O Coaf não fará o Brasil crescer. Temos 20 milhões de pessoas cozinhando com óleo e lenha. É nelas que temos que pensar”.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara, em quase deboche ao falar sobre a votação que tirou do Ministério da Justiça e devolveu ao da Economia o Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Impondo derrota ao ministro da Justiça, Sergio Moro.

 Resultado de imagem para Janio Ferreira Soares no jornal A Tarde

CRÔNICA

 

 

CRÔNICA

 O menino que libertava pipas

Janio Ferreira Soares

Ainda bem que a vida, essa intrigante e bela ocorrência batizada pelo mestre João Cabral de Melo Neto de “Severina”, de vez em quando apronta das suas e joga no mundo poemas soltos, fundamentais nesses dias de incontáveis absurdos praticados por um governo que deveria se dar ao diálogo, mas que, sectário até o talo, não percebe a própria estupidez.

É tanto que seus fanáticos torcedores deverão ir às ruas nesse domingo em nome da pátria, de Deus e de uma família – oh, que frondosa baraúna! -, representada por figuras do naipe de mãe Damares, pai Weintraub e mano Moro (assumindo de vez a função do “adotado 05” que só queria as benesses da Bic do boss), além do bom e velho tio Guedes – no papel daquele milionário bonachão, que nas datas festivas empurra cerveja nos sobrinhos, urina na grama e, se alguém reclamar, pega seu jatinho e vai comer cupcakes em Miami.

Mas como eu dizia, na semana em que nosso capitão prestou continência pra bandeira americana pela segunda vez, aconteceu em São Paulo um show beneficente provocado por Magda Carneiro (doutora em humanização do Hospital das Clínicas), com a participação de Yamandu Costa e outras feras, cuja renda será usada para equipar um ambiente destinado ao lazer infantil na cobertura do hospital – que receberá o nome de: Espaço de Arte e Cultura Menino Angelo. Explico.

Angelo, registrado assim mesmo, sem o chapéu no “A” que o principia, sofria de uma doença renal crônica e passou a maior parte de sua infância sob os cuidados de Dra. Magda. Pois bem, depois de 4 anos de hemodiálise e de um transplante renal, Angelo, percebendo que não voltaria mais pra casa, pediu pra fazer o que mais gostava na vida: soltar uma pipa. Pedido aceito, tia Magda então montou uma grande operação para a realização daquela que seria sua última brincadeira.

De máscara, luvas e apetrechos hospitalares, sua mãe conta que a caminho da cobertura e já bastante fraco, seus olhinhos brilhavam. Ela também lembra que a pipa sempre fora sua grande paixão, e que ele a empinava de um modo completamente diferente dos outros meninos. Seu maior encanto, certamente por sua situação, era vê-la seguindo solta do cordão que a prendia.

E foi assim, com apenas uma das mãos (a outra estava imobilizada por uma tala), que Angelo a colocou bem alto e aí fez aquilo que melhor sabia. Mantendo-a estática, esperou que outra linha afiada no cerol se aproximasse e a cortasse, só para que ela sumisse no Céu.

Dias depois, como no poema, o fio que o trouxe ao mundo e o prendia à vida também se rompeu, e aí o menino com nome de anjo, aos seis anos de idade, pulou pra fora da ponte, leve, solto, finalmente livre pra seguir seu voo, creio, montado num colorido tapete formado pelas rabiolas das pipas que ele libertou.

 

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

“Todo sujo de batom”, Belchior: Um nome de nobre nordestino, nascido no Ceará: Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes. Ou simplesmente, como ele sempre preferiu até a morte prematura, o cidadão Belchior. Nascido em Sobral, 26 de outubro de 1946,  cantor e compositor brasileiro como poucos. Foi um dos primeiros cantores de MPB do nordeste brasileiro a fazer sucesso nacional, em meados da década de 1970. Não esqueçam dele. O Bahia em Pauta jamais o esquecerá. Ouçamos mais uma vez a sua voz, neste domingo de manifestações nas ruas.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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Eu estou muito cansado do peso da minha cabeça G D/Gb Desses dez anos passados (presentes) E7 A7/4 A7 Vividos entre o sonho e o som D Gbm Eu estou muito cansado de não poder De não poder falar palavra G D/Gb Sobre essas coisas sem jeito E7 Que eu trago em meu peito A7/4 A7 E que eu acho tão bom D Gbm Quero uma balada nova falando de brotos, de coisas assim G De money, de banho de lua, de ti e de mim E7 A7/4 A7 Um cara tão sentimental D D7 Quero a sessão de cinema das cinco G Gm Pra beijar a menina e levar a saudade E7 A7/4 A7 D A7 Na camisa toda suja de batom………………… Rafael Prado in 03, July, 2015.

maio
26

Postado em 26-05-2019 00:13

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 26-05-2019 00:13


Os dois países “precisam se ver como parceiros”, afirma o presidente chinês, Xi Jinping, que, embora não fosse obrigado pelo protocolo, decidiu receber o vice-presidente brasileiro na visita que se encerrou nesta sexta

 Macarena Vidal Liy
Pequim
O vice Mourão e presidente da China, Xi Jinping.
O vice Mourão e presidente da China, Xi Jinping. Adnilton Farias/VPR

Com um aperto de mãos, o vice-presidente do Brasil, general Hamilton Mourão, e o presidente chinês, Xi Jinping, reconduziram as relações entre os dois países à normalidade. Uma normalidade de que ambos os países necessitam, havendo ou não comentários incendiários do presidente Jair Bolsonaro, que na campanha acusou o gigante asiático de querer “comprar” seu país. O Brasil, porque a China é o seu parceiro comercial mais importante. A China, porque em sua incipiente guerra fria com os Estados Unidos, que tem cada vez mais frentes abertas, precisa cercar-se de bons aliados.

Em uma recepção no imponente Palácio do Povo, em Pequim, que o Governo chinês reserva para os grandes encontros, Xi disse a Mourão que “os dois lados devem continuar se vendo como parceiros e oportunidades para o seu próprio desenvolvimento. Devem respeitar-se, apoiar-se, ter confiança um no outro e construir as relações China-Brasil como um modelo de solidariedade e cooperação entre os países em desenvolvimento”.

A China quis se empenhar ao máximo na recepção a Mourão, um homem visto neste país como a ponte entre a ala dura do Governo Bolsonaro e os empresários, ansiosos por expandir os laços com Pequim, um representante da moderação contra o populismo do presidente brasileiro.O protocolo não obrigava Xi a receber um vice-presidente. Mas o chefe de Estado chinês queria fazer esse gesto de aproximação numa visita comparável, no campo diplomático, ao retorno do filho pródigo, quando as relações mergulharam em seu pior momento em quatro décadas, após a eleição de Bolsonaro em outubro. Além de Xi, Mourão também se reuniu com o vice-presidente, Wang Qishan, e os principais líderes chineses durante seis dias de visita à potência asiática.

Na quarta-feira, em um discurso para empresários de ambos os países em um hotel em Pequim, Mourão disse que Brasília considera os laços com a China “estratégicos” e lhes concede prioridade. Após sua visita –ressaltou– os vínculos entram “em uma posição ainda mais promissora”.

Na última década, a China se tornou o principal parceiro comercial brasileiro, com um volume de intercâmbio de 98,9 bilhões de dólares no ano passado (395,6 bilhões de reais). Nos últimos quinze anos, a China investiu cerca de 70 bilhões de dólares no Brasil (280 bilhões de reais), segundo dados do Ministério da Economia brasileiro. A maior parte foi direcionada aos setores de energia e infraestrutura. Mas, diante da incerteza desencadeada pelos comentários do então candidato presidencial Bolsonaro, de que “a China está comprando o Brasil”, o investimento direto chinês caiu de 11,3 bilhões de dólares em 2017 para 2,8 bilhões em 2018.

Mourão afirmou em seu discurso em Pequim que, além dos campos tradicionais – soja, petróleo–, o Brasil tentará direcionar os investimentos chineses a “setores de interesse”, como a inovação, a ciência e a tecnologia.

Ele não quis entrar nos assuntos mais delicados da relação bilateral –essas decisões corresponderão a Bolsonaro, que planeja viajar para Pequim por volta de agosto e dar as boas-vindas a Xi durante a visita do presidente chinês em novembro para participar da cúpula dos BRICS. Entre as questões, por um lado, se o Brasil optará por ceder aos desejos dos Estados Unidos e tomar medidas para limitar o papel da gigante tecnológica chinesa Huawei nas redes 5G do país. E, por outro, se o Brasil quer aderir formalmente, por meio de um memorando de entendimento, à iniciativa chinesa Nova Rota da Seda, a rede de infraestrutura com a qual Pequim quer se conectar com o restante do mundo. Até agora, Brasília resistiu a dar um passo que outros líderes latino-americanos já deram. Sua integração formal representaria um enorme gesto em direção a Pequim.

Por ora, o Brasil começou a enviar sinais amigáveis ao gigante asiático. Nesta semana, o Governo em Brasília anunciou que retirará sua denúncia na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as políticas comerciais chinesas sobre o açúcar. Também expressou seu apoio ao candidato chinês para liderar a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Qu Dongyu.

maio
26

Postado em 26-05-2019 00:11

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 26-05-2019 00:11

DO BLOG O ANTAGONISTA

Moro homenageia servidores penitenciários

No Twitter, Sergio Moro elogiou neste sábado os servidores penitenciários e chamou de “heróis” aqueles que morreram em trabalho.

“O agente que nele trabalha é, antes de tudo, um forte. Coloca em risco sua vida em prol da sociedade”, disse.

O ministro também relembrou a execução de Melissa Almeida, psicóloga assassinada em maio de 2017 a mando de uma facção que atua dentro e fora de presídios.

“Dois anos atrás, nesta data, Melissa Almeida, psicóloga em presídio federal, foi assassinada pelo crime organizado. Pouco antes, também os agentes Alex Belarmino Almeida Silva e Henry Charles Gama Filho. Todos também heróis como o juiz Falcone. A eles também as minhas homenagens.”

Ainda no Twitter, o viúvo de Melissa agradeceu o apoio de Moro, que lamentou pelo ocorrido há dois anos.

“O senhor também um herói. Salvou seu filho, trocou tiros com os assassinos.”

maio
26

Postado em 26-05-2019 00:09

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 26-05-2019 00:09

Do Jornal do Brasil

 

Atriz estava internada desde o mês passado

Lady Francisco morreu na tarde deste sábado (25) aos 84 anos no Rio de Janeiro. Ela estava internada na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Unimed, na Barra da Tijuca, desde o dia 28 de abril.

De acordo com o hospital, a atriz morreu por volta das 13h10 por “falência de múltiplos órgãos, decorrente de isquemia enteromesentérica (transtorno vascular agudo dos intestinos)”. Ela foi hospitalizada após sofrer uma queda enquanto passeava com seus cachorros em um parque carioca.

Macaque in the trees
Lady Francisco (Foto: Divulgação/Prefeitura de Campos)

Lady Francisco estava na UTI em decorrência de complicações respiratórias apresentadas no período pós-operatório de correção de fratura de fêmur. Seu quadro de saúde piorou na noite desta sexta-feira (24).

“Quero deixar aqui uma mensagem de anos pros familiares da grande e querida Lady Francisco. Fiquei muito, muito triste mesmo com a notícia de hoje ! Que mulher alegre, positiva, forte, doce, ótima comediante, enfim, recebam meu abraço enorme e pra Maitê saber a avó dela foi uma artista muito querida e respeitada pelo público e pela classe! Adeus, querida Lady”, escreveu Suzana Viera, nas redes sociais.

O último trabalho de Lady Francisco foi como Lorraine, na novela “Malhação: Vidas Brasileiras”, exibida pela TV Globo no ano passado. A atriz começou sua bem-sucedida carreira em telenovelas em 1972, na antiga TV Tupi. Nos anos 1990, Lady interpretou uma de suas personagens mais famosas: a geneticista Yara, em “Barriga de Aluguel”.

Nascida em Belo Horizonte (MG) no dia 7 de janeiro de 1935, Lady Francisco começou a carreira artística na capital mineira, com participações no rádio e na TV Itacolomi. Em 1972, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estreou na televisão e no cinema. Sua primeira novela foi “Jerônimo – o Herói do Sertão” (1972), na Tupi.

maio
26

Postado em 26-05-2019 00:05

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 26-05-2019 00:05


Thiago Lucas,no

 

maio
26

Longa metragem brasileiro é de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles

Do Jornal do Brasil

O filme brasileiro “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, levou o prêmio do júri, o terceiro mais importante do Festival de Cannes. O anúncio foi neste sábado (25). Ele dividiu a honraria com o francês “Les Misérables”, de Ladj Ly.

O troféu é uma das grandes vitórias do cinema nacional nessa que é a principal mostra de cinema do mundo e se soma ao feito de “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, de Karim Aïnouz, premiado como melhor filme da seção Um Certo Olhar nesta mesma edição.

Macaque in the trees
Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, premiados em Cannes pelo filme “Bacurau” (Foto: REUTERS/Regis Duvignau)

“Queria mandar um beijo para o povo do Recife e do Brasil”, disse Kleber no palco, em português. Ao seu lado, Dornelles dedicou o prêmio a “todos os trabalhadores do Brasil, da ciência, da educação e da cultura”. “Bacurau” estreia em 30 de agosto.

A Palma de Ouro, principal troféu da mostra, foi para “Parasite”, do sul-coreano Bong Joon-ho, uma sátira sobre abismos sociais entre duas famílias, uma rica e outra pobre.

Já o grande prêmio (Grand Prix) ficou com “Atlantique”, da franco-senegalesa Mati Diop. Diretora estreante, ela conta história de uma jovem de Dakar prometida em casamento que acaba se apaixonando por um rapaz que sonha em migrar para a Europa.

Neste ano, quem presidiu o júri foi o mexicano Alejandro González Iñárritu, primeiro latino-americano no posto.

Os jurados também deram o prêmio de direção aos veteranos Jean-Pierre e Luc Dardenne, que em “Le Jeune Ahmed” contam a história de um jovem de origem árabe que opta pela radicalização islâmica na Bélgica.

Nas categorias de atuação, a inglesa Emily Beecham, de “Little Joe”, foi escolhida como a melhor atriz por sua interpretação como uma cientista que desenvolve uma planta capaz de exalar um aroma para deixar as pessoas felizes.

Como ator, o premiado foi Antonio Banderas que viveu um atormentado cineasta de meia-idade em “Dor e Glória”, longa semiautobiográfico de Pedro Almodóvar.

Favorito ao prêmio principal, “Portrait de La Jeune Fille em Feu”, da francesa Céline Sciamma, ficou apenas com o de roteiro por sua história sobre o envolvimento entre uma pintora e a jovem que ela é incumbida de quem é incumbida de fazer um retrato.

O palestino Elia Suleiman recebeu a menção especial do júri por “It Must Be Heaven”, sátira que o traz nas ruas de Nova York e Paris num ensaio sobre identidade.

A Caméra D’Or, dedicada a diretores estreantes, foi para as mãos de Cesar Díaz, de “Nuestras Madres”, história sobre a guerra civil na Guatemala. A obra integrou a seção Semana da Crítica, paralela à programação oficial.

A Palma de melhor curta-metragem ficou com “The Distance Between The Sky and Us”, do grego Vasilis Kekatos. E o argentino “Montruo Dios”, de Augustina San Martín, recebeu a menção especial.

Ao longo da história, o Brasil só levou a Palma de Ouro uma única vez, em 1962, por “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte. E em 1969, Glauber Rocha venceu como melhor diretor por “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”.

Também já foram premiadas em Cannes as atrizes Fernanda Torres, por “Eu Sei Que Vou Te Amar” (1986), e Sandra Corveloni, por “Linha de Passe” (2008).

(Por GUILHERME GENESTRETI)

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Bolsonaro com Cristina no Radar: tsunami na América do Sul…
Resultado de imagem para Campora-Isabelita e Peron na argentina
Peron, Isabelita e Câmpora: trampa peronista nos Anos 70 na Argentina.

ARTIGO DA SEMANA

Ruas do Brasil e Cristina Kirchner – na Argentina – no radar de Bolsonaro

Vitor Hugo Soares

Dois tsunamis – e não um apenas, como previu o mandatário brasileiro na semana passada (sem consultar direito os mapas dos sinais sísmicos) –  entraram, de repente, no radar do presidente da República: o mais próximo são as manifestações de rua em apoio às reformas governamentais, convocadas para este domingo, 26, em todo País. Delas, o atual chefe do Palácio do Planalto e aliados esperam obter um estimulante efeito favorável, sobre o ânimo da sociedade, em favor da continuidade da aplicação do projeto governista liberal conservador, vencedor nas urnas. Ou, no mínimo, que as marchas que se anunciam, representem um recado contundente contra aventureiras tentações de “virada de mesa” (a expressão é de JR Guzzo, no Twitter), que aqui e ali se proclamam, em geral, procedentes  de privilegiados grupos corporativistas mal camuflados.

O outro, mais distante, mas não menos preocupante – segundo reconhecimento explicito do próprio presidente, ao comparar Buenos Aires com Caracas, em fala para empresários e políticos, na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, Firjan,– é a ascensão da senadora peronista e ex-mandatária, por duas vezes, na Casa Rosada, Cristina Kirchner, nas pesquisas presidenciais na Argentina. A viúva de Néstor Kirchner começa a ameaçar seriamente a reeleição do liberal Maurício Macri. Este sinal de mudança dos ventos já entrou, também, há algum tempo, no radar pessoal de Jair Bolsonaro e nos sismógrafos espalhados pelo Itamaraty, em Buenos Aires e redondezas.

No discurso na Firjan,  Bolsonaro  acusou o abalo, ao falar sobre a relação do Brasil com outros países da América do Sul. “A Argentina parece estar voltando para as mãos da senhora Cristina Kirchner”, alertou. Para ele,  este seria o pior dos mundos na América Latina. Pior até que o caos comandado por Maduro, na Venezuela. “Vamos ter outra Venezuela ao sul da América do Sul?”, perguntou. Esta preocupação, de Brasília, foi reforçada pelo governador da província de Buenos Aires, Alfredo Cornejo, presidente da União Cívica Radical – UCR, principal partido de oposição ao peronismo no país vizinho.

“ És una nueva trampa de Cristina” (uma nova jogada de Cristina) qualificou ele a decisão da cúpula peronista, de que a atual senadora, ré em processo de corrupção, será vice na chapa do partido encabeçada por Fernandez. Cornejo vê na manobra, mal dissimulada tentativa de repetir, na história política da Argentina, o caso Hector Câmpora/Isabelita, no começo dos anos 70, que abriu caminho para Juan Domingo Peron retornar do exílio e retomar o mando nas margens do Prata.

Neste caso, ninguém me contou, eu estava lá, eu vi. Na companhia do saudoso amigo e compadre Pedro Milton de Brito, – duas vezes presidente da OAB/Ba, brilhante e digno ex-conselheiro da OAB nacional – andando pelas ruas de Buenos Aires grafitadas com o apelo: “Vuelva, Peron”. Estivemos, em San Andrés de Gilles, no primeiro e monumental comício da chapa Câmpora/Isabelita. Câmpora derrotou Raul Alfonsin, assumiu a Casa Rosada, anistiou Domingo Peron, em seguida renunciou e Isabelita assumiu a presidência, promovendo o retorno do marido, do exílio, e ao mando. Depois é o que se sabe e o que se viu, e vale sempre lembrar. Pena que o espaço acabou. Conto mais depois, porque esta historia da trampa Fernandez-Cristina tem tudo para render na Argentina e no sul do continente. Façam apostas.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“As praias desertas”, Maysa: magistral composição de Tom Jobim, de 1958, e que seria revivida,com grande sucesso em 1986 , na fabulosa trilha musical da minissérie “Anos dourados”, da TV Globo. Confira aqui em originalissima interpretação de Maysa.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

Em visita ao Nordeste, presidente afirma que, sem mudanças, Brasil entrará em “caos econômico” e não precisará mais de ministro da Economia

Bolsonaro, em visita ao Instituto Ricardo Brennand, no Recife nesta sexta-feira. Marcos Corrêa/PR
Marina Rossi

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) aproveitou sua primeira visita do mandato ao Nordeste para redobrar suas apostas —e seus apelos— pela reforma da Previdência. Foi contundente ao condicionar o sucesso dos investimentos anunciados para a região à aprovação das mudanças nas aposentadorias, que tramita num Congresso onde o Governo está longe de ter uma base de apoio estável. A mensagem chegou no mesmo dia em que políticos e agentes do mercado financeiro debatiam as intenções de Paulo Guedes, seu ministro da Economia, ao dizer à revista Veja que renunciaria ao cargo se a reforma pretendida pelo Governo se transformar em uma “reforminha” ou “se sentir que o presidente não quer a reforma”. “Pego um avião e vou morar lá fora. Já tenho idade para me aposentar”, disse o ministro. “Se não fizermos a reforma, o Brasil pega fogo. Vai ser o caos no setor público, tanto no Governo federal como nos Estados e municípios”.

Em Pernambuco, questionado sobre a ameaça de seu ministro, Bolsonaro afirmou que ir embora “é um direito dele”. E reforçou a tese de Guedes, durante entrevista coletiva em Petrolina, no interior do Estado. “Ele tem razão. Se tiver uma reforminha e não tiver a reforma, a gente não precisa mais de ministro da Economia, porque o Brasil pode entrar em um caos econômico. Ele vai ter que ir para a praia. Vai fazer o que em Brasília?”, disse o presidente, que voltou a ser racista ao dizer que uma mudança de pequeno porte seria “de japonês”. Depois, o mandatário ainda usaria o Twitter para reforçar a aliança com seu ministro da Economia, seu fiador das reformas liberais durante a campanha eleitoral: “Peço desculpas por frustrar a tentativa de parte da mídia de criar um virtual atrito entre eu (sic) e Paulo Guedes. Nosso casamento segue mais forte que nunca kkkkk. No mais, caso não aprovemos a Previdência, creio que deva trocar o Ministério da Economia pelo da Alquimia, só assim resolve.”

O intercâmbio de declarações foi acompanhado de perto pelo mercado financeiro, onde o presidente Bolsonaro é tratado com reticência, apesar de ainda haver fé de que a gestão possa passar a reforma das aposentadorias. A ameaça de Guedes de deixar o cargo e a espécie de ultimato ao Congresso reforçado pelo presidente não foi bem recebido por algumas lideranças parlamentares. Chegam num momento delicado da relação do Planalto com o Parlamento e quando há no horizonte a possibilidade de aprovação de uma reforma bastante diferente da proposta pela atual gestão. Na semana passada, um grupo de deputados, incluindo o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), chegou a cogitar apresentar um novo projeto, abandonando o texto enviado em fevereiro pelo Executivo. A proposta alternativa não andou, mas o Governo já trabalha com a possibilidade de alterações no texto da proposta original e teme que as mudanças prejudiquem o objetivo de economizar 1 trilhão de reais em dez anos. A “reforminha” mencionada por Guedes seria um projeto muito diferente do proposto por ele.

O Congresso e Rodrigo Maia também não estão nada confortáveis com o movimento do Planalto de, no próximo domingo, endossar uma manifestação em apoio a Bolsonaro convocada em mais de 300 cidades, segundo seus organizadores. A mobilização oficialmente é pela reforma da Previdência e o pacote de leis contra a violência, mas as redes bolsonaristas estão inundadas de mensagens depreciativas contra Maia e outras lideranças políticas, acusadas de “achacar” o Planalto. Não faltam também mensagens sugerindo até o fechamento do Legislativo. Bolsonaro, que em um primeiro momento afirmou que iria ao ato a favor dele mesmo, depois recuou. “Não estou participando das manifestações”, afirmou em Petrolina. “Pelo que estou vendo é uma manifestação que tem uma pauta, uma pauta de alavancar o Brasil para o futuro”, disse, rejeitando as propostas mais radicais. A adesão nas ruas neste domingo, e a reação do Planalto, vão ser um fator importante para definir a relação com o Parlamento adiante.

Só se a reforma sair

Durante sua primeira visita ao Nordeste, Bolsonaro acenou para a região, anunciando um aumento de 4 bilhões de reais no Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Mas, de olho em seu maior objetivo, condicionou os investimentos à aprovação da Previdência. “Sem a reforma, não poderemos colocar talvez parte do que estamos acertando em fazer aqui”, afirmou o presidente no Recife.

Em uma região onde oito dos nove governadores são da oposição, Bolsonaro buscou apoio e pregou união, mirando obter êxito no Congresso. Deu um “abraço hétero” no governador de Pernambuco Paulo Câmara (PSB), para mostrar que não há animosidade, e seguiu, do Recife a Petrolina, batendo na mesma tecla: “Precisamos aprovar a Previdência porque daí temos investimentos interno e externo para essas obras”, disse, em entrevista coletiva em Petrolina.

Na cidade a 700 quilômetros da capital, o presidente foi recebido por algumas dezenas de apoiadores, aos gritos de “mito”. Petrolina é governada por Miguel Coelho (sem partido), filho do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), líder do governo no Senado, e articulador da visita do presidente à região. Enquanto acompanhava o presidente, o senador tinha mais de 250 milhões de reais bloqueados pela Operação Lava Jato, por ordem do Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4), em ação por improbidade contra o MDB e o PSB e os políticos desses partidos. A ação investiga desvios em negócios relacionados ao esquema de corrupção na Petrobras. Segundo a Lava Jato, o PSB, Fernando Bezerra, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e o empresário Aldo Guedes, entre outros, teriam recebido propinas desviadas da obra da construção da Refinaria Abreu e Lima, emernambuco.

Antes de encerrar sua visita à única região que não o elegeu e onde tem a pior aprovação no país, Bolsonaro afirmou “já estar com saudade”. No sertão, anunciou a entrega de empreendimentos do programa Minha Casa Minha Vida, uma dos principais programa sociais do do PT. Foram as primeiras casas do programa entregues pelo presidente. O Governo estuda mudar o programa, apresentando uma proposta de aluguel invés de posse das casas para os mais pobres. Na proposta, que deve ser anunciada em julho, os beneficiários na faixa de renda menor teriam de alugar seus imóveis por um valor simbólico em vez de pleitearem um financiamento para aquisição da casa própria. Um dos maiores problemas, segundo o Governo, é a comercialização irregular das casas.

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