Melhor forma de diminuir o número de presos é diminuir os crimes”

Sergio Moro, ministro da Justiça e Segurança, em fala na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, nesta quarta-feira, 4.

Moro: crimes caem “em intensidade sem precedentes históricos”

Pelo Twitter, Sergio Moro rebateu uma reportagem publicada neste domingo pela Folha que, sabe-se lá como, chegou à conclusão de que a segurança “mais recua do que avança” no primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro.

Moro recorreu aos números:

“Crimes caem em todo o país em intensidade sem precedentes históricos. Assassinatos: menos 22%. Roubos a bancos: 40% a menos. Segundo Folha de S.Paulo e ONG, a segurança pública piorou. Todos têm direito à sua opinião, mas não aos seus próprios fatos”, escreveu o ministro da Justiça.

E completou: “Fatos são coisas teimosas”.

“O Estrangeiro”, Caetano Veloso: Escolha musical certeira e de impacto grandioso na pontuação do desempenho artístico  do destacado núcleo ambientalista do novo folhetim das 9  da TV, Amor de Mãe, a canção de longa e antológica de Caetano parece sair do fundo da terra e explodir das entranhas do mar da Baia de Guanabara. De alguma maneira parece repetir a sensacional abertura de Menino do Rio, na interpretação de Baby Consuelo. Igualmente sensacional. Confiram!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

dez
16

Postado em 16-12-2019 00:24

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-12-2019 00:24

DO EL PAÍS

A atriz francesa que morreu sábado passado, em Paris,  disse diversas vezes que seu casamento não era um mar de flores

 Raquel Peláez
Anna Karina duranteas gravações de 'O Demônio das Onze Horas' (1965), de Jean-Luc Godard.
Anna Karina durante as gravações de ‘O Demônio das Onze Horas’ (1965), de Jean-Luc Godard.

Anna Karina, que morreu em Paris neste sábado, aos 79 anos, provavelmente deve a Jean Luc Godard toda a sua carreira no cinema e o status de novo ícone da nouvelle vague: foi ele quem a descobriu em um anúncio de produtos de banheiro e ficou obcecado até conseguir que ela estrelasse O pequeno soldado, um filme sobre a guerra na Argélia que seria o primeiro de muitos. Ele já havia tentado que ela fizesse parte do elenco de Acossado, mas a atriz rejeitou o papel porque precisaria se despir. Godard não entendeu aquela objeção na época: ele disse a ela que já a tinha visto nua naquele anúncio em que a notara.

A atriz respondeu que o suposto nu fazia parte de sua imaginação: no anúncio em que ela apareceu dentro de uma banheira, ela só exibiu um ombro e usava um maiô debaixo d’água.

No entanto, Anna Karina também deve a Godard alguns dos piores momentos de sua vida. Quando eles começaram o romance, em 1959, ela ainda tinha 18 anos. “Estávamos filmando O pequeno soldado e ele me ligou para encontrá-lo à meia-noite no café Prez. Eu tinha um relacionamento com outro homem, mas não pude evitar, não consegui me afastar dele. Eu estava totalmente fascinada. Perdi todos os meus amigos daquela época porque eles gostavam muito mais do meu outro namorado ”, disse a atriz à revista Vogue há apenas dois anos, ao lembrar as origens de seu relacionamento com o diretor.

Karina e Godard se casaram em 1961 porque ela engravidou, mas acabou perdendo o filho. O relacionamento estava longe de ser perfeito, como ela contou em diferentes ocasiões. Em 2016, ela disse ao The Guardian que tinha dificuldade em entender o comportamento errático de seu marido da época, que se ausentava sem explicação prévia: “Ele era capaz de dizer que estava saindo para fumar e não aparecer em três semanas”.

Contou a mesma coisa um ano depois, em sua entrevista para a Vogue, quando deu ainda mais detalhes: “Naquele momento, tudo o que se podia fazer era ficar ao lado do telefone e esperar uma ligação. Quando ele desapareceu, ela pensou em tudo, que qualquer coisa poderia ter acontecido com ele. Soube, então, que talvez ele tivesse ido à Itália ver Roberto Rossellini, ou que havia saído para ver Bergman na Suécia ou, às vezes, a explicação era que ele estava em Nova York com William Faulkner. Ele tinha amigos em todos os lugares e saia sem aviso prévio. Ele sempre carregava o passaporte e eu sabia onde ele estava quando voltava e me mostrava os carimbos da imigração. Ele sempre me trazia presentes. As opções que a atriz tinha na época eram muito limitadas: “Esse foi um momento muito complicado para as mulheres. Não podíamos ter nossos próprios cheques. Você não tinha direito a nada, apenas a calar a boca.

Karina disse que depois de perder o bebê teve um momento terrível. “Eu não queria estar viva”, disse ao The Guardian. Ela havia tentado suicídio, então foi internada em uma espécie de sanatório psiquiátrico. “E eu não estava nem um pouco louca. Mas essa era uma situação terrível para as mulheres. Você poderia ser trancada para sempre. No entanto, um psicanalista me ajudou. “Mais tarde, seu marido ofereceu a ela um papel em Banda à parte: “Acho que esse filme provavelmente salvou minha vida”, disse ela ao jornal inglês na mesma entrevista.

O casamento durou até 1967, ano em que as mulheres conseguiram dispor de seu próprio dinheiro sem a permissão do marido. Anna Karina se casou ainda mais quatro vezes. Embora nunca tenha ocultado as dificuldades que enfrentou com Godard, sempre fez uma análise final positiva desse relacionamento, como explicou à Vogue: “Era uma história muito bonita, mas cansativa para uma garota tão jovem.”

dez
16

Postado em 16-12-2019 00:16

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-12-2019 00:16

 

Por G1

Ricardo Salles sobre a COP 25: ‘Querem disfarçar a discussão sobre os combustíveis fósseis

Ricardo Salles sobre a COP 25: ‘Querem disfarçar a discussão sobre os combustíveis fósseis

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse neste domingo (15) que “a COP 25 não deu em nada”.

“Países ricos não querem abrir seus mercados de créditos de carbono. Exigem medidas e apontam o dedo para o resto do mundo, sem cerimônia, mas na hora de colocar a mão no bolso, eles não querem”, afirma Salles, em sua conta no Twitter.

A atuação do Brasil na COP 25 se concentrou em pedir recursos dos países ricos para preservação no Brasil. Mas, nos últimos dias do evento, o país também protagonizou um impasse sobre artigos que ratavam da participação dos oceanos e o uso da terra nas mudanças climáticas.

Em entrevista à GloboNews, o ministro Ricardo Salles disse que o objetivo do Brasil é “não desviar o foco” das emissões provocadas pela queima de combustíveis fósseis das maiores economias do mundo.

“É importante o Brasil deixar claro que o problema das emissões de gases são os combustíveis fósseis. E, portanto, tem que deixar clara a tentativa de disfarçar a discussão dos combustíveis fósseis, afastar e logar para outros temas”, declarou.

“Nós temos o etanol, que é um produto exemplar para todo mundo, como biomassa renovável. Não queremos tirar o foco do grande problema de emissões, que é o combustível fóssil.” – Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente

No Brasil, o desmatamento é a principal fonte de emissões de gases causadores do efeito estufa, mas, no mundo, a queima de combustíveis fósseis, como gás e derivados de petróleo, é o motivo de maioresões.

Salles criticou, ainda, “um protecionismo muito forte dos países ricos” durante os debates da COP 25, não abrir seus mercados de carbono para os países em desenvolvimento”

Por causa da falta de acordo sobre o mercado de carbono, cuja regulamentação ficou adiada para a próxima edição da COP, em 2020, na Escócia, “o Brasil e outros países que poderiam fornecer créditos de carbono em razão de suas boas práticas ambientais saíram perdendo”, disse, na rede social.

 

 Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, participa da COP 25 em Madri — Foto: Reprodução Twitter  Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, participa da COP 25 em Madri — Foto: Reprodução Twitter

Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, participa da COP 25 em Madri — Foto: Reprodução Twitter

dez
16

Postado em 16-12-2019 00:14

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-12-2019 00:14

 

Por G1

Toni-Ann Singh, da Jamaica, é coroada a nova Miss Mundo em cerimônia em Londres na noite de sábado (14) — Foto: Joel C Ryan/Invision via AP Toni-Ann Singh, da Jamaica, é coroada a nova Miss Mundo em cerimônia em Londres na noite de sábado (14) — Foto: Joel C Ryan/Invision via AP

Toni-Ann Singh, da Jamaica, é coroada a nova Miss Mundo em cerimônia em Londres na noite de sábado (14) — Foto: Joel C Ryan/Invision via AP

A jamaicana Toni-Ann Singh, de 23 anos, foi eleita Miss Mundo 2019 durante cerimônia em Londres, na Inglaterra, na noite deste sábado (14).

A mídia americana destacou que é a primeira vez em que os 5 principais concursos de beleza dos EUA e do mundo têm representantes negras como misses simultaneamente: Miss USA, Miss Teen USA, Miss América, a recentemente anunciada Miss Universo e, agora, a Miss Mundo.

 

Da esquerda para a direita: a Miss Universo, Zozibini Tunzi, a Miss Mundo, Toni-Ann Singh, a Miss Teen USA, Kaliegh Garris, a Miss América, Nia Franklin, e a Miss USA, Cheslie Kryst. Beleza negra dominou concursos em 2019 — Foto: Paras Griffin /Getty Images via AFP; Henry Nicholls/Reuters; Noah K. Murray/AP; Elijah Nouvelage/Reuters Da esquerda para a direita: a Miss Universo, Zozibini Tunzi, a Miss Mundo, Toni-Ann Singh, a Miss Teen USA, Kaliegh Garris, a Miss América, Nia Franklin, e a Miss USA, Cheslie Kryst. Beleza negra dominou concursos em 2019 — Foto: Paras Griffin /Getty Images via AFP; Henry Nicholls/Reuters; Noah K. Murray/AP; Elijah Nouvelage/Reuters

Da esquerda para a direita: a Miss Universo, Zozibini Tunzi, a Miss Mundo, Toni-Ann Singh, a Miss Teen USA, Kaliegh Garris, a Miss América, Nia Franklin, e a Miss USA, Cheslie Kryst. Beleza negra dominou concursos em 2019 — Foto: Paras Griffin /Getty Images via AFP; Henry Nicholls/Reuters; Noah K. Murray/AP; Elijah Nouvelage/Reuters

Formada em psicologia e estudos sobre a mulher na Universidade Estadual da Flórida, Toni-Ann Singh fez um post sobre a coroa encorajando meninas pelo mundo. “Para aquela pequena menina em St. Thomas, Jamaica, e para todas as meninas ao redor do mundo, por favor, acredite em você mesma. Por favor, saiba que você é merecedora e capaz de alcançar seus sonhos. Esta coroa não é minha, mas sua. Você tem um propósito”, escreveu a Miss Mundo. Ela planeja seguir os estudos na área de medicina.

O pódio do Miss Mundo foi completo pelas representantes de França e Índia. Toni-Ann foi coroada pela sua antecessora, Vanessa Ponce de Leon, do México.

O Brasil também fez bonito. Elís Miele Coelho, capixaba que venceu este ano o Miss Brasil Mundo, ficou no top 5 e ainda levou o título das Américas.

 

A Miss Brasil Mundo, Elís Miele Coelho (esq.) posa para fotos com outras misses e a vencedora do Miss Mundo, Toni-Ann Singh, da Jamaica — Foto: Henry Nicholls/Reuters A Miss Brasil Mundo, Elís Miele Coelho (esq.) posa para fotos com outras misses e a vencedora do Miss Mundo, Toni-Ann Singh, da Jamaica — Foto: Henry Nicholls/Reuters

A Miss Brasil Mundo, Elís Miele Coelho (esq.) posa para fotos com outras misses e a vencedora do Miss Mundo, Toni-Ann Singh, da Jamaica — Foto: Henry Nicholls/Reuters

 

Toni-Ann Singh sorri posando para fotos após ser coroada Miss Mundo na Excel Arena, em Londres, na noite de sábado (14) — Foto: Daniel Leal-Olivas/AFP Toni-Ann Singh sorri posando para fotos após ser coroada Miss Mundo na Excel Arena, em Londres, na noite de sábado (14) — Foto: Daniel Leal-Olivas/AFP

Toni-Ann Singh sorri posando para fotos após ser coroada Miss Mundo na Excel Arena, em Londres, na noite de sábado (14) — Foto: Daniel Leal-Olivas/AFP

dez
16

Postado em 16-12-2019 00:12

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-12-2019 00:12


 

Miguel, no

 

Ela estrelou sete filmes de Jean-Luc Godard após ser descoberta pelo diretor em uma campanha publicitária

Anna Karina com Jean-Luc Godard, em uma imagem de arquivo feita em Paris.
Anna Karina com Jean-Luc Godard, em uma imagem de arquivo feita em Paris.Raymond Cauchetier
 Álex Vicente

A atriz Anna Karina, um dos principais rostos da Nouvelle Vague que sacudiu o cinema francês nos anos sessenta, morreu no sábado em Paris aos 79 anos, em consequência de um câncer. Com sua morte termina uma década que viu desaparecerem quase todos os protagonistas dessa revolução cinematográfica, como Claude Chabrol, Éric Rohmer, Jacques Rivette e Agnès Varda. O único sobrevivente é Jean-Luc Godard, com quem a atriz rodou sete filmes e viveu uma história de amor ?breve, mas intensa? que deixaria uma marca indelével na sensibilidade estética da época e teria uma influência profunda no cinema das décadas posteriores.

Nascida em 1940 em Solbjerg, nos arredores da cidade dinamarquesa de Aarhus, Karina chegou a Paris pedindo carona no final dos anos cinquenta, fugindo de uma infância pobre e dos abusos de um padrasto violento. Não demorou para encontrar trabalho como modelo. Conheceu então Coco Chanel, que a rebatizou com esse nome vagamente tolstoiano ao considerar que aquele que aparecia em sua certidão de nascimento, Hanne Karin Bayer, não lhe fazia nenhum favor. Godard descobriu seu rosto em um anúncio de sabão e lhe propôs um pequeno papel em sua estreia em longas-metragens, Acossado (1960). A jovem atriz recusou “porque não queria mostrar os seios na tela”, como lembrou em uma entrevista ao EL PAÍS no final de 2017.

Godard não se deu por vencido. Oito meses depois, o diretor lhe ofereceu o papel principal de O Pequeno Soldado (1963), filme sobre a guerra da Argélia que a censura gaullista proibiu durante dois anos. O mesmo aconteceria com o filme seguinte de Karina, A Religiosa (1966), uma adaptação do livro homônimo de Diderot, dirigida por Jacques Rivette. A atriz se casou com Godard em 1961, grávida de um filho que acabaria perdendo. Foi o início de uma colaboração da qual surgiriam filmes que marcaram uma época, como Uma Mulher É Uma Mulher –com o qual Karina ganhou o prêmio de interpretação na Berlinale de 1962–, Viver a Vida, Bando à Parte, Alphaville e O Demônio das Onze Horas. Mais que uma musa passiva, Karina foi um dos artífices dessa passagem abrupta para a modernidade no cinema. Dotou-a de um olhar de filme mudo, de uma franja que roçava suas pálpebras e de um sotaque dinamarquês que, com o passar dos anos, tornou-se quase imperceptível.

Seu casamento com Godard durou apenas quatro anos. “Foi uma relação extraordinária, mas era impossível viver com ele. Ele queria que eu passasse a vida esperando-o em casa”, contou. A atriz começou a trabalhar então com outros grandes cineastas, como George Cukor (Justine), Luchino Visconti (O Estrangeiro), R. W. Fassbinder (Roleta Chinesa) e Raúl Ruiz (A Ilha do Tesouro). Também cantou as partituras de Serge Gainsbourg, que escreveu uma comédia musical para ela (Anna) e a levou a entoar um de seus maiores sucessos, Sous le Soleil Exactement.

Karina também assinou quatro romances ?um deles, com posfácio do escritor Patrick Modiano– e realizou três filmes como diretora. O primeiro destes, Vivre Ensemble, foi apresentada no Festival de Cannes de 1973, onde recebeu críticas negativas. Reestreado na França há alguns meses, as imperfeições dessa história de amor entre um professor casado e uma mulher boêmia não impediram que fosse vista uma cineasta de talento. “Não se entendeu que uma atriz quisesse trabalhar como diretora. Era uma cultura machista, muito mais que hoje”, explicou Karina em 2017. Apesar de todas as suas conquistas, ficou vinculada para sempre ao nome de Godard. O diretor lhe dedicou algumas palavras amáveis durante um reencontro televisivo em meados dos anos oitenta, depois de vinte anos sem que se falassem: “Deveria ter trabalhado em Hollywood, mas Hollywood já tinha deixado de ser o que era”.

Como dizia um diálogo que Godard escreveu para ela, foi uma mulher que olhava com sentimentos em um mundo que se limitava a falar com palavras. Nos últimos anos, a atriz costumava ser vista em festivais de cinema ?que lhe dedicaram homenagens um tanto tardias?, sempre escondida sob um chapéu Panamá e encadeando cigarros e taças de vinho rosé. No Festival Lumière de 2017, onde recebeu uma homenagem por toda sua carreira, também se declarou categoricamente a favor do nascente #MeToo. “O que Weinstein fez é nojento, uma vergonha. Mas ele não é o único. Houve mais, e eles têm nomes conhecidos. Mas não vou dizê-los”, afirmou naquela ocasião. Anna Karina leva esse segredo para o túmulo.

Javier Melero publicou um livro sobre o ‘procés’ catalão equânime, saudável e simpático que lembra, acima de tudo, as coisas que compartilhamos e que existe um território no qual podemos ser amigos

Fernando Vicente

Na Feira Internacional do Livro de Guadalajara (México), um amigo me deu de presente um livro dedicado ao procés independentista e eu lhe disse que estou farto do assunto e que parei de ler as notícias a respeito desde que o Tribunal Supremo proferiu a sentença de condenação àqueles que pretenderam emancipar a Catalunha da Espanha, violando assim a Constituição. “Não é o que você imagina”, insistiu. “O autor é anti-independentista, e ainda assim defende Joaquim Forn. Garanto que te interessará.”

Comecei a folhear El Encargo (A encomenda), de Javier Melero, naquela mesma noite, certo de que ficaria entediado na segunda página, mas duas horas depois eu ainda estava lendo. E continuei dois dias depois, no avião que me levava à Guatemala, onde a quantidade de compromissos me impediu de prosseguir com a leitura, mas eu o terminei na viagem para Miami. E agora o recomendo especialmente aos leitores que estão cansados de ouvir falar do procés catalão. O livro de Melero se ocupa disso, é claro, mas de uma maneira tão livre, sem pré-julgamentos, com tanta graça e personalidade, e com um espanhol tão preciso, que não desperdiça nada.

Quem é Javier Melero? Pelo visto, um ilustre criminalista catalão, que lecionou na Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, e participou de estudos de renome internacional. Mas, acima de tudo, é um escritor agradável e espirituoso, divertido e feroz, que conta com total simplicidade as coisas relacionadas ao movimento independentista e ao julgamento resultante, sem lhes dar muita importância, convencendo seus leitores de que elas não tinham mesmo, pois tudo isso faz parte dos disparates históricos espanhóis, de muito barulho por nada.

É contra o independentismo, de fato, mas sem paixão e até com certo tédio, porque detesta todas as coisas que tenham a ver com hinos e bandeiras e, por exemplo, chama seus amigos independentistas, numa provocação, de “os mártires do processo” e coisas ainda piores. Mas não é menos severo com os chamados espanholistas e, em geral, seus tiros mais mortíferos vão contra os seres apaixonados e os militantes de qualquer coisa, porque turvam a vida e nos afastam das coisas agradáveis que ela tem, como os cigarros, o boxe, os filmes, os livros, o dry martini e uma boa refeição. Seus amigos abarcam toda a arena ideológica e, por exemplo, entre os adversários da independência catalã figura ninguém menos que Arcadi Espada, com quem janta no livro e, além disso, assina um manifesto de solidariedade quando a Generalitat tenta processá-lo por um artigo.

Ele me lembra muitos aqueles intelectuais catalães que conheci em Barcelona, nos anos em que morei lá, entre 1970 e 1974, muito cultos e modernos, um tanto frívolos, sempre irônicos e sofisticados, que, na mesma linha de Josep Pla, não acreditavam em nada e zombavam de tudo, exceto talvez da cultura. Desapareceram subitamente quando o punhado de independentistas se multiplicou e começou a encher as ruas e avenidas da Cidade Condal. Fico satisfeito que pelo menos um deles esteja vivo e escrevendo, pois constituíam uma espécie que alegrava a vida, lhe injetava ideias e atitudes divertidas, retirava as letras e as artes das academias e seminários e as ventilavam nos cafés, nos bares e nas discotecas.

O livro de Melero se passa dentro do julgamento do procés, mas, em vez de atentar para o essencial que ali transcorre, concentra-se felizmente nas minúcias e insignificâncias marginais, como as roupas usadas por promotores, juízes, advogados e testemunhas, e as caras que fazem nos momentos mais graves, bem como as conversas que os ocupam nos intervalos, e tudo isso com uma engenhosidade tão sutil e pertinente que, de uma maneira difícil de definir, mas inequívoca, traz à luz tudo o que o famoso procés gostaria de ocultar. Suas caracterizações de personagens são memoráveis e resgatam ou sepultam pessoas de ambos os lados. Ele se interessa pelas roupas e a elegância, a seriedade e o sorriso nos rostos, a maneira como se expressam, suas piadas e seu mau-humor e suas transformações ao dar seu depoimento perante o tribunal. Uma sociedade pitoresca por inteiro aparece ali, na qual há pessoas sérias, eminentes, e os idiotas costumeiros, contra os quais costuma ser implacável, porque, entre todos os horrores deste mundo, o que Javier Melero não tolera é a estupidez dos humanos, por exemplo, a das testemunhas que, sem se dar conta, dão depoimentos que favorecem seus adversários.

Sem dúvida, ele se interessa por sua profissão, porém, mais do que para elevá-las às grandes causas – o Estado, a Liberdade, a Democracia – e sim como um jogo arriscado e sutil, no qual o talento, ou seja, o conhecimento, o esforço, o manejo das armadilhas, determina a vitória ou a derrota. Não vê problema em traçar uma linha de defesa de seu cliente que não coincida necessariamente com a dos advogados dos outros réus, mas procura, na medida do possível, não interferir na deles, embora às vezes isso aconteça, o que se há de fazer?

Conhece tanto Madri como Barcelona, sua cidade, que, em um momento surpreendente do livro, extrai dele algumas frases sentimentais, aquele cantinho da Diagonal onde passou a infância, um lugar onde todas as lojas fracassavam e agora é um recanto tão movimentado e de sucesso como a Quinta Avenida ou a Champs Elysées. Em Madri, vai ao Retiro e conhece a história dos grandes edifícios, quem os construiu e quando, e os bons menus das tascas mais escondidas. Deve ter pulmões revestidos de nicotina, mas não se envergonha em absoluto do prazer de fumar, e do boxe não apenas conhece de cor todas as vidas e lutas dos grandes pugilistas, mas também dá e recebe socos periódicos boxeando na academia que frequenta. Os filmes que cita são todos de grande qualidade, e também os livros, mas pode-se dizer que aqueles lhe interessam mais que estes. Talvez eu esteja enganado, porque não escreveria tão bem se fosse assim: todos os bons escritores são ávidos leitores.

A ironia costuma ser uma faca de dois gumes, uma maneira de dar menos importância àquilo de que se fala, de reduzir a mordacidade ou o veneno que contém, mas em Javier Melero é simplesmente um modo de se expressar, algo que faz parte de seu ser, e por isso nos parece natural e inevitável, um modo de ver as coisas, de descobrir o que há nelas e nas pessoas mais secretas, de esquadrinhá-las como fazem as máquinas hospitalares. E, também, de verter sobre elas uma corrente de simpatia, de amizade, algo que, acima ou abaixo das diferenças, as aproxima e irmana.

El Encargo é um desses raros livros, principalmente em nossa época, que levanta o moral, que não escamoteia as grandes diferenças que separam as pessoas em questões religiosas, políticas ou de gostos e costumes, mas nos faz recordar, sobretudo, as coisas que compartilhamos, e que, acima das diferenças, há um vasto território no qual podemos nos entender e até nos tornarmos amigos e amar-nos. Fazia muito tempo que não lia um livro tão equânime, saudável e simpático. Estes adjetivos teriam feito mergulhar na ignomínia qualquer livro que caísse em minhas mãos há alguns anos. Mas o de Melero me fez refletir e me convenceu de que também um livro bom pode ser uma excelente literatura.

“I`ll Be Seeing You”, Peggy Lee :Cinematográfica canção composta por Sammy Fain e Irving Kahal, imortalizada na voz de Sinatra quando crooner da orquestra de Tommy Dorsey, aqui em envolvente e também marcante interpretação de uma diva da música norte-americana.Confira.

BOM DOMINGO

(Vitor Hugo Soares)

dez
15

Postado em 15-12-2019 13:15

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 15-12-2019 13:15

Ao deixar o Palácio da Alvorada, neste sábado, Jair Bolsonaro falou sobre a proposta de indulto natalino deste ano, formulada pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), que não incluiu policiais presos, como noticiamos mais cedo.

Bolsonaro deixou claro que os policiais serão incluídos no texto, que ainda não passou por sua aprovação

“O indulto não é para determinada pessoa, mas pelo tipo de crime pelo qual ela foi condenada. Vai ter policial, sim. Civil e militar, tudo lá”, disse.

E mais:

“Não é justo. Tem policial que está preso por abuso porque deu dois tiros em um vagabundo de madrugada. Estava cumprindo sua missão. Não podemos continuar criminalizando policiais que fazem excelente trabalho. […] Ou tem indulto para todo mundo ou não tem para ninguém. Quem assina sou eu.”

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