maio
02
Posted on 02-05-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 02-05-2009


Um registro histórico da peça Opinião, em 1966, no Rio de Janeiro, com a participação da baiana Maria Bethânia cantando “Carcará”, com carga máxima de dramaticidade, no início da carreira, sob a direção de Zé Ketti e Augusto Boal. Esta é a homenagem do Bahia em Pauta ao grande dramaturgo brasileiro que partiu neste sábado.
(Vitor Hugo Soares)

maio
02
Posted on 02-05-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 02-05-2009

                                     
Boal parte

==============================================

Uma perda sem tamanho para o teatro brasileiro e da América Latina: morreu na madrugada deste sábado(2/5), aos 78 anos, o autor teatral e diretor de teatro, Augusto Boal, vítima de insuficiência respiratória, no Hospital Samaritano, no bairro do Botafogo, Rio.

Boal criou o Teatro do Oprimido, que integrava o público e davacunho social e político à representação. Isto lhe deu prestígio popular e respeito dos atores e da crítica, mas também atraiu ataques, perseguição, prisão e tortura, em um tempo de ditadura e repressão à liberdade de expressão. Ultimamente, o dramaturgo sofria de leucemia e estava internado desde o dia 28 de abril.

Carioca da gema e cidadão do mundo, Augusto Boal, que também era ensaíta e teórico do teatro, viu o seu trabalho ganhar destaque nos anos 1960 e 1970, quando esteve à frente do Teatro de Arena de São Paulo e criou o Teatro do Oprimido, que o tornou mundialmente conhecido, mas com destaque principalmente no continente latino-americano, por aliar arte dramática à ação social dos atores e do público.

Formado em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1950, Boal viajou em seguida para os Estados Unidos, onde estudou artes cênicas na Universidade de Columbia. De volta ao Brasil, sua primeira peça como diretor do Arena foi Ratos e Homens, de John Steinbeck, que lhe rendeu o prêmio de revelação da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte). Dirigiu peças famosas, entre elas Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, e Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Vianna Filho.

Boal dirigiu o polêmico espetáculo Opinião, com Zé Ketti, João do Vale e Nara Leão, que passou para a história como um ato de resistência ao golpe militar de 1964, e também lançou para a fama nacional a cantora baiana Maria Bethânia, que foi para o Rio substituir Nara que ficara doente e conquistou o país a partir da marcante interpretação de “Carcará”, do maranhense João do Vale.

(Vitor Hugo Soares)

maio
02
Posted on 02-05-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 02-05-2009

maio
02
Posted on 02-05-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 02-05-2009


Amy à vontade no Caribe

==================================================

Ainda de férias no Caribe, a cantora britânica Amy Winehouse foi internada em um hospital da Ilha de Santa Lucia e “tratada por desidratação, depois de sofrer um desmaio quando brincava com crianças em uma praia local, conforme informou neste sábado (2) a BBC de Londres.

A artista , de 25 anos, passou uma noite no hospital em observação, segundo confirmou seu porta-voz. A cantora corria com um grupo de crianças, quando começou a passar mal e foi socorrida às pressas. No hospital para onde foi levada, os médicos que a atenderam disseram que Amy estava com desidratação e “tinha que beber mais água”. Winehouse está no Caribe também para participar do famoso festival de jazz de Santa Lúcia, na semana que vem.

PAPARAZZI- Outra notícia relacionada com uma das maiores e mais polêmicas celebridades britânicas da atualidade, dá conta de que os advogados da Winehouse conseguiram, em Londres, uma ordem judicial contra os “paparazzi” que a perseguem, por onde quer que ela vá, na capital britânica. A ordem do juiz, segundo os advogados, proíbe que os fotógrafos da principal agência britânica de fotojornalismo, a Big Pictures, mas também outros, de fotografar a cantora fora de casa e em outros lugares públicos aonde a tenham perseguido.

Para os advogados, isso quer dizer que os fotógrafos podem ser processados se constrangerem Winehouse ou se aproximarem a menos de 100 metros de sua nova casa, nos arredores de Londres. Além disso, os fotógrafos estão proibidos de captar imagens da cantora em casa ou na de qualquer membro da família dela ou de seus amigos. Na Inglaterra, muita gente está convencida de que, apesar de todo rigor da justiça local, esta é uma decisão difícil de ser obedecida.

maio
02
Posted on 02-05-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 02-05-2009

maio
02
Posted on 02-05-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 02-05-2009

Deu no jornal:

A Tribuna da Bahia, na edição deste sábado (2/5) publica artigo de Ivan Carvalho, sobre a decisão do governo da Bahia de publicar segunda-feira(4), no Diário Oficial, com grande atraso, decreto determinando a abertura dos arquivos sob sua custódia, “referentes ao último regime autoritário que dominou o país (originado no movimento político-militar-popular de 1964)”.

A partir de uma conversa casual com o advogado Ignácio Gomes, incansável defensor de presos políticos e dos direitos humanos na Bahia, Ivan constrói em sua coluna, uma das mais acuradas análises produzidas até agora sobre o assunto na imprensa local. Bahia em Pauta transcreve, abaixo, trechos do artigo. Acima, a canção para começar o dia, “Não Chores Mais”, de Marley/Gil, que fala do tempo a que Ivan se refere em seu texto de acurado analista político.Confira.
(Vitor Hugo Soares)

==================================================

ARQUIVOS ABERTOS

Ivan Carvalho

“Leio que o governo do Estado vai publicar no Diário Oficial de segunda-feira um decreto, determinando a abertura dos arquivos sob sua custódia, referentes ao último regime autoritário que dominou o país (originado no movimento político-militar-popular de 1964). Será este, segundo a notícia, o último ato da secretária de Justiça e Direitos Humanos, Marília Muricy – uma advogada reconhecidamente dedicada à defesa dos direitos humanos – que no mesmo dia transmite o cargo ao futuro secretário, deputado Nelson Pelegrino, do PT.

A notícia acrescenta que o principal motivo que a fez permanecer no cargo até se esgotar o feriadão foi exatamente a elaboração do decreto, tido como um dos principais objetivos dela no governo. O ato que permitirá a abertura dos arquivos ocorre 19 anos depois que o Estado de Pernambuco tomou iniciativa semelhante, tornando-se pioneiro nesse aspecto.

Se faço referência a essa notícia, também tenho para isso um motivo principal. É que no dia 24 de abril conversei durante uns 20 minutos com o ex-vereador Ignácio Gomes, que se destacou na Bahia como advogado de presos políticos pelo regime autoritário, talvez até tendo salvo a vida de alguns. No dia 25, este jornal publicou artigo, decorrente dessa conversa e no qual foram abordados vários assuntos correlacionados. Mas o trecho que no momento importa vai a seguir, começando por uma pergunta do bravo Ignácio Gomes e seguindo com observações deste repórter:

“Você sabe, Ivan, que uma lei determinou a abertura dos arquivos do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) em todos os Estados do país, que eles estão abertos, mas que na Bahia essa abertura é negada, os arquivos continuam fechados?”. Bem, da decisão nacional de abrir esses arquivos eu sabia, o que não sabia é que a Bahia decidiu ser a unidade federada rebelada? E não sei por que, já que o atual governo em nada contribuiu para tais arquivos. Quem sabe, quando o governador voltar de sua atual viagem ao exterior ponha fim nesse desvio. Em nome da lei ou da transparência, esta, também um princípio legal da administração pública, além de promessa solene e reiterada de Jaques Wagner. A administração estadual é a guardiã dos arquivos, pois foi o DOPS órgão da Polícia Civil em cada Estado.

Bem, esse parágrafo que os leitores e especialmente você, Ignácio Gomes, acabaram de ler, melhor dizendo, de reler, já que fora publicado no dia 25, mostra que sua luta pode demorar, às vezes, de produzir resultados, mas não é travada em vão”.

LEIA A INTEGRA DA TRIBUNA DA BAHIA

maio
02
Posted on 02-05-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 02-05-2009

Fabio Rodrigues Pozzibom/Agência Brasil

Gilmar e Barbosa:depois do bate-boca
===============================================

ARTIGO DA SEMANA

A VOLTA DO MINISTRO JOAQUIM

Vitor Hugo Soares

O bom de acompanhar o espetáculo, em Brasília, instalado diante de um aparelho de televisão na Cidade da Bahia, é a visão de perspectiva diante dos fatos que rolam à sua frente. Por exemplo, depois de fechado para balanço por uns dias, em seguida a um dos episódios mais deprimentes de sua história, o Supremo Tribunal Federal retornou às suas funções na quarta-feira (29), com transmissão pela TV. E o que vemos: o ministro Gilmar Mendes, presidente da casa, sentado em seu trono de comando com mal disfarçado ar de imperador enfadado, é louvado pelo colega Celso de Mello.

Voz embargada em vários momentos, o ministro Celso, decano do STF, enumera feitos, todos grandiosos, para distinguir o primeiro ano do presidente Gilmar Mendes à frente da suprema corte de justiça do País, completado exatamente no dia seguinte ao bafafá que ele protagonizou com o colega de tribunal, Joaquim Barbosa, ausente da estranha sessão de rasga seda, na qual o encarregado da saudação molda com cinzel de fios de ouro o perfil de Mendes.

“Magistrado responsável e fiel ao interesse público e à causa da justiça, e que será capaz, por isso mesmo, de superar – como já o vem fazendo – os graves desafios e problemas que tanto afligem o Poder Judiciário em nosso País”, diz o jurista ao arrematar a homenagem, no discurso emocionado que escuto em Salvador.

Vazia vê-se a cadeira de Barbosa. Sua ausência, segundo se espalhava nos corredores da boataria do STF, de Brasília e do resto do país, se devia a problemas de saúde do ministro, agravados pelo bafafá da semana passada. Segundo se dizia, com ares solenes de falsa gravidade, ele só poderia retornar ao STF na próxima semana, pois teria que passar antes por exames detalhados de coluna em uma clínica paulista. Mais arrevesado que isso, só as notícias procedentes do México sobre a real extensão da gripe suína, que ameaça virar pandemia.

Os demais membros da corte dão sinais de aprovação ao que acabam de ouvir na louvação ao ministro Gilmar, com maior ou menor convicção – à exceção do ex-presidente Marco Aurélio Mello, cujo ar parece mais de troça com o orador que de apoio ao colega presidente. A memória voa de repente da Bahia para Portugal e é como se estivesse então diante do poeta Fernando Pessoa, encarnado em Álvaro de Campos, com um copo de vinho na mão, a declamar o “Poema Em Linha Reta”, em uma daquelas mesas postas no largo em frente ao “A Brasileira”, no bairro boêmio do Chiado.

“Quem me dera ouvir de alguém a voz humana/Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; / que contasse não uma violência, mas uma covardia! Não, são todos o ideal, se os ouço e me falam./ Quem há neste mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó príncipes, meus irmãos… Arre, estou farto de semi-deuses! Onde é que há gente no mundo?… Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?”. Magnífico Pessoa!

No dia seguinte, quinta-feira (30), o Pleno do Supremo está reunido outra vez, agora para decidir sobre um tema de transcendente importância jurídica e política: a derrubada da famigerada Lei de Imprensa, editada pela ditadura imposta ao País em 64. Desta vez, lá está, sentado em sua cadeira, toga sobre os ombros, o ministro Joaquim Barbosa, firme na defesa de seu voto independente, como tem sido em geral em suas falas e decisões no STF. Não pede desculpa ou mostra arrependimento (prévia ou posteriormente) por nada do que disse no bate-boca com Gilmar Mendes, uma semana antes, diante de uma nação pasma.

“Brilhante e consistente ministro Joaquim!”, assinala Ellen Gracie, ex-presidente da corte, na justificativa de seu voto, a seguir, por sinal, coincidente com o do colega a quem se dirige com inequívoca simpatia e admiração intelectual. Sério e impávido segue o ministro Joaquim, mas dá para ver em perspectiva pela tela da TV, que o ministro Barbosa, em sua volta, tenta segurar o riso de satisfação apertando o canto dos lábios.

Tudo às claras, como parece ser do gosto de Joaquim Barbosa, que, por sinal, aparentava perfeitas condições físicas e psicológicas em seu retorno na plenária histórica desta quinta-feira do Supremo, que derrubou a Lei de Imprensa. Para surpresa e evidente desagrado de boateiros de plantão que espalhavam lorotas, o ministro participou ativamente durante mais de cinco horas de duração, do julgamento do processo de iniciativa do PDT, relatado pelo ministro Carlos Ayres Brito, com pedido de anulação completa da Lei de Imprensa. Votado favoravelmente pela corte, em data para ser lembrada sempre, por muitos motivos, quase todos nobres.

Retorno honroso do ministro Joaquim à sua cadeira , em dia honra do Supremo. Agora é esperar os dias que virão.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do Bahia em Pauta –
E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

  • Arquivos