Os partidos não estão mais fazendo política, a maioria deles está fazendo negócios”.

Marina Silva, fundadora e principal dirigente do Rede Solidariedade, ex-senadora do PT e ex-ministra do Meio Ambiente.

jul
28

Postado em 28-07-2017 00:30

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 28-07-2017 00:30


GETTI


Texto publicado na edição para o Brasil do jornal espanhol El Pais, na quarta-feira, 26 de Julho, Dia da Avó.

CULTURA/OPINIÃO

Quando você se torna avó

Marta Nieto

Se mãe só tem uma, avó há muitas. As que trabalham fora de casa e as que só o fazem em casa; as que têm um avô ao lado e as que o deixaram ao longo do caminho; as que levam uma vida tranquila e as que andam ciscando por bares e shows de rock; avós caseiras e avós viajantes; as que cozinham magnificamente e as que pedem uma pizza na esquina. Avós que querem netos como as galinhas querem pintