PT, PSDB e PMDB nunca se uniram em nome da nação. Agora, eles estão unidos para barrar a Lava-Jato”.

Marina Silva, ex-senadora, principal líder da REDE, em fala no horário de seu partido na TV.


Messi pega pesado com bandeirinha brasileiro


DO EL PAÍS

Pablo Vande Rusten

Lionel Messi foi punido pela FIFA e não jogará a partida da noite desta terça-feira entre a Seleção Argentina e a Bolívia em La Paz. O camisa 10 argentino e do Barcelona não poderá entrar em campo com sua seleção nos próximos quatro jogos – além desta terça, ficará de fora também contra o Uruguai em Montevidéu, em 31 de agosto; contra a Venezuela, em setembro; e contra o Peru em outubro. Só poderá disputar o último jogo das Eliminatórias para a Copa da Rússia-2018.

“La concha de tu madre” (“a vagina da sua mãe”) é um dos insultos argentinos mais conhecidos. Foi isso que Lionel Messi disse a Emerson Augusto de Carvalho, o árbitro assistente que apontava os impedimentos da Argentina no segundo tempo do jogo contra o Chile no estádio Monumental, em Buenos Aires. O brasileiro, consultado pela Comissão Disciplinar da FIFA, diz não ter entendido a ofensa naquele instante. Messi xingou o juiz mais de uma vez: primeiro ao final da etapa inicial; depois, quase no final da partida; e, finalmente, antes de ir para o vestiário, com a vitória consumada.

mar
28

BOM DIA!!!

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Moro volta a defender prisão preventiva na Lava Jato

Por favor, leia estes trechos do despacho de Sérgio Moro que autorizou a prisão preventiva de Roberto Gonçalves:


Dom Luiz Flávio Cappio

Dom Luiz Flávio Cappio é o Bispo da Diocese de Barra, BA. Em 2005 e 2007 fez greve de fome em protesto contra o projeto do governo federal de transposição do rio São Francisco. Em 2008, a organização Pax Christi Internacional (Bélgica) deu a Dom Cappio o prêmio da Paz do mesmo ano, por sua luta em defesa da vida na região do São Francisco. Em 2009, recebeu o Prêmio Kant de Cidadão do Mundo, da Fundação Kant (Alemanha).
Confira a entrevista do bispo da Barra à revista Instituto Humanitas Unisinos – IHU.
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IHU On-Line – O senhor foi um dos principais opositores da transposição do rio São Francisco. Como se sentiu ao ver a inauguração de parte da obra?

Dom Luiz Flávio Cappio – Sempre dizíamos, e este é um dos vícios da obra, que a Transposição de Águas do Rio São Francisco sempre foi, é, e se tem mostrado agora com maior evidência, uma “obra eleitoreira”. As obras garantiram o 2º mandato do presidente Lula, o 1º e o 2º mandato da presidente Dilma. Falar em água no Nordeste é uma fonte certa de votos, principalmente do povo mais sofrido, carente e pobre. Sempre às vésperas das eleições se recomeçavam as obras, muitas vezes paradas. Fazia parte importante das propagandas eleitorais dos candidatos. Quantas fotos desses mesmos candidatos passeando pelas obras e fazendo tantos pronunciamentos de propaganda enganosa. Isso sempre levou o povo ao delírio, principalmente o povo sedento e faminto. Voto certo nas urnas. Sempre foi assim.
Pergunto, qual comunidade tem se beneficiado das águas da Transposição? Quem tem coragem de beber aquela água que corre centenas de quilômetros a céu aberto, sujeita a toda ordem de sujeira e dejetos? Agora, novamente, às vésperas das eleições gerais de 2018, numa situação de total insegurança política e falta de candidatos sérios com propostas igualmente sérias, essa obra e essas “inaugurações” se constituem em prato cheio para esses que sempre enganaram e continuam enganando o povo, mormente os mais pobres e necessitados de água e alimentos. Se continuarem com este importante “cabo eleitoral”, terão vitória certa, principalmente no Nordeste.
Respondendo à pergunta, digo: sinto-me mais uma vez ludibriado. Indignado pela falta de respeito e insensibilidade diante do sofrimento e carência de tanta gente que acredita a partir de suas necessidades básicas, diante da arrogância e falta de ética e cidadania dos falsos “mercadores de sonhos”.

IHU On-Line – No último domingo, dia 19 de março, foi realizada a “Grande festa do povo brasileiro. Inauguração da Transposição do Rio São Francisco com Lula e Dilma”. Como o senhor avaliou esse evento e a postura de parte da esquerda brasileira, que vibrou com a conclusão de parte da obra?

Dom Luiz Flávio Cappio – O Projeto de Transposição de Águas do Rio São Francisco é eleitoreiro, e por isso é muito oportuno usá-lo em momentos como este que temos pela frente, as eleições de 2018. Falar em obras hídricas no Nordeste brasileiro é fonte certa de votos. Daí se explica a grande festa de inauguração das obras. É interessante quando a chamada esquerda promove tal festa. Além de ideologizar a obra, que deveria ser vista a partir de sua função social, é vista a partir de sua função ideológica. Infelizmente é o que acontece. E no caso, é a esquerda servindo de capacho para os interesses da direita, a qual será beneficiada, e não o povo, de quem a chamada esquerda deveria estar a serviço.

IHU On-Line – O que essa transposição significa para o Nordeste?

Dom Luiz Flávio Cappio – O Projeto de Águas do Rio São Francisco foi o preço pago por Lula para garantir sua vitória no 2º turno das eleições de 2002, conseguindo assim o apoio da bancada cearense capitaneada por Ciro Gomes. O grande interesse da bancada cearense eram os imensos investimentos a serem feitos no território do estado do Ceará e garantir, quem sabe no futuro, água para o agronegócio naquele estado. Essa obra significa o fortalecimento dos grupos políticos afinados ao governo federal, a garantia de grandes investimentos em infraestrutura, a valorização das terras por onde devem passar os canais, quem sabe – digo quem sabe porque esta afirmação não é garantida -, o armazenamento de água para os grandes projetos agroindustriais. Esse é o grande significado do Projeto para o Nordeste. Não faz parte do objetivo do projeto a oferta de água para a população, tão decantado pela propaganda enganosa do governo.

IHU On-Line – Como os ribeirinhos e a população que vivem às margens do São Francisco têm reagido a essa obra? Ainda há uma resistência à transposição? Como essa resistência tem aparecido ao longo desta década?

Dom Luiz Flávio Cappio – Podemos observar três tipos de reação: a) de pessoas esclarecidas que são visceralmente contra o projeto, por entenderem o seu verdadeiro significado; b) de boa parte do povão que acredita piamente em tudo o que os governantes e principalmente a mídia diz, sem nenhum espírito crítico. Levados pela necessidade querem crer nesta utopia de ter água em abundância; c) aqueles que “não são nem a favor e nem contra, muito pelo contrário”.
A resistência ao projeto tem acontecido nos grupos organizados das comunidades que conhecem a realidade do rio e as consequências de um macroprojeto dessa natureza, nas universidades que, a partir do dado teórico, avaliam as reais possibilidades de um projeto como esse, nas pessoas que convivem com o rio e sabem de sua debilidade e já estão cansadas das falsas promessas de anos a fio. Esse projeto jamais foi discutido com a sociedade civil. Foi concebido e decidido dentro de quatro paredes, levado por interesses escusos. Toda nossa luta de alguns anos atrás foi na tentativa de discutir o projeto, pensar a melhor alternativa de oferta de água para o Nordeste. Mas todas as portas nos foram fechadas. Ele já estava decidido.

IHU On-Line – O senhor se encontrou com o ex-presidente Lula depois do fim do seu “jejum de oração”, que ficou conhecido como sua greve de fome por conta da transposição do rio São Francisco. À época o senhor comentou que o ex-presidente Lula lhe disse que estava convicto de que a realização da obra era a melhor opção para o Nordeste, mas que aceitaria abrir um debate com a sociedade e que poderia mudar de ideia caso argumentos como os seus fossem convincentes. Que avaliação faz desse encontro, anos depois? A transposição do São Francisco foi de fato tema de discussão na sociedade? Por que avalia que o ex-presidente não mudou de opinião?

Dom Luiz Flávio Cappio – Quando, por ocasião de nosso encontro com o presidente Lula, referi-me ao grande projeto, quiçá o maior de seu governo, da Agência Nacional de Águas – ANA, intitulado “Atlas do Nordeste”, que previa o abastecimento hídrico das comunidades de todo o Nordeste a partir de adutoras, levando água diretamente para as caixas d’água dessas mesmas comunidades mais carentes de água. Uma verdadeira revolução na oferta de água por parte de obras hídricas do governo federal. Uma joia de projeto. Repito: projeto concebido e elaborado no governo do presidente Lula. Um projeto que, se implementado, o levaria para a história (do lado bom da mesma).
Disse-lhe que ele estava diante de uma decisão de duas possibilidades: a Transposição que se caracteriza pelo uso econômico da água, a água transformada em mercadoria na produção de royalties, que não é de seu governo; e o Projeto da ANA, que garantiria a distribuição da água para uso humano e animal (exemplos, a adutora que garante água para a microrregião de Irecê-BA, a adutora que garante água para a região de Guanambi–BA, e a “adutora do sertão”, que de Floresta-PE, abastece o sertão pernambucano).
Diante do compromisso feito em campanha com Ciro Gomes e a bancada cearense, Lula optou pela Transposição. Assim as águas do rio São Francisco se transformam em bem econômico, direito de alguns, e deixa de ser um bem social, direito de todos.

IHU On-Line – Um dos principais argumentos dos governos PT e PMDB ao defenderem a transposição do Rio São Francisco era o de que a obra beneficiaria 12 milhões de pessoas em quatro estados, Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Por que na sua avaliação esse argumento é frágil?

Dom Luiz Flávio Cappio – Observem a falácia, quando afirmam que beneficiarão 12 milhões de habitantes. Nesta cifra estão incluídos os habitantes das grandes cidades nordestinas como Recife, João Pessoa, Aracajú, Maceió, Natal, Fortaleza, Teresina. Todas elas já beneficiadas por grandes obras públicas de oferta de água. Estas cidades já estão abastecidas, não necessitam de obra dessa magnitude para garantir oferta d’água para a população. Quem precisa de água são as comunidades do grande sertão nordestino, totalmente carentes e desassistidas. Estas continuarão não possuindo água, pois o Projeto não tem este objetivo.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?
Dom Luiz Flávio Cappio – O Projeto de Transposição de Águas do Rio São Francisco é anticonstitucional por dois motivos:
a) diz a Constituição Cidadã de 1988 que a prioridade de recursos públicos em obras hídricas deve ser a dessedentação humana e animal. O Projeto inverte esta prioridade, colocando em primeiro lugar o uso econômico da água em detrimento do uso social;
b) a mesma Constituição também afirma que obras públicas que passam por territórios indígenas ou comunidades tradicionais, para serem aprovadas, devem ter o parecer do Congresso Nacional. O Congresso jamais foi consultado ou deu algum parecer sobre a obra.


Bispo da diocese de Barra em
greve de fome em Cabrobó(PE),
marco zero da transposição.

“Barcarola do São Francisco me leva para o mar”.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO PORTAL TERRA BRASIL

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin liberou hoje (27) para julgamento a ação em que o PSDB pede a cassação da chapa Dilma-Temer, que disputou as eleições presidenciasis de 2014. Com a decisão, a ação poderá ser julgada a partir da semana que vem, mas caberá ao presidente do tribunal, Gilmar Mendes, marcar a data. Herman é o relator do processo.

a última etapa do processo foi concluída nesta tarde pelo relator, que enviou aos demais integrantes do colegiado o relatório final. Ao concluir o processo, Herman pediu a Gilmar Mendes que inclua o processo imediatamente na pauta, conforme prevê a Lei de Inelegibilidade (Lei Complementar 64/1990).

No relatório, que é mantido em sigilo pelo relator, há uma síntese sobre a fase de coleta de provas, entre elas os depoimentos de delação premiada de ex-executivos da empreiteira Odebrecht, que citaram supostos pagamentos irregulares para a campanha presidencial. O voto de Herman Benjamin será conhecido somente no dia do julgamento.

Apesar do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, a ação prosseguiu porque os dois integrantes da chapa podem ficar inelegíveis por oito anos se o TSE entender pela cassação do resultado da eleição de 2014.

Composição do TSE

O TSE é formado por sete ministros, dois oriundos do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes e Luiz Fux; dois do Superior Tribunal de Justiça, Herman Benjamin e Napoleão Nunes Maia Filho; e dois da advocacia, Luciana Lóssio e Henrique Neves.

Nos próximos dois meses, Neves e a ministra Luciana vão encerrar seus mandatos no TSE e serão substituídos. O STF já indicou para ocupar a vaga de Henrique Neves o nome de três advogados. Fazem parte da lista tríplice elaborada pelo STF os advogados Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira, que já atuam como substitutos no TSE, e Sérgio Silveira Banhos. Gonzaga foi o mais votado da lista, com oito votos. Caberá ao presidente Michel Temer fazer a indicação.

Processo

Em dezembro de 2014, as contas da campanha da então presidenta Dilma Rousseff e de seu companheiro de chapa, Michel Temer, foram aprovadas com ressalvas, por unanimidade, no TSE. No entanto, o processo foi reaberto porque o PSDB questionou a aprovação, por entender que há irregularidades nas prestações de contas apresentadas por Dilma, que teria recebido recursos do esquema de corrupção investigado na Lava Jato. Segundo entendimento do TSE, a prestação contábil da presidenta e do vice-presidente é julgada em conjunto.

A campanha de Dilma Rousseff nega qualquer irregularidade e sustenta que todo o processo de contratação das empresas e de distribuição dos produtos foi documentado e monitorado. No início do mês, a defesa do presidente Michel Temer sustentou no TSE que a campanha eleitoral do PMDB não tem relação com os pagamentos suspeitos. De acordo com os advogados, não se tem conhecimento de qualquer irregularidade no pagamento dos serviços.

mar
28

Postado em 28-03-2017 00:14

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 28-03-2017 00:14


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

mar
28

Postado em 28-03-2017 00:13

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 28-03-2017 00:13


Teresa González fez da calçada uma venda onde tem até camisinha.
M. R.


DO EL PAÍS

Teresa González fez da calçada uma venda onde tem até camisinha. M. R.
Marina Rossi

Santa Elena de Uairén (Venezuela)

Em uma ponta de Santa Elena de Uairén, cidade venezuelana que faz fronteira com o Brasil, a instrutora de dança Teresa González, 28, montou uma pequena banca. Ali, ela vende pó de café, açúcar, medicamentos, sabão em pó, macarrão e sabonetes. Parte desses produtos são brasileiros, comprados a um preço mais baixo do outro lado da fronteira na cidade de Pacaraima, em Roraima. “O macarrão não, porque o nosso macarrão é melhor”, diz, orgulhosa. Mas o preservativo, sim. Por 1.500 bolívares (cerca de 1,40 reais), é possível comprar uma unidade do pacotinho roxo com o símbolo do Ministério da Saúde brasileiro e os dizeres “venda proibida”. “Eu não vendia, mas tem um hotel aqui na frente e sempre vinha gente perguntar se tinha”, conta Teresa. “Aí eu vi gente distribuindo em Pacaraima, peguei e coloquei à venda”.

Na banca de Teresa, montada de improviso na calçada do outro lado da rua onde mora, há uma máquina de contar cédulas de dinheiro. O que não significa que a professora de dança lucra muito com o que vende. Essas máquinas são um item básico em Santa Elena, cidade com cerca de 30.000 habitantes, a mais de 1.200 quilômetros de Caracas. A inflação é tamanha que para comprar um saco de pó de café produzido na Venezuela é preciso desembolsar 80 notas de 100 bolívares.

Na noite anterior, a caixa de um bar pesava pequenas pilhas de notas para conferir o pagamento da conta. A balança faz as vezes do contador de cédulas, do mesmo jeito que bolsas e mochilas substituem uma carteira. Não há espaço num bolso de calça para levar as cédulas suficientes para tomar umas cervejas no final do dia. Para pagar a conta de um almoço para quatro pessoas em um restaurante, foram deixadas quatro pilhas de cédulas sobre a mesa para somar os 87.000 bolívares da conta. Cerca de 21,75 reais por pessoa.
Quantidade de notas necessárias para pagar um almoço para 4 pessoas: cerca de 21, reais por pessoa. ampliar foto
Quantidade de notas necessárias para pagar um almoço para 4 pessoas: cerca de 21, reais por pessoa. M. R.

Perto dali, num supermercado administrado por chineses, um homem carregava um balde enorme, desses de lixo, no ombro. Levava até uma sala e voltava com ele vazio para o caixa, onde a atendente contava as notas na máquina e as colocava no balde, enchendo o latão novamente. Não há espaço no caixa para tantas cédulas.

No final do ano passado, o presidente Nicolás Maduro anunciou que tiraria de circulação as notas de 100 bolívares para tentar frear o aumento do dólar norte-americano no mercado paralelo. A escassez de cédulas provocou diversos protestos no interior do país e ao menos uma pessoa morreu. As notas seguem circulando, valendo cada vez menos.


O advogado Joamir Penha, na avenida Paulista
Foto:C.Jimenez


DO EL PAÍS

Carla Jiménez
María Martín

São Paulo / Rio de Janeiro

As camisetas verde e amarela voltaram mais tímidas às ruas neste domingo em diversas cidades do Brasil, em ato convocado pelos movimentos que lideraram a pressão pelo impeachment de Dilma no ano passado. Os grupos Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre e Nas Ruas reuniram bem menos gente do que em manifestações anteriores, e numa quantidade menor de cidades. Mas lograram a adesão de alguns milhares de pessoas na tarde deste domingo na avenida Paulista, em São Paulo, para engrossar o coro contra projetos no Congresso que tentam salvar políticos do alcance da Justiça.

O portal G1 acompanhou atos em 62 cidades, que reuniram no total 55.000 pessoas segundo os organizadores, e 20.000, de acordo com a Polícia Militar. É um número bem menor, por exemplo, do que em março de 2016, quando cerca de 3 milhões de pessoas (também segundo a PM) saíram às ruas do país pelo impeachment de Dilma em 229 municípios. São Paulo, que sempre lidera as manifestações, contou com manifestantes transitando em cerca de quatro quarteirões da Paulista, mas que se dividiam com os frequentadores rotineiros da avenida, fechada aos domingos para o trânsito de carros. O líder do MBL Kim Kataguiri minimizou a baixa adesão. “Já era esperado, foi mais ou menos o mesmo tamanho da última ato depois do impeachment”, afirmou ele, que não descarta novas movimentações na rua, dependendo da reação do Congresso ao protesto deste domingo.

Seja como for, os organizadores marcaram posição contrária a uma eventual mudança do sistema de eleição para lista fechada, como tem sido aventado em Brasília, e aos projetos de anistia ao caixa dois que estão no Congresso. Caso o sistema eleitoral de hoje fosse substituído pelo voto em lista, os brasileiros deixariam de votar em seus candidatos diretamente. Elegeriam partidos, que indicariam representantes para o Legislativo. O modelo, adotado em diversas democracias europeias, também é questionado por ‘proteger’ nomes da pressão popular, o que no Brasil começa a ser visto como estratégia da classe política para esconder os nomes mais desgastados pela Lava Jato, por exemplo.

Em discurso para seus militantes, Kataguiri afirmou que políticos que apoiaram a saída de Dilma agora querem a lista fechada para eleger os mesmos caciques de sempre. “Não quero que [Romero] Jucá ou Aécio escolham meu candidato”, afirmou ele. Os dois senadores, que chegaram a vestir-se de verde e amarelo em outros protestos do MBL, foram citados nas delações da Odebrecht como receptores de recursos via caixa 2.

O assunto também não teve trégua do movimento Vem pra Rua. Do alto do caminhão em frente ao Masp, os líderes do grupo incentivavam o público a seguir o coro “Rodrigo Maia, preste atenção. Lista fechada só elege ladrão”. O foro também foi alvo de outro bordão do movimento: “O fim do foro, eu quero já. Passou da hora dessa merda acabar”, repetia um locutor, acompanhado pelo público que se concentrou ali. O grupo foi o que mais reuniu manifestantes, comparado aos demais organizadores, que tinham caminhões próprios em diferentes pontos da avenida Paulista.

Não faltaram representantes de movimentos que sonham com a intervenção militar, ou a volta da monarquia, assim como as bandeiras do Brasil e os pixulecos gigantes – Lula com roupa de presidiário — sempre presentes nos atos destes grupos identificados com a direita. Mas em São Paulo, por exemplo, também era possível encontrar cartazes contra o presidente Michel Temer e contra a reforma da Previdência, pautas estas mais identificadas com a esquerda.
O advogado Joamir Penha, na avenida Paulista
O advogado Joamir Penha, na avenida Paulista C.Jimenez

Um dos integrantes do MBL em São Paulo defendia também o fim do estatuto do desarmamento. “Uma população desarmada é uma população controlada”, afirmou ele. A pauta também era defendida pelo Nas Ruas que mantinha um cartaz que dizia “Armas pela Vida”.

Presente na avenida Paulista, Virginia, executiva de marketing aposentada, carregava um cartaz onde se lia de um lado “Reforma Política (e sem inventar “lista fechada”), e no verso “Fim do Foro! (E sem inventar “vara especial”). A ideia de um juizado específico para os casos de foro privilegiado tem sido aventada por alguns parlamentares. “Para que ter vara especial se isso pode acabar com o foro?”, questiona Virginia. Sobre o voto por lista, ela diz que “fica mais difícil fazer uma limpeza. Qualquer coisa fechada ou obrigatória não é legal”, afirmou ela, que também reclamou da proposta atual do Governo para a Previdência.

Já o advogado Joamir Penha carregava um cartaz cobrando agilidade à Procuradoria Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal na divulgação das delações da Odebrecht e no julgamento dos nomes envolvidos. “Questionam o foro privilegiado dos políticos, mas o grande privilégio dos políticos é a lentidão da Justiça”, disse ele ao EL PAÍS.
Virginia, executiva de marketing, protesta na Paulista
Virginia, executiva de marketing, protesta na Paulista C.Jimenez

Como em outras edições anteriores, o protesto começou por volta das 10 da manhã em cidades como o Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, desta vez com quórum bem mais baixo do que antes. No calçadão de Copacabana, houve pouca adesão se comparado com as inúmeras manifestações antipetistas e anticorrupção já celebradas. Passadas às 13h, os organizadores deram por encerrado o protesto. O espaço entre os quatro carros de som ficou praticamente vazio, enquanto os manifestantes se refugiavam do calor sob a sombra das árvores.

O MBL lamentou que o protesto dos cariocas esvaziasse depois do investimento feito, e atribuiu a desmotivação à “diversidade de pautas” que incluíram da crítica ao foro privilegiado, passando pelo apoio à Lava Jato, até o veto da lista fechada de partidos nas eleições. “Nossa pauta principal é a defesa da Lava Jato e a prisão de Lula, mas surgiram outras que dispersaram o foco. A pauta precisa ser específica”, lamenta a economista Maria Fernanda Gomes, coordenadora do movimento no Rio. “Você, por exemplo, fala de fundo partidário e é complicado para as pessoas entenderem”, afirmou.

Apesar da menor concentração, o entusiasmo dos manifestantes se manteve nas homenagens ao juiz Sérgio Moro e os pedidos de prisão do ex-presidente Lula. No Rio, não foram ouvidos gritos contra Temer e as críticas ao Governo foram comedidas. “Não é momento de pedir a saída de Temer e ter um novo período de desestabilização”, contemplaram vários manifestantes perguntados.

Em memória de Eliana Kertész, a escultora e mulher de marcante presença na vida política, administrativa e cultural de Salvador, que ontem partiu.
A canção vai dedicada também a Mario Kertész, leitor, ouvinte e estimulador deste site blog desde a primeira hora.Com abraço sentido e solidário.

BOM DIA!

(Vitor Hugo Soares)