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Postado em 30-05-2009
Arquivado em (Artigos) por vitor em 30-05-2009 00:11

Peron e Evita: mitos em alta
eva
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Reportagem publicada no jornal espanhol “El Mundo”, produzida em Buenos Aires pela repórtes Carmen de Carlos, revela que a campanha em curso na Argentina, para as eleições legislativas de 28 de junho, voltaram a ressuscitar as mil e uma caras do peronismo no país vizinho, às marges do Rio da Prata.

O setor governista é encabeçado pelo marido da presidenta Cristina Kirchner e seu antecessor no cargo, Néstor Kirchner. O “discidente”, o empresário multimillonário Francisco de Narváez e, a cavalo entre um e outro, se abre um ramalhete de dirigentes que seguem tendo  Peron por bandeira e  Evita como santa e ceia, afirma o jornal espanhol.

Segundo a imagem produzida pela autora do texto, “há tantos peronistas quanto manchas tem um tigre. «Durante seu exílio em Puerta de Hierro, perguntaram ao general Juan Domingo Perón o que era o peronismo. Ele respondeu: “Depende». A piada, na boca de Francisco de Narváez, serve para explicar que «tudo cabe no peronismo». O candidato que aspira vencer, no próximo 28 de junho, nas urnas a Kirchner e dar posteriormente o salto à presidencia do Partido Justicialista (PJ), está convencido de que é hora de «estreitar as margens e definir o peronismo do século XXI».

Entrevistado na reportagem, O escritor Juan José Sebreli, autor de «Os desejos imaginários do peronismo” e, entre outros ensaios, «Comediantes e Mártires», onde derruba o mito de Eva Duarte de Perón, adverte: «Sempre houve vários peronismos, agora o que acontece é que está mais fragmentado». Ignacio García Hamilton, historiador com um livro a ser lançado sobr o movimento de Perón, encontra um denominador comum neste saco de peronismos: «Ambição de poder, falta de respeito às instituições e ao Estado de Direito, assim como um acentuado autoritarismo… Em essência, —adverte em coincidência com Sebreli—, o peronismo não é democrático, é sinônimo de populismo, umas vezes de direita e outras de esquerda”.

DEMOCRACIA PERONISTA

Ouvida também pela repórter de El Mundo, a socióloga e diretora da Consultoria Romer y Associados, Graciela Romer não deprecia esta análise mas faz concessões ao movimento justicialista, que é como o batiza Peron. «Ao peronismo é preciso reconhecer que foi o movimento que melhor representou nos anos 40 e 50 o processo de industrialização. As grandes transformações se produziram pela colaboração do peronismo e a situação de bem-estar na época, as reformas, com todos seus defeitos, que se dão nos anos 90, se alcançam graças à sua intervenção>>.

Sebreli insiste em uma particular «democracia peronista» e descreve os distintos rostos de Peron, «fascista, desenvolvimentista, neoliberal e conservador» em função “da etapa atravessada, mas sempre autoritário e populista”.

A reportagem assinala que esse mesmo catálogo, ainda que não na mesma ordem, se dá nos partidos que concorrem às eleições, e nos presidentes da escola do general: Carlos Ménem, Eduardo Duhalde, Adolfo Rodríguez Saá e Néstor Kirchner. Os analistas coincidem em identificar  Menem como o “menos autoritário”. Seu primeiro governo – assinala Sebreli— foi o mais democrático». Sylvina Walger, autora do livro «Pizza con champán», fiel retrato da queda e o excesso do que ela chama «o menemato», assegura que «então, apesar de tudo, o governo era mais democrático»

(Texto traduzido e postado por: Vitor Hugo Soares).

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