abr
13
Postado em 13-04-2009
Arquivado em (Artigos) por bahiaempauta em 13-04-2009 13:33

E como poderia ter dito o imenso Vinícius de Moraes: De repente, não mais que de repente, a política baiana descobre o gosto refinado do ex-governador Paulo Souto (presidente regional do DEM ) pela poesia. Uma paixão estimulada, segundo o próprio Souto, por um antigo e bom mestre de português, Pedro Lima, do colégio onde ele estudava em Ilhéus, no sul do Estado.

Semana passada, em seu comentário das quintas-feiras, na Rádio Metrópole, Souto foi buscar na lírica parnasiana do alagoano de Palmares, Jorge de Lima – um dos pilares da poesia no Brasil em seu tempo – os fundamentos para responder às críticas feitas à sua gestão pelo seu sucessor no Palácio de Ondina, o petista Jaques Wagner, que disse ter assumido o governo com uma máquina administrativa trôpega e superada, na qual salvava-se apenas a SEFAZ.

Do ponto de vista do poema e da qualidade do autor, o ex-governador não poderia ter escolhido nada melhor: “O Acendedor de Lampiões”, de Jorge de Lima, que fala da “triste ironia atroz que o senso humano irrita”, declamada na íntegra por Souto, antes de numerar mais de uma dezena de virtudes de sua gestão, segundo ele, em comparação com a de Wagner até aqui, a começar pelo “cumprimento integral da Lei de Responsabilidade Fiscal “. Quanto à Secretaria da Fazenda, o ex-governador chamou atenção para o que acontece atualmente na pasta, “não por culpa de seus servidores, mas pela desorganização generalizada da máquina pública sob o comando de Wagner”.

Tem muita gente, do lado do PT, querendo tréplica de Jaques Wagner. Enquanto a turma da oposição está curiosa para saber que poema e que poeta Paulo Souto escolherá para declamar nesta quinta-feira (15) .

(Vitor Hugo Soares )
—————————————————————————————
POESIA ESSENCIAL

Jorge de Lima
<

0 ACENDEDOR DE LAMPIÕES

Lá vem o acendedor de lampiões da rua!

Este mesmo que vem infatigavelmente,

Parodiar o sol e associar-se à lua

Quando a sombra da noite enegrece o poente!

Um, dois, três lampiões, acende e continua

Outros mais a acender imperturbavelmente,

A medida que a noite aos poucos se acentua

E a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita: –

Ele que doira a noite e ilumina a cidade,

Talvez não tenha luz na choupana em que habita,

Tanta gente também nos outros insinua

Crenças, religiões, amor, felicidade,

Como este acendedor de lampiões da rua!

Be Sociable, Share!

Comentários

Edison Lemos on 13 Abril, 2009 at 16:31 #

Fico imaginando qual seria a poesia adotada por Wagner para sua tréplica:
“Batatinha quando nasce se esparrama pelo chão. . .”
Não, definitivamente poesia não seria a melhor escolha, mas quem sabe o “chefe” não poderia seguir pelo caminho das cantigas de crianças e, fazendo uma autocrítica de seu governo, lançar mão de:
“Samba lêle tá doente, tá com a cabeça quebrada. Samba lêle precisava é de uma boas palmadas. . .”
Essa sim, seria uma tréplica perfeita!


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos