Mas não era aludir a essa circunstância a intenção do repórter nem me parece que os fatos descritos seriam suscetíveis de sugerir o uso do vocábulo afinal (e independentemente da minha vontade e conhecimento) publicado.

O jornalismo, sempre correndo contra o tempo, tem dessas coisas, dessas trocas que ocorrem sorrateiramente e só explodem quando o jornal (e agora também o site) já estão à disposição dos leitores. Lembro-me de que nos ‘anos de chumbo’ do governo Médici – e quantos anos de chumbo vivem ainda outros povos – o Jornal da Bahia brindou seus leitores com uma involuntária, mas irresistível piada.

Numa reportagem sobre um jumento, publicou uma foto do general Lyra Tavares, que pouco tempo antes fora ‘primus inter pares’ da Junta Militar, composta pelos três ministros militares, que substituíu o general-presidente Costa e Silva até a posse de Médici. A legenda da foto dizia qualquer coisa sobre o general. Mas o título e a reportagem falavam de um jumento vadio, solto na cidade.

Na mesma página, outro título e outra reportagem falavam do sisudo e severo general Lyra Tavares. Mas a foto era do jumento e a legenda a este se referia. Imagino quantas dores de cabeça isso terá dado a João Falcão, então o dono do Jornal da Bahia. Corrida contra o tempo e falta de atenção trocam general por jumento e tensão por tesão. A primeira hipótese, claro, é mais perigosa. A segunda me fez rir, ultimamente, muito mais do que habitualmente. Foi assim que fiz do limão uma limonada”.

Ivan de Carvalho, jornalista, é colunista político da Tribuna da Bahia e ex-chefe da sucursal do Jornal do Brasil em Salvador.

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos