abr
01
Posted on 01-04-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 01-04-2009

Argentinos humilhados

O falecimento ontem do ex-presidente Raul Alfonsin, considerado “pai da democracia no país”, e o internamento da cantora Mercedes Sosa na UTI de um hospital de Buenos Aires, em estado de saúde que inspira ainda muito cuidado, aparentemente não foram suficientes para preencher a cota de sofrimento dos portenhos nesta semana. Para completar a fase de depressão e inferno astral que se respira no país às margens do Rio da Prata, a seleção de futebol da Argentina sofreu na tarde de hoje, uma das mais humilhantes derrotas da sua historia: 6 a 1 contra a Bolívia pelas eliminatórias para a Copa do Mundo na África do Sul.

“Cada gol da Bolívia era como uma punhalada no coração”. A frase do grande ídolo Armando Diego Maradona, atual técnico da seleção argentina, que seguia invicto até esta tarde, sintetiza com perfeição o sentimento nas ruas de Buenos Aires e que percorria o resto do país. A seleção de Maradona não buscou desculpas para a catástrofe, nem mesmo a altitude de La Paz onde aconteceu a tragédia para os portenhos. “Nós não fizemos nada. A Bolívia nos superou em tudo e é preciso começar tudo de novo”, disse o técnico e ídolo.

Para um argentino qualquer reconhecer isso em relação ao seu futebol é doloroso. Para Maradona, então, nem se fala. Crise à vista no Prata.

(Vitor Hugo Soares)

abr
01
Posted on 01-04-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 01-04-2009

O jornalista Claudio Leal constrói uma crônica saborosa e plena de informações sobre um personagem e uma época da Bahia. O personagem é Nilson de Oliva Cezar, o Pixoxó. “Quem se lembraria deste homem?”, pergunta o jovem jornalista baiano que trabalha atualmente na revista virtual, Terra Magazine, em São Paulo, ao lado de Bob Fernandes. Com pegada profissional e texto de dar inveja a veteranos de dedos calejados nas redações, Leal fala também de uma Bahia e de um País de que pouca gente ainda se lembra . “Jornalista, boêmio, orador, antifascista – esse o Pixoxó domado em seu destempero a partir de 1964, quando as ruas de Salvador começaram a se despovoar da fauna de apaixonados pela ausência de contratos com a vida”, diz Claudo Leal, na crônica exclusiva que escreveu para Bahia em Pauta. Leia. (Vitor Hugo Soares, editor)

————————————————————————————————-
O gaúcho Flores da Cunha/ Arquivo Folha

CRÔNICA SOTEROPOLITANA

FLORES E UISQUES DE PIXOXÓ

*Por Claudio Leal
“Primeiro de abril, mas esse não é o papo. Melhor tocar uma conversa rápida, assim meio jorrada, sobre Nilson de Oliva Cezar, o Pixoxó. Quem se lembrará ainda do homem? Que respondam Waldir Pires, Lomanto Júnior, Fernando Sant’anna, Sebastião Nery. E a memória, sempre traiçoeira, das velhas gazetas.

Jornalista, boêmio, orador antifascista, irmão da atriz Nilda Spencer, “arauto” (como está definido em livro), bebedor afoito – esse o Pixoxó domado em seu destempero a partir de 1964, quando as ruas de Salvador começaram a se despovoar da fauna de apaixonados pela ausência de contratos com a vida.

Morto em 1983, aos 59 anos, permaneceu a folha corrida de histórias saborosas e exuberantes do mundo político e intelectual da Bahia, das apostas nas roletas do Tabaris, onde rolavam os dados do lendário Vadinho, que obteve uma “autorização especial” do Juizado de Menores para o infante amigo frequentar a casa noturna.

“Os bêbados não devem chorar”, ensinou Pixoxó no último encontro com Vadinho, no aeroporto de Congonhas. Mas devem distribuir flores. Conta o poeta Fred de Souza Castro que, após farra no Bar de Zozó, no Cabeça, o jornalista comprou dezenas de rosas e saiu a jogá-las nos pára-brisas dos carros, com amorosa pregação: “Ide e sede felizes”.

Numa das fases do alcoolismo, Pixoxó dormia pelas beiradas da Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. Da miséria dickensiana, extraía um golpe engenhoso. Paletó amarfanhado, olhos pequenuchos, partia à guerra do café da manhã. Envolvia o pescoço numa toalha e penetrava as cozinhas de hotéis desconhecidos: “Bom dia!… Bom dia!… Bom dia!”, berrava aos garçons e cozinheiros. Nunca se vira um “hóspede” de alegria tão palreira. Tratavam de pôr a mesa. Frutas, pão, café, leite, ovos?

Para cacifar-se junto a Assis Chateaubriand, Pixoxó invadiu a redação da revista O Cruzeiro, minado de álcool, e fez um discurso barroco sobre a Bahia de Ruy Barbosa, Simões Filho e Octávio Mangabeira. Finda a cachoeira verbal, tirou do bolso uma crônica de Antônio Maria, na Última Hora. O compositor escrevera um perfil do baiano que estava à sua frente. Honra! Chatô leu e jogou de lado: “A matéria não o credencia, porque tudo quanto Antônio Maria escreve é ficção”. O boêmio se despediu com uma ameaça: “O senhor verá que eu sou real!”.

Venderia a alma ao diabo – e, pior, a Deus – em troca de um trago. Uma noite, no Rio da década de 40, bebeu todos os proventos, sem saciar o desejo de uísque. Na calçada, uma surpresa: o bravo líder gaúcho Flores da Cunha, ex-revolucionário de 30, entrava num bar. Nilson incorporou o arauto; na má intenção, atravessou a porta: “Salve o general Flores, valoroso guerrilheiro dos heróicos pampas!”.

O deputado federal ordenou que servissem ao admirador anônimo uma dose de uísque. “Só uma?”, reagiu Pixoxó. O bar sorriu. És gaúcho?, replicou o general. “Sou baiano, Excelência, com muita honra, mas amo os pampas e seus valorosos heróis”.

Flores mandou derramar o resto da garrafa”.

Claudio Leal é jornalista. E-mail: claudioleal08@terra.com.br

abr
01
Posted on 01-04-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 01-04-2009


No ano de 1964, em um 1º de abril como hoje, deposto o presidente João Goulart (Jango), o Brasil caia em uma ditadura militar que marcaria o País – e a muitos de seus filhos – a ferro, algemas e fogo, por algumas décadas. 45 anos depois, a composição “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso, segue sendo, em sua colagem genial de imagens em forma musical, um dos retratos mais completos de uma época que passou, mas que não pode, nem deve ser esquecida, pois muitos de seus efeitos seguem presentes ainda. Confira na voz do autor.

(Vitor Hugo Soares)

abr
01
Posted on 01-04-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 01-04-2009

Salvador:seria coisa do demo?/ Imagem Correio

PERGUNTAR NÃO OFENDE:

De onde vem e quem é o responsável pelo odor fétido e desagradável que a população de Salvador vem respirando nos últimos dias, em dezenas de bairros da capital: da Fazenda Grande à Vila Laura, de Brotas à Liberdade, da Barra à Pituba, passando pelo Rio Vermelho e Itaigara?

Alguém precisa – de preferência uma autoridade competente no sentido lato da palavra – vir a público dar uma explicação convincente aos moradores da cidade que acaba de completar 460 anos de fundação. Antes que algo de mais grave ainda – para quem acha pouco – aconteça. Afinal, o fenômeno têm-se repetido com insuportável frequência desde o início de março. No começo desta semana a fedentina voltou, principalmente durante as madrugadas, com mais intensidade e amplitude.

E o jogo de culpas e desculpas prossegue.

A diretora do Centro de Recursos Ambientais, Beth Wagner, sempre que tenta uma explicação – via rádio, jornais ou TV – tropeça na retórica e na falta de dados efetivos e convincentes. Acaba sempre no lugar comum e genérico, que não explica nada de fato: “é a inversão térmica”, diz . “Isto é mprovável no caso de Salvador”, afirmam especialistas, principalmente da UFBA, que entendem de fato de “inversão térmica”. A Prefeitura se esconde no silêncio.

Não falta quem diga que o mau cheiro vem dos esgotos sem atenção, da falta de saneamento básico, de descargas industriais e até da raiva do demo, “do coisa ruím”, descontente com o que anda vendo em Salvador ultimamente. Antes, a Câmara, a Assembléia Legislativa e os jornais buscavam esclarecimentos para casos como este que atingem diretamente a população e ameaçam sua saúde e qualidade de vida. Atualmente, com raras exceções, as prioridades parece que se inverteram.

E então, para fim de conversa:quem tem a verdadeira resposta?

(Vitor Hugo Soares)

abr
01
Posted on 01-04-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 01-04-2009

Preso em Guantanamo

OPINIÃO / GUATANAMO

INCÓGNITAS DE UMA PRISÃO

*Rosane Santana

“A administração de Barack Obama terá que decidir imediatamente sobre o destino de 17 chineses presos em Guatanamo, segundo informa a edição do The New York Times desta quarta-feira, 1º de abril. Se são inocentes ou perigosos terroristas. Diz o jornal que uma revisão detalhada de milhares de páginas de documentos oficiais sugerem que respostas definitivas sobre quem são eles realmente são dificeis de encontrar.

Pressionado por organismos internacionais de Direitos Humanos, o presidente Barack Obama anunciou, logo após a posse, o fechamento de Guatanamo, com um discurso em que propunha um realinhamento na “Guerra contra o Terror”, de George Bush, ao condenar abertamente a prática de tortura contra suspeitos de terrorismo em território americano, embora corram notícias de que a situação tenha se agravado naquele presídio.

Entre o anúncio e o fechamento, há um longo caminho a percorrer e, possivelmente, o prazo de um ano dado pelo presidente não poderá ser cumprido.

The New York Times ressalta: o fechamento de Guatanamo depende de outros países aceitarem 241 detentos remanescentes do local. O assunto deverá ser tratado na viagem que Obama faz à Europa.

Internamente, como era previsto, o presidente enfrenta resistência de familiares de vítimas do 11 de Setembro, republicanos, militares e outros grupos que não desejam ver esses detentos transferidos para prisões em território americano, de maneira que o assunto suscita paixões, medo e revolta no país.

Se americanos não querem esses detentos em seu território, qual pais se habilitará?

Semana que vem, a questão sera debatida na Universidade de Harvard, pelos advogados Steve Oleskey e Sabin Willet, de Boston, consultores em muitos casos de Guatanamo. Vão falar sobre condições de vida, tortura, detenção e habeas corpus.

Bahia em Pauta vai conferir.

Rosane Santana, jornalista, mora em Boston (EUA)

abr
01
Posted on 01-04-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 01-04-2009

Alfonsin, o primeiro presidente da democracia argentina

Vitimado por um câncer de pulmão morreu às 20.30h desta terça-feira (31/03), o ex-presidente da Argentina, Raul Alfonsin, o primeiro presidente eleito democraticamente em seu país depois da ditadura militar. O líder da União Cívica Radical (UCR) passou os últimos dias de agonia causada pela doença, em seu apartamento na Avenida Santa Fé, em Buenos Aires.

Alfonsin, um dos mais respeitados políticos das últimas décadas na Argentina, tinha 82 anos. Chegou à Casa Rosada nas eleições de 1983. Ao ser anunciada a morte do ex-presidente, populares partidários da UCR cantaram a marcha radical – “lute, lute, lute, não deixe de lutar, por um governo obreiro, obreiro e popular” – acendeu velas e rezou pelo ex-presidente.

O jornal “El Clarin”, em sua edição on-line, disse que o corpo de Alfonsin, com as marcas profundas de sua trajetória de lutas políticas – algumas conquistas e muitos revezes – não suportou a carga de um câncer de pulmão que se havia agravado nas últimas horas com uma pneumonia. Raúl Alfonsín, o homem que encabeçou o retorno do país à democracia, morreu tranquilo em sua casa, acompanhado de seus familiares. “Estava dormindo”, informou o médico Alberto Sabler.

(Por Vitor Hugo Soares).

  • Arquivos