O retorno de Dunga como técnico da seleção brasileira desmente a história de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar”

José Simão, colunista de humor da Folha de S. Paulo, hoje, 21, na Radio Band-FM-Salvador, ao comentar a notícia de que o técnico Dunga, derrotado na Copa da África do Sul, voltará a partir desta terça-feira, 22, a comandar os Canarinhos, depois do fiasco de Felipão na Copa no Brasil.

jul
22

Postado em 22-07-2014 22:13

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 22-07-2014 22:13

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DEU NO G1

Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira (22) mostra Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, com 38% das intenções de voto para presidente da República. Em seguida, aparecem o senador Aécio Neves (PSDB), com 22%, e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), com 8%.

No levantamento anterior realizado pelo instituto, em junho, Dilma aparecia com 39%, Aécio com 21% e Campos com 10%.

Na pesquisa desta terça, Dilma, com 38%, tem um ponto percentual a mais que a soma de todos os outros candidatos (37%). Por isso, de acordo com o instituto, não está definido se haverá segundo turno.

O candidato do PSC, Pastor Everaldo, alcançou 3% das intenções de voto, mesmo percentual do levantamento anterior.

Encomendada pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, a pesquisa é a primeira do Ibope após o registro das 11 candidaturas a presidente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no último dia 5.

Confira abaixo os números do Ibope, segundo a pesquisa estimulada, em que os nomes de todos os candidatos são apresentados ao eleitor (os candidatos que aparecem com 0% são os que tiveram menos de 1% das menções cada um):

- Dilma Rousseff (PT): 38%
- Aécio Neves (PSDB): 22%
- Eduardo Campos (PSB): 8%
- Pastor Everaldo (PSC): 3%
- Luciana Genro (PSOL): 1%
- Zé Maria (PSTU): 1%
- Eduardo Jorge (PV): 1%
- Eymael (PSDC): 0%
- Levy Fidelix (PRTB): 0%
- Mauro Iasi (PCB): 0%
- Rui Costa Pimenta (PCO): 0%
- Branco/nulo: 16%
- Não sabe/não respondeu: 9%
saiba mais

Avaliação positiva do governo Dilma se mantém estável em 31%, diz Ibope
Para 41%, próximo presidente precisa mudar ‘muita coisa’, aponta Ibope

O Ibope fez a pesquisa entre as últimas sexta (18) e segunda (21). O instituto ouviu 2.002 eleitores em 143 municípios. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Isso quer dizer que o instituto tem 95% de certeza de que os resultados obtidos estão dentro da margem de erro. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-00235/2014.

Pesquisa espontânea
Na parte da pesquisa em que os entrevistadores do Ibope simplesmente perguntaram ao eleitor em quem votará (sem apresentar a ele a relação dos candidatos), 26% mencionaram Dilma. Veja abaixo:

- Dilma Rousseff: 26%
- Aécio Neves: 12%
- Eduardo Campos: 4%
- Outros: 2%
- Brancos/nulos: 17%
- Não sabe/não respondeu: 39%

Segundo turno
O Ibope fez simulações de segundo turno entre Dilma e Aécio e entre Dilma e Campos. Os resultados são os seguintes:

- Dilma Rousseff: 41%
- Aécio Neves: 33%
- Branco/nulo: 18%
- Não sabe/não respondeu: 8%

- Dilma Rousseff: 41%
- Eduardo Campos: 29%
- Branco/nulo: 20%
- Não sabe/não respondeu: 10%

Rejeição
A pesquisa aferiu a taxa de rejeição de cada um dos candidatos, isto é, aquele em quem o eleitor diz que não votará de jeito nenhum. Dilma tem a maior rejeição e Eduardo Jorge, a menor:

- Dilma Rousseff: 36%
- Aécio Neves: 16%
- Pastor Everaldo: 11%
- Zé Maria: 9%
- Eduardo Campos: 8%
- Eymael: 8%
- Levy Fidelix: 8%
- Luciana Genro: 6%
- Mauro Iasi: 6%
- Rui Costa Pimenta: 6%
- Eduardo Jorge: 5%
- Poderia votar em todos: 13%
- Não sabe/não respondeu: 17%

Expectativa de vitória
De acordo com o Ibope, 54% dos entrevistados (independentemente da intenção de voto) acham que o futuro presidente da República será Dilma Rousseff; 16% opinaram que será Aécio Neves; 5% acreditam que será Eduardo Campos.

jul
22

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DEU NO IG ESPORTES

A volta de Dunga ao comando da seleção brasileira, confirmada nesta terça-feira, deixa exposta uma ferida que parecia cicatrizada desde o fim da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul: a relação entre CBF e Rede Globo, parceiras de longa data no futebol, mas que tiveram a proximidade abalada na primeira passagem do técnico, contrário aos privilégios dados à emissora na cobertura do dia a dia da equipe em competições.

A exposição demasiada da seleção na Copa de 2006, na Alemanha, durante a preparação na cidade suíça de Weggis virou um dos motivos para explicar o fracasso na competição, com queda nas quartas de final para a França.

Com a saída de Carlos Alberto Parreira, a CBF apostou em Dunga, capitão da equipe campeã mundial em 1994, e em seu estilo disciplinador mesmo sem ele ter experiência como treinador.

Para impor a tranquilidade que desejava e evitar a exposição dada por seus antecessores, Dunga vetou o livre trânsito que os profissionais da Rede Globo, tanto do jornalismo quanto do entretenimento, à concentração.

O técnico passou a dar a palavra final, geralmente negativa, a pedidos de entrevista com jogadores. A cúpula da emissora, que detém exclusividade na transmissão dos amistosos da seleção brasileira e outros eventos ligados à entidade, passou a se incomodar.

O ápice da queda de braço entre Dunga e Globo aconteceu após a vitória do Brasil diante da Costa do Marfim na fase de grupos da Copa de 2010, quando o treinador interrompeu uma resposta para interpelar o jornalista Alex Escobar, que falava ao celular e balançava negativamente a cabeça durante a entrevista coletiva. “Algum problema?”, perguntou o técnico. “Eu? Estou nem olhando para você, Dunga”, respondeu o repórter. Dunga seguiu irritado e sussurrou xingamentos, captados pelos microfones.

O entrevero gerou um editorial no programa “Fantástico”, por meio do apresentador Tadeu Schmidt, que disse ser a pessoa que falava ao celular com Escobar no momento da discussão.

“O técnico Dunga, no comando da seleção há quase quatro anos, não apresenta nas entrevistas um comportamento compatível com a imagem de alguém tão vitorioso no esporte. Com frequência usa frases grosseiras e irônicas”, dizia parte do texto lido no programa do fim de noite dominicial da Globo.

A saída de Dunga devolveu à emissora o lugar cativo no dia a dia da seleção brasileira tanto com Mano Menezes quanto com Luiz Felipe Scolari. Na Granja Comary, em Teresópolis, onde a equipe se preparou para a Copa deste ano, o espaço privilegiado à Globo voltou a ficar claro.

O apresentador Luciano Huck, por exemplo, levou a família ao local no mesmo dia em que interrompeu um treino para gravar um quadro de seu programa com jogadores. No último domingo, ainda sob a sombra do fracasso no Mundial, o “Fantástico” exibiu uma entrevista exclusiva com Neymar.

A saída de Rodrigo Paiva como diretor de comunicação da CBF após a Copa do Mundo também levanta dúvidas sobre como será a relação entre Dunga e Globo nesta segunda passagem do treinador pela seleção brasileira.

Ele sempre foi visto como um facilitador para que os profissionais da emissora tenham um tratamento diferenciado para entrevistas e reportagens especiais.

“Tive atrito com várias pessoas”

Na coletiva de apresentação de Dunga, o novo treinador comentou sobre o atrito com a Rede Globo em sua primeira passagem pela seleção e disse que as “brigas” não foram só com a emissora.

“Quanto à Globo, não é que tive problema, tive atrito com várias pessoas. Eu, talvez, tenha levado na ponta da faca porque eu cumpri tudo o que foi combinado.

Não vou mudar a minha essência. Agora, tem de ser planejado e cada um vai ter seu espaço. Ninguém vai cercear a imprensa de trabalhar, mas tem de entender, a frente de todos nós, é a seleção brasileira”, afirmou. “Todos nós temos que ceder um pouco. Se tiver essa compreensão de todos, vai ser ótimo”, completou.

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Baihuno

Belchior

Já que o tempo fez-te a graça de visitares o Norte, leva notícias de mim.
Diz àqueles da província que já me viste a perigo: na cidade grande enfim.
Conta aos amigos doutores que abandonei a escola pra cantar em cabaré, baiões,
bárbaros, baihunos, com a mesma dura ternura que aprendi na estrada e em Che.

Ah! metrópole violenta que extermina os miseráveis, negros párias, teus meninos!
Mais uma estação no inferno, Babilônia, Dante eterno! há Minas? Outros destinos?
Conta àquela namorada que vai ser sempre o meu céu, mesmo se eu virar estrela.
(O par de botas de couro combina com o meu cabelo, já tão grande quanto o dela.)
E, no que toca à, família, dá-lhe um abraço apertado, que a todos possa abarcar.
Fora-da-lei, procurado me convém família unida contra quem me rebelar.

Cai o Muro de Berlim – cai sobre ti, sobre mim, nova ordem mundial.
Camisa-de-força-de-Vênus… Ah! quem compraria, ao menos, o velho gozo animal?

Já que o tempo fez-te a graça de visitares o Norte, leva noticias de mim.
O cara caiu na vida, vendo seu mundo tão certo, assim tão perto do fim.
Dá flôres ao comandante que um dia te dispensou do serviço militar.
Ah! quem precisa de heróis: feras que matam na guerra e choram de volta ao lar.

Gênios-do-mal tropicais, poderosos bestiais, vergonha da Mãe Gentil.
Fosse eu um Chico, Gil, um Caetano, e cantaria, todo ufano: “Os Anais Da Guerra Civil”

Ao pastor de minha igreja diz que essa ovelha jamais vai ficar branquinha.
- Não vendi a alma ao diabo… O diabo viu mau negócio nisso de comprar a minha.
Se meu pai, se minha mãe se perguntarem, sem jeito – Onde foi que a gente errou?
Elogiando a loucura, e pondo-me entre os sonhadores, diz que o show já começou.

Trogloditas, traficantes, neonazistas, farsante: barbárie, devastação.
O rinoceronte é mais decente do que essa gente demente do Ocidente tão cristão.

BOA TARDE!!!

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DEU NO JORNAL A TARDE

Biaggio Talento

Com a capacidade de sintetizar horas de discursos e blá-blá-blá numa embalagem agradável de se ouvir, os jingles dos principais concorrentes ao governo baiano já estão sendo veiculados em eventos políticos, carros de som e internet. As musiquinhas tem tudo para pegar. Enquanto o forró de Paulo Souto (DEM) usa um tom de ataque, o arrocha de Rui Costa (PT) enfatiza a origem humilde do candidato e o xote de Lídice da Mata (PSB) exalta o caráter de “terceira via” da candidatura da socialista.

Composto por Ana Luisa Almeida, diretora de criação da campanha de Souto, e pelo músico Marquinhos Carvalho o jingle começa provocando o governo do PT: “Pensei que fosse mar e foi miragem/ Pensei que fosse estrela e foi só mais um balão/ Pensei que nunca mais fosse sofrer/ mas a desilusão foi tanta e fez doer”. Em seguida surge o “salvador”: “Mas tudo bem, não vou chorar, eu vou botar alguém melhor no seu lugar / Eu quero ver minha Bahia renascer, com gente séria competente que trabalhe pra valer”.

O jornalista Pascoal Gomes, marqueteiro da campanha de Souto explicou que a candidatura do DEM é de oposição “e o nosso jingle mostra de maneira inequívoca o sentimento do povo baiano, revelado inclusive nas pesquisas de opinião”, disse.

Pondera, por outro lado que somente o começo “trata da desilusão”. “A maior parte do jingle exalta o nosso candidato Paulo Souto e as mudanças que podem vir mas já acontecem em Salvador, com ACM Neto”. O principal cabo eleitoral de Souto, o prefeito de Salvador é aludido no seguinte trecho: “nasceu um novo dia lá na capital e agora vai nascer também pra mim”.
19/07/2014
Ouça o jingle da campanha do candidato Paulo Souto

Novo caminho

Composto pelos jornalistas José de Jesus Barreto e Césio Oliveira e pelo músico Zelito Viana, o jingle de Lídice coloca precisamente a posição da candidata: “Novo caminho para mudar a Bahia/ nem passado nem mesmice diz o povo com alegria”. Ou seja, a candidatura rejeita o “passado” do ex-governador Souto e a “mesmice” da atual gestão petista. Barreto explicou que a ideia foi colocar na letra também a imagem de guerreira e de pessoa corajosa que caracterizaram a trajetória da socialista. “O povo quer fazer a transformação/ O povo quer, o povo pode, o povo manda meu irmão/ Nossa primeira mulher governadora, Lídice é trabalhadora , corajosa e decidida / O lê de Lídice é o lê da lealdade, das mãos limpas, liberdades, das lutas de uma vida”. Conforme Barreto, o jingle usou a técnica do “bloquinho” que permite usar pequenos trechos da música como trilha de imagens da candidata.
22/07/2014
Jingle de Lídice da Mata (PSB)

Origem humilde

O jingle de Rui Costa também usa o “messianismo” como recurso, pois o candidato é apresentado como o pai que cuidará de sua gente. “Eu já sabia/ a esperança no meu peito me dizia que um homem bom viria da periferia / Pra cuidar do nosso povo/ Cuidar mais da nossa Bahia / Eu vou com Rui, esse cara é humildade, é diferente É coragem correria, segue em frente / Com Rui governador e Dilma presidente”. O publicitário Sidônio Palmeira, marqueteiro da campanha de Rui e autor da letra disse que a ideia foi justamente mostrar a origem humilde do candidato numa embalagem de arrocha. “Ficou uma música muito agradável, uma embalagem ótima pra passar nossa mensagem”, disse.
22/07/2014
Jingle de Rui Costa (PT)

O candidato petista é o único que usa a imagem da candidata a presidente da República, Dilma Rousseff, passando a ideia de “projeto político” de um mesmo grupo que já governa a Bahia e o país. “Creio que os concorrentes não citaram os seus candidatos nacionais porque eles não agregam”, disse.

Confira as letras dos jingles

Paulo Souto

Pensei que fosse mar e foi miragem/ Pensei que fosse estrela e foi só mais um balão/ Pensei que nunca mais fosse sofrer/ Mas a desilusão foi tanta e fez doer/ Mas tudo bem, não vou chorar/ Eu vou botar alguém melhor no seu lugar/ Eu quero ver minha Bahia renascer/ Com gente séria competente que trabalhe pra valer/ Ê Ê eu quero Paulo Souto/ Nasceu um novo dia lá na capital e agora vai nascer também pra mim/ Ê, Ê, Paulo Souto, é 25.

Lídice da Mata

Novo caminho para mudar a Bahia/ Nem passado nem mesmice diz o povo com alegria/ O povo quer fazer a transformação/
O povo quer, o povo pode, o povo manda meu irmão/ Nossa primeira mulher governadora/
Lídice é trabalhadora , corajosa e decidida/ O lê de Lídice é o lê da lealdade/ Das mãos limpas, liberdades, das lutas de uma vida/
Eu sou quarenta, grite com alegria/ Eu voto Lídice para mudar a Bahia/
Eu sou quarenta, grite com alegria/ Muita coragem para mudar de
verdade.

Rui Costa

Eu já sabia, a esperança no meu peito me dizia/ Que um homem bom viria da periferia/ Pra cuidar do nosso povo/ Cuidar mais da nossa Bahia/ Eu vou com Rui, esse cara é humildade, é diferente/ É coragem correria, segue em frente/ Com Rui governador e Dilma presidente/ Eu tou com Rui, esse cara é trabalho e confiança/ É juventude, segue em frente, a gente avança/ O povo se juntou com Rui governador.

jul
22

Postado em 22-07-2014 11:49

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 22-07-2014 11:49


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Clayton, hoje, no jornal O Povo (CE)

jul
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Foto: Ricardo B. Labastier/JC Imagem
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DEU NO JORNAL DO COMÉRCIO (RECIFE)

O escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, 87 anos, foi internado no Real Hospital Português, área central do Recife, na noite desta segunda-feira, com problemas neurológicos. Segundo informações da assessoria do hospital, o paraibano deu entrada no bloco cirúrgico, com sangramento intracraniano. O procedimento foi finalizado. Ariano, que teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC), está na UTI neurológica, com quadro estável.

Em 21 de agosto do ano passado, Ariano sofreu um infarto agudo do miocárdio e foi submetido a um procedimento de cateterismo na Unidade Coronária do Hospital Português no mesmo dia. À época, o escritor passou seis dias internado, mas voltou ao hospital dois dias depois, no dia 29 de agosto, quando passou por uma arteriografia, devido a um aneurisma cerebral.

Na última sexta-feira, Ariano apresentou uma aula-espetáculo no Teatro Luiz Souto Dourado, em Garanhuns, Agreste pernambucano. O evento faz parte da programação do Festival de Inverno.

Ariano é o sexto ocupante da cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras e autor de obras como O Auto da Compadecida e A pedra do reino.


Helena Hirano: em defesa do filho preso

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DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAÍS (EDIÇÃO BRASILEIRA)

A biomédica Helena Harano, de 54 anos, respira fundo, cerra os olhos, apoia as duas mãos sobre a mesa e diz firmemente: “meu filho é um bode expiatório”. Em cerca de 50 minutos de conversa, a mesma frase é dita outras quatro vezes. Quando abre os pequenos olhos nipônicos, fita o interlocutor de maneira bastante segura. Ela quer ter a certeza de que o recado foi dado.
mais informações

“Eu queria que a Justiça entendesse que o Fábio não é um black bloc, não é um líder dos black bloc, não é líder de nada, só é um idealista”, diz ela se referindo ao filho Fábio Hideki Harano, preso desde o dia 23 de junho em São Paulo quando participava de um protesto contra a Copa do Mundo. Nesta terça-feira, a terceira câmara de direito criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo deve analisar o pedido de libertação de Hideki.

Como ser líder de um grupo de ativistas tampouco é crime, Hideki foi detido pela polícia por cinco infrações. A mais grave é porte ilegal de artefato explosivo, cuja pena em caso de condenação varia de três a seis anos de detenção. Os outros supostos delitos que ele praticou foram incitação ao crime, associação criminosa, resistência e desobediência. Segundo a polícia, na mochila que o ativista carregava durante a manifestação havia um coquetel molotov. Fato veementemente negado por ele, por seus colegas e por testemunhas.

“Eu estava ao lado dele quando os policiais o revistaram. Viraram sua mochila de cabeça pra baixo e não tinha nada de ilegal”, afirmou o padre Júlio Lancellotti, que participou do ato e, até então, não conhecia Hideki. “Agora ele é meu amigo”.

Aos 27 anos, completados no último dia 30 quando estava na penitenciária de Tremembé (interior paulista), Hideki tem a vida ligada à Universidade de São Paulo. Ele é técnico de laboratório concursado, estudante de jornalismo e diretor do sindicato dos trabalhadores dessa mesma instituição. Nos últimos anos tornou-se um ativista conhecido no meio dos militantes das mais diversas causas sociais. Mesmo não sendo usuário de maconha, participou de vários atos pela legalização da droga. Esteve também nos protestos contrários à desativação de uma linha de ônibus que afetaria os idosos atendidos no centro de saúde onde trabalha, na ocupação da reitoria da USP que pedia a expulsão da Polícia Militar do campus e no grupo de voluntários que recolheu doações para os desabrigados de Pinheirinho, em São José dos Campos.

“Ele sempre foi pacífico. Acho até que foi preso por um pouco de ingenuidade”, disse a mãe. O fato de ser alto, tem mais de 1,80m de altura, descendente de japoneses e cabeludo, para seus amigos, facilitou a identificação de Hideki pelos policiais. Além de ingênuo, ele é descrito pelos amigos como desatento. Todos os dias o ativista ia para o trabalho de bicicleta e era comum vê-lo começar a trabalhar vestindo um capacete de motocicleta. “Ele usava o capacete de ciclista, mas como uma vez se machucou, decidiu usar o de motoqueiro mesmo”, relata a mãe. Era com esse capacete que ele estava quando foi detido e, por usar esse equipamento, dois policiais a paisana o identificaram como um adepto da tática black bloc.
Apoios

“A polícia precisava dar uma resposta à sociedade. Essa é uma prisão política”, disse o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, que o defende contra as cinco acusações. “No começo, o Fábio achou que sairia rapidamente. Agora já está mais consciente de que a prisão pode demorar um pouco mais de tempo.”, afirmou Helena, que diz não contar o tempo que o filho está preso para não sofrer mais.

No presídio, Hideki teve de mudar de hábitos. Teve a longa cabeleira raspada, passou a usar uniforme e voltou a comer carne, cinco anos após ter se tornado vegetariano. Intensificou a leitura e na última semana estava lendo ao menos dois livros. “Um do Harry Potter, bem grosso, e outro de economia”, revela a mãe.

Enquanto ele não sai, seus amigos e até pessoas que nunca o viram fazem uma série de atos e mobilizações nas quais acusam a polícia de ser arbitrária e o transformaram em um símbolo dos ativistas. Seu rosto estampa camisetas e cartazes pelas ruas com os dizeres #LiberdadeParaHideki e #PodiaSerEu. Um site foi criado pedindo sua libertação e vídeos foram postados na Internet mostrando o momento de sua prisão. Há ainda uma série de depoimentos a favor do ativista que, em alguns momentos é chamado de Jaspion ou de High Tech. A indignação chegou ao ponto de 82 juristas, advogados e defensores públicos assinarem um manifesto requerendo a soltura de Hideki e de Rafael Marques Lusvargh, que foi preso no mesmo ato. No documento, advogados, como o constitucionalista Fábio Konder Comparato e o ex-governador do Rio de Janeiro Nilo Batista, dizem que as detenções foram ilegais.

A reportagem não localizou os defensores ou familiares do professor de inglês Lusvargh. Antes de ser preso há quase um mês, este professor já havia sido detido em um protesto na abertura da Copa, em Itaquera. Na ocasião, dois policiais dispararam spray de pimenta a menos de dez centímetros de seus olhos.

Questionado sobre a suposta arbitrariedade nas prisões de Hideki e Lusvargh, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, preferiu não se manifestar. “O caso está sub judice. Não tenho o que falar sobre isso. Resta esperar a Justiça decidir.”


