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Postado em 10-04-2009
Arquivado em (Artigos) por bahiaempauta em 10-04-2009 17:20

Buenos Aires:o exemplo segue vivo

O comentário a seguir foi postado em um dos melhores e mais acessados sites do País, o “Alma Carioca” (http://almacarioca.net ) , do jornalista Paulo Afonso Texeira, que reproduziu semana passada o artigo “Enterro de um Exemplo”, que este editor do Bahia em Pauta escreveu sobre a morte do ex-presidente Raul Alfonsin, em Buenos Aires. O comentário é da argentina Susana B. Alvis Etcheverry, que vive atualmente em Basília, e creio merece a publicação tambem neste site-blog, com o mesmo destaque que a mensagem recebeu do “Alma Carioca”, pela beleza do texto e o valor de seu conteúdo. Confira (VHS).

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Por Susana B. Alvis Etcheverry
Comentário em “Raúl Alfonsin – O enterro de um exemplo“, de Vitor Hugo Soares.

“Nasci argentina, e tive muito orgulho disso quando votei pela minha primeira vez. Meu voto foi para ele: Raúl Alfonsín. Também foi para ouvi-lo falar quando fui ao meu primeiro comício. E também, foi nele em quem se concentrava não sei se tudo o que eu queria para o meu país. Porém, sem dúvida, não era nos outros. Não era nos peronistas e muito menos nos militares.

É verdade que cada argentino carrega até hoje as dores da ditadura, os horrores, as lembranças de um tempo que não quer e não deve ser esquecido. Todos perdimos alguém para as Juntas. Do peronismo da época: não há de existir um argentino que não lembre da imagem de Herminio Iglesias queimando o caixão…

Alfonsín foi como o ar puro entrando nos pulmões. Todos queriamos a democracia. Todos, também, a justiça. Depois de tantos excessos, das guerras, queriamos a paz. Das mentiras, queriamos a verdade. Queriamos viver, fato que não era garantia um tempo antes, mesmo sem “ter nada a ver”, como se falava por lá… como tampouco o eram a liberdade, o fato de ir, ou de vir. Falar. Cantar. Escrever. Estudar. Escolher. Trabalhar…

É verdade: ele não conseguiu fazer tudo o que tinha se proposto. Mas fez, quiçá, algo maior e inesquecível: trouxe de volta o espírito democrático e tudo o que isso significa. Cooperou decisivamente para reafirmar valores e difundi-los, sem ter vergonha disso em um país onde ser ético já foi considerado coisa de babacas…

Chorei suavemente o dia em que soube de sua morte. Fiz um comentário breve que continha, na verdade, um enorme sentimento de saudade aliada a uma impressão de esgotamento social do que eu mais identificava nele: a integridade.

E enquanto isto escrevo, sinto que me invade uma enorme emoção. A imagem de Alfonsín se me aparece nitidamente, ao tempo que ecoam retumbantes as palavras e a música instigantes: “lute, lute, lute, não deixe de lutar…!!!”

Saí da Argentina na época de Menem e vivo aqui, em Brasília. Sou agora cidadã brasileira, com direito a voz e voto e confesso algo do que estou absolutamente convicta: uma epidemia de Alfonsins, faria muito bem ao mundo. Pena que ele foi só um. Fica, porém o legado para quem quiser imitar. Quem vai engrossar as fileiras? Você topa?”

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