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Postado em 04-05-2009
Arquivado em (Artigos) por bahiaempauta em 04-05-2009 10:15

Crônica/Afetos

SAUBADEN

Gilson Nogueira

O violão de Baden acompanha Baden, que canta Canto de Ossanha, dele e de Vinícius. A voz de Baden desliza como gota de orvalho na vidraça que separa a rua da sala. Em seis minutos e quarenta segundos de pura magia, a saudade da Bahia bate. Baden toca e canta Samba da Minha Terra, de Caymmi. Tristeza, também, o título do LP que Baden gravou, em 1976, na França.

Viro o disco. Sigo Baden. As mãos, dormentes, mordo, para ter certeza que não deliro. A ilusão de estar ouvindo, ao vivo, a voz e o violão de Baden faz tilintar a frágil tulipa de estimação. Vejo o rosto de Baden, seus olhos fechados, no vidro da janela e no céu azul de um domingo de sol frio, de outono, no Rio. Levanto-me. A imagem de Baden, na contracapa, é eterna. Vou, mais uma vez, escutar Canto de Ossanha. Esqueço que Baden e Vinícius foram. Ah, que saudades tenho da Bahia! “O homem que diz “dou” não dá! Porque quem dá mesmo não diz.” Baden Powell e Vinícius de Moraes, o que vocês estão fazendo, aí, desçam, logo, rápido, o mundo precisa de vocês, caramba!

Gilson Nogueira é jornalista

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