abr
04
Posted on 04-04-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 04-04-2009

Grazzi Brito escreve de Juazeiro(BA)

“Que delegado José Magalhães, que nada! Prestigio e respeito na comunidade onde atua quem tem mesmo é o delegado Charles Leão, da cidade de Juazeiro, nas margens do Rio São Francisco. Neste sábado (04), centenas de juazeirenses tomaram as ruas do centro em caminhada de iniciativa popular em defesa da permanência do delegado Charles Leão no comando da polícia civil no município.

A manifestação teve participação de muitos populares, autoridades, movimentos sociais como o MST e sindicatos a exemplo dos mototaxisistas. Nas ruas o povo pedia, com gritos e cartazes, que o delegado não seja transferido, como se anuncia há várias semanas.

O motivo da transferência do delegado é desconhecido pela população.O vereador José Carlos Medeiros, que participou da manifestação, diz que se o povo vai às ruas pedir pela permanência do delegado é porque ele deve ficar. E justifica: “O ìndice de criminalidade diminuiu, mesmo diante de todas as dificuldades que a polícia enfrenta. Conservar Charles Leão é uma conquista para a segurança pública na nossa cidade”, afirmou o vereador que acredita que existe interesse de algumas pessoas influentes pela saída do delegado e que isso tomou força depois de um incidente entre Leão e um Major da Polícia Militar, em Salvador.

-Não se sabe quem está por trás disso, mas essa iniciativa de tentar tirar o delegado de Juazeiro deve ser neutralizada”, completa.

O incidente ao qual o vereador se refere aconteceu no carnaval de Salvador, quando policiais civis, liderados por Leão e policias militares brigaram após o delegado ter, segundo testemunhas, agreedido o major Pedro Jorge Fonseca. Se depender da população, porém, a de Juazeiro dexou claro na manhã deste sábados: “O delegado deve ficar”.

Grazzi Brito, jornalista, mora em Juazeiro, no vale do Rio São Francisco.

abr
04
Posted on 04-04-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 04-04-2009


Este sábado, 04 de abril, é um dia para não esquecer em New York. Os cantores Paul McCartner e Ringo Starr, nada menos, portanto, que metade dos Beatles,o grupo mais famoso do mundo, vão se apresentar juntos esta noite no Radio City Hall, a famosa casa de espetáculo da Broadway, O baterista Ringo Starr e o baixista Paul se juntam para um evento especial, cujo objetivo é arrecadar fundos para a “David Linch Foundation”, a instituição criada pelo premiado cineasta, que busca ensinar crianças a meditarem na escola. A última vez que os famosos músicos pisaram juntos em um palco foi em 2002, na cidade de Londres, durante um show em tributo ao colega de banda George Harrison, morto em 2001, vítima de câncer. Ringo e Paul são os únicos remanescentes do quarteto de Liverpool. John Lennon, o fundador do grupo, foi morto a tiros em 1980, em New York. A música para começar o dia é um delicoso aperitivo servido pelo Bahia em Pauta aos seus leitores.

(Vitor Hugo Soares)

abr
04
Posted on 04-04-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 04-04-2009

Imigrante conforta sobrevivente (de branco)

A jornalista Rosane Santana escreve para o Bahia em Pauta sobre o massacre de ontem, em Binghamton, cidadezinha americana próxima a Nova Iorque, onde um homem invadiu armado um centro de apoio a imigrantes e matou 13 pessoas, matando-se em seguida com um tiro na cabeça:

—————————————–

Boston (EUA) – Ganhou destaque de primeira página na edição dos principais jornais dos Estados Unidos deste sábado, 04 de abril, a tragédia de Binghamton, pequena cidade de 43 mil habitantes, a 280 quilômetros de Nova Iorque, onde um homem identificado como sendo o vietnamita Jiverly Wong, 42, armado com um rifle, invadiu a American Civic Association, organização de apoio a imigrantes, e matou 13 pessoas, suicidando-se em seguida.

Segundo The New York Times, foi o pior assassinato em massa ocorrido no pais desde 16 de abril de 2007, quando o estudante Seung-Hui Cho matou 32 pessoas em um dormitório da Virginia Teck University, na cidade de Blacksburg, estado da Virginia – considerado o maior episódio do gênero da história moderna dos Estados Unidos, diz NYT. O jornal ressalta que, no último mês, 25 pessoas, incluindo 2 atiradores, foram mortas violetamente em fatos semelhantes ocorridos em Norte Carolina, Califórnia e Alabama

The New York Times informou também que duas pistolas e um pequeno saco contendo munição foram encontrados junto com o corpo de Wong, que vivia próximo a localidade de Johnson City, levando a policia a acreditar que o crime foi premeditado, por razões que são ainda desconhecidas. O atirador possuía licença para porte de arma concedida pelo Estado de Nova Iorque, tendo registrados dois rifles Beretta de calibres 45 e 9 milimetros, respectivamente. Ele se dirigiu ate o local do crime com o carro do pai dele, com o qual fez barricada na saída dos fundos da instituição, impedindo que as vítimas fugissem.

O Governador do Estado Nova Iorque, David A. Paterson, o vice-presidente Joseph Biden e o presidente Barack Obama, que está na Europa, expressaram condolencias as famílias das vítimas, de acordo com o jornal. Ainda segundo o NYT, Bidem defendeu a busca de soluções para prevenir esse tipo de acontecimento, cada vez mais freqüente, classificado por ele como de “violência terrível”.

Em Binghamton está parte do campus da Universidade Estadual de Nova Iorque e sua população é composta de 80% de brancos e cerca de 10% negros, com pequenas percentagens de imigrantes asiáticos e latinos, informa NYT.

Rosane Santana, jornalista, mora em Boston

abr
04
Posted on 04-04-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 04-04-2009

Argentinos na despedida de Alfonsin

ARTIGO SEMANAL

O ENTERRO DE UM EXEMPLO

Vitor Hugo Soares

“Da janela do apartamento em Salvador, na larga entrada da Baía de Todos os Santos, miro o Sul, na direção do Rio da Prata, e aperta a vontade de estar em Buenos Aires. Como tantas vezes, queria abraçar, fazer troça ou me solidarizar com os argentinos nesta semana de tormentos portenhos: a brava e notável cantora Mercedes Sosa foi internada com graves problemas de pneumonia e desidratação; a seleção de Diego Maradona foi surrada pela Bolívia por 6 a 1, e – como se não bastasse -, morreu o ex-presidente Raúl Alfonsin, pai exemplar da frágil democracia no país, órfã, agora, no meio do tufão de mais uma crise.

O jornalista vence pruridos de homem de pouca fé e roga ao glorioso Santo Antônio pela saúde de “La Negra”. Faz uma pausa para tirar um sarro dos vizinhos no futebol e depois se concentra nas pungentes imagens do velório e enterro de Alfonsín. Mais de 60 mil pessoas passam a madrugada fria de quinta para sexta-feira na fila, para o último adeus ao líder. Na rua – mostram as TVs e registram os jornais -, a multidão serpenteia em fila colossal e as pessoas murmuram respeitosas sobre o político e governante que se foi: “Honradez. Decência. Ética. Exemplo”.

O pensamento voa para a capital portenha e pousa no momento em que o dirigente da União Cívica Radical, como um Quixote do Parque Palermo, enfrentava, de um lado, a brutalidade do regime dos generais, e, do outro, a fúria do peronismo quase hegemônico na Argentina naquele tempo. Alfonsín ensaiava ali os passos políticos e estratégicos que o conduziriam à surpreendente vitória na campanha de 1983. Então o repórter estava de férias do Jornal do Brasil e andava por Buenos Aires. Antenas e faro ativados para entender o que acontecia bem na frente do seu nariz e assim foi parar no meio de uma manifestação política na sede da UCR, onde o emergente radical – na verdade um socialista liberal de centro-esquerda – era anunciado como orador principal.

O personagem impressionava à primeira vista. Moreno (“morocho” como dizem os portenhos), rosto sempre sério, cabeleira farta e bigode sem um fio sequer de cabelo branco. E um apelo especial de conteúdo: o envolvente e consistente discurso que fugia inteiramente da barulheira retumbante dos bumbos e dos chavões tortuosos da retórica peronista. Além, evidentemente, do empolgante hino radical que enchia o ambiente de festa e euforia. Decorei na hora e passei logo a entoar junto com a “massa” presente.

Respirava-se ali um livre e animado ambiente de campanha eleitoral, que contaminava e envolvia. O repórter viajava em companhia do amigo e saudoso compadre, Pedro Milton de Brito, ex-presidente da secção baiana da Ordem dos Advogados do Brasil, notável jurista do Conselho Federal da OAB e combatente da primeira hora em defesa dos direitos humanos na Bahia e no País. Ele mais empolgado ainda.

Naquela noite Alfonsin já exibia as qualidades escutadas nos murmúrios populares esta semana em seu velório. Faltava só dar conseqüências práticas ao discurso corajoso, lúcido e inteligente. Isto ele faria nos anos seguintes, depois de eleito primeiro presidente de uma democracia que precisava, sem perda de tempo, exorcizar os demônios da mais implacável ditadura do continente.

Isto Alfonsin não conseguiu de todo, mas avançou até onde lhe foi possível, com decisão e audácia invulgares em políticos e governantes deste lado da linha do Equador. Mesmo quando precisou pagar o alto preço do desgaste emocional e político que, seguramente, contribuiu para abalar a saúde e reduzir o tempo de vida de uma figura fundamental da Argentina e da América Latina. Quase tudo mais foi dito ou mostrado nas cenas do velório e do enterro. Só falta registrar aqui as palavras de um anônimo argentino sobre Alfonsin e o significado de sua presença, recolhidas de um jornal portenho.

“A recuperação da democracia argentina foi obra de todo povo, e sobre isso não há dúvidas, mas Alfonsin foi o catalisador desta energia para formas republicanas, progressistas (no bom sentido da palavra) e democráticas. Mais além deste merecido reconhecimento popular, creio que os dirigentes oficialistas e da oposição devem ler a mensagem deste povo, que creio é pedir que se retorne aos caminhos dos consensos, do diálogo e da tolerância. Alfonsín foi um homem honesto (como Irigoyen, Frondizi, Illia, Câmpora e o próprio De la Rúa), mas esta virtude não é o mais importante de seu legado. O que os argentinos nestes dias reivindicaram em sua figura é a tolerância, sua abertura ao diálogo e sua intransigência republicana”.

Na mosca, anônimo portenho. Pena que o amigo Pedro também já tenha partido, e não possa mais cantar comigo aquela estrofe do hino da UCR, que tanto nos emocionou naquele comício em Buenos Aires. “Luche, luche, luche, no dejes de luchar”… Saudades!

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

  • Arquivos