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Postado em 04-06-2009
Arquivado em (Artigos) por vitor em 04-06-2009 14:17

Mágico David Copperfield
magico

Deu no jornal

A Tribuna da Bahia, em sua edição desta quinta-feira (4), publica o artigo do jornalista Ivan de Carvalho, que o site-blog Bahia em Pauta, referido no texto,reproduz a seguir

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ARTIGO/POLÍTICA BAIANA

CANDIDATURA SOLITÁRIA NÃO RESOLVE

Ivan de Carvalho

1. O blog www.bahiaempauta.com.br, do jornalista Vitor Hugo Soares, chamou a atenção, ontem, para o trecho relacionado com a Bahia na entrevista do ex-ministro e ainda poderoso petista José Dirceu à edição desta semana da revista Isto É. Dirceu está mergulhado na articulação da candidatura de Dilma Roussef à sucessão de Lula. Vale a pena dar conta, ainda que não literalmente, do trecho citado. A revista pergunta: “E na Bahia, o sr. já conversou com o ministro Geddel Vieira Lima. Ele pode sair para o Senado para não ameaçar a reeleição do governador Jaques Wagner?”. Dirceu responde: “Eu conversei com o ministro Geddel, mas já faz tempo. Estou inclusive para procurá-lo para outra conversa. Onde o PT governa é natural que dispute a reeleição. Acho que o Geddel quer ser candidato a senador. Mas ele alega que há riscos de o PT lançar um candidato que concorra com ele”. A revista insiste: “O PT, então, não terá candidato a senador na Bahia?”. E Dirceu responde: “Depende. Temos que fazer pesquisa, analisar, porque lançar um candidato isolado também pode ser errado. Já tivemos experiência de lançar candidato fraco e perder a eleição exatamente por isso”.
2. Daí ficam evidentes duas informações e uma idéia que eu chamaria de surpreendente. A primeira informação é a de que Dirceu já conversou com Geddel a respeito da sucessão baiana e da hipótese de ele ser candidato a senador, em coligação com o PT, na chapa de Jaques Wagner. A segunda é que Dirceu pretende conversar outra vez, em breve, com o ministro da Integração Nacional, sobre os mesmos assuntos, vale frisar, a sucessão baiana, a aliança PT-PMDB na Bahia e a candidatura de Geddel a senador. Surpreendente é a idéia posta pela revista e não contestada por Dirceu, que chegou a admiti-la sem endossá-la, de o PT não ter um candidato a senador na Bahia. Falou em riscos, necessidade de pesquisas, precedentes que não deram certo, sem descartar ou confirmar.
3. Aparentemente, ficou posta, na pergunta da revista e na resposta de Dirceu, a hipótese de o PT não ter candidato ao Senado e – não está dito expressamente, mas implícito – o único candidato a senador na chapa de Wagner ser Geddel. A hipótese não tem lógica. As cadeiras de senador a serem disputadas em 2010 na Bahia são duas. Ser candidato sem um outro candidato, filiado ao PT, não resolve o problema de desconfiança do ministro quanto à solidariedade eleitoral da militância petista e de alguns outros partidos da base política de Wagner, bem como do eleitorado mais ligado a esses partidos. O que preocupa o ministro não é se a militância do PT e adjacências (PSB, PC do B, etc) e os eleitores não militantes, mas disciplinados, dessas legendas votariam no parceiro dele de candidaturas a senador, no âmbito da chapa encabeçada por Wagner. Isso não tem maiores problemas, pois as vagas são duas. A desconfiança ou incerteza do ministro Geddel é quanto à solidariedade desses militantes e eleitores à candidatura dele, Geddel. Votar no companheiro de chapa para senador não preocupa, a vaca pode ir pro brejo é se não votarem nele, Geddel, também. Aí é que está o nó, que não sei se é cego ou não, e que a revista e o ex-ministro Dirceu não perceberam (improvável) ou que o ex-ministro fingiu não perceber (quase certo). Risco semelhante correria Geddel mesmo na estranha hipótese de a base política de Wagner lançá-lo solitariamente ao Senado – tanto a militância quanto os eleitores (in)disciplinados poderiam abster-se de votar nele, com a consideração de que mais perigoso é um aliado-concorrente interno forte, espaçoso e em busca de prosseguir uma escalada do que a eleição de adversários formais.
4. Qual seria a mágica que fariam o governador Jaques Wagner, o PT e alguns partidos aliados do PT para convencer Geddel de que a militância desses partidos e o eleitorado mais chegado estariam tão firmes com a candidatura dele a senador quanto com o outro candidato da base governista? Um primeiro passo foi dado por Wagner ao dizer que não haverá mais de dois candidatos na base governista e que uma das vagas na chapa está reservada ao PMDB, isto é, a Geddel. Importante, mas seguramente não suficiente. Melhor chamar David Copperfield

Ivan de Carvalho,jornalista, responde por coluna diária sobre Política na Tribuna da Bahia..

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