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Postado em 19-05-2009
Arquivado em (Artigos) por vitor em 19-05-2009 18:15

Abreu: relações promíscuas/ Thais Bilenky -Terra Magazine
abreu

“Bomba, Bomba!”, diria outra vez com toda razão Ibrahim Sued se vivo estivesse. É mesmo explosivo o conteúdo da entrevista exclusiva do secretário de Desenvolvimento Urbano, Habitação e Meio Ambiente, da Prefeitura de Salvador, Antonio Abreu, à revista virtual Terra Magazine, ao tentar esclarecer os planos da prefeitura para uma área de 324 mil metros quadrados na orla da Cidade Baixa, declarada de utilidade pública para fim de desapropriação pelo prefeito João Henrique Carneiro (PMDB).

Primeiro, o secretário comprou briga feia com o Ministério Público, ao acusar o MP de agir como “novo ditador da cidade”. Em seguida, confessa que faz reuniões informais com o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN), na Bahia. Finalmente, admite com todas as letras – além de som e imagens gravados -, relações promíscuas entre empresários e políticos no financiamento de campanhas. Se enrola ainda mais ao afirmar que “isso não é coisa só da Bahia, mas do Brasil”.

A velha expressão popular da emenda pior que o soneto serve, com perfeição, para definir a entrevista de Abreu ao TM, conduzida pelos jornalistas Bob Fernades (editor-chefe) e Claudio Leal (repórter), com som e imagens a cargo da repórter Thaís Bilenky, disponíveis no site da revista virtual (http://terramagazine.terra.com.br ).

O decreto do prefeito saiu no Diário Oficial do Município, em 19 de março deste ano, antes de ter anunciado ou discutido qualquer projeto com a população da capital baiana. Semana passada, o governador Jaques Wagner (PT) considerou “estranho” o decreto da Prefeitura. “É muito estranho…. é muito esquisito…. Espero que não esteja ligado à especulação imobiliária”, afirmou Wagner.

CONVERSAS INFORMAIS

Abreu rebate a suspeita do governador: “Eu acho (ele) que foi mal informado”. O secretário diz que o projeto pretende “socializar” a orla de Salvador. Mas reconhece que não ouviu, oficialmente, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) – apenas se reuniu com o diretor regional, Carlos Amorim: “Eu não fui formalmente…”.

A um questionamento do Terra Magazine quanto à inexistência de um corpo técnico especializado em patrimônio histórico e cultural na Prefeitura da capital baiana, que empreste massa crítica e poder formal e legal à Prefeitura, Abreu abre o jogo e começa a se enrolar:

– À medida que a gente não tenha, a gente tem que buscar onde tem, percebeu? A nossa função… Nós somos os animadores do processo. A parte do patrimônio histórico? O meu parceiro é o Iphan. E o Ipac, instituição do governo.

O secretário se refere também ao fato de prefeitos e vereadores receberem financiamentos de empresários e depois retribuírem com espaços públicos (as já costumeiras e cíclicas elevações de gabarito):

– Mais ou menos isso. A gente sabe que é mais ou menos isso. O segundo é isso: nós temos os nossos legisladores,  têm que ter a coragem e o respeito com o povo que os elegeu pra fazer, primeiro, uma reforma política de qualidade. Ressalta Terra Magazine na apresentação da polêmica entrevista: O secretário Antonio Abreu, ao ponderar, confessa algo que atravessa o Brasil de ponta a ponta, mas que é, tem sido desde há muito, problema gravíssimo em Salvador:

– O problema político (a retribuição dos “apoios” de campanha) não é um problema da Prefeitura do Salvador. É um problema de Brasil.

NITROGLICERINA PURA

Ao ser confrontado, pelos jornalista do TM, com questões sobre a ausência de planejamento urbano em Salvador, cidade marcada pela elevação do gabarito na Orla e pela expansão imobiliária em áreas com resquícios de Mata Atlântica (a exemplo da avenida Paralela), o secretário critica a posição do Ministério Público e afirma que o prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) se empenha para corrigir os desvios na ocupação da capital.

E ataca em seguida:

“O ditador hoje é o Ministério Público. Esse é que hoje tem um caráter ditatorial… O Ministério Público tem que entender que é constitucional o licenciamento ambiental.”

Nitroglicerina pura, en quantidade suficiente para explodir quarteirões inteiros na histórica e triste cidade da Bahia.

(Por Vitor Hugo Soares)

Veja integra do texto e audio da entrevista no Terra Magazine (http://terramagazine.terra.com.br)

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Comentários

Zan Quaresma on 19 Maio, 2009 at 19:21 #

… que todos os orixàs protejam Salvador…
… Desenvolvimento Urbano, Habitação e Meio Ambiente, ao que parece, são assuntos apenas de barganha, de “visitas informais” e de conchavos altamente suspeitos…
… acordem, soteropolitanos e soteropolitanas !!!
abs


ricardo santa maria marins on 20 Maio, 2009 at 12:15 #

Distante da discussão gostaria de dizer o seguinte: É assunto para ser tratado de forma séria e responsável e técnica. Não há mais tempo para brincadeiras políticas, o risco são catástrofes que ficarão fora de controle! E, adivinhem, quem vai pagar pela eventual CAGADA, será o POVO soteropolitano! Fiquem espertos e vale cobrar todas as explicações necessárias! Cuidado Zoneamento Ambiental e estudos de impacto ambiental são coisas sérias!
Se o Clima sofrer aumento de temperatura muito grande, as orlas em geral vão desaparecer! Boa Sorte! E que a solução seja Técnica e responsável e comprometida com o progresso e respeito à natureza!


SILVIO FERREIRA on 20 Maio, 2009 at 13:23 #

NÃO PODEMOS ESQUECER Q.GRANDE PARTE DOS IMÓVEIS DA ORLA INCLUSIVE DA CIDADE BAIXA, SÃO RUINAS E PARA ENGORDA.NÃO SE DEVE ESTRANGULAR A CIDADE, NO INTERESSE DOS ESPECULADORES. SEPARAR O JOIO DO TRIGO E BOTAR E MODERNIZAR RECUPERAR A CIDADE.
SILVIO FERREIRA


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