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Postado em 02-05-2009
Arquivado em (Artigos) por bahiaempauta em 02-05-2009 22:31

                                     
Boal parte

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Uma perda sem tamanho para o teatro brasileiro e da América Latina: morreu na madrugada deste sábado(2/5), aos 78 anos, o autor teatral e diretor de teatro, Augusto Boal, vítima de insuficiência respiratória, no Hospital Samaritano, no bairro do Botafogo, Rio.

Boal criou o Teatro do Oprimido, que integrava o público e davacunho social e político à representação. Isto lhe deu prestígio popular e respeito dos atores e da crítica, mas também atraiu ataques, perseguição, prisão e tortura, em um tempo de ditadura e repressão à liberdade de expressão. Ultimamente, o dramaturgo sofria de leucemia e estava internado desde o dia 28 de abril.

Carioca da gema e cidadão do mundo, Augusto Boal, que também era ensaíta e teórico do teatro, viu o seu trabalho ganhar destaque nos anos 1960 e 1970, quando esteve à frente do Teatro de Arena de São Paulo e criou o Teatro do Oprimido, que o tornou mundialmente conhecido, mas com destaque principalmente no continente latino-americano, por aliar arte dramática à ação social dos atores e do público.

Formado em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1950, Boal viajou em seguida para os Estados Unidos, onde estudou artes cênicas na Universidade de Columbia. De volta ao Brasil, sua primeira peça como diretor do Arena foi Ratos e Homens, de John Steinbeck, que lhe rendeu o prêmio de revelação da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte). Dirigiu peças famosas, entre elas Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, e Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Vianna Filho.

Boal dirigiu o polêmico espetáculo Opinião, com Zé Ketti, João do Vale e Nara Leão, que passou para a história como um ato de resistência ao golpe militar de 1964, e também lançou para a fama nacional a cantora baiana Maria Bethânia, que foi para o Rio substituir Nara que ficara doente e conquistou o país a partir da marcante interpretação de “Carcará”, do maranhense João do Vale.

(Vitor Hugo Soares)

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