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Postado em 09-05-2009
Arquivado em (Artigos) por vitor em 09-05-2009 00:37

Drama nordestino

 chuva

ARTIGO DA SEMANA

 

                                          BLOGUEIROS QUE SE CUIDEM

                                          Vitor Hugo Soares 

 

Olhando bem no meio do caos deste maio de aguaceiros na Bahia dá para ver: o Pacto Republicano plantado há menos de um mês em Brasília pelos presidentes dos três poderes – Lula, Gilmar, Sarney e Temer – já produz os primeiros e prematuros frutos. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, fez, enfim, sua primeira viagem como chefe da Nação, ao Maranhão da família Sarney.

Símbolo petista de origem popular nordestina, Lula levou um aperto de mão solidário e um saco de promessa de ajuda material e recursos financeiros do poder federal à “frágil” aliada do PMDB, Roseana Sarney, na hora da tragédia. Tragédia a cujas causas a governadora está umbilicalmente colada, por suas ligações sanguíneas e políticas com um dos mais prolongados e socialmente injustos domínios oligárquicos já impostos à região, do qual Roseana é parte e segmento.

Faltou alguém para documentar tanta contradição, como fez o baiano Glauber Rocha com sua explosiva câmera na mão no tempo do governador Jose Sarney, na fundação da oligarquia maranhense, em 1966. As breves imagens nos canais de TV em rede nacional, no entanto, refletem, mesmo que palidamente, a extensão da miséria contida no pungente drama humano causado pelas enchentes.

Quer outro exemplo de fruto do Pacto? Veja que o ministro Joaquim Barbosa pediu licença esta semana e se afastou de sua polêmica cadeira no Supremo Tribunal Federal, para tratar de problemas de saúde. Seguramente, agravados nos últimos dias, a partir do bate-boca em que acusou o presidente da corte de chefiar “capangas em Mato Grosso” e de “destruir o poder Judiciário no País”, e das pressões sofridas a partir daí.

O fato tem efeito de repentino “freio de arrumação”. Cessa a turbulência no STF, faz-se silêncio no recinto aparentemente pacificado. Assim, o presidente Gilmar Mendes fica mais à vontade para seguir cantando no terreiro do Planalto, com ecos por outros quadrantes do País. Quarta-feira (6), “em tom de desabafo”, conforme assinalou o jornal “O Globo”, Mendes, com jeito de político em palanque, conclamou os juizes a desafiar a opinião pública. Segundo o presidente do STF, os magistrados não podem consultar “o sujeito da esquina”, antes de tomar decisões.

Mas Mendes dá um passo (ou vários) além, na sua retórica agressiva e desafiadora. Algo que ainda surpreende, mesmo partindo do ministro mato-grossense, porque pouco tem a ver com a proverbial moderação que o País se habituou a ver em seus principais jurisconsultos – motivo explícito da explosão indignada do ministro Joaquim Barbosa no recente bate-boca que assombrou a Nação.

“Não se dá independência ao juiz para ele ficar consultando o sujeito da esquina. Vamos ouvir as ruas para saber o que o povo pensa sobre o STF conceder ou não um habeas corpus? Ou os nossos blogueiros? A jurisdição constitucional, por definição, é contramajoritária. Ela só funciona por ser contramajoritária”, proclamou o presidente do Supremo ao discursar em um seminário da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). Ao que se sabe, sem nenhuma contestação.

Em Salvador, na mesma semana, desembarcou Protógenes Queiroz no meio do temporal que quase faz o avião em que ele viajava ir pousar no aeroporto de Aracaju. O delegado da Polícia Federal que conduziu a Operação Satiagraha veio à sua cidade natal fazer conferência sobre “ética e assédio moral” na sede local do Ministério Público do Trabalho e visitar Igreja do Senhor do Bomfim.

Na colina sagrada, segundo ele, foi pedir “que a justiça seja feita para todos os criminosos do País, a começar pelo banqueiro Dantas”. O condutor da Satiagraha dever ter recebido como “um sinal” de acolhimento e aprovação do santo de maior devoção dos baianos, a inclusão do nome do banqueiro entre os denunciados no relatório final da CPI dos Grampos, em que o seu nome ficou de fora, apesar dos esforços ingentes de alguns, a começar pelo presidente da comissão, deputado Marcelo Itagiba, para que ambos – mais o ex-diretor geral da policia federal, Paulo Lacerda – fossem jogados no mesmo saco.

Mas o Pacto Republicano tende a seguir avançando. Agora, os blogueiros que se cuidem.

Vitor Hugo Soares é jornalista -E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

Lena on 9 Maio, 2009 at 4:03 #

Lula nao perderia a oportunidade de posar junto de algum flagelado pra algumas fotos que andei vendo em alguns jornais. Se fosse ainda Jackson Lago o governador, ele passaria longe do Maranhao. Realmente voce tem razao, me lembrei de uma frase de Sarnei que li no blog de Mario Kertesz,que diz:” Governo e como violino. Voce toma com a esquerda e toca com a direita”. Seria preciso dizer algo mais?


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