“Eu continuo achando que é muito possível ele(Rui Costa, candidato do PT a governador) ganhar no primeiro turno, mas, não falo isso porque essa não é a bandeira. A bandeira é ganhar”,

Jaques Wagner, governador da Bahia e principal líder estadual do PT, sobre as chances de Rui Costa na eleição deste ano, que elegerá o seu sucessor no Palácio de Ondina, apesar do candidato petista ser o terceiro colocado, com 8% das intenções de voto, na recente pesquisa do Ibope. Paulo Souto, do DEM, disparado em primeiro lugar, tem 42%, Lidice, do PSB, em segundo, tem 11%. Na entrevista exclusiva aos jornalistas Osvaldo Lyra e Paulo Roberto Sampaio, publicada pela Tribuna da Bahia na edição desta segunda-feira, 28. Nas Bancas.

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DEU NO JORNAL A TARDE

João Ubaldo Ribeiro

JC Teixeira Gomes

Ter visto João Ubaldo estendido num caixão funerário e, um dia depois, sendo colocado na tumba do mausoléu da Academia Brasileira de Letras foi uma experiência brutalmente traumática para quem com ele convivia. Para mim, em primeiro lugar, pela profunda amizade que nos unia desde a adolescência, reunidos no Central sob a égide da “Geração Mapa”. Em segundo lugar, porque toda a vida de Ubaldo foi radicalmente antagônica à ideia da morte: sua obra é uma interpretação irreverente do Brasil, consequência da alegria e do otimismo que ele irradiava na sua convivência diária.

Essa predisposição para o humor floresceu em Ubaldo já nos instantes iniciais da sua trajetória. Nos primórdios da década de 60, ele assinou colunas no Jornal da Bahia que logo o transformariam num dos jornalistas mais admirados do nosso Estado, pela graça com que abordava seus assuntos. Era o começo da obra múltipla que o consagraria no Brasil e lhe daria renome internacional, como intérprete da brasilidade.

Não vim, porém, fazer crítica literária, mas apenas reafirmar a enormidade da perda humana e cultural que a morte de João Ubaldo acarreta. Conforme assinalei no longo ensaio que dediquei ao amigo no livro Obra Seleta, com o qual Sebastião Lacerda, em 2005, reuniu os principais romances de Ubaldo, foi ele o único escritor que elaborou duas vezes, em línguas diferentes e com igual competência, uma única obra: Viva o povo brasileiro, escrita em português e depois vertida pelo próprio autor para o inglês, em feito inédito na literatura mundial.

Trata-se de façanha literária portentosa: essa obra-prima da literatura brasileira está repleta de modismos, giros de frase exclusivos, toda uma carga semântica e sintática tão distante do inglês que dificilmente alguma outra pessoa conseguiria aproximar, numa tradução, idiomas tão diferenciados. Pois Ubaldo o fez: verteu ele próprio para o idioma de Shakespeare o que tinha escrito no português itaparicano, baiano e nordestino, proeza que nenhum crítico literário registrou.

Essa capacidade inventiva não surgiu por acaso: as crônicas de Ubaldo em jornal, cheias da verve que encantava os leitores, saíam da mesma pena que produzia obras de grande densidade cultural. A formação literária de João Ubaldo foi construída no severo aprendizado dos clássicos.

Não devo, porém, estender-me. Já todos sabem o que o Brasil perdeu. Como jornalista, não tenho o direito de dizer que me faltam palavras para comentar a morte do amigo, mas posso confessar que o tumulto dos sentimentos recomenda comedimento diante da perda.

Não vim aqui para chorar perante o público, nem acredito que a literatura possa substituir a grandeza da vida. No entanto, não será na presumível imortalidade acadêmica, mas sim na pujante permanência do seu legado que Ubaldo continuará vivo nos corações e na lembrança de leitores e amigos. É, enfim, na magia dos livros que o grande escritor transcenderá para sempre o esquecimento dos homens ou o nefasto poder da morte.

João Carlos Teixeira Gomes é Jornalista, membro da Academia de Letras da BahiaA Artigo publicado originalmente no jornal Tarde/BA (26/07/2014)

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“Un momento” é a canção tema do filme “Una Mujer en la calle” – Uma Mulher na Rua (1954) con Marga López. Performance musical insuperável de voz, interpretação e piano de Bola de Nieve.Genialidade musical a toda prova do grande músico e cantor cubano. Confira.

BOM DIA

(Vitor Hugo Soares)

jul
29

Postado em 29-07-2014 00:12

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 29-07-2014 00:12


Cristina Kirchner durante inauguração de fábrica em Buenos Aires
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DEU NO EL PAIS (EDIÇÃO BRASILEIRA)

Francisco Peregil
Buenos Aires

A negociação da Argentina com os chamados fundos abutres ao longo deste último mês adquiriu contornos de filme de suspense. Tanta intriga, tanta surpresa de última hora não parecem o melhor remédio para a saúde econômica de um país. Mas assim estão as coisas. O Governo de Cristina Fernández de Kirchner e os fundos contavam desde 30 de junho com um mês de período de graça para evitar a suspensão de pagamentos que não beneficiaria nem aos três fundos que reivindicam 1,5 bilhão de dólares (3,4 bilhões de reais) nem a um Governo necessitado de investimentos estrangeiros. As duas partes deixaram o relógio correr, trocaram desqualificações por meio de comunicados e se posicionaram a apenas um dia do precipício da quarta-feira à meia-noite, quando termina o prazo para chegarem a um acordo.
mais informações

Confiaram quase tudo à reunião que previam realizar na terça-feira pela manhã os representantes do Governo argentino com o advogado Daniel Pollack, mediador designado pelo juiz Thomas Griesa, para buscar um acordo entre o Governo e os fundos abutres. O Governo enviou na segunda-feira a Nova York uma delegação formada pelo secretário de Finanças, Pablo López, o secretário da área Jurídica e Técnica, Federico Thea, e a procuradora do Tesouro, Angelina Abbona.

Vários jornais argentinos indicaram esta segunda-feira que o ministro a Economia, Axel Kicillof, tinha mantido conversações telefônicas com o mediador durante o fim de semana. Mas Daniel Pollack desmentiu esse contato na segunda-feira: “A delegação dos técnicos partiu da cidade de Nova York na sexta-feira à noite para consultar seu Governo em Buenos Aires. Não voltei a ter notícias deles desde esse momento”.

À medida que Cristina Kirchner foi elevando a tensão nas declarações contra os fundos abutres, ela subia nas pesquisas ao longo do mês. Da Casa Rosada partiu uma campanha sob o lema “pátria ou abutres” que caiu fundo nas organizações aliadas. A oposição ficou deslocada, vítima desse aparente binômio “pátria ou morte”, sem matizes nem opções alternativas.

Houve quem, como o opositor e ex-ministro da Economia Roberto Lavagna (2002-2005), respaldasse o Governo em sua decisão de não pagar os fundos abutres enquanto o país não depositar o que deve aos investidores que aceitaram a reestruturação da dívida soberana em 2005 e 2010. E houve opositores, como a deputada Elisa Carrió, que denunciaram a “malvinização” do problema por parte do governo, ou seja, o apelo aos sentimentos patrióticos diante de um inimigo exterior, com a finalidade de ocultar as próprias deficiências. “O Governo tenta ‘malvinizar’ essa questão, quer dizer: os abutres ou nós”, declarou Carrió na Rádio Mitre. “E na realidade, eu posso odiar o meu credor, mas tenho um credor (…) Sempre os pseudoditadores e os personagens autoritários, quando se encontram perdidos, fazem a jogada nacionalista, heroica (…) Eles [os membros do Governo] estão pensando mais em qual jogada patriótica fazem para ter mais adeptos e não no pranto de um povo, posterior à jogada patriótica. Esse é o caso das Malvinas. [Cristina Kirchner] está com a imagem em alta porque muitos gostam disso de pátria ou abutres, sem saber que depois podem ficar sem trabalho”.

Enquanto isso, o relógio corre. E o Governo demonstrava uma calma digna de um herói de cinema. O secretário-geral da Presidência, Oscar Parrilli, garantia na segunda-feira: “Não vai acontecer nada”.

jul
28

Postado em 28-07-2014 19:41

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 28-07-2014 19:41

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DEU NO JORNAL A TARDE

PATRÍCIA FRANÇA

A influência de personalidades na intenção de voto não é uma novidade na política. Mas a eleição deste ano coloca estes cabos eleitorais, tanto no plano estadual como no nacional, numa posição de protagonismo. Alguns candidatos sabem que para conseguir bom desempenho nas urnas terão de contar, em grande medida, com a capacidade destas figuras em transferir votos a seu favor.

Na Bahia, o candidato ao governo Rui Costa (PT) espera se tornar conhecido do grande eleitor e crescer nas pesquisas puxado pelo governador Jaques Wagner (PT) – seu principal cabo eleitoral no estado e que espera coroar seus oito anos de mandato elegendo o seu sucessor.

A candidatura de Rui também conta com o reforço de dois outros cabos eleitorais de peso: o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff, candidata a mais um mandato no Palácio do Planalto e citada no jingle do petista.

O governador não nega sua influência, mas diz que o que sustenta e dá credibilidade a um político é o trabalho entregue. “O que vai levantar a candidatura de Rui é o conhecimento que a população passará a ter dele e do trabalho feito nos oito anos do meu governo”, acredita o petista.

Para Wagner, não basta falar, é preciso ter um lastro do que fez. “Rui é sangue novo na política baiana, ele é parte desse meu projeto, vai falar o que vai fazer e terá um lastro daquilo que a gente fez.. E é evidente que a população vai comparar os oito anos de trabalho do meu grupo político com os oito anos do grupo político deles”.

Candidato da oposição, o ex-governador Paulo Souto (DEM) já governou a Bahia em dois períodos. Conhecido do eleitor, Souto ainda tem o reforço do prefeito de Salvador ACM Neto (DEM), principal liderança da oposição na Bahia e uma das estrelas nacionais do Democrata.

Se Neto funciona como puxador de voto para Souto na disputa local, ele, assim como o próprio Souto, tornam-se cabos eleitorais qualificados para o presidenciável Aécio Neves (PSDB) no estado.

Quarto maior colégio eleitoral do país e onde o PT teve melhor desempenho nas últimas eleições, a Bahia também é o estado do Nordeste considerado prioritário para as campanhas do tucano e de Eduardo Campos, o presidenciável do PSB.

ACM Neto diz não ter dúvida de que o resultado do trabalho que vem desenvolvendo em Salvador tem repercussão na campanha de Souto, o que acaba influenciando o eleitor do interior.

“A capital é sempre a grande vitrine do estado. Em 2012 eu já dizia que a mudança na Bahia tinha que começar com a mudança em Salvador. E que a Bahia não iria bem se Salvador fosse mal”, disse ele, sem deixar de registrar o legado de Souto como governador e senador.

Na contramão dos dois principais concorrentes, a socialista Lídice da Mata conta com a própria trajetória política – vereadora, prefeita, deputada e senadora – para impulsionar o seu nome ao governo do estado e do candidato do PSB ao Planalto.

“Não me vejo como puxadora de voto de uma candidatura presidencial, mas a garantia de um palanque construído com coerência, com tradição popular e conhecimento da Bahia”, analisa Lídice, admitindo que seu patrimônio político abre espaço para Eduardo Campos crescer na Bahia.

Colaborou Biaggio Talento

Pesquisa confirma a influência sobre eleitores

Patrícia França

A campanha presidencial de 2014 já colocou em disputa dois cabos eleitorais que governaram o país em dois mandatos consecutivos: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Adversários em eleições passadas, Lula e FHC voltam agora como apoiadores da candidatura de Dilma Rousseff (PT) e de Aécio Neves (PSDB), respectivamente.

O petista está em vantagem. Pesquisa Datafolha publicada no dia 6 de junho colocou o ex-presidente Lula como o maior cabo eleitoral do Brasil.
Trinta e seis por cento dos entrevistados disseram que votariam “com certeza” em alguém apoiado pelo petista. Lula trabalha para reeleger a sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff (PT).

Em segundo lugar aparece o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, com 26% dos eleitores afirmando que votariam em um candidato indicado por ele. Até agora, Barbosa não declarou voto a nenhum dos candidatos.

Na Bahia, os valores defendidos por Joaquim Barbosa podem funcionar como uma espécie de sombra para a ex-ministra do STJ e candidata ao Senado pelo PSB-Rede, Eliana Calmon. Eliana, como Barbosa, ganhou notoriedade na magistratura ao fazer a defesa intransigente da ética e contra a corrupção.

A ex-senadora Marina Silva, vice na chapa de Eduardo Campos (PSB), obteve 18% de influência sobre o eleitor. Detentora de um patrimônio político de 20 milhões de votos, ela é a aposta de Campos para alavancar sua candidatura no horário eleitoral gratuito.

Já o ex-presidente FHC, que apoia o presidenciável Aécio Neves, é o que menos influencia, com 12% dos votos. Registre-se que o tucano tem a maior influência negativa: 57% não votariam em alguém apoiado por ele de jeito nenhum.

What the world needs now is love”…Vídeo garimpado e sugerido pelo leitor e ouvinte que assina Vangelis, na área de comentários do Bahia em Pauta.BP agradece.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)

jul
28

Postado em 28-07-2014 14:53

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 28-07-2014 14:53


Sara Brito:resistência e justiça na Comissão da Verdade

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A desembargadora Sara Brito, do Tribunal de Justiça da Bahia, e os jornalistas Nelson Cerqueira e Oldack Miranda vão depor na Comissão Estadual da Verdade – Bahia nesta terça-feira (29/7), em audiência aberta ao público, na sede do órgão, na Avenida Sete de Setembro, 1330, anexo ao Palácio da Aclamação.

Os dois primeiros falarão a partir das 9 horas, enquanto o depoimento de Oldack Miranda será às 14 horas.

A CEV-BA, criada em dezembro de 2012, por meio do decreto estadual 14.227, já ouviu 44 pessoas vítimas do regime militar, em Salvador e Feira de Santana, e recebeu cerca de 600 documentos que comprovam violações aos direitos humanos.

Sara Brito, ex-filiada ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), foi presa inúmeras vezes e em 1968, no último ano do curso, teve sua matrícula cassada e foi expulsa da Faculdade de Direito da UFBA.

Conseguiu concluir o bacharelado em 1969 na Faculdade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, onde foi presa, trazida para Salvador e encarcerada na antiga Casa de Detenção do Largo de Santo Antônio, onde ficou quase três anos.

Ingressou na magistratura em abril de 1981 e foi nomeada desembargadora, pelo critério de merecimento, em março de 2007. De março de 2012 a 2014 exerceu a presidência do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia. Ela é viúva do advogado Pedro Milton de Brito, de trajetória histórica na resistência política e na justiça da Bahia.

O escritor e jornalista Nelson Cerqueira trabalhava como plantonista no Jornal da Bahia na madrugada de 1º de abril de 1964, quando foi surpreendido pela invasão de tropa do Exército na redação e oficinas do matutino.

Segundo ele, esse jornal foi o primeiro, em todo o país, a sofrer censura do regime militar. Na manhã de 1º de abril, o Jornal da Bahia foi para as bancas com o espaço da manchete em branco e com claros onde deveria haver texto de notícia. Nelson Cerqueira é também poeta e doutor pela Indiana University (EUA).

O jornalista Oldack Miranda, militante do movimento Ação Popular (AP), foi para a clandestinidade após ser procurado pelas forças repressivas da ditadura em vigor no país. No Vale do Jaíba, norte de Minas, trabalhou durante oito meses, organizando posseiros. Em 1969, foi deslocado para a mata do Vale do Pindaré Mirim, no Maranhão, onde ficou até 1971, com o objetivo de organizar camponeses em sindicatos rurais.

Retorna a Salvador em setembro de 1971, voltando a conviver com a família. Foi condenado a revelia, em Juiz de Fora (MG), a seis meses de reclusão, no dia 28 de abril de 1972, após inquérito policial militar (IPM) instaurado em Belo Horizonte, junto com a companheira Solange Soares Nobre. Apresenta-se e cumpre a pena na Penitenciária de Linhares, em Juiz de Fora (MG).

Já em liberdade, decidiu morar em Salvador e, em outubro de 1973, foi preso por hospedar um militante da Ação Popular clandestino. Foi levado para o Forte do Barbalho e depois para a sede do DOI-CODI em Recife, permanecendo sob tortura durante quatro meses. Seu hóspede, José Carlos da Mata Machado, foi preso e assassinado sob tortura. Oldack Miranda foi julgado e absolvido.

A Comissão Estadual da Verdade – Bahia tem o objetivo de apurar e esclarecer violações aos direitos humanos cometidas por agentes públicos entre os anos de 1946 e 1988, principalmente as violações ocorridas durante a ditadura militar, de 1964 a 1985.

No momento, a CEV-BA prepara o seu primeiro relatório oficial para ser divulgado a 10 de dezembro próximo, no Dia Mundial dos Direitos Humanos, em cerimônia com a participação do governador Jaques Wagner e outras autoridades.

Coordenada pelo advogado Jackson Azevedo, a CEV-BA é formada ainda pelo sociólogo Joviniano Neto, a professora Amabília Almeida, os jornalistas Walter Pinheiro e Carlos Navarro, a pró-reitora da UFBA, Dulce Aquino, e a advogada Vera Leonelli.

jul
28

Postado em 28-07-2014 10:04

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 28-07-2014 10:04


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Amarildo, hoje, na Gazeta (ES)


O juiz Thomas Griesa, em uma imagem de 2010. / M. RAJMIL (EFE)/El Pais

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DEU NO EL PAÍS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Francisco Peregil

De Buenos Aires

A Argentina está entre a espada e a parede. E só tem até quarta-feira para escapar de ambas ou ser perfurada por uma nova suspensão do pagamento da dívida – a segunda em 12 anos. A espada tem muitos nomes, mas todos significam a mesma coisa. Podemos chamar a espada de “credores” que exigem cobrar em sua totalidade a dívida não paga em 2002 e não aceitaram um abatimento de 65,6%; podemos chamá-la de holdouts; e podemos chamá-la também, como faz frequentemente a presidenta argentina, Cristina Fernández de Kirchner, de “fundos abutres”. A parede também recebe vários nomes, mas o mais apropriado talvez seja o de Rufo (direitos sobre oferta futura, na sigla em inglês). Esse é o nome da cláusula que assinaram os credores que aceitaram, estes sim, o abatimento de 65,6%. Em resumo: a Argentina está entre os abutres e a cláusula Rufo.
mais informações

O Governo da Argentina incorreu em 2002 no maior calote da história: 82 bilhões de dólares (183 bilhões de reais). Não havia como pagar essa quantia, a não ser que os credores aceitassem um abatimento considerável no pagamento da dívida. Assim, 92,3% deles aceitaram trocar sua dívida por bônus que contemplavam a redução de 65,6% no pagamento. Esses são os que Cristina Kirchner chama de “bonistas de boa-fé”. Para convencê-los a aceitar essa oferta, ela disse que ninguém obteria melhores condições que eles. E ofereceu a cláusula Rufo, mediante a qual o Governo prometia que, se até dezembro de 2014 chegasse a conceder melhores condições de pagamento a outros bonistas, eles teriam direito às mesmas condições. Ou seja: se o Governo pagasse voluntariamente aos “abutres” a dívida em sua totalidade, sem nenhum abatimento, os credores “de boa fé” poderiam exigir também nos tribunais o pagamento total de suas dívidas.

Por isso, o Governo está agora entre a espada de três “fundos abutres” litigantes que exigem o pagamento de 1,5 bilhão de dólares (3,3 bilhões de reais) e a parede da cláusula Rufo, que, se ativada, poderia fazer com que os “bonistas de boa fé” exigissem compensações superiores a 120 bilhões de dólares (268 bilhões de reais), quantidade quatro vezes superior às reservas de divisas do Banco Central argentino. Essa é a versão do Governo. Entretanto, os “fundos abutres” asseguram que não existe possibilidade de que a cláusula Rufo seja acionada, já que o Governo não está realizando uma oferta voluntária a eles, está obrigado a pagar-lhes, porque assim exige uma sentença do juiz federal de Nova York Thomas Griesa, de 83 anos.

Os economistas do Governo argentino consideram também que há poucas possibilidades de que a cláusula se dispare. Mas acreditam que o risco existe. E, para eliminar esse risco por completo, pediram tempo a Griesa, uma moratória no cumprimento da sentença. Se o Governo pagasse dentro de seis meses, em janeiro de 2015, não haveria nenhum perigo de que se ativasse a cláusula Rufo. Mas o juiz Griesa rejeitou a moratória. E determinou que as partes negociem com a intermediação do advogado Daniel Pollack, designado pelo próprio juiz.

Até o momento, a negociação não chegou a lugar nenhum. Os fundos e o Governo trocaram acusações e desqualificações através de anúncios na imprensa argentina e americana. E, na quinta-feira passada, Cristina esticou um pouco mais a corda ao declarar em um discurso televisionado: “Quero dizer a todos os argentinos que a Argentina não vai estar em default [dar calote]. Sabem por quê? Por uma razão muito simples, básica, elementar, tão óbvia que não seria preciso dizê-la. Mas sabem por que não vamos estar em default? Porque em default entram os que não pagam, e Argentina pagou. (…) Vão ter que encontrar um novo termo que reflita que um devedor pagou e alguém bloqueou e não deixa chegar esse dinheiro, que é de terceiros, a esses terceiros, que são os que aceitaram de boa-fé as trocas de 2005 e de 2010”.

Quero dizer a todos os argentinos que a Argentina não vai estar em default [dar calote]. Sabem por quê? Porque em default entram os que não pagam, e Argentina pagou

Cristina Kirchner

Cristina se referia ao fato de que seu Governo depositou no mês passado 539 milhões de dólares (1,2 bilhão de reais) no Bank of New York Mellon (BoNY) para que fossem retirados pelos vários credores que aceitaram as ofertas de abatimento em 2005 e 2010. Mas Griesa, esse “alguém” que “bloqueou” o dinheiro, não permite que se paguem os 539 milhões aos bonistas de boa-fé sem pagar antes aos três fundos litigantes seu 1,5 bilhão de dólares. E em 30 de julho expira o prazo para pagar aos “de boa-fé” e aos “abutres.

Nesse contexto, o juiz Griesa recebeu na quinta-feira críticas de um blog econômico do jornal The New York Times. O artigo, que apareceu na versão impressa de sexta-feira e está assinado pelo correspondente econômico do jornal, Floyd Norris, questiona que Griesa entende a complexidade do assunto sobre o qual se está pronunciando.

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“Tenha cuidado, isso é o meu coração”, pede Sinatra na bela interpretação, acompanhado pela magistral orquestra de Dorsey, na gravação de 1942.

É o caso de perguntar: diante de algo assim, tão impactante, quem cuidará dos nossos corações?

Responda quem souber.

(Vitor Hugo Soares)

BOM DIA !!!

jul
28

Postado em 28-07-2014 00:04

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 28-07-2014 00:04


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DEU NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS, DE LISBOA

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, realçou hoje, ao telefone, ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a necessidade de um cessar-fogo, em Gaza, imediato e duradouro.

Num comunicado, a Casa Branca refere que Obama “deixou claro que é um imperativo estratégico instituir um cessar-fogo humanitário imediato e sem condições, que acabe com os confrontos e conduza à permanente cessação de hostilidades, com base no acordo de cessar-fogo de novembro de 2012″.

Apesar de reconhecer o direito de Israel a defender-se dos ataques do Hamas, o Presidente norte-americano lembrou que deve ser permitido aos palestinianos em Gaza “levarem vidas normais e resolverem as necessidades de desenvolvimento económico a longo prazo”.

A nota surge depois de o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, ter regressado a Washington após uma semana de contactos no Médio Oriente e em Paris, mas que não alcançaram um cessar-fogo permanente, capaz de terminar com os combates.

Kerry está a trabalhar junto do Governo de Israel e do movimento islamita Hamas no sentido de serem retomadas negociações, no quadro da proposta do Egito, para se pôr fim ao derramamento de sangue em Gaza.