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Postado em 17-05-2009
Arquivado em (Artigos) por vitor em 17-05-2009 12:18

Juazeiro:tranquilidade quebrada
juazeiro

CRÔNICA DA CIDADE

Dois jovens, duas armas e muita sede de justiça!

Grazzi Brito

“Duas moças conversam na calçada em frente à casa de uma delas, quando um rapaz de “boa aparência” se aproxima. De posse de uma arma, toma de assalto o celular de uma, quando num rompante de nervosismo as duas começam a gritar, desesperadamente, em busca de socorro enquanto o rapaz corre de posse do celular.

O que se viu depois foi uma verdadeira caçada! Pai, irmãos, vizinhos todos saem de casa para ir atrás do assaltante, de carro, de moto, a pé. O rapaz que correu várias quadras do bairro com seus perseguidores chamou a atenção de todos, no início da tarde, em que muitas pessoas descansam em casa. E muitos saiam para correr atrás do rapaz gritando “Pega ladrão!”.

Até aqui a história parece cômica. Um monte de gente correndo atrás de um rapaz, sem saber direito porquê, e gritos de “Pega, pega…”, um sol de rachar, algumas pessoas com roupas de dormir e pés descalços correndo pelas ruas.

A partir daqui a história se transforma numa verdadeira tragédia. Dentre os que entraram no embalo correndo atrás do ladrão, estava outro jovem. Rapaz do bairro, que saia de casa em sua moto para a faculdade e na confusão também foi atrás do ladrão. Conhecido no bairro, bonito, popular, há poucos dias se tornou pai, pois é, estava armado e nesta perseguição, já dá pra imaginar o que aconteceu.

Ele pegou a arma deu dois tiros e acertou um nas costas do “bandido”. Nesse momento policias também já estavam fazendo parte da perseguição, e pareciam não acreditar no que tinha acontecido. Na verdade até agora ninguém sabe ao certo porque ele estava armado. Um dos policiais, no momento, ao perceber que o atirador “era um rapaz direito conhecido por todos”, perguntou: “Porque você fez isso”? Ele atônito, trêmulo, branco feito papel não disse uma só palavra, parecia não acreditar no que ele próprio havia feito.

O rapaz foi conduzido para delegacia, sob o protesto dos moradores. Mas, enfim, não tem porte de arma, atirou na presença de todos e ficou parado esperando a polícia chegar. Foi preso em flagrante! Enquanto o bandido era conduzido para o hospital na SAMU.

A pergunta do policial, sem resposta por parte do infeliz rapaz que atirou, ainda ecoa pelas ruas do bairro. “Por que você fez isso?”

Existem as respostas mais óbvias como o nervosismo e a inexperiência do rapaz, o calor da confusão…Acho que existe algo além disso. Todos temos uma sede de justiça muito grande, vivemos bombardeados de notícias de bandidos que arrastam criancinhas por metros, presas ao cinto de segurança, de histórias de amigos e parentes que pagam os celulares que dividiram em dez vezes no cartão e no segundo mês teve seu celular roubado e até hoje trabalha honestamente para pagar a dívida.

Acredito que foi isso que levou as pessoas a correrem atrás do bandido, a sede de Justiça.

E olha no que deu. Um “jovem” bandido, que saíra a poucos dias de instituição para menores infratores e que morreu ao chegar no hospital. Um “jovem” estudante , que portava arma , no complexo policial, e que responderá ainda que em liberdade por homicídio e porte ilegal de arma. E os moradores do bairro que há pouco corriam atrás do bandido sedentos de justiça rezando penalizados com o seu fim trágico.

Grazzi Brito, jornalista, mora em Juazeiro, cidade baiana no vale do São Francisco

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Comentários

Lena on 17 Maio, 2009 at 15:27 #

Pois se nossos governantes nao começarem a pensar com mais seriedade na segurança publica, daqui a pouco, estaremos vendo situaçoes como esta todos os dias, Grazzi, como se estivessemos em terras sem lei,um verdadeiro bang bang.


Regina on 17 Maio, 2009 at 23:04 #

Essa eh uma dessas estorias onde a realidade supera a imaginacao.
Da filme.
Infelizmente estamos chegando a essas condições de inseguranca e descontrole geral, mas nao eh so ai em Juazeiro, Salvador, Rio, eh no MUNDO todo. Viver sob estresse financeiro e emocional sao duas das mais perigosas armas.


Danielli on 18 Maio, 2009 at 14:30 #

É uma dura realidade,ver que as pessoas hoje em dia querem fazer justiça com as própias mãos,mesmo que tenham que sacrificar sua vida e de familiares,além de ficar com consciência intranquila eternamente,só Deus pode tirar vidas.


Cleriston on 20 Maio, 2009 at 10:25 #

O plano do desarmamento promovido pelos governos do Brasil parece que deu vazão à ânsia assassina que têm produzido muito mais crimes do que antes. Assaltam, matam, fogem, são pegos, pagam fianças imorais e retornam às ruas para surrupiarem a liberdade e os pertences alheios.


yago on 15 julho, 2010 at 8:30 #

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