Triste constatar que, no lugar de pensar em São Paulo, o Presidente da República está pensando em montar base para sua reeleição em 2022. Logo ele, que me disse expressamente que não concorreria a um segundo mandato! O verdadeiro líder busca o melhor para o povo, não para si”

Janaína Paschoal, deputada estadual na Assembleia Legislativa de São Paulo, parlamentar mais votada do País nas eleições passadas, advogada criminalista e jurista, sobre a movimentação atual do presidente da República,

“Aeromoça”, Dick Farney: na voz e no coração do saudoso Dick, para viajar na saudade! No BP! Boa Quarta-Feira Primaveril!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

DO EL PAÍS

O país acaba de superar uma das previsões mais pessimistas feitas pelos sanitaristas da Casa Branca, sem ter ainda conseguido controlar a curva

 Antonia Laborde

Washington
Por trás de um vidro, Donald Mansfield acompanhou sua filha Julie Kjorsvik no dia do seu casamento.
Por trás de um vidro, Donald Mansfield acompanhou sua filha Julie Kjorsvik no dia do seu casamento.Julie Kjorsvik

Na última vez em que Julie Kjorsvik viu seu pai com vida, um biombo de vidro os separava. Donald Mansfield, de 77 anos, repousava numa cadeira de rodas quando o levaram até a porta do prédio. Do outro lado, sem que o avisassem, o esperavam seus três filhos e seus netos. A mais velha, filha de Julie, estava vestida de noiva. Acabava de se casar junto a um rio, na zona rural de Ellensburg, no Estado de Washington. A jovem escolheu o lugar em homenagem ao seu avô, um ex-marine que tinha passado mais tempo dentro d’água do que fora. Donald apoiava suas mãos no vidro, e seus familiares faziam o mesmo do outro lado, tentando enganar a mente e sentir que se tocavam. “Sorria, mas dava para ver que por dentro seu coração estava destroçado”, recorda Julie. Seu pai tinha sido internado em uma clínica geriátrica depois de sofrer uma parada cardíaca seguida de uma fratura de quadril. Meses depois, em julho, uma enfermeira da clínica deu positivo por coronavírus, o que resultou em um surto. Os Estados Unidos superaram nesta terça-feira as 200.000 mortes por covid-19.

Quando Donald Mansfield passou para o outro lado do vidro, estava dentro de um caixão coberto com a bandeira dos Estados Unidos. A política da clínica Prestige Post-Acute permite que duas pessoas próximas ao doente o visitem em seus últimos momentos. Mas Julie nunca recebeu esse convite, apesar de falar diariamente por telefone com o pessoal médico. Em 13 de julho lhe informaram que tinham feito o exame em Mansfield, e dois dias depois que havia dado positivo. Donald era um dos 52 casos no Prestige Post-Acute mencionados nos noticiários. No dia 21, Julie ligou quando seu pai estava descansando após lhe darem banho. “Disse-lhes que o deixassem desfrutar desse momento de paz. Que eu ligaria no dia seguinte”. Mas, de madrugada, o telefone que tocou foi o dela. “A enfermeira estava chorando. Tinha morrido”. Perguntaram se queria vê-lo. “’Como é que é?’, respondi. ‘Por que vou agora que está morto? Eu queria vê-lo vivo”.

Desde 6 de fevereiro, quando foi registrada a primeira vítima mortal oficial nos EUA, mais de 200.000 pessoas perderam a vida devido à covid-19. A cifra recém-alcançada supera o prognóstico mais pessimista feito pelo epidemiologista Anthony Fauci, principal sanitarista da Administração federal, no último dia de março. Depois a barreira subiu para 240.000. No mesmo dia em que Donald morreu, ocorreu um ponto de inflexão no país, e desde então, com algumas exceções, os EUA voltaram a somar 1.000 mortes diárias, uma cifra da qual o país havia se despedido nos primeiros dias de junho. Os novos casos se aproximam velozmente dos sete milhões, encabeçando o ranking mundial. Ambos os indicadores estão em alta em comparação à semana passada. Embora apenas 7% dos contágios tenham ocorrido em asilos para idosos, as mortes nesses estabelecimentos representam quase 40% do total. No Estado de Washington, na costa oeste, onde as clínicas geriátricas foram testemunhas de incessantes surtos, o percentual alcança 56%.

Memorial para homenagear as 200.000 vítimas mortas pela Covid-19 em Washington.
Memorial para homenagear as 200.000 vítimas mortas pela Covid-19 em Washington. MICHAEL REYNOLDS / EFE

Jessica Bliven é uma enfermeira intensivista em Las Vegas (Nevada). Filha única, mãe de três filhos, viveu durante 14 anos com sua mãe, Charlene Struck, que neste domingo faria 75 anos. “Nunca esquecerei em 2 de julho, quando acordei com o som da minha mãe tossindo na nossa sala de estar”. Jessica vivia com o temor de levar a doença a casa. Esclarece que foi extremamente cuidadosa quando trabalhava e que usava meticulosamente o equipamento de proteção pessoal. Primeiro se contagiou seu marido, que também saía de casa para trabalhar. “Estava muito preocupada com meu marido, mas proteger minha mãe era minha prioridade”. Isolou o cônjuge num quarto, mas dias depois sua mãe, que tivera problemas respiratórios em sua juventude e sofria de lúpus, começou a tossir.

Charlene não queria ir para o hospital porque temia não voltar mais. Jessica a manteve em casa por quase duas semanas; os sintomas não foram além da tosse. “Fiz tudo o que pude para mantê-la em casa, mas não importava o que eu fizesse, seu oxigênio continuou baixando”, recorda. Quando colocaram a sua mãe na ambulância, não se despediu. Estava certa de que deixariam que a visitasse, mas não foi assim. Naquela mesma noite, Charlene Struck sofreu uma parada cardíaca e teve que ser submetida a reanimação. Depois, a conectaram a um respirador. Jessica não conseguia dormir e teve ataques de pânico. Como enfermeira, sabia que era improvável que sua mãe sobrevivesse. Esperaram alguns dias para ver, sem sucesso, se seus sinais vitais melhoravam. “Então enfrentei a difícil decisão de desconectá-la do respirador”. Por sua profissão, permitiram-lhe estar no quarto no momento da morte.

“Não consigo parar de ficar repetindo os fatos na minha cabeça. Poderia ter feito algo para impedir? Poderia tê-la salvado? Simplesmente não sei”, reflete. Sua família ainda não conseguiu realizar uma cerimônia fúnebre que a ajude a processar a perda. As restrições aos funerais são uma das consequências mais dolorosas —talvez a mais— desta pandemia. Quase dois anos antes da morte de Donald Mansfield, Julie perdeu a mãe por um câncer fulminante. “A experiência das duas mortes é completamente diferente”, observa. Sua família pôde acompanhá-la a todo momento e sabiam qual era a situação. “Quando minha mãe morreu, foi um momento de paz. Mas a partida do meu pai, distante dos seus… Não houve nada de pacífico em sua morte”, lamenta. Seus restos foram cremados e pretendem, assim que se possível, jogá-los no rio.

set
23

Postado em 23-09-2020 00:25

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 23-09-2020 00:25

Força, Fux, enfrente a tormenta
 

Como acabamos de publicar, o ministro Luiz Fux, novo presidente do Supremo Tribunal Federal, disse o seguinte no seu primeiro discurso à frente do Conselho Nacional de Justiça:

“O momento não é fácil. Mas o tempo é sábio e ele sabe que não pode separar o inseparável. Então, quem sabe os nossos destinos se cruzaram para que, juntos, possamos enfrentar este momento tormentoso, momento muito tormentoso, diria mesmo um mar de tormenta. Muito embora naveguemos hoje pela internet, estamos navegando também num mar tormentoso. Tenho a certeza que com o apoio de todos, sem qualquer demagogia, com a minha maneira simples de trabalhar, nós vamos fazer essa travessia, mas tenho certeza que nós estamos muito mais perto do porto do que do naufrágio. Que Deus nos ajude.”

 Fux não foi específico. Não se exclui que tenha feito referência a uma série de problemas, como a pandemia, o contexto político-econômico, a tentativa de desmonte da Lava Jato e a herança de Dias Toffoli, como mostrou a Crusoé nas últimas duas semanas, em reportagens que não repercutiram na imprensa, mas provavelmente calaram fundo nos tribunais superiores. Uma delas revelou o que Marcelo Odebrecht disse à Procuradoria-Geral da República sobre Toffoli; a outra mostrou que o inquérito do fim do mundo teve evidente desvio de finalidade, ao intimar investigados pela Lava Jato para averiguar se eles citaram ministros do STF em depoimentos à Operação. Para completar, a delação de Orlando Diniz. ex-presidente da Federação do Comércio do Rio de Janeiro, trouxe à tona nomes de ministros do STJ supostamente envolvidos em negociatas. É outro abacaxi para Fux

set
23

Postado em 23-09-2020 00:21

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 23-09-2020 00:21

 

Credito: Ed Alves/CB/D.A. Press.
DO CORREIO BRAZILIENSE

A ala militar do governo aprovou com louvor o discurso do presidente Jair Bolsonaro na Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (22/09). Estão todos em êxtase, como diz um integrante do governo. “Foi tudo o que esperávamos. O presidente marcou posição, atacou críticos, sem ser agressivo”, acrescenta.

 

Todo o discurso do presidente passou pelo crivo dos ministros militares, que, bem antes da participação dele na Assembleia-Geral da ONU, já vinham expressando a posição que seria apresentada pelo chefe de governo. “Creiam, atingimos nosso objetivo. O que estão fazendo com a imagem do Brasil é um crime”, ressalta um militar.

Na avaliação dos ministros militares, quem apoia o governo entendeu perfeitamente os recados. “E temos certeza de que aqueles que têm dúvidas ante a campanha internacional contra o Brasil passaram, agora, a comungar das posições do presidente”, acrescenta o mesmo militar.

Os militares acreditam que o governo conseguirá, com a postura mais firme de Bolsonaro, “mostrando a verdade”, reverter a imagem horrível que o Brasil está no exterior. “Não temos dúvidas de que demos visibilidade à nossa posição. O discurso do presidente foi um contraponto importante”, diz um assessor do Planalto.

“Vai virar verdade”

 

O próprio presidente, em conversa com militares, disse acreditar que seu discurso na ONU teve o efeito esperado e abriu espaço para o governo se posicionar de forma mais enfática no exterior. A determinação é repetir o discurso sempre que possível, até “virar verdade”.

Dentro dessa estratégia, o Planalto escalou as representações do país no exterior para mapear toda a repercussão do discurso de Bolsonaro lá fora. Com base nas análises desses dados, serão definidas estratégias de comunicação para reverter o pessimismo com o Brasil.

“Estamos numa guerra de desinformação, e entramos nela certo de que podemos sair vencedores. A fala do presidente do presidente na ONU foi só o começo dessa batalha”, frisa o mesmo assessor.

set
23

Postado em 23-09-2020 00:10

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 23-09-2020 00:10

DO CORREIO BRAZILIENSE

Em novo boletim médico, o Complexo Hospitalar dos Estivadores, onde Vanusa está internada, informou que a cantora encontra-se intubada e em ventilação mecânica

CB
Correio Braziliense
 

A cantora deu entrada no hospital em 7 de setembro em decorrência de problemas respiratórios - (crédito: Gal Oppido/Divulgação)

A cantora deu entrada no hospital em 7 de setembro em decorrência de problemas respiratórios – (crédito: Gal Oppido/Divulgação)

A cantora Vanusa, de 72 anos, precisou ser entubada na tarde desta terça-feira (22/9). Internada em uma UTI do Complexo Hospitalar dos Estivadores, em Santos, desde 12 de setembro, a artista apresentou, nas últimas seis horas, uma piora do quadro clínico. 

Em novo boletim médico, divulgado à imprensa pouco depois das 17h, o médico Luiz Otávio Lopes Abrantes, coordenador interino da UTI da unidade de saúde, informou que a paciente “apresentou, nas últimas seis horas, piora do quadro respiratório, encontrando-se intubada e em ventilação mecânica”. 

Até a última atualização médica, Vanusa não necessitava de suporte de oxigênio e permanecia na UTI em observação

Nas redes sociais, o filho da artista, Rafael Vannucci, publicou o informe médico desta terça e agradeceu aos profissionais da saúde e aos fãs o cuidado e o carinho com a mãe. “Nem sempre temos boas noticias, mas sempre temos fé em Deus e gratidão aos fãs e médicos que estão cuidando de minha mãe com tanto carinho”. 

set
23

Postado em 23-09-2020 00:07

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 23-09-2020 00:07



 

Zé Dassilva, NO

 

DO EL PAÍS

Em seu discurso na 75ª Assembleia Geral da ONU, o presidente afirmou que seu governo é vítima de uma campanha de desinformação

Jair Bolsonaro discursa nesta terça na Assembleia Geral da ONU.
Jair Bolsonaro discursa nesta terça na Assembleia Geral da ONU.

Felipe Betim

São Paulo

Diante de uma Assembleia Geral que celebrava o 75º aniversário da ONU, com o lema “O futuro que queremos”, o presidente Jair Bolsonaro inaugurou nesta terça-feira a reunião de líderes —tradição reservada ao Brasil desde 1955— atacando com o mesmo estilo de sempre. Primeiro aos meios de comunicação, por supostamente “espalhar o pânico entre a população” ao longo da pandemia de coronavírus. Depois, sobre os incêndios na Amazônia e no Pantanal, Bolsonaro tentou mais uma vez livrar seu Governo das críticas por sua gestão no combate às queimadas ilegais, afirmando, assim como fizera em seu discurso do ano passado, que o Brasil é “vítima de uma das mais brutais campanhas de desinformação”. Sem mencionar as investigações sobre a ação criminosa de fazendeiros, tanto na Amazônia como no Pantanal, o presidente afirmou que “índios e caboclos” causam as queimadas para sua sobrevivência —novamente, sem citar fatores como a ação de garimpeiros e grileiros. Também fez referência às altas temperaturas no centro-oeste brasileiro como culpadas pelo desastre ambiental.

No discurso gravado para a abertura da reunião —adaptação imposta devido à crise sanitária—, Bolsonaro se valeu de uma leitura simplista sobre as responsabilidades do Brasil na preservação do meio ambiente para defender o avanço do agronegócio. Empresas do setor se juntaram recentemente a ONGs para apresentar propostas para coibir o desmatamento na Amazônia e evitar a fuga de investidores. O presidente, no entanto, destacou o agronegócio brasileiro como possuidor de uma das melhores licenças ambientais do mundo. As críticas fariam parte de uma suposta campanha de desinformação ambiental —uma retórica, aliás, que vários ministros estão adotando.

Essa retórica também vale para a Amazônia. Nela, Bolsonaro, defende que a riqueza local seria alvo da cobiça de instituições internacionais, aliada a grupos brasileiros “aproveitadores e impatrióticos”, que teriam como interesse prejudicar o Governo.

Sobre o Pantantal, a linha do discurso presidencial foi parecida. Ele não mencionou as investigações da Polícia Federal que identificaram o início de alguns focos em quatro fazendas, o que reforça as suspeitas de que os incêndios foram propositais. “Mantenho minha política de tolerância zero com o crime ambiental. (…) Lembro que a região Amazônica é maior que toda a Europa Ocidental. Daí a dificuldade em combater não só os focos de incêndio, mas também a extração ilegal de madeira e a biopirataria”, justificou.

Ainda na área ambiental, Bolsonaro também insinuou que a Venezuela foi a responsável pelo derramamento de óleo que atingiu a costa do Nordeste no ano passado, apesar de as investigações ainda não terem chegado a uma conclusão.

O presidente afirmou ainda que o Brasil utiliza uma parcela pequena de seu território para a agricultura, destacando que o país é líder em conservação de florestas tropicais, possui uma matriz energética mais limpa e diversificada do mundo e é responsável por apenas 3% da emissão de carbono no mundo, apesar de ser umas das dez maiores economias. “Garantimos segurança alimentar a um sexto da população mundial, mesmo preservando 66% de nossa vegetação nativa e usando apenas 27% do nosso território para a pecuária e a agricultura —números que nenhum outro país possui”.

Reações

A fala de Bolsonaro gerou reação de organizações ligadas à defesa do meio ambiente e dos direitos humanos. “Ao arrasar a imagem internacional do Brasil como está arrasando nossos biomas, Bolsonaro prova que seu patriotismo sempre foi de fachada”, afirmou Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. “Acusou um conluio inexistente entre ONGs e potências estrangeiras contra o país, mas, ao negar a realidade e não apresentar nenhum plano para os problemas que enfrentamos, é Bolsonaro quem ameaça nossa economia. O Brasil pagará durante muito tempo a conta dessa irresponsabilidade. Temos um presidente que sabota o próprio país.”

Já Camila Asano, diretora de programas da Conectas Direitos Humanos, classificou o discurso do presidente de “desrespeitoso aos líderes mundiais”, uma vez “subestima a inteligência e nível de conhecimento e informação de seus pares sobre a crise no Brasil”. Para ela, o mandatário “negou a gravidade da destruição ambiental, culpou ‘caboclos e índios’ e atacou o trabalho de organizações ambientais”.

Gestão da pandemia de coronavírus

O presidente também buscou defender seu Governo das críticas pela gestão da pandemia do coronavírus, que no Brasil já matou mais de 137.000 pessoas. Para isso, terceirizou a responsabilidade aos 27 governadores pela gestão das medidas de isolamento e de “restrições de liberdade”, distorcendo a decisão do Supremo Tribunal Federal determinando que as medidas mais duras de distanciamento social deveriam ser respeitadas, fossem elas decretadas por governantes locais ou não. Ao longo da pandemia, Bolsonaro se posicionou de modo contrário às medidas de isolamento decretadas por Prefeituras e Governos estaduais com base nas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da comunidade científica. “Ao presidente coube o envio de recursos e meios a todo o país”, destacou o presidente, que também promoveu ao longo da crise sanitária o uso da hidroxicloroquina, cujos efeitos contra a covid-19 não foram comprovados cientificamente.

E partiu para o ataque contra a imprensa: “Como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população. Sob o lema ‘fique em casa e a economia a gente vê depois’, quase trouxeram o caos social para o país”, discursou.

Em seguida, destacou as medidas econômicas de seu Governo. Ele citou o programa de renda básica emergencial, iniciativa do Congresso Nacional, para 65 milhões de pessoas, afirmando erroneamente que suas parcelas “somam aproximadamente 1.000 dólares” —o valor das parcelas individuais é de 600 reais, equivalente a cerca de 120 dólares pelo cambio atual. Também destacou o apoio para ações de saúde e socorro a pequenas e microempresas, assim como a compensação pela perda de arrecadação dos Estados e Municípios.

Política exterior e aceno à base religiosa

Bolsonaro também afirmou que o Brasil não é apenas “líder em preservação ambiental”, como também se destaca no campo humanitário e dos direitos humanos. E atacou mais uma vez o regime de Nicolás Maduro na Venezuela, ao lembrar que o Brasil acolheu refugiados do país. “A Operação Acolhida, encabeçada pelo Ministério da Defesa, recebeu quase 400 mil venezuelanos, deslocados devido à grave crise político-econômica gerada pela ditadura bolivariana”.

O presidente terminou seu discurso “reafirmando” sua “solidariedade e apoio ao povo do Líbano pelas recentes adversidades sofridas”, assim como confirmando o apoio brasileiro aos acordos de paz entre Israel e os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein. “O Brasil saúda também o plano de paz e prosperidade lançado pelo presidente Donald Trump, com uma visão promissora para retomar o caminho da tão desejada solução do conflito israelense-palestino”.

Também acenou para sua base religiosa, ao fazer “um apelo a toda a comunidade internacional pela liberdade religiosa e pelo combate à cristofobia”, destacando que “o Brasil é um país cristão e conservador, e tem na família sua base”.

set
22

Postado em 22-09-2020 00:14

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 22-09-2020 00:14

Os dois modelos | Opinião | EL PAÍS Brasil

DO EL PAÍS

ARTIGO

Mario Vargas Llosa

Uma das teses mais controversas do liberalismo hoje é que, pela primeira vez na história da humanidade, os países podem escolher ser pobres ou prósperos. Nunca antes isso foi possível, porque a prosperidade dependia sempre da quantidade de recursos com que uma nação contava, de sua situação geográfica e de sua força militar. Mas no mundo globalizado de nosso tempo, se sabe perfeitamente quais são as políticas que criam emprego e fortalecem economicamente um país, e as que o empobrecem e afundam. Os casos antinômicos da Venezuela e da Alemanha podem nos servir de exemplo.
 
O caso da Venezuela é conhecido por todo mundo. Era um dos países mais ricos do planeta, porque, resumindo, se trata de um imenso lago de petróleo e outros minerais, que não faz muitos anos atraía uma imigração gigantesca, para a que sobrava trabalho, e o país progredia a passos de gigante, apesar da corrupção e das transgressões de seus Governos, o que permitiu ao comandante Chávez e seu “socialismo do século XXI” conquistar o poder em eleições que provavelmente foram livres. Nunca mais o seriam, evidentemente. Atualmente, a Venezuela morre de fome, se afoga na corrupção, e pelo menos cinco milhões de venezuelanos fugiram do país, a pé, com suas malas e filhos, para sobreviver. É óbvio que o socialismo, do passado e do presente, não garante a prosperidade, e sim a miséria, a curto e longo prazo. Por isso a Rússia e a China deixaram de ser socialistas e praticam, na verdade, um capitalismo de compadrio, com ampla margem na vida econômica à empresa privada e à concorrência, mas uma estrita rigidez na esfera política, onde o velho sistema autoritário persiste quase intacto.
A Alemanha, por outro lado, é um país que prospera a cada dia, e em todos os sentidos. Acabo de ir para lá, após sete meses, e voltei a ficar surpreso com o espetáculo de uma antiga Alemanha Oriental em plena efervescência, onde ressuscitam os velhos palácios e se constroem arranha-céus por todos os lados, onde ninguém parece morrer de fome, onde a democracia funciona em todos os níveis e onde a maioria da população parece contente com seu destino. O Governo de coalização, que Angela Merkel ainda preside, ainda que possua discrepâncias e conflitos em seu interior, parece firme e as próximas eleições não devem mudar, em seu conjunto e apesar do coronavírus, que ali parece perfeitamente controlado, esse período de estabilidade e progresso vivido pelo país.
 
O que fez a Alemanha para estar como está? Escolheu ser próspera, ou seja, estimulou a empresa privada, a concorrência e a poupança, integrou sua economia aos mercados mundiais, e o desenvolvimento econômico que vem experimentando por longos anos lhe permitiu ser muito independente ?o país mais rico da União Europeia, de fato? ainda que, em matéria de energia, ainda dependa da Rússia, com quem a une um tratado preocupante. Mas, no que concerne ao seu europeísmo, às suas políticas de imigração e ao seu respeito pela legalidade, não há nada a que criticar e sim muito o que imitar.
 
É fácil seguir o modelo alemão? Não é e, por isso, muitos países que quiseram ser prósperos não podem seguir seus passos. Qual é o problema? Basicamente, a corrupção. É o caso da América Latina, sem dúvida. A corrupção está tão profundamente arraigada em seus Governos, seus ministros e funcionários roubam tanto e o roubar é uma prática tão estendida em quase todos os Estados, que é de todo impossível estabelecer uma economia de mercado que funcione de verdade e exista uma concorrência séria e genuína em seu seio. Para que o modelo do progresso funcione é preciso acabar com a corrupção, ou reduzi-la a sua mínima expressão, e isso, para muitos Estados, é simplesmente impossível. Os que conseguiram, como Hong Kong, antes de voltar a ser parte da China, e Singapura, Coreia do Sul e Taiwan, progrediram sem travas e acabaram com a fome e o desemprego. E a democracia começou a funcionar neles (no caso de Singapura, de maneira mais limitada).
 
Por outro lado, a transição de uma economia sequestrada pela corrupção, onde os ministros, os chefes militares e os meros funcionários enchem os bolsos de maneira ilegal, não é nada fácil. É preciso apoio popular e jornalístico incessante, um poder judicial que aja de acordo com as leis, e governantes convencidos e corajosos que acreditem no modelo e o coloquem em prática sem vacilos e temores. E, principalmente, uma opinião pública que acredite nele e o respalde. Nem tudo se desenvolve no campo econômico. Pelo contrário; uma economia próspera não basta para criar magicamente uma sociedade onde a maioria da população se sinta confortável. É preciso ao mesmo tempo uma verdadeira igualdade de oportunidades que só uma educação pública de altíssimo nível pode oferecer, que garanta, em cada geração, um ponto de partida uniforme. Isso foi uma realidade na França antes do que em qualquer outra parte e o foi também ?surpreendam-se? na Argentina, desde o século passado, quando o modelo educativo criado às margens do rio da Prata pelos herdeiros de Sarmiento causava a admiração de todo o mundo.
 
O curioso é que, apesar do evidente, os ataques ao que o modelo bem-sucedido representa são a cada dia mais intensos e vêm sobretudo de países que tentaram aplicá-lo e não conseguiram por múltiplas razões, especialmente, por um setor público populista e demagógico que questiona o sistema por motivos supostamente morais. Lá, a maior dificuldade para que os países sigam o modelo que traz progresso é semântica: um problema de palavras. Assumir o “capitalismo”, requisito essencial, é simplesmente impossível para a maior parte dos países, pois a esquerda em geral, e a esquerda comunista em particular, hoje minúscula, conseguiu criar em torno a essa palavra ?capitalismo? uma sensação de injustiça e desigualdade, de patifaria e egoísmo, que a faz impronunciável, ou, melhor dizendo, a associa a um complexo de inferioridade que impede os que, secretamente, acreditam nela, de pronunciá-la e ainda menos promovê-la. Frequentemente, é o caso dos próprios empresários, que se envergonham do que são e representam.
 
Aí está um dos grandes paradoxos de nosso tempo: o sistema que trouxe modernidade, prosperidade e, principalmente, liberdade aos países mais adiantados do mundo, costuma ser impronunciável e nenhum líder político respeitado se atreveria no terceiro mundo a promover uma fórmula “capitalista” ?palavra maldita? a seus eleitores, pois o mais provável é que teria bem poucos. A esquerda conseguiu essa confusão mental que hoje impede, sobretudo nos países subdesenvolvidos, de aproveitar essa extraordinária possibilidade de arrancar a pobreza e o subdesenvolvimento de dezenas, ou centenas, de países da terra, que, paralisados pelo suposto socialismo que por fim traria a igualdade, a solidariedade e os bons rendimentos a sua população, se afundam cada vez mais, como a Venezuela, na corrupção e na miséria.
 
A possibilidade de escolher entre a pobreza e a riqueza está sempre ali, como possibilidade teórica. Mas, na prática, o socialismo continua triunfando sobre o capitalismo, pelo menos no papel e nos discursos. A este não lhe importa, porque tem a sensação ?a segurança? de que o futuro lhe pertence. Os outros se contentam, enquanto continuam empobrecendo, não com adquirir o progresso, e sim com o triunfo de uma só palavra.

“No me platiques más”, Lucho Gatica: Cinematográfica versão de um dos mais  belos e famosos boleros de sempre, em registro históricos dos anos 50. Maravilhoso em qualquer tempo. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

Do Jornal do Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse em audiência no STF nesta segunda-feira que as queimadas, invasões e desmatamento prejudicam o agronegócio, enquanto o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, criticou “narrativas” que tentam culpar Executivo por desmontes ou retrocessos na área ambiental.

A audiência pública virtual do Supremo Tribunal Federal visa debater a captação de recursos para Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo do Clima) e a forma de usá-los em políticas públicas voltadas à preservação ambiental no Brasil.

Para Salles, a ação que discute a captação de recursos perdeu o objeto porque o governo, segundo ele, já demonstrou o uso adequado dos recursos.

Maia, por sua vez, insistiu no que chamou de efeitos “deletérios” ao agronegócio por conta do atual quadro ambiental no Brasil

“Num país que pode expandir as fronteiras agropecuárias sem derrubar nenhuma árvore sequer, os efeitos sobre o agronegócio estão sendo e serão deletérios, afetando nossa credibilidade, competitividade e capacidade de coordenação no plano internacional”, disse Maia, ao comentar que uma política “negligente” tem impactos sistêmicos consideráveis.

Ao citar o aumento do desmatamento, das queimadas –o Pantanal acumulava na semana passada, mais de 15 mil focos de incêndio, o maior número para o período na série histórica do Inpe, iniciada em 1998– e das invasões de terras indígenas e áreas de proteção, Maia afirmou que o “Congresso vem lutando para assegurar dentro de suas atribuições condições orçamentárias e políticas para o pleno desenvolvimento de políticas ambientais”.

O deputado acrescentou ainda que não se pode “confiar nas chuvas ou na umidade da floresta”, e que a solução passa pela política.

Já o ministro do Meia Ambiente usou sua exposição para dizer que os recursos para o Fundo do Clima ficaram parados de 2019 e até há pouco, quando o governo definiu que serão usado em saneamento, uma carência que afeta 100 milhões de brasileiros.

Em meados de julho, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei do Novo Marco do Saneamento Básico, proposta que deve abrir caminho para maior presença da iniciativa privada no setor.

“Como reconhecido pelo presidente da Câmara dos Deputados (Rodrigo Maia), o plano de ação já foi feito, o comitê gestor já foi empossado e os recursos já foram encaminhados ao BNDES da ordem de 581 milhões de reais, maior encaminhamento de recursos bienal de todos os anos”, disse Salles.

O ministro contestou as críticas à atuação do governo e listou uma série de ações para o meio ambiente, argumentando que o desmonte de órgãos de fiscalização da área foi herdado de governos anteriores.

“O que mostra que os fatos nem sempre correspondem às versões que são trazidas. Quando a gente verifica fato a fato o que se vê é que aquela narrativa do desmonte, do retrocesso, da não preservação, do não cuidado não se sustenta. O que pode haver são visões diferentes de como fazê-lo”, destacou.

Argumentos semelhantes foram usado pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, que negou omissão do governo e afirmou que os que alardeiam “falsos argumentos” trabalham para derrubar o presidente Jair Bolsonaro.

Para Heleno, há uma defasagem histórica de recursos para diversos setores, inclusive o ambiental, onde também há deficiências de pessoal e de infraestrutura. O chefe do GSI lembrou, ainda, que este governo tem apenas um ano e nove meses e sabe “perfeitamente o que deve ser feito”, listando como estratégia a busca dos que financiam o crime organizado florestal.

“O que entristece os que trabalham para solucionarem os problemas enfrentados é o fato de brasileiros natos se aliarem a estrangeiros que jamais puseram os pés na Amazônia, conhecem a Amazônia de fotografia, e as ONGs que têm por trás de potências estrangeiras para nos apresentarem ao mundo como vilões do desmatamento e aquecimento do planeta”, disse o ministro, alegando que nesse contexto são utilizados “argumentos falsos, números fabricados e manipulados, e acusações infundadas para prejudicar o Brasil”.

“Alardeiam publicamente que nada foi feito pelo governo federal, esse é um dos pontos focais desse problema. Não podemos admitir e incentivar que nações, entidades e personalidades estrangeiras, sem passado que lhes dê autoridade moral para nos criticar, tenham sucesso em seu objetivo principal, obviamente oculto, mas evidente, para os não inocentes, que é prejudicar o Brasil e derrubar o governo Bolsonaro.”(com agência Reuters)

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