abr
27
Postado em 27-04-2009
Arquivado em (Artigos) por bahiaempauta em 27-04-2009 10:34


Memória do Mestre

Presença permanente/Correio da Bahia

————————————————————

CRÔNICA DA MEMÓRIA

Festa da Capoeira

Ivan de Carvalho

Os 120 anos de nascimento de Vicente Ferreira Pastinha, o famoso Mestre Pastinha, principal personagem do mundo da capoeira em Salvador e certamente na Bahia, foram comemorados no dia 05 deste mês, no Forte da Capoeira (Forte de Santo Antônio Além do Carmo) com um evento promovido pelo Centro Esportivo de Capoeira Angola (Ceca) e pela Academia de João Pequeno de Pastinha.

Mestre Pastinha nasceu em 5 de abril de 1889, filho de José Señor Pastinha (descendência espanhola) e de Raimunda dos Santos (negra de Santo Amaro da Purificação). Aos dez anos – há quem diga que aos oito – começa a aprender capoeira com o velho Benedito. Aos 12 anos entra para a Escola de Aprendizes da Marinha e lá já ensina capoeira aos colegas. A partir de 1941, assumiu e levou adiante, até sua morte, em 13 de novembro de 1981, com 92 anos, o Centro Esportivo de Capoeira Angola, hoje comandado por seu ex-discípulo Mestre João Pequeno de Pastinha e que funciona no Forte da Capoeira, antigo Forte de Santo Antônio Além do Carmo, onde já funcionou inclusive a Casa de Detenção de Salvador.

Mestre Pastinha, tanto quanto Mestre Bimba (criador da capoeira Regional Baiana), foram e ainda são os maiores expoentes da capoeira, hoje praticada em mais de 130 países do mundo. Além do grande número de convidados e do público em geral, participaram do evento mestres e alunos de várias academias de capoeira de Salvador e outras cidades baianas, como também de outros Estados. Entre os mestres presentes estiveram João Pequeno de Pastinha, Gildo Alfinete, Vermelho de Pastinha, Bola Sete, Fernando, Boca Rica e Moraes, todos estes ex-discípulos de Mestre Pastinha. Também presentes – e também de Salvador – os mestres Pelé da Bomba, Zoinho, Faísca, Bigodinho, Ciro, Serginho do Pero Vaz e Zé Pretinho. De outras cidades e Estados vieram os mestres Felipe, Lampião e Adol (Santo Amaro), Fernando (Saubara), Joel (São Paulo), entre outros.

O evento reforçou a disposição de todos os mestres e alunos presentes de, com “União, Paz, Fraternidade, Fé e Trabalho”, não medirem esforços na luta pela valorização do legado de Mestre Vicente Ferreira Pastinha e pela consolidação da própria arte da capoeira. Encerrando o evento, houve uma confraternização, quando foram servidos pratos típicos, além de vinhos, sucos e refrigerantes.

O encontro incluiu uma “oficina de confecção de caxixis”, além de palestras e debates sobre Mestre Pastinha, sua árvore genealógica e sua viagem à África em 1966 (por mestre Alfinete), Dia a Dia do Ceca na década de 60 e Mestre Pastinha e o Balão (por mestre Vermelho de Pastinha), Os Ensinamentos de Mestre Pastinha (por mestre Boca Rica), Mestre Pastinha e o Amarelo e Preto (por mestre Moraes), Porque os João – João Pequeno e João Grande – Não Usam Amarelo (por mestre Zoinho), Para quem Mestre Pastinha Deu o Pulo do Gato (por mestre Bola Sete), além da abordagem de outros temas por mestres Ciro, Fernando, Faísca, Brandão, Felipe, Lampião, Joel e Adol.

Um dos pontos altos do evento foi uma roda de capoeira dos sucessores de Mestre Pastinha e convidados, sob o comando de mestre João Pequeno de Pastinha, que, com seus 91 anos, “entrou na roda e vadiou para deleite dos presentes.

Ivan de Carvalho, jornalista político, escreve na Tribuna da Bahia> Crônica especial para Bahia em Pauta.

Be Sociable, Share!

Comentários

Flora Prateado on 27 Abril, 2009 at 13:31 #

Nestes tempos de violência, crise economica, escandâlos variados e de preocupações com dengue e gripe suina, a leitura de sua bela crônica, permite uma pausa para entrar no clima de alegria e magia “da roda”.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos