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Postado em 26-04-2009
Arquivado em (Artigos) por bahiaempauta em 26-04-2009 11:13

Gil na terra de Torquato/Imagem/Yala Sena/Terra

A magnifica fotografia produzida por Yala Sena, publicada no portal Terra, por sí só já mereceria publicação no espaço deste site-blog sem maiores explicações. Acontece que, além disso, a imagem está acoplada a uma notícia das mais importantes desta semana, que estranhamente não teve quase nenhuma acolhida na imprensa baiana: A entrega do título de cidadão de Teresina ao artista e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, baiano de coração mole, que chorou copiosamente na capital do Piauí ao fazer um discurso de agradecimento carregado de emoção e denúncia.

O cantor e compositor chorou – e fez o público se emocionar – principalmente ao falar de Torquato Neto, um dos nomes fundamentais da Tropicália (como preferia o piauiense morto tão prematuramente), o movimento cultural iniciado nos anos 70, que virou o país de pernas para o ar, alcançando principalmente o coração da juventude. Mas Gil não perdeu a oportunidade, na sua viagem sentimental a Teresina, e fez um discurso em que também denunciou que os empresários do Sul e Sudeste são os que estão criando obstáculos para barrar o novo projeto da Lei Rouanet.

“A resistência à Lei Rouanet vem da parte daqueles que estão interessados em mantê-la como está. São setores empresariais em geral do Sul e do centro Sul, do Rio de Janeiro e São Paulo, de áreas empresariais onde são mais intensos os investimentos feitos em cultura”, afirmou Gil, ao receber o título de cidadão teresinense na Assembléia Legislativa do Piauí.

A matéria mais completa sobre o evento, publcada pelo Terra, revela que no discurso o ex-ministro afirmou que as resistências à lei vêm, principalmente, da proposta de diminuição da participação do Estado e das restrições às isenções de 100%. “Além do escalonamento de percentuais, outra resistência é a atribuição do Ministério da Cultura julgar os méritos dos projetos que serão contemplados pela lei. Coisa que hoje não é feito”, disse Gil.

O CHORO DE SAUDADE- Ao finalizar o discurso de agradecimento, Gilberto Gil cantarolou a música A Rua, de Torquato Neto, se emocionou, e chorou copiosamente, precisando de um guardanapo providencial para enxugar as lágrimas. “Sem dúvida alguma não posso me referir ao Piauí e a Teresina sem falar nele: Torquato Neto. Eu tinha na época ginasial contatos com muitos piauienses, mas foi Torquato que intensificou esses laços”, afirmou Gilberto Gil, que depois informou que a canção A Rua era especial para ele (Torquato), e por isso ficou emocionado. Mesmo com violão do lado, o cantor preferiu “cantar recitando” a música.

Na sua fala, assinala Terra Magazine, o ex-ministro disse ainda que tem uma ligação com Teresina, que é itinerário e destino permanente na sua vida, pela ligação com Torquato (que também estudou e morou em Salvador) e outros artistas. “Esse título é uma prova de carinho, de atenção e reconhecimento”, completou. Ele afirmou ainda que a obra de Torquato Neto não tem ainda o reconhecimento merecido.
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Comentário do Bahia em Pauta :Verdade cristalina, que fala de uma injustiça que precisa ser corrigida o mais rápido e o mais completamente possível, para o bem da cultura, da música, da poesia e da humanismo do País. (Vitor Hugo Soares, editor).

Leia matéria completa no portal Terra (www.terra.com.br)

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A POESIA FUNDAMENTA DE TORQUATO NETO

Composição: Torquato Neto (letra) e Gilberto Gil (música)

Toda rua tem seu curso
Tem seu leito de água clara
Por onde passa a memória
Lembrando histórias de um tempo
Que não acaba
De uma rua, de uma rua
Eu lembro agora
Que o tempo, ninguém mais
Ninguém mais canta
Muito embora de cirandas
(Oi, de cirandas)
E de meninos correndo
Atrás de bandas
Atrás de bandas que passavam
Como o rio Parnaíba
Rio manso
Passava no fim da rua
E molhava seus Lajedos
Onde a noite refletia
O brilho manso
O tempo claro da lua
Ê, São João, é, Pacatuba
Ê, rua do Barrocão
Ê, Parnaíba passando
Separando a minha rua
Das outras, do Maranhão
De longe pensando nela
Meu coração de menino
Bate forte como um sino
Que anuncia procissão
Ê, minha rua, meu povo
Ê, gente que mal nasceu
Das Dores, que morreu cedo
Luzia, que se perdeu
Macapreto, Zê Velhinho
Esse menino crescido
Que tem o peito ferido
Anda vivo, não morreu
Ê, Pacatuba
Meu tempo de brincar já foi-se embora
Ê, Parnaíba
Passando pela rua até agora
Agora por aqui estou com vontade
E eu volto pra matar esta saudade
Ê, São João, é, Pacatuba
Ê, rua do Barrocão.

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