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Posted on 07-03-2009
Filed Under (Artigos) by bahiaempauta on 07-03-2009

Leio que o Lloyds Banking , tradicional banco inglês, agora pertence majoritariamente ao Governo Britânico. Numa jogada para salvá-lo da crise, a participação do Governo subirá dos atuais 43,5% para pelo menos 65% e, numa segunda etapa, para 77%. No acordo o maior banco da Inglaterra, terceiro maior do Reino Unido, receberá em ativos 260 bilhões de libras o equivalente a 367 bilhões de dólares. As notícias vêm da própria instituição neste sábado, 07 de março.

Não consigo ficar indiferente a esta notícia, nem permanecer no presente, há exatos 2 anos estava, contente, com a minha conta aberta no famoso e tradicional Lloyds Bank, conta que foi indispensável para que eu, jovem estudante estrangeira, tivesse acesso aos variados trabalhos destinados a estudantes em terra inglesas, O  que, entre outros ganhos, facilita o desenvolvimento das habilidades interpessoais e fluência na língua inglesa; frutos do convívio pessoal e  prrofissional com pessoas originárias de diferentes partes do mundo. 

Na época, o salário mínimo inglês era equivalente a R$ 3595,20, e a cidade parecia ser devorada pelos inúmeros imigrantes que se multiplicavam. Em textos antigos, escritos in loco, descrevia Londres como um lugar onde “as pessoas mordem a cidade como cães atacando seus donos, até que ela os faz canibais” e finalizava dizendo que as Invasões Bárbaras eram fichinha perto do que acontecia por lá. Nada mudou, contudo, a Inglaterra que já vinha fechando cada vez mais as portas para estrangeiros, agora, com esta crise, deve mantê-las cerradas. 

Volto ao Lloyds, de onde fui uma cliente satisfeita, sem demagogia. Um banco tipicamente inglês, clássico, sem arroubos, sólido e sério, uma marca forte, concluo que o Governo Britânico não permitiria que ele sucumbisse como já ocorreu com outros bancos, em outras partes do mundo, nesta famigerada crise. Porém já é o segundo banco britânico a participar do programa de ativos do governo. O primeiro foi o Royal Bank of Scotland, que recentemente anunciou o maior prejuízo da história empresarial britânica e chegou a um acordo que lhe garantiu 325 bilhões de libras.

As palavras do presidente do Lloyds, Eric Daniels, são otimistas, todavia , não negam o tamanho da crise, que, por sua vez, já fez 600 mil americanos perder o emprego. Em comunicado, Daniels diz que “a ajuda do Governo reduz substancialmente o perfil de risco do balanço do grupo e permitirá ao Lloyds superar a crise econômica mais severa de todos os tempos e se reerguer com força quando a economia se recuperar”.

Lembro-me de minha querida Tia Ana, brilhante e hilária, residente de Irecê – efervescente município baiano, que sempre me levava às gargalhadas quando, enquanto eu residia em terras inglesas ou me lançava como turista por terras européias, ao telefone me saudava perguntando: “Laura, e o mundo?”, fazendo supor que por estar viajando muito ou morando “fora” seria eu capaz de apreender e traduzir objetivamente o que se passava neste planeta. Nunca me arrisquei, porém, neste momento, considerando os problemas do sólido Lloyds e os, recentes, 600 mil desempregados nos EUA, sem medo, responderia que está num momento bastante crítico.

Por Laura Tonhá, publicitária, idelizadora deste blog/site.

mar
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Posted on 07-03-2009
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Com base em informações de sua redação e de informes da AFP (France Press) e outras agências de notícias européias, o jornal “Público”, de Lisboa, confirmou há pouco que a Susan Tsvangirai, mulher do primeiro-ministro do Zimbabwe, Morgan Tsvangirai, morreu e ele ficou ferido num acidente de carro, acontecido às 18h (horário de Lisboa). A notícia foi confirmada também pelos dirigentes do Movimento para a Mudança Democrática (MCD), de que Tsvangirai é presidente.

A morte da primeira dama Susan aconteceu no próprio local do desastre, segundo disse um dirigente do MDC à agência AFP, sublinhando que as causas do acidente que envolveu o casal ainda “não estão claras”. As primeiras informações são de que um caminhão cujo motorista teria dormido ao volante, bateu no carro do dirigente africano. Morgan Tsvangirai, que tomou posse do novo governo de unidade com o partido do Presidente Robert Mugabe há três semanas, foi hospitalizado, mas, segundo se informa, ele sofreu ferimentos sem maior gravidade.

O primeiro-ministro do Zimbabwe festejou os 57 anos na terça-feira. Estava casado com Susan há 31 anos. O casal teve seis filhos. A mulher do primeiro-ministro e severo e opositor de longa data de Mugabe não era o que se pode chamar de ativista no MDC, mas apoiou-o sempre e apareceu nos comícios de campanha do marido nos últimos dez anos.

Tsvangirai e seus auxiliares no novo governo administram um país em ruínas: falta de combustível e de alimentos, o maior problema de hiperinflação do mundo e uma epidemia de cólera que já infectou 88 mil pessoas e matou quase 4000, segundo a Organização Mundial de Saúde. Tsvangirai temmestado sob forte pressão ultimamente para salvar a falida economia do país.

mar
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Posted on 07-03-2009
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ARTIGO

Vitor Hugo Soares

Meu glorioso Santo Antônio, eu que acredito piamente em ti, apesar do ceticismo religioso que carrego , respondei-me com algum sinal nesta hora de dúvidas: afinal, meu santo, o que ainda falta acontecer na terra onde, na mesma semana, ressurgem das trevas fantasmas dos quais parecia termo-nos livrado? Há muita gente se fazendo de cego, mudo e surdo por aí, mas o senhor, meu santo, já viu o ex-presidente Fernando Collor de Mello no Senado (ao lado de seu antigo parceiro Renan Calheiros) dando as cartas de novo no poder; e o atual arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso, brandindo a torto e a direito suas medonhas e medievais excomunhões?

Como entender, e principalmente como aceitar passivamente, tanto poder de articulação e de barganhas concentrado outra vez nas mãos de um homem com a ficha pregressa e a arrogância de Collor? Afinal, não faz muito tempo assim, os desvios e desvarios do homem “com aquilo roxo” levantaram uma nação inteira, e uma população em fúria se mobilizou e ocupou praças, ruas e plenários em todas as regiões para expulsa-lo do Palácio do Planalto.

O caso tenebroso do bispo de Pernambuco também clama aos céus. Como silenciar diante de palavras e atitudes de um religioso que, em pleno século XXI, ousa afastar da comunhão da sua igreja todas as pessoas (mãe, familiares e médicos) que tiveram alguma participação ou ajudaram no irrecusável aborto feito em uma menina de apenas nove anos de idade, violentada e engravidada por um monstro adulto, que abusou dela durante anos dentro de casa. Como entender, meu santo?

Já tentei até um mergulho no realismo fantástico do argentino Jorge Luis Borges, para ver se encontro alguma porta de entrada para compreender estes dias. Até reli o conto “Os Teólogos”, nas páginas sempre surpreendentes do livro “O Aleph”, sobre os hunos que ao invadirem uma província, arrasaram jardins, profanaram cálices e altares sagrados e entraram a cavalo na biblioteca monástica, onde rasgaram os livros incompreensíveis e os injuriaram e queimaram. “Talvez com medo de que as letras encobrissem blasfêmias contra seu deus, que era uma cimitarra de ferro”, como assinala o mestre portenho em sua narrativa.

No meio das cinzas da invasão, no entanto, permaneceu quase intacto o livro duodécimo da “Civitas Dei”, onde se revela que Platão ensinou em Atenas que, “no fim dos séculos, todas as coisas recuperarão seu estado anterior, e que ele, em Atenas, frente ao mesmo auditório, de novo ensinará essa doutrina.”. Em sua narrativa, o escritor diz que o texto perdoado pelos bárbaros e pelas chamas gozou de uma veneração especial e os que o leram e releram nessa remota província “esqueceram que o autor só declarou tal doutrina, para poder melhor refuta-la”.

“Os Teólogos” é um conto denso e maravilhosamente surpreendente. Não vou matar a curiosidade dos que ainda não o conhecem, revelando o desfecho da história, pois isso poderia desestimular a deliciosa sensação de uma visita pessoal às palavras de Borges. Chego somente até a parte em que ele fala das heresias daqueles tempos de escuridão da mente e do espírito humanos e assinala, através de um dos personagens, que as heresias que mais devemos temer, “são as que podem confundir-se com a ortodoxia”.

E estamos de volta ao arcebispo Dom José Cardoso, a ortodoxia em pessoa e responsável pelo maior disparate desta semana de absurdos. Retornamos ao bispo das excomunhões, cuja face e palavras deixavam as sacristias de Olinda e Recife e ocupavam, ontem, amplos e valiosos espaços dos jornais, TVs, sites e blogs nacionais e internacionais. “Nenhum motivo justifica a morte de inocentes, mesmo para salvar outra vida. Esta é a lei de Deus e a lei de Deus está acima de todas as leis humanas. Se a lei humana não respeita à lei de Deus, passamos por cima da lei humana”, diz Dom Jose Cardoso, enquanto encara com arrogância, em rede nacional, a câmera do Jornal Nacional.

Lamentável flagrante de desacato à justiça, ao bom senso e à inteligência. Pena e paradoxo maior é que palavras como estas partam da histórica arquidiocese de Olinda e Recife, no ano em que se comemora o centenário de nascimento do saudoso Dom Helder Câmara, símbolo de coragem, sapiência e humanismo no duro tempo de escuridão nacional nos anos em que ele esteve à frente daquele arcebispado pernambucano.

O Dom (assim ouvi seus arquidiocesanos chama-lo da última vez que o cumprimentei quando, durante uma visita a Olinda, o encontrei “à espera de carona”, tranqüilo e parado (apesar das ameaças que sofria ) perto de um poste de iluminação pública, ao pé de uma das muitas ladeiras da cidade. O religioso que dizia: “Quando os problemas se tornam absurdos, os desafios se tornam apaixonantes”.

Obrigado, meu Santo Antônio da Glória, pelo menos por esta lembrança.

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail:vitors.h@ig.com.br

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