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Postado em 30-04-2009
Arquivado em (Artigos) por bahiaempauta em 30-04-2009 10:02


Recife à noite

ARTIGO/DIVERSIDADE

Recife: a cidade gay friendly do Nordeste

Irineu Ramos

A corrida para oferecer um atendimento diferenciado para o turista gay se espalha pelo Brasil. No Nordeste, Em 2009 Recife sai na frente distribuindo para agências de viagens de todo o País, folderes contendo roteiro de hospedagem e lazer para um público exigente e qualificado.

O empenho desenvolvido pelo Recife Convention & Visitors Bureau – RCVB – para o segmento LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Transgênero) deve atrair não apenas o público brasileiro concentrado principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, como também a comunidade gay da Europa e Estados Unidos.

Belezas naturais não faltam nesse pedaço do Nordeste. Praias paradisíacas, sol o ano todo, calor e tranqüilidade fazem da região um Éden para turistas de qualquer lugar do planeta. No material de divulgação ainda há poucas empresas que atrelaram sua marca à diversidade. Quem tem visão saiu na frente. Todos os grandes hotéis mergulharam de cabeça na idéia, já que pertencem às grandes redes hoteleiras, sabem do potencial do mercado.

O aparente “medo” de pequenos estabelecimentos de vincular seu nome a uma proposta inovadora é um preconceito. Afinal, um comércio quando se identifica como gay friendly não está excluindo outro tipo de público. Ao contrário: ao afirmar esta posição afirma que todos os segmentos da sociedade são bem-vindos no local, inclusive os gays.

A tarefa do RCVB a partir de agora é bem maior. Não basta convencer os empresários a vincular seus hotéis, bares, restaurantes, casas noturnas, lojas ao conceito gay friendly. É preciso mais. É necessário que todos os funcionários que atuam no setor sejam treinados para atender este público. O atendimento é o diferencial que fará o turista voltar à cidade e indicá-la aos amigos. Por serem perseguidos socialmente os gays são sensíveis ao menor movimento de preconceito.

Quem sabe uma integração da RCVB com o poder público pernambucano possa dar início a uma cultura de diversidade em todas as áreas da sociedade. O preconceito começa na infância, na escola, nos clubes e nas repartições públicas. Capacitar professores, funcionários públicos, profissionais que lidam com o público, policiais militares e municipais é fundamental para qualquer localidade que pretenda receber o turista gay com respeito e dignidade. Infelizmente no Brasil ainda se combate a homossexualidade e não o preconceito.

A semente plantada agora por Recife deve germinar também em outras cidades da região. Afinal, o Nordeste é um paraíso tropical cartão postal para o turismo friendly.

Irineu Ramos é jornalista, pós-graduado em História e mestre em Comunicação especializado nos estudos de sexualidade e gênero na mídia

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