Policiais disparam spray de pimenta nos olhos de Rafael Lusvargh, no início de junho. / Robson Fernandes (Estadão)

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Magnífica e saudosa Karen Carpenter. Como sorrir sem você?
Responda quem souber. Com saudades.

(Vitor Hugo Soares)

jul
22

Postado em 22-07-2014 00:07

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 22-07-2014 00:07


Eloisa: à espera de asilo no Uruguai

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DEU NO CORREIO DA BAHIA (COM INFORMAÇÕES DO ESTADÃO)

Considerada foragida da Justiça, a advogada e ativista Eloísa Samy, de 45 anos, denunciada na sexta-feira, 18, pelo Ministério Público do Rio sob acusação de associação criminosa armada junto com outros 22 manifestantes, procurou nesta segunda-feira, 21, o Consulado do Uruguai no Rio acompanhada de dois ativistas para pedir asilo diplomático. Até as 20 horas de ontem, os três permaneciam abrigados no local.

No início da tarde, dois policiais sem farda foram ao prédio do consulado e um deles se identificou como tenente da PM, mas a entrada não foi permitida pelo chefe da chancelaria: “Aqui o senhor não entra. Pode descer.” A reportagem do Estado conversou com a advogada, que se diz “perseguida política”, pouco depois de ela ter sido recebida pela cônsul-geral Myriam Fraschini Chalar. “Ela (Myriam) veio falar comigo, perguntou o que estava acontecendo e disse: ‘Mas o Brasil é um Estado democrático de direito’. (Eu respondi que) o problema não é o Brasil, o problema é o Estado do Rio, a Justiça, que está agindo como um verdadeiro estado de exceção, contando com a cumplicidade e o silêncio do governo federal”, afirmou Eloísa. “Meu problema não é o governo federal, é o governo estadual e a omissão do governo federal. Não vi outra solução a não ser o asilo político”, acrescentou a advogada.

Ela nega as acusações feitas pela Polícia Civil do Rio no inquérito iniciado em 2013, que foram respaldadas pelo Ministério Público na denúncia entregue na sexta-feira e aceita cerca de duas horas depois pelo juiz Flávio Itabaiana, da 27.ª Vara Criminal. Itabaiana emitiu mandados de prisão preventiva contra 23 ativistas, dos quais 17, além de Eloísa, são considerados foragidos. Na denúncia encaminhada à Justiça, o promotor Luís Otávio Figueira Lopes afirma que Eloísa “inicialmente juntou-se aos demais no exercício de sua atividade, tendo, após, desvirtuado sua conduta e passado a participar ativamente dos atos violentos, inclusive passando instruções aos ocasionais participantes, tendo sido vista ordenando o início de atos de violência”.

“Além disso, escudando-se em um suposto exercício da atividade profissional, presta apoio logístico, inclusive cedendo sua residência para reuniões”, prossegue o MP na denúncia. A advogada nega as acusações. “Jamais cometi qualquer ato que infringisse a lei, mas estou sendo vítima das forças coercivas do Estado exatamente por defender pessoas que se ergueram e foram às ruas para protestar contra as ilegalidades cometidas por ele próprio. Quem atua na ilegalidade é o Estado”, afirma Eloísa em vídeo divulgado ontem pela Mídia Independente Coletiva (MIC).

Ao Estado, ela negou a acusação de que sua casa seria usada para reuniões da Frente de Independente Popular (FIP). “Nunca teve reunião na minha casa. A FIP e eu temos diferenças políticas, de questionamento ideológico, que já causaram desentendimentos.” Quando perguntada sobre o motivo de ter escolhido o Uruguai, Eloísa declarou: “Em razão do (presidente José) Mujica. Ele passou sete anos na solitária, sabe o que é a perseguição política e a força opressiva do Estado”. Uma equipe da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), responsável pelo inquérito, foi ao prédio do consulado, na Praia de Botafogo, zona sul do Rio, mas não subiu.

Cerca de 50 militantes passaram a tarde em frente ao consulado, em solidariedade aos ativistas denunciados. Eles confeccionaram cartazes e agitaram bandeiras do Uruguai e da Palestina. A deputada Janira Rocha (PSOL) também foi o consulado. Os dois ativistas que acompanham Eloísa são David Paixão, de 18 anos, que foi adotado pela advogada, e uma menina que seria namorada dele. “Eles aguardarão no consulado pelo salvo-conduto para irem para o Uruguai”, afirmou o advogado Rodrigo Mondego, que conversou com Eloísa e com a cônsul-geral acompanhado de outras duas integrantes do CDA-RJ, coletivo de advogados. Segundo ele, notas de repúdio às prisões de ativistas no Rio, de entidades como OAB-RJ, Anistia Internacional e Justiça Global, foram entregues para embasar o pedido de asilo.

“A Eloísa sempre teve destaque na luta pelo direito de manifestação”, disse. Segundo o advogado Sérgio Cataldo, especializado em Direito Internacional, o governo uruguaio não tem prazo para decidir pela concessão ou não do asilo. “Essa questão não deve se estender indefinidamente, mas não existe um prazo fixo. Se o governo do Uruguai entender que a pessoa está sendo vítima de uma perseguição política, concede o asilo, e a beneficiada deve sair do consulado para ir até o Uruguai. Em teoria, pode ir dentro de um carro do consulado, que também é inviolável, como o prédio. Se o Uruguai negar o asilo, vai acionar a Polícia Federal e entregar a pessoa (à PF). Depois, caberá à Polícia Federal entregá-la à Polícia Civil”, disse Cataldo.

Bahia em Pauta reproduz , com grande prazer e entusiasmo jornalístico, o texto de abertura da série “Minha Vida co João Ubaldo Ribeiro”, do jornalista Luis Augusto Gomes no blog Por Escrito, que ele edita. Um primor, que o BP reproduz apenas em seu capítulo de abertura, como aperitivo e presente aos seus leitores e ouvintes.

O restante da série precisa ser lido no Por Escrito (www.porescrito.com.br). Imperdível!!!Confira. (Vitor Hugo Soares

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Minha vida com João Ubaldo Ribeiro

Luís Augusto Gomes

“Lá, no assento etéreo onde” subiu, como disse em “Alma minha”, na segunda pessoa do singular, Luís de Camões – aliás, justo nome do justo prêmio por ele conquistado –, João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro sabe quanto lhe devo da realmente pequena noção que tenho da política e do jornalismo, essências, hoje, do meu ofício.

Conheci-o, literariamente, ainda adolescente, aos 16, na fase mais aguda do regime militar, lendo no extinto Jornal da Bahia a coluna de crônicas “Satyricon”. Assinava-se “J.U.Ribeiro”, e tão encantado fiquei que, naqueles tempos difíceis de acesso à informação, minha curiosidade primeira foi saber a que nomes correspondiam as iniciais.

Para quem veio de um princípio de militância duramente reprimido, no ano anterior de 1968, quando ocupamos, por nove gloriosos dias em junho, o Colégio Estadual Severino Vieira – único secundarista naquele período de tomada da UFBA contra o “acordo MEC-Usaid” – , aqueles eram textos que sobressaíam num período já de censura pesada, perseguição e mortes.

J.U.Ribeiro escrevia sobre as ditaduras militares da Bolívia, país que se caracterizava pela sucessão interminável de golpes de Estado. Ele o fazia, mas em diálogos sem introdução, sem maiores referências, como recomendava a época. “Renuncia!” – bradava um general ao presidente, que redarguia: “Não renuncio, o Judiciário me garante”. E o milico: “Ah, é? E quem garante o Judiciário, chiquitito?” (LAG)