Muita gente sabia, muita gente denunciou, mas na época ficou por isso mesmo. Hoje, todo mundo sabe e ninguém tem mais motivo para ignorar: o impeachment da presidenta eleita e reeleita Dilma Rousseff foi resultado de propina e compra de parlamentares”

Dilma Rousseff (PT), ex-presidente da República, que perdeu o cargo por impeachment em seu segundo mandato, por pedaladas fiscais.

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18

Postado em 18-10-2017 01:00

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 18-10-2017 01:00

Aécio Neves observa a movimentação da rua da janela de casa, no Lago Sul, logo após o resultado da votação que o beneficiou no Senado.
Foto: Correio Braziliense.

out
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Postado em 18-10-2017 00:59

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 18-10-2017 00:59

DO G1/BLOG ANDREIA SADI

A operação que salvou Aécio Neves no Senado nesta terça-feira (17) foi coordenada pessoalmente pelo presidente Michel Temer.

Desde a semana passada, Temer havia entrado em campo para garantir que Aécio não fosse afastado do mandato.

A interlocução de Temer foi com os comandos dos PMDB e do PSDB, além de pedir ajuda ao presidente do Senado, Eunicio Oliveira (PMDB-CE).

Segundo o blog apurou, Temer pediu por Aécio Neves a Eunicio durante conversa na noite desta segunda-feira.

Como o blog revelou, Temer procurou o presidente do Senado na véspera da votação.

Eunicio, oficialmente, negou à reportagem que Aécio tenha sido assunto da conversa.

Mas fontes relataram ao blog que o caso do senador tucano foi um dos temas da conversa.

A interlocutores, Eunicio disse que não contassem com ele para fazer “manobras”.

E afirmou que a votação ocorreria se houvesse quórum – o que aconteceu.

Também na noite de desta segunda-feira (16), passou pela casa de Eunicio o senador Antonio Anastasia – tucano e principal aliado de Aécio no Senado.

O principal motivo do empenho do presidente: os votos do PSDB na Câmara para barrar a denúncia contra ele.

Para articular apoio a Aécio, com quem Temer mantém conversas por telefone desde que o STF havia decidido pelo recolhimento noturno do tucano, o presidente mandou chamar na sexta-feira passada o líder do PMDB no Senado, Raimundo Lira.

Lira foi ao Palácio do Jaburu, fora da agenda oficial. Ele negou ao blog na semana passada que tenha tratado do caso Aécio.

Interlocutores do presidente, no entanto, relataram que Temer contava com o PMDB para garantir votos a Aecio no plenário, além de blindagem no Conselho de Ética. O conselho é comandado pelo PMDB.

Na sessão desta terça, Lira encaminhou o voto da bancada do PMDB a favor de Aécio.

No PMDB, Temer contou principalmente com o líder do governo no Senado, Romero Jucá.

Ele foi escalado para costurar o apoio do PMDB e do PSDB a Aécio nesta terça-feira.


“E um cego canta até arrebentar: o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão”

Dá-lhe, Beto Guedes. Maravilhosamente!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

out
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Postado em 18-10-2017 00:35

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 18-10-2017 00:35


O prefeito João Doria (PSDB), em evento de lançamento do programa
Alimento para Todos. Divulgação


DO EL PAÍS

Patrícia Figueiredo (Agência Pública)

“Aqui você tem alimentos que estariam sendo jogados no lixo e que são reaproveitados com toda a segurança alimentar. São liofilizados e transformados em um alimento completo. Tem proteína, vitamina e sais minerais.” – João Doria (PSDB-SP), prefeito de São Paulo, em evento de lançamento do programa Alimento para Todos, em 8 de outubro.

A Prefeitura de São Paulo lançou, no início de outubro, o programa Alimento para Todos. Criado em parceria com a ONG Plataforma Sinergia, a iniciativa institui o reaproveitamento de alimentos para a produção de um produto chamado Allimento. Segundo o comunicado oficial, o projeto prevê a destinação de “alimentos de boa qualidade e dentro do vencimento” para a produção do composto, definido pela Prefeitura como “um granulado nutritivo que será entregue às populações que enfrentam carências nutricionais no município”.

Durante o evento realizado no Auditório do Ibirapuera, Doria experimentou um biscoito feito a partir do Allimento e falou sobre as propriedades nutricionais do composto fabricado pela Sinergia. “Aqui você tem alimentos que estariam sendo jogados no lixo e que são reaproveitados com toda a segurança alimentar. São liofilizados e transformados em um alimento completo. Tem proteína, vitamina e sais minerais”, disse. O Truco – projeto de checagem de fatos da Agência Pública – analisou a afirmação feita pelo prefeito e classificou a frase como falsa.

O Projeto de Lei 550/2016, sancionado pelo prefeito durante o evento de lançamento do programa, estabelece diretrizes para a Política Municipal de Erradicação da Fome. Segundo o artigo 9º desta lei, empresas doadoras de insumos podem receber da prefeitura isenção de impostos e outros incentivos fiscais. Doria afirmou, na ocasião, que o Allimento passará a ser distribuído a entidades como igrejas e templos ainda este mês, além da prefeitura. Cerca de 50 toneladas do produto já estão em estoque e devem ser incluídas nas cestas básicas distribuídas pelos Centros de Referência de Assistência (Cras) para famílias em situação de risco e vulnerabilidade social, segundo o comunicado da prefeitura.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Especial de Comunicação da Prefeitura de São Paulo, solicitando a fonte das informações usadas por Doria. Por e-mail, a pasta respondeu que “a fonte dos dados é a Plataforma Sinergia, que desenvolve esse trabalho”. A prefeitura recusou-se a responder às perguntas da reportagem sobre a composição e o modo de fabricação do Allimento, que pretende distribuir.

Questionada, a Plataforma Sinergia limitou-se a dizer que o produto é “absolutamente seguro e nutritivo” e que não será vendido, apenas doado. Em relação à composição, a ONG disse que são utilizados alimentos perto da data do vencimento ou fora do padrão de comercialização desde que “apresentem qualidade nutricional para o consumo humano”. Não foram fornecidos detalhes sobre os ingredientes usados na produção do composto nem sobre a origem dos alimentos reaproveitados.

A proprietária da Sinergia, Rosana Perrotti, não atendeu aos pedidos de entrevista do Truco. Em entrevista à rádio CBN, ela explicou que o produto não tem uma tabela nutricional única e que suas propriedades nutritivas dependem da base de processamento. Ao portal G1, Rosana disse ainda que o produto pode ter suas características nutricionais adaptadas, mas não revelou detalhes das possíveis composições. “Teremos um estoque de carboidratos e um estoque de fibra. Se o público for de crianças, produziremos um alimento final que seja apetitoso e nutritivo a elas”, afirmou ao site.

Ao chamar o produto de “completo”, Doria deu uma informação falsa. Não é possível classificar um alimento dessa maneira sem saber detalhes sobre a sua composição nutricional. “A gente tem que pensar antes no que é uma dieta completa para poder classificar um alimento como completo. Hoje, consideramos que uma dieta ideal é composta de 50% a 65% de carboidratos, 25% a 35% de gorduras e 10% a 15% de proteínas”, diz a nutricionista Vânia Barberan, conselheira do Conselho Regional de Nutrição (CRN) da 4ª Região – Rio de Janeiro/Espírito Santo. “Não temos indícios de que a composição nutricional do produto reflita essas porcentagens.”

A nutricionista preocupa-se com a falta de informações sobre os ingredientes. “Se ele é feito com excedentes, a composição vai variar de acordo com o que está disponível. Como ela não é padronizada, a empresa tem que declarar quais são os ingredientes para que a gente possa saber, por exemplo, quais são as indicações do produto e qual deve ser a porção ideal para idosos, gestantes ou crianças, que têm necessidades diferentes”, avalia Barberan.

A padronização do Allimento também é questionada por Mariana Garcia, nutricionista e pesquisadora em alimentos do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). “Isso ainda é uma dúvida, porque os excedentes da indústria não são sempre os mesmos. O produto terá a mesma composição nutricional, tida como completa, em todos os lotes? Nada disso ficou claro até o momento”, observa.
Ultraprocessados x in natura

O programa Alimento para Todos de Doria também contraria as diretrizes propostas pelo Guia Alimentar da População Brasileira. Considerado o documento de referência do Ministério da Saúde desde 2014, o manual aborda os conceitos e recomendações de uma alimentação saudável. “Hoje o que a gente tem como orientação é que o alimento seja o mais próximo possível de como ele é encontrado na natureza. O produto que é divulgado pela prefeitura é, na verdade, um alimento ultraprocessado, o tipo de comida que o guia determina que deve ser evitada”, explica Garcia, do Idec.

Uma dieta completa deve ser composta majoritariamente de alimentos não industrializados. “O ultraprocessado deve ser utilizado em larga escala apenas em situações extremas, como catástrofes naturais ou guerras. Nesses casos, você trabalha com enlatados, liofilizados e outros produtos industrializados, até pelas dificuldades que o contexto impõe”, exemplifica nutricionista Vânia Barberan.

A primeira diretriz do Guia Alimentar da População Brasileira trata justamente da relação entre a ingestão de nutrientes e os produtos consumidos na alimentação. Segundo o documento, a suplementação não tem os mesmos efeitos que o consumo de produtos in natura. “Vários estudos mostram, por exemplo, que a proteção que o consumo de frutas ou de legumes e verduras confere contra doenças do coração e certos tipos de câncer não se repete com intervenções baseadas no fornecimento de medicamentos ou suplementos que contêm os nutrientes individuais presentes naqueles alimentos”, diz o guia. “Esses estudos indicam que o efeito benéfico sobre a prevenção de doenças advém do alimento em si e das combinações de nutrientes e outros compostos químicos que fazem parte da matriz do alimento, mais do que de nutrientes isolados.”

Ainda que sejam nutritivos, os alimentos ultraprocessados também não podem ser igualados aos alimentos in natura. “O que a gente sabe é que é muito diferente você consumir a vitamina C em uma laranja do que em uma cápsula, por exemplo. Apesar de a gente ter a mesma quantidade de vitamina na laranja ou na cápsula, o organismo absorve os nutrientes de outra maneira”, explica a pesquisadora Mariana Garcia.

Um dos estudos citados pelo guia do Ministério da Saúde é um comentário publicado por dois pesquisadores da Universidade Harvard na revista da Associação Médica Americana. A publicação descreve as limitações de analisar a relação alimentação-saúde com base apenas na composição nutricional dos alimentos. “[O estudo norte-americano] destaca os efeitos protetores da alimentação que dependem da estrutura intacta dos alimentos e de interações entre nutrientes, explica por que a suplementação medicamentosa de nutrientes não reproduz os mesmos benefícios da alimentação”, atesta o documento.
Repúdio de especialistas

A iniciativa da prefeitura foi objeto de notas de repúdio de diversas entidades. Em nota oficial, o Conselho Regional de Nutrição (CRN) da 3ª Região – São Paulo/Mato Grosso do Sul condenou a iniciativa. “O CRN-3 se manifesta contrário à proposta, pois ela contraria os princípios do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA), bem como do Guia Alimentar da População Brasileira, em total desrespeito aos avanços obtidos nas últimas décadas no campo da segurança alimentar e no que tange às políticas públicas sobre as ações de combate à fome e desnutrição”, afirma o comunicado.

A nutricionista Vivian Zollar, conselheira do CRN-3, justificou ao Truco o posicionamento da entidade. “Todas as políticas públicas hoje são focadas no acesso da população à comida de verdade, porque comer vai muito além de nutrir. Este programa está indo na contramão de tudo que está sendo instituído em âmbito nacional”, disse. Ela destaca ainda que o programa foi criado sem fundamentação em pesquisas e estudos municipais. “Para desenvolver esse tipo de iniciativa é preciso conhecer as necessidades nutricionais da população paulistana. Hoje o Brasil já saiu de uma situação de baixo peso para uma prevalência de sobrepeso e obesidade. Seria necessário localizar em quais regiões do município há demanda para um complemento alimentar e quais seriam as deficiências específicas, se seria, por exemplo, falta de ferro ou de vitamina C, antes de conceber o produto.”

O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) da Presidência da República solicitou, em nota, que a Prefeitura de São Paulo enviasse “documentos oficiais e técnicos sobre este programa”. No documento, o Consea convocou a população a analisar “o atendimento aos princípios da dignidade humana e realização do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) e da Segurança Alimentar e Nutricional nesta ação”.

De acordo com o Consea, o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) abrange a “adequação, acessibilidade e estabilidade do acesso a alimentos produzidos e consumidos de forma soberana, sustentável, digna e emancipatória”. Esse direito está previsto nos artigos 6º e 227 da Constituição Federal, definido pela Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (nº 11.346/2006), bem como no artigo 11 do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.

Para os nutricionistas ouvidos pelo Truco, o composto produzido pela Plataforma Sinergia não atende aos critérios de dignidade alimentar. “Alimento não é só comida. Ele envolve uma questão cultural e social muito expressiva. Quando você oferece a uma pessoa que já está em condição de vulnerabilidade um alimento assim, a pessoa se sente ainda menos cidadã”, avalia Barberan, do CRN-4. Mariana Garcia, do Idec, acredita que o produto não é adequado sequer para utilização como complemento nutricional. “Em nenhum tipo de apresentação ele seria ideal. Trata-se de um alimento ultraprocessado, quando a proposta deveria ser fornecer todos os nutrientes necessários apenas com comida de verdade.”

Diante da repercussão negativa, Doria voltou atrás nas suas declarações e agora a Prefeitura diz não saber se vai distribuir o Allimento. O post sobre o projeto também foi alterado – a versão original enfatizava a parceria com a Plataforma Sinergia. Informada sobre a classificação da fala como falsa, a Secretaria Especial de Comunicação evitou comentar a frase selecionada pelo Truco e enviou a seguinte resposta:

“A Prefeitura reitera que os alimentos naturais NÃO serão removidos da rede municipal. Pelo contrário, no âmbito da Lei aprovada, a ideia é ampliar a sua distribuição por meio de parcerias como, por exemplo, o instituto Mesa Brasil – uma rede nacional de banco de alimentos.

A Agência Pública avalia apenas o vídeo de um minuto publicado em rede social, sem considerar o contexto, as informações apresentadas durante coletiva de imprensa, além do material disponível no site da Prefeitura de São Paulo.

Tanto na coletiva quanto no material entregue à imprensa foi informado que não haverá distribuição generalizada do produto, que será um complemento nutricional, e trata-se apenas de uma das ações que serão implementadas no âmbito da Política Municipal de Combate ao Desperdício de Alimentos e Erradicação da Fome, cuja criação foi determinada por lei aprovada recentemente pela Câmara Municipal de São Paulo.

De acordo com a plataforma Sinergia, responsável pelo desenvolvimento, a farinha dá durabilidade aos nutrientes presentes em alimentos de qualidade, mas que seriam descartados por estarem fora dos padrões de comercialização. O objetivo é adicioná-la no preparo de alimentos in natura, para aumentar o teor alimentar do produto final.”

out
18

Postado em 18-10-2017 00:30

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 18-10-2017 00:30


Mariano, no portal de humor gráfico A Charge Online

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Gleisi e Jorge Viana longe de votação sobre Aécio

O Globo noticia que Rui Costa, o governador petista da Bahia, liberou seu secretário da Educação, Walter Pinheiro, para que volte ao Senado e vote contra Aécio Neves.

O suplente de Pinheiro, Roberto Muniz, está em missão oficial nos Emirados Árabes, a convite da CNI.

Os senadores petistas votarão por manter Aécio afastado, menos Gleisi Hoffmann e Jorge Viana, que estão na Rússia e só voltam ao Brasil no fim de semana.


DO EL PAÍS

Afonso Benites
Brasília

O Senado Federal reverteu a decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal que afastou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) de suas funções parlamentares. Por 44 votos a 26, os senadores entenderam que o tucano deverá retomar as suas atividades no Congresso Nacional, assim como deixar de se recolher em sua casa todas as noites.

O tucano foi denunciado pela Procuradoria Geral da República sob acusação de corrupção no caso JBS. O magnata Joesley Batista delatou Aécio e apresentou áudios nos quais eles negociam a entrega de dinheiro – o senador diz que não era propina, mas sim a negociação de um apartamento. Com o dinheiro, dois milhões de reais, ele pagaria os custos de sua defesa nos diversos processos judiciais que responde junto ao Supremo. Seus advogados reclamam que a decisão do STF é inconstitucional e foi tomada antes mesmo de tornar Aécio réu.

O caso de Aécio vem sendo tratado com um divisor de águas. O STF enfrenta críticas por ter mudado completamente de entendimento: se o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi afastado por decisão soberana da Corte, o mesmo tribunal agora diz que cabe às Casas Legislativas referendar ou não a medida restritiva.

Em princípio, havia quase um consenso entre os partidos para proteger Aécio. Mas a repercussão de que os parlamentares estariam apelando a um espírito de corpo, várias legendas mudaram seu posicionamento. A principal delas foi o PT, que chegou a dizer que votaria pela manutenção das funções parlamentares do tucano, e, depois, decidiu que gostaria de vê-lo afastado. A importância que as siglas passaram a dar a questão foi tamanha que nem questões de saúde foram levadas em conta. Romero Jucá (PMDB-RR), recém operado de uma diverticulite, e Paulo Bauer, internado na manhã de terça-feira com uma crise hipertensiva, estiveram no plenário para votarem a favor do tucano. Ronaldo Caiado (DEM-GO), que estava de licença médica por ter fraturado um ombro ao cair de uma mula, também compareceu, em cadeira de rodas, para votar contra o tucano.

No Senado, aliados de Aécio diziam estar defendendo as prerrogativas da Casa frente ao STF – só se pode prender parlamentares em flagrante e são os eleitos que definem se afastam ou não o acusado de seu mandato, segundo a Constituição. “Estou preocupado com os precedentes. Eu estou preocupado que, amanhã, estendam as medidas cautelares não só para o Congresso Nacional, mas para as Assembleias Legislativas, e os governadores com poder e aqueles que tiverem poder, e até membros do Poder Judiciário, constranjam deputados estaduais”, afirmou o senador Jader Barbalho (PMDB-PA).

Um outro defensor e correligionário de Aécio, Roberto Rocha (PSDB-MA), diz que os que defendem o afastamento estão mais preocupados com a opinião pública do que com a questão constitucional. “Esse jogo é de perde-perde. É um jogo de quem se preocupa com as redes sociais. E, se alguém ganhar, está fora do campo, usando botas e fardas”, declarou.

Os que queriam manter a decisão da turma do STF argumentavam que os senadores só fazem o jogo corporativo de salvar Aécio pensando nas acusações que eles próprios enfrentam e sem se importar com as cobranças dos eleitores. “Não votamos contra o senador, votamos em respeito à independência dos poderes, votamos em respeito a quem compete a última palavra em matéria de aplicação e interpretação da Constituição, que é o Supremo Tribunal Federal e não ao Senado Federal”, afirmou Álvaro Dias (PODE-PR).

Mais cedo, antes da votação, Aécio enviou uma carta a todos os senadores na qual disse ser alvo de uma “trama ardilosa” construída com a ajuda de membros da Procuradoria Geral da República. Afirmou ainda que o que está “em jogo é se pode, de forma monocrática ou por maioria de votos de uma das turmas do Supremo, um parlamentar ser afastado de suas funções sem ser previamente julgado”.

Desafinado – Antonio Carlos Jobim & Joe Henderson (HQ) (From Carnegie Hall Salutes The Jazz Masters, 1994).

BOA TARDE!!!

(Gilson Nogueira)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Bendita ração

A ração de João Doria não é de João Doria, e sim da Igreja Católica.

Dom Odilo Scherer disse à Folha de S. Paulo:

“Isso não é um projeto do prefeito. O apoio da Igreja a essa iniciativa vem de longe.”

O arcebispo de São Paulo teme que o projeto possa ser cancelado por causa de um bando de demagogos:

“Eu acho que seria uma pena algo que nasceu para ser bom, por equívocos ou manipulação política, seja de qual lado for, venha a ser de alguma forma amputado ou boicotado”.

O próprio Dom Odilo Scherer experimentou a ração:

“Provei os produtos feitos a partir da farinata e não teria problemas em consumi-los todo dia.”


Fernando de Szyszlo/ VICENTE

DO EL PAÍS

ARTIGO/PEDRA DE TOQUE

A morte do amigo

Mário Vargas Llosa

Eram três da madrugada quando minha filha ligou para dizer que Lila e Fernando de Szyszlo tinham morrido. O mundo ao meu redor vai se despovoando e ficando mais vazio

Eram três da madrugada em Moscou quando o telefone tocou. Minha filha Morgana ligava para dizer que Lila e Fernando de Szyszlo tinham morrido, ao despencarem de uma escada de sua casa. Não consegui mais dormir. Passei o resto da noite paralisado por um atordoamento estúpido e um sentimento de horror.

Tantas vezes ouvi Szyszlo (Godi para os amigos) dizer que não queria sobreviver a Lila, que se ela morresse primeiro ele se mataria, que, pensei, talvez tivesse acontecido assim. Mas, minutos depois, quando pude falar com Vicente, o filho de Szyszlo, que estava lá trêmulo, junto aos cadáveres, me confirmou que tinha sido um acidente. Depois alguém me informou que haviam morrido de mãos dadas e, segundo os médicos, a morte tinha sido instantânea, por uma idêntica fratura de crânio.

O que me resta de vida já não será o mesmo sem Godi, o melhor dos amigos. Foi um grande artista, um dos últimos, entre os pintores, a quem se podia aplicar esse adjetivo com justiça, e uma esplêndida pessoa. Culto, afetuoso, divertido, leal. Enriquecia a noite com suas histórias e suas piadas quando estava de bom humor, e suas observações eram agudas e certeiras quando se recordava das pessoas que havia conhecido e que admirava, como Tamayo, Breton e Octavio Paz. Havia nele uma decência indestrutível quando falava de política ou do Peru, uma falta total de oportunismo ou cautela, uma integridade que –sem que buscasse, e a contragosto– em seus últimos anos foi transformando-o no seu país em uma autoridade moral cuja opinião era solicitada sobre todos os assuntos. Quando estava de mau humor se fechava em um mutismo de sílabas, uma imobilidade de estátua, e o nariz se arrebitava.

Godi estava mais que penalizado com a grande confusão que caracteriza a arte em nossos dias

Sua paixão era a arte, claro, mas a literatura o apaixonava também, e havia lido muito, e lia e relia sempre seus autores favoritos, e era uma delícia para a inteligência ouvi-lo falar de Proust, de Borges, e ouvi-lo recitar de memória os sonetos mais barrocos de Quevedo ou o poema de amor que Doris Gibson inspirou a Emilio Adolfo Westphalen.

Quando o conheci, em julho ou agosto de 1958, era casado com Blanca Varela. Viviam numa pequena mansarda de Santa Beatriz, que era ao mesmo tempo casa e ateliê. Desde o primeiro instante soube que seríamos amigos íntimos. A amizade é tão misteriosa e intensa como o amor, e a amizade de Blanca e Godi foi uma das melhores coisas que me aconteceram na vida, à qual devo experiências estimulantes, cálidas, dessas que nos compensam pelos maus momentos e nos revelam que, feitas as contas, a vida afinal vale a pena ser vivida.

Blanca e Godi se casaram muito jovens e foram excelentes companheiros: ambos se ajudaram a ser, ele, um magnífico pintor, e ela, uma poeta delicada e sensível. Mas o grande amor-paixão de Szyszlo foi Lila, uma mulher maravilhosa que o entendeu melhor do que ninguém e lhe deu essa coisa elusiva e tão difícil que é a felicidade. Recordo agora a alegria que crepitava em cada linha dessa carta que me escreveu quando enfim puderam casar-se. Pensando bem, que tenham compartilhado esse final tão rápido e ostentoso foi talvez a melhor maneira que tinham de morrer. O problema já não é mais deles, é de nós que ainda ficamos por aqui, “intratáveis quando os recordamos”, como diz o poema de César Moro, outro dos que Godi tinha sempre intacto na memória.

Acho que Godi esteve sempre perto, ajudando-me com sua amizade generosa em quase todas as coisas importantes que me aconteceram. Nunca pude agradecer-lhe o suficiente por, nos três anos em que as circunstâncias me empurraram a atuar na política, ter se dedicado também de corpo e alma a essa tarefa tão pouco afim ao seu caráter e, com outros dois amigos –Cartucho Miró Quesada e Pipo Thorndike–, na mais delicada e incômoda das responsabilidades: controlando a lisura da arrecadação e dos gastos da campanha. Claro que foi a primeira pessoa em que pensei quando fui receber o Prêmio Nobel de Literatura, e lá estava, apesar da viagem interminável e dos transtornos que os longos trajetos de avião infligiam à sua saúde. Muitas vezes me havia prometido que, se algum dia meus livros fossem incorporados à Pléiade, iria acompanhar-me e, de fato, ali apareceu de repente, em Paris, com Vicente, e sua intervenção no Instituto Cervantes foi a mais pessoal e celebrada de todas.

Tenho certeza de que durará mais que sua geração e que a minha e que muitas outras mais.

Muitas vezes o vi enfrentar com estoicismo as decepções, tão frequentes na vida peruana. Mas há uma que o fez desmoronar e nunca pôde superar: a morte de seu filho Lorenzo, em um acidente aéreo. Uma ferida que sangrava sem cessar, inclusive naqueles períodos em que trabalhava melhor e parecia estar mais animado. Nunca esquecerei a extraordinária elegância com que suportou essa carta pública, tão mesquinha, de seus colegas peruanos, protestando por terem querido dar seu nome a um museu de arte moderna em Lima.

Esta manhã, enquanto visitava a galeria Tretiakov, sem deixar um só minuto de pensar nele, imaginava como teria sido melhor ter a sua companhia para este percurso pela Rússia artística dos anos dez e vinte do século passado, a de Kandinsky, Chagall, Malevich, Tatlin, Goncharova e tantos outros. E lembrava o muito que aprendi ao seu lado, visitando exposições ou ouvindo-o falar da própria pintura, algo que fazia raras vezes, e sempre para lamentar que cada quadro que saía do seu ateliê fosse, não importa quão árduo trabalhasse, “uma derrota irremediável”.

Estava mais que penalizado com a grande confusão que caracteriza a arte em nossos dias, como confessa na autobiografia, publicada em janeiro deste ano (Alfaguara), com os engodos que se perpetram e que são consolidados por críticos e galeristas sem escrúpulos e colecionadores gananciosos e insensíveis. Ele nunca enganou ninguém e suou frio para seguir em frente desde que abandonou os estudos de arquitetura e começou a pintar, ainda muito jovem, telas ligeiramente influenciadas pelo cubismo. Desde que descobriu a arte não figurativa se entregou a ela, com disciplina, perseverança e tenacidade, redescobrindo pouco a pouco, com o passar dos anos, a realidade por meio de seu país. A arte dos antigos peruanos se transformara em uma obsessão da sua idade adulta e se insinuaria em suas pinturas, confundindo-se com as formas e as cores mais ousadas da vanguarda. Até constituir esse mundo próprio do qual dão conta os misteriosos aposentos solitários e geométricos, que têm algo de templo e algo de sala de torturas, os estranhos ardis e totens que os habitam e que com suas sementes, nus, incisões, fendas e meias luas, sugerem um mundo bárbaro, anterior à razão, feito somente de instinto, magia e medo. Apesar de ser tão lúcido, provavelmente nem ele teria podido explicar tudo aquilo que sua pintura evoca e mescla, e que a clarividência de sua intuição e seu bom ofício artesanal integravam nesses belos quadros inquietantes, incômodos e perturbadores. Agora que ele não está mais, nos resta sua pintura. Tenho certeza de que durará mais que sua geração e que a minha e que muitas outras mais.

O mundo ao meu redor vai se despovoando e ficando cada dia mais vazio.