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Postado em 11-03-2009
Arquivado em (Artigos) por bahiaempauta em 11-03-2009 04:04

OPINIÃO

ESTOU DE MUDANÇA

Laura Tonhá

Esta em todos os noticiários desta semana o aniversário da Barbie, dia 09 de março, a boneca mais conhecida do mundo completou 50 anos. Uma exposição em São Paulo, no shopping Cidade Jardim, chamada “Museu Encantado da Barbie”, que acontece de 10/3 a 31/7 homenageia a data, a última Semana da Moda de Nova York, mês passado, também homenageou a boneca.

 Uma Barbie na versão noiva é vendida a US$ 159,99, a estilista Vera Wang desenhou o vestido de noiva, usado pela boneca, que custa US$ 15 mil em sua versão para mulheres de verdade. Achou pouco? Pois tem mais, a Barbie é considerada o brinquedo mais vendido no mundo, possui um fã-clube com 18 milhões de membros, se socializa no Facebook e no MySpace, ja serviu de inspiração para mais de 70 estilistas do primeiro escalão e uma editora está publicando uma obra chamada “Barbie”, que será vendida a 500 dólares e mostrará a boneca vestida de Prada, Karl Lagerfed e Alexander McQueen.

 Muito confete para um brinquedo que já foi acusado de deformar a imagem da mulher entre as meninas e favorecer a anorexia, alguma coisa mais me incomoda no fato da boneca loira estar fazendo 50 anos. Não sabia que a Barbie já era uma cinquentona e, não teria como saber, afinal ela permanece com as formas e os traços de uma garota de vinte e poucos anos, ainda que seu estilo mude bastante para acompanhar as tendências mais modernas.

 Imagino o quanto a Barbie com a sua eterna perfeição publicitária – corpo perfeito, Ken, o namorado perfeito, a casa perfeita, a cozinha perfeita, o carro perfeito, as roupas perfeitas – é também responsável pela busca insana pela perfeição que anda por aí. Sim, porque se você vive neste planeta provavelmente está pensando no melhor carro, no melhor emprego, no melhor salário, no melhor celular, na melhor dieta, na melhor operadora de celular, na melhor aposentadoria, no melhor tênis, no melhor vinho, no melhor curso, no melhor homem, na melhor mulher. O bom não basta. Reféns da constante insatisfação e desassossego.

 Nasci nos anos 80, cresci entre Barbies e Xuxas, e não me safei, porém estou atenta, já vivi um bocadinho para perceber que meus melhores momentos nada tinham de “perfeitos”.

 A *Leila Ferreiro diz assim:

 “Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de desfrutar o “bom” que já temos. A casa que é pequena, mas nos acolhe. O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. A TV que está velha, mas nunca deu defeito. O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens “perfeitos”. As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vão me dar a chance de estar perto de quem amo. O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem.O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer. Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso? Ou será que isso já é o melhor e, na busca do “melhor”, a gente nem percebeu?”

 As palavras da Leila me fazem entender porque não consigo achar graça na Barbie completar 50 anos, ela é o comercial de margarina, é a fantasia, esta no inconsciente insatisfeito.

 Moro num pequeno flat alugado, moderno, tudo no lugar certo, alguns amigos apelidaram o local de “Casa da Barbie”, a primeira vista é interessante mas ele não me acolhe como um lar, estou de mudança, a “vida” da Barbie não me interessa.

* ( Leila Ferreira é autora do livro “Mulheres: Por que Será que Elas…?”)

Laura Tonhá é publicitária , mora atualmente em Brasília

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