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Postado em 16-05-2009
Arquivado em (Artigos) por vitor em 16-05-2009 12:47

OPINIÃO/MUNDO
DE VOLTA AO COMEÇO

Rosane Santana

BOSTON (EUA) -The New York Times, declaradamente pro-Obama desde a campanha presidencial americana, no ano passado, criticou hoje (16.05) recentes decisões do presidente, que decidiu manter os tribunais militares da Era Bush para julgamento de suspeitos de terrorismo e proibiu a exibição de fotos de detentos (para esconder o que, advinhem?) em Guatanamo. Diz o jornal que tais decisões são o mais ilustrativo exemplo de como Obama tem voltado atras, de maneira substancial e frequente, na política de seguranca nacional que ele pregou como candidato, e ate mesmo em seus primeiros dias no Salão Oval (Casa Branca).

The New York Times lembra que o presidente anunciou o fechamento de Guatanamo e condenou a prática de tortura em defesa dos valores tradicionais da América, deixados de lado na gestão Bush, causando estragos na imagem internacional do país. Mas, as recentes decisões de Obama, segundo o jornal, mostram um retorno ao passado.

Comentário desta jornalista: Nenhuma novidade, em um presidente fruto de uma eleição que passou a ser um fenômeno publicitário, mercadologico, no sentido empregado pelo historiador John Luckas.

A propósito gostaria de republicar, neste espaço, trecho de artigo de minha autoria, divulgado na Terra Magazine e outros sites, há cerca de quatro meses:
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Tortura em Guantanamo:esconder o que?
tortura

OPINIÃO/MUNDO +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
ILINOIS E ALAGOAS

“A guerra contra o terror”, após o atentado terrorista de 11 de Setembro de 2001, marcou a gestão do presidente George W. Bush, que deixa a Casa Branca no próximo dia 20. Historiadores são unânimes em destacar esse fato, ressaltado em todas as análises sobre o legado da Era Bush publicadas na última semana pela imprensa americana, repetindo dezenas de livros editados anteriormente, inclusive no Brasil. Curioso é que somente agora o fato é colocado pela mídia como uma camisa-de-força da qual não poderá escapar nenhum dos próximos presidentes americanos, começando por Barack Obama que se elegeu com a promessa de mudança na política externa.

Alguns críticos sustentam que assim como na Guerra Fria, na Guerra contra o Terror não haverá espaço para políticas conciliatórias e que os Estados Unidos vão usar a força militar esmagadora para reagir a qualquer provocação, até que a população reconquiste a confiança na segurança interna, o que parece cada dia mais improvável. Basta um giro por cidades como Nova Iorque para constatar que o alerta laranja em áreas de grande concentração pública, como o metrô, virou regra geral, apesar de ignorado pelos incautos.

O terrorismo seria uma resposta a presença militar americana nos países islâmicos e o apoio a monarquias autoritárias em muitas nações árabes, além do suporte a Israel, segundo análises menos conservadoras. Nesse sentido, atentados terroristas serão recorrentes. Em contrapartida, o país verá o orçamento militar e o déficit público crescerem cada vez mais em detrimento dos recursos para a área social prometidos pelo presidente eleito, aumentando a dependência em relação a parceiros como a China e seus bilhões de dólares aplicados em letras do tesouro americano, até quando é difícil dizer.

Já em dezembro, depois de eleito, Barack Obama mudou o seu discurso: “Quando se trata de manter nossa nação segura, não somos nem democratas, nem republicanos, mas sim americanos”, afirmou, para justificar a permanência do atual secretario da Defesa, Robert Gates, à frente do Pentágono, e a indicação do general aposentado James Jones como conselheiro de Segurança Nacional, ambos republicanos.

Mais recentemente Obama também voltou atrás em relação ao fechamento de Guantánamo e não surpreenderá se mantiver a controversa legislação da Era Bush, aprovada pelo Congresso, permitindo a quebra de sigilo de e-mail, telefones, contas bancárias etc. e a prática de tortura contra suspeitos de terrorismo. No new occupant of the Oval Office can escape the grim legacy of Sept. 11 – and all of the presidential actions that followed (“nenhum novo ocupante do Salão Oval pode escapar do horrível legado de 11 de Setembro e todas as ações presidenciais que se seguiram”), segundo análise divulgada pela National Public Radio (NPR).”

Rosane Santana, jornalista, mora em Boston (EUA)

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Comentários

Lena on 16 Maio, 2009 at 18:41 #

Obama versao II,ficaria mal. Espero que ele nao taia a confiança de tantos que viram nele a oportunidade de um recomeço, com alguma possibilidade de paz. E nao falo so de democratas norte americanos,mas de democratas do mundo inteiro, de todos que ainda acreditam num mundo melhor. Obama nao decepcionaria apenas aos americanos, mas ao mundo inteiro.


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