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Postado em 20-05-2009
Arquivado em (Artigos) por vitor em 20-05-2009 23:51


“Senhor, eu pedi para o sol se esconder um pouquinho/ pedi pra chover, mas chover de mansinho/ Pra ver se nascia uma planta no chão/Senhor, se eu não rezei direito o senhor me perdoe/Mas eu acho que a culpa foi desse pobre que nem sabe fazer oração”. É um pedaço da letra de “Súplica Cearense”, a música que Bahia em Pauta escolhe para mais este dia de chuva, inundações e dificuldades em Salvador e outras cidades do Nordeste.

Uma música antológica, de autoria do baiano Gordurinha, um dos maiores compositores brasileiros em qualquer época, autor de clássicos como “Chiclete com Banana”, “Madalena” e a própria Súplica, gravados por monstros sagrados da MPB, como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Gilberto Gil, Fagner, Dominguinhos, Elba e Zé Ramalho, entre dezenas de outros.

Alguem já escreveu:”Fossem os curiosos tentar advinhar-lhe o físico pelo apelido e Gordurinha seria até hoje mais um enigma na história da música popular brasileira. Magro na juventude, Waldeck Artur de Macêdo, nascido no bairro da Saúde, em Salvador, no dia 10 de agosto de 1922, ganhou seu apelido em 1938, quando já trabalhava na Rádio Sociedade da Bahia”.Irônicamente, na época era magérrimo.

Na imensa lista de composições de sucesso de Gordurinha (alguns não assinados por ele) se incluem “Chiclete com Banana”, “Súplica Cearense”, “Baiano Burro Nasce Morto”, “Baiano Não É Palhaço”, “Orora Analfabeta”, “Mambo da Cantareira” (outro clássico da MPB) e “Vendedor de Caranguejo”, regravado com imenso sucesso por Gil . Um mestre na acepção do termo, com sol ou chuva.

(Vitor Hugo Soares)

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Comentários

Gilson Nogueira on 21 Maio, 2009 at 12:23 #

Gordurinha, lá do Céu, deve estar acompanhando, assombrado, a tragédia provocada pela chuva no Norte e Nordeste. Imagino-o dizendo, ao ouvir sua música repercutindo entre as estrelas, no infinito: De Gonzagão, pai de Gonzaguinha, podem dizer até que é de Emilinha, mas, na verdade, essa música que você ouviu, aqui, leitor, no Bahia em Pauta, é minha. Já faz tanto tempo que eu a criei que não lembro mais que nome lhe dei, quando me chamavam de Gordurinha. Importante, agora, é perdoar quem a creditou ao Gonzagão, o que é tão bom como ver a chuva esverdear meu sertão. Não falo da chuva além da conta que está aí causando morte, desmoronamentos, inundações e outras coisas mais de entristecer. Canto a chuva sem medo, sem decepção, chuva que faz brotar muito milho e feijão, comunhão e alegria. Que volte a chuva da vida em festa, do homem feliz, da mesa farta, ave voando para o pé de pau que o sol secou e que tem a forma da mão de Deus.


lilian on 21 Maio, 2009 at 16:44 #

Gordurinha, Jackson do Pandeiro e Gonzagão cantavam a pureza, o sofrimento do nordestino…. Boa lembrança demais!!


waldeck on 9 Fevereiro, 2011 at 15:46 #

bom quero agradecer em aplausos por esse artigo ,sou neto de gordurinha e quero agradecer a gilson pela palavras ,com certeza meu avo deve estar pensando da mesma forma ,muitas de suas musicas foram creditadas a outros artistas.alguns esqueceram que el tinah familia ,filhos e filhas e agora netos pra defender sua obra ….


Eridam Júnior on 25 julho, 2013 at 17:45 #

Música belíssima. Isto sim, é qualidade musical. Letra e Melodia resultam numa canção desse porte. Hoje, quando perdemos nais um autêntico expoente da música nordestina, o grande Dominguinhos. Pena que agora floresçam como ervas daninhas essas bandas que só cantam porcaria, verdadeiro lixo e ainda chamam de forró.


[…] Via: Velhos Amigos – Hora da Música e “Súplica Cearense”, de Gordurinha. […]


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