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Posted on 18-03-2009
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OPINIÃO

CLODOVIL: SUA EXCELÊNCIA POLÊMICA

Fernanda Dourado

Humor sagaz, pavio curto, extrovertido, inquieto, impulsivo, objetivo, direto. Respostas, quase sempre, apimentadas. Perguntas, quase sempre, alfinetadas. Assim, era Clodovil Hernandes. Com uma personalidade marcante e irreverente, o polêmico ex-apresentador e estilista deixa saudades da irreverência, elegância e sinceridade. Apesar da instabilidade emocional, Clô, como era chamado, nunca escondeu a imensa admiração que sentia pela mãe adotiva, Isabel, e dizia ser mais feliz quando ela estava viva. Com o timbre de voz inconfundível, não precisávamos estar à frente da televisão para saber quem era o dono da voz.

Programas televisivos: gravados ou ao vivo? Não faziam diferença. Clodovil não tinha papas na língua, ou seja, falava o que queria, na hora que desejava. Suas respostas e perguntas, às vezes, não agradavam. Amado por muitos; odiado por outros, mas conhecido por todos. Em 2006, foi eleito o quarto deputado federal mais votado, com 493.951 votos. Ao tomar posse revelou que ”Brasília não seria a mesma” e afirmou que, para ser deputado era preciso presença de palco.

Por onde passava protagonizava polêmicas. Em 2007, foi barrado na Câmara por não estar usando gravata. “Será que precisamos de gravata ou de seriedade”, ironizou. Em 2008, Clodovil afirmou que “as mulheres ficaram muito ordinárias, ficaram vulgares, cheias de silicone. As mulheres trabalham deitadas e descansam em pé”. Mas em seu primeiro discurso no parlamento brasileiro, Clodovil deixou lições, aos nobres colegas parlamentares, “eu não sei o que é decoro, com o barulho desse quando a gente fala”. E questionou, “O que seria decoro? Isso aqui parece mercado. Isso aqui representa um país! Eu não entendo por que tanto barulho quando as pessoas estão falando”. Completou, “Sou brasileiro que ama seu país tanto quanto qualquer pessoa aqui dentro”.

Quando Paulo Maluf se solidarizou com Clodovil, ele respondeu “Eu queria que todos soubessem que sou conhecido, em todo país, por muito trabalho. Não sou famoso por coisas desonradas. Graças a Deus”, alfinetou Paulo Maluf. Há dez anos, em uma entrevista para o quadro “Intimidade” do programa “Planeta Xuxa”, da Rede Globo, Clodovil disse:,”A morte não existe. Quando a gente nasce, não morre nunca mais”.
Saudades de sua excelência Polêmica.

Fernanda Dourado é Jornalista, pós-graduada em Marketing Político e Pesquisa Eleitoral.

mar
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COMENTÁRIO

PROPAGANDA E HOMOFOBIA

Laura Tonhá

Continua a polêmica envolvendo a campanha publicitária do salgadinho Doritos, da Elma Chips, lançada no último dia 8 em canais de TV aberta e paga. A primeira reação veio da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais) que pediu ao Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), no dia 13, que retirasse do ar a campanha alegando “evidências claras de disseminação do preconceito contra homossexuais com roupagem bem-humorada”.

O Conar informou que a solicitação foi encaminhada para um relator e que, se houver pedido de liminar para suspender a propaganda, a decisão será cumprida.

Esta semana o You Tube, site onde o vídeo é muito acessado, também recebeu uma denúncia, feita por Roberto Warken, consultor voluntário do Instituto Arco-Íris de Santa Catarina, apontando o vídeo como indutor à homofobia.

No último dia 16, a PepsiCo, proprietária da marca Elma Chips, enviou comunicado reiterando que a “diversidade e a inclusão” fazem parte dos valores defendidos pela companhia e que “nunca aceitaria o risco de veicular qualquer mensagem discriminatória, muito menos ofensiva a qualquer público, e desrespeitar os homossexuais seria inaceitável tanto para a Pepsico quanto para sua agência de propaganda, a AlmapBBDO”. O argumento da empresa é que a campanha do salgadinho quer mostrar “como é gostoso consumir Doritos entre amigos”. Leia comunicado completo aqui.

A questão é a ambiguidade, a mensagem subliminar, o vídeo não é explicitamente homófobico, porém abre margem para discussão. Vídeos publicitários são feitos minuciosamente, 30 segundos pensados e repensados, cada detalhe escolhido a dedo. Vamos aos fatos, em um dos VTs da campanha, a música é YMCA, da banda Village People, o garoto ouve a música, começa a dançar e os amigos estranham e lançam olhares recriminatórios para ele.

Village People é uma banda disco norte-americana. O grupo surgiu em boates gays nos EUA, nos fins dos anos 70, o nome escolhido é uma referência ao reduto gay de Nova Iorque na época, o Greenwich Village, e a banda ficou conhecida por apresentar-se com fantasias que evocavam símbolos de “masculinidade”: policial, índio norte-americano, cowboy, carpinteiro, soldado e motociclista. O grupo, assumidamente homossexual, ficou famoso cantando “Macho macho man, I’ve got to be a macho man”. Resumindo, quando se pensa em Village People se pensa em “gay”.

Ainda no comercial durante a dança, os movimentos, o desmunhecar de mãos, podem também fazer referência à classe citada. O comercial finaliza com um pacote do salgadinho lançado no rosto do garoto e o locutor dizendo “Se você quer dividir alguma coisa, divida um Doritos”. O “quer dividir alguma coisa” pode ser interpretado como “quer sair do armário”.

Algumas interpretações e a defesa da campanha, dizem que o garoto do comercial é reprimido pelos amigos porque a música e a dancinha são bregas, porém, antes de ser brega, a música é de uma banda imediatamente identificada como homossexual e a dancinha tem trejeitos “duvidosos”.

A ambigüidade sutil, pode passar despercebida, se o telespectador não tiver essas informações, mas você acredita que estes detalhes passaram incólumes pelo publicitário criador? Qual a mensagem por trás da repressão ao garoto dançando Village People?

Nem tudo que parece ser é, uma das máximas da publicidade. Outra diz que a propaganda deve atingir o íntimo de quem assiste e não quem a pessoa aparenta ser, para tanto, não é necessário ser explícito ou politicamente correto.

Segue um dos vídeos da campanha para suas próprias conclusões.

Laura Tonhá é publicitária, especialista em Comunicação Empresarial.

mar
18
Posted on 18-03-2009
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A sugestão da música para começar o dia nesta quarta-feira (18/03) vem de Belmont, Califórnia, nos Estados Unidos em crise, que se propaga para o resto do mundo. Vem da leitora do Bahia em Pauta, Regina Soares,  que explica a escolha da música e do título para o texto da análise que ela produz no post a seguir:

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ANÁLISE

MÚSICA PARA A CRISE

Regina Soares

“Essa música, “Let’s Face the Music and Dance” , é notável. Escrita por Irving Berlin para o filme Follow the Fleet (1936), onde ela foi introduzida por Fred Astaire e apresentada na célebre dança do dueto Astaire e Ginger Rogers. Durante a “Great Depression” (Grande Depressão), música muitas vezes serviu para levantar o ânimo das pessoas.

Se olharmos a correlação entre música e economia uma pergunta vem a nossa mente: Tempo ruins geram músicas com características depressivas e tristes? Eu pensei no grande hit da grande depressão,”Brother can you spare a dime?” e no raivoso Punk Rocks tocados nos night clubs de New York, nos anos 70, e conclui que não, por que a maioria das músicas dos anos 30 cantavam o lado brilhante da vida e a possibilidade do encontro com o arco-íris, mantendo a esperança à vista.

Na década dos 70, enquanto o punk e o hip-hop borbulhavam na superfície, a música pop e, especialmente, o disco deslizavam sobre tudo ordenando-nos a “boogie down” e continuar a dança.
Se nós estamos entrando de cara na recessão, ou qualquer outra forma do destruição econômica, será interessante observar como as orientações musicais reagem. Porque tempos difíceis produzem músicas sombrias e mal humoradas, só que não imediatamente e nem de uma forma que todos podem ver.

Regina Soares é advogada eleitoral, vive em Belmont (área da baia de San Francisco, Califórnia(EUA)

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Posted on 18-03-2009
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Dengue na Bahia/Imagem da Agência Brasil

Deu no jornal O Globo, edição de terça-feira (17), em uma coluna de notas (quase) perdidas no pé da página 9:

“EPIDEMIA DE DENGUE: O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, culpou ontem as gestões municipais pela epidemia de dengue na Bahia, que este ano já causou a morte de 25 pessoas. Há cerca de 21 mil casos notificados da doença no estado. Temporão disse que as prefeituras foram alertadas para o risco de epidemia e a necessidade de adotarem medidas preventivas. Isso, segundo ele, não foi feito devido “à descontinuidade administrativa no período pós-eleitoral”.

Nesta quarta-feira, a suspeita de casos fatais subiu para 26, com a notificação da morte de mais uma criança, em Feira de Santana.

Tudo bem, digamos que o argumento meio tortuoso do ministro tenha algum sentido. Mas e agora, o que fazer. Rezar?

(Por Vitor Hugo Soares)

mar
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Posted on 18-03-2009
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Campanha publicitária “simpática” de uma academia holandesa. Quando você senta no banco o painel no ponto de ônibus indica o seu peso. 

Será que alguém depois de passar por este constrangimento vai correndo se matricular na tal academia ou o “gênio” publicitário que criou isso só pretendia ser criativo a qualquer custo?   

A brincadeira esta nos pontos de ônibus de Rotterdam.

Por Laura Tonhá, publicitária.

mar
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Posted on 18-03-2009
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Nascimento:17 de Junho de 1937

Morte: 17 de março de 2009

mar
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Posted on 18-03-2009
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Este site-blog escancara as portas e coloca tapete vermelho para receber um texto da jornalista carioca Maria Aparecida Torneros, articulista de encher os olhos e de profunda ligação com a Bahia , cimentada principalmente no período em que ela foi uma das colaboradoras mais assíduas e mais lidas da página de Opinião de A Tarde. Poeta e cronista, Cida Torneros, 59 anos, foi correspondente no Japão da revista O Cruzeiro e atualmente escreve para jornais e sites, além de trabalhar em assessoria de imprensa no Rio de Janeiro. Em 2008 lançou o livro “A Mulher Necessária”, que reúne mais de 100 artigos e crônicas, do qual tenho a honra de ter escrito um dos prefácios. No texto a seguir ela fala com a delicadeza poética de sempre do filme “Bela noite para voar”, sobre Juscelino Kubitscheck (JK), de Zelito Viana, com José Abreu e Mariana Ximenes, que estreou hoje no Rio. Bem-vinda ao Bahia em Pauta, Cida. E chega mais!

(Por Vitor Hugo Soares)

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Bela noite para voar- o filme sobre JK

Aparecida Torneros

O filme traz de volta um momento da história brasileira, tão presente e recente, em nossa geração, que parece que tudo aquilo ainda está acontecendo e a gente pára no tempo.
O ator José de Abreu faz um JK intenso, esforça-se para transmitir o carisma do Nonô, e consegue passar a intensidade do homem público visionário que ele foi. Um JK viajante das estrelas e dos céus, um pássaro voador, um presidente Bossa Nova, repaginado, através do filme, como um perseguido comandante em chefe de Forças Armadas em constante levante contra seu governo.

O episódio principal do filme refere-se a um complô de militares da Aeronáutica que tentaram impedir o Presidente na aterrissagem em Belo Horizonte, em momentos do ano de 1960, às vésperas da inauguração de Brasilia, e de passar o governo ao seu sucessor.

JK conta então, com a perspicácia e inteligência de sua Princesa, uma namorada extra casamento, interpretada pela atriz Mariana Ximenez, que o salva do golpe conseguindo que sua aeronave pouse numa pequena pista mal iluminada com ajuda de taxistas da cidade que se perfilam com faróis acesos, como a formar um chão de estrelas para que os pilotos enxerguem a pista. A sorte e o amor parecem ter sido os protagonistas da vida de JK.

Um belo filme e dá para se voar um pouco com o nosso Nonô, nas nuvens da paixão nacional pelo futuro de um Brasil que ele sonhou, e que projetou, concretamente. Quando o avião do Presidente pousou e a Princesa chorou de alegria, confesso, também chorei, por saber que ele não merecia a traição dos seus subordinados , muito menos ter sido sabotado como foi, por tantas vezes.

A história recontada romanceada e intrigante, mostrando atores que encarnam Prestes, Lacerda, Lott, Oscar Niemeyer, entre outras figuras da vida nacional, preenchendo lacunas ainda muito fortes nos livros e nas pesquisas, para que se compreenda realmente a marcha do Brasil nos últimos 50 anos.

Aparecida Torneros é jornalista

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