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Postado em 05-04-2009
Arquivado em (Artigos) por bahiaempauta em 05-04-2009 14:18

Semana passada, em comentário ao vídeo da música “Tradição”, de Caetano Veloso, editado neste blog a propósito das comemorações dos 460 anos de fundação de Salvador, o jornalista Gilson Nogueira postou um comentário que emocionou não apenas a este editor do Bahia em Pauta, mas a muitas outras pessoas mais. Uma delas disse:”Que coisas bonitas ele fala sobre a cidade, relações humanas que não se perderam no tempo, afetos!”. Uma outra foi crítica com o editor: “Cadê o seu faro? Um texto como aquele não pode ficar restrito à caixa de mensagens do blog?”.
Isto me fez passar a semana remoendo coisas. Depois dei uma palmada de protesto na testa e pensei: “A leitora tem razão na crítica, mas é tarde, perdi o horário do bonde e agora não posso fazer mais nada”.
Neste domingo – dia que pede cachimbo e a gente tem sempre mais tranquilidade para refletir melhor – decidí publicar na cabeça do Blog como crônica, o comentário de Gilson , jornalista de texto refinado, colega de larga caminhada, amigo e vizinho de juventude no bairro sempre querido Nazaré-Saúde (é difícil separar um do outro), companheiro de profissão e de zelo pela cidade da Bahia, tão bela e tão maltratada
Passou uma semana mas ainda é tempo. Nunca é tarde para se corrigir um erro.
(Vitor Hugo Soares)

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Rua do Jenipapeiro

CRÔNICA E OPINIÃO

NAS TRILHAS DO COTIDIANO
Gilson Nogueira

“Tudo azul? Ouço nas trilhas altissonantes do cotidiano que o tempo não destruiu meu querido velho cumprimentando-o na Rua do Jenipapeiro, em Nazaré, onde morávamos. Você passava defronte ao portão da casa de número 80 e, quase sempre, parava para trocar idéias com Seo Nogueira. Mais que um vizinho, um amigo e grande admirador seu. Na hora do almoço e do jantar, o velho estava, ali, regando, carinhosamente, as plantas do nosso jardim, como parecia fazer, também, nos bate-papos com você, que havia acabado de diplomar-se em jornalismo integrando uma das primeiras turmas do curso, então, componente da estrutura da Faculdade de Filosofia da Ufba.

Era 1968, você e meu irmão mais velho (Elísio Nogueira Filho, nota do editor) saiam diplomados de lá e eu entrava, na mesma faculdade, para cursar o primeiro dos quatro anos do mesmo curso que, a partir de 1969, iria abrigar-se sob a cumeeira da Escola de Biblioteconomia e Comunicação da querida universidade, no Vale do Canela, embrião do embrião da atual Facom. Você, depois, voltaria a freqüentar a Ufba, como estudante de Direito. Eu, após a formatura, em jornalismo, em 1971, fiquei, no meio do caminho, diante de algumas escolhas profissionais a fazer. Ou o trabalho, com viagens constantes, ou a Escola de Direito. Deu a primeira, na cabeça. E não me arrependo. O jornalismo, assim como minha família, é minha vida.

Aqui, diante do computador, conferindo as últimas nos sites de Samuel Celestino, Jolivaldo Freitas, Tasso Franco, Alex Ferraz e do seu, dentre outros,de repente, fico a pensar:
Como tanta coisa mudou do tempo em que residíamos no bairro de Nazaré, para essa Salvador que acaba de completar 460 anos de fundada, irmão! Jamais imaginaria, por exemplo, naqueles anos, a possibilidade de vir a ter que opinar sobre a criação de um centro de manutenção das tradições baianas, em pleno solo soteropolitano, como forma de preservar a cultura da Boa Terra.

Nesta segunda-feira, entre os sustos provocados pelo alarmante número de assassinatos na capital do berimbau, a saudade dos bons tempos de Nazaré e a convivência com realidade do dia-a-dia, desejo-lhe, uma semana azul, repleta de boas notícias, como, por exemplo, a revogação da Lei de Imprensa, pelo Supremo Tribunal Federal ( STF ), e a manutenção, por aquela Corte, da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista no Brasil. Um abraço. Azul.

Gilson Nogueira é jornalista.

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Comentários

Aparecida Torneros on 6 Abril, 2009 at 9:55 #

Vitor, adorei essa crônica do Gilson! Senti-me transportada, vivendo no espaço-tempo de vocês, na Bahia, de antes e de agora, pois o texto é atemporal, na verdade, a saudade dele que dói em mim e em nós todos, serve para nos sintonizar com esse “hoje” de preservação cultural e histórica, e, cá entre nós, azul é mesmo a cor mais forte para nos trazer de volta o céu dos sonhadores, né? com beijo carioca!!
Cida Torneros


Regina on 6 Abril, 2009 at 17:07 #

Ao nosso amigo Gilson, um grande abraco, gostei muito de te ver na ultima vez que estive em Salvador.
Que saudades daquele tempo do Genipapeiro!!! Dos nossos carnavais, do JACU, da inocencia de uma vida sem violencia e com muita cultura que desfrutavamos na Bahia!!!! Voce, Hugo e todos aqueles que tem voz nessa nossa abencoada terra, tem que continuar vigilantes…


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