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Posted on 27-03-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 27-03-2009

“Essa ponte nunca vai ser construída ( ) A prioridade de uma ponte dessas diante do acúmulo das necessidades do país é baixíssima”. Quem faz a previsão é o escritor João Ubaldo Ribeiro, que entende de Bahia como poucos e de Itaparica e Salvador como ninguém. Ele diz isso e muito mais na entrevista cheia de estocadas e bom-humor, ao repórter Cláudio Leal, publicada na revista virtual Terra Magazine.

“De contornos ficcionais no imaginário baiano, o projeto da megaponte Salvador-Ilha de Itaparica (situada a 14 quilômetros da capital) divide as mesas da Bahia. Orçada em R$ 1,5 bilhão e incluída no pacote Copa 2014, a obra monumental foi apresentada pelo governador Jaques Wagner (PT) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Lula prometeu “pensar”, diz o jornalista na apresentação da entrevista.

Nascido em Itaparica, João Ubaldo Ribeiro, 68 anos, integrou a Ilha à história da literatura brasileira, em romances como “Viva o povo brasileiro”, “O sorriso do lagarto” e “O feitiço da Ilha do Pavão”. Nos últimos anos, assumiu a defesa do paraíso baiano, que convive com o crescimento da violência e a degradação urbana. Leia a íntegra da entrevista a Terra Magazine, na qual Ubaldo avalia o projeto da ponte e afirma que, certamente, “nunca será construída”.

Palavra de um itaparicano da melhor cepa.

( http://terramagazine.terra.com.br )

mar
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Posted on 27-03-2009
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Subaé quase morto

Perguntar não ofende:

Por falar na Semana da Água de 2009, que termina nesta sexta-feira, 27, de Oxalá, responda quem souber:como vai a purificação do Subaé, o rio histórico do Recôncavo, que corta Santo Amaro, envenenado e quase morto em séculos de descaso?

Já mandaram os malditos embora, pelo menos?

(Vitor Hugo Soares)

mar
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Posted on 27-03-2009
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A revista eletrônica Terra Magazine, de Bob Fernandes, publica hoje um texto do escritor e jornalista baiano João Carlos Teixeira Gomes ( atualmente exilado no Rio de Janeiro) para o qual só existe uma definição:”Magistral”. Editor-Chefe do Jornal da Bahia, em sua fase de ouro e de combate, Joca é também o principal biógrafo do cineasta Glauber Rocha, desde a publicação do livro “Glauber, este vulcão”. Com o título “Diários nordestinos de Glauber” , o escritor relata no Terra Magazine a sua incrível viagem com o cineasta em gestação aos sertões do Nordeste, que começou com um desastre surrealista do ônibus em que os dois viajavam, dirigido por um “motorista cego”.

Do texto de Teixeira Gomes – uma aula de literatura e jornalismo – Bahia em Pauta selecinou um trecho no qual o escritor descreve a chegada a Penedo (AL), cidade histórica com jeito de paraíso, às margens do Rio São Francisco. Uma celebração ao texto primoroso de Joca e alerta mais que atual sobre as ameças que cercam o Velho Chico da unidade nacional nesta Semana da Água.

Leia texto integral (imperdível) no Terra Magazine (http://terramagazine.terra.com.br)

(Por Vitor Hugo Soares0

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Penedo:pedaço do paraíso às margens do Velho Chico

l958 – Penedo e o êxtase

“Finalmente, a emoção do São Francisco, longas águas invioláveis e barrentas, infestadas de piranhas. A frágil barcaça nos conduzia para as terras de Alagoas. A bela cidade de Penedo resplandecia, encarapitada no alto de uma elevação que a transformava numa construção imponente e misteriosa. Ladeiras estreitas, velhas igrejas, um clima barroco patente em prédios escurecidos, pátina mágica, pelo tempo. Encantamento das coisas perdidas, das súbitas revelações, das transcendências poéticas que emergem das coisas simples e inesperadas. Um alto momento do áspero percurso, compensando a aflição dos intermináveis estirões bravios e poeirentos, marcados por ostensivo abandono e em cujo percurso a vida se esgarça nas sensações mais precárias, soma de nadas, diluição do imprevisível, valhacouto do espanto. Glauber irrompeu pela cidade como um tufão, fez amizades, ensaiou poemas, projetou tomadas. À noite, exaustos, encharcamo-nos, sôfregos, da bendita cachaça alagoana, e sentamos à beira do tenebroso rio para conversar, discutir sobre o sentido da vida, do amor e da amizade, o mistério das mulheres, os rumos do Brasil e do mundo, as projeções da cultura, os planos do cinema, da literatura e do jornalismo. Recitamos os amados poetas. Glauber modulava os versos de “Infância”, de Paulo Mendes Campos, sempre repetidos: “À noite, arquiteturas corrompidas…”.. Os russos brilhavam no espaço sideral com seus surpreendentes engenhos, inventando estrelas. A arrogância tecnológica americana fora ultrapassada. Glauber, sempre loquaz, entusiasmava-se com as realizações do comunismo pós-stalinisita, enaltecia os sputiniks, antevia o fim do chicote e da exploração do homem pelo homem, sonhava alto. Éramos radicalmente democratas, até à subversão. A Rússia, a grande vitoriosa da guerra contra o Eixo fascista com seu imbatível Exército, era uma magnífica potência industrial, lembrava ele, elogiando o caminho dos astronautas pelas rotas das estrelas. E metíamos as mãos pelas águas do insondável e trevoso São Francisco, até que um tropeiro de voz aguda advertiu: “Piranhas!” “Piranhas!”

João Carlos Teixeira Gomes – escritor e jornalista

mar
27
Posted on 27-03-2009
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Este 27 de março de 2009, que marca o retorno do Bahia em Pauta à plena atividade – superados acidentes técnicos de percurso mais ou menos naturais em equipe que navega por mares ainda cheio de revelações e surpresas -, assinala também o encerramento da Semana da Água, celebrado entre os dias 22 a 27 de março.Para comemorar os dois eventos este site-blog escolheu “Planeta Água” para começar o dia, uma das mais belas e comoventes canções de Guilherme Arantes, na interpretação única do autor. Sinta-se à vontade, a casa está de novo com as portas abertas e é toda sua.Nada mais é preciso acrescentar, a não ser a lembrança do ensinamento do poeta Fernando Pessoa, que escolhemos como lema deste blog: “Navegar é preciso”.

(Por Vitor Hugo Soares, editor)

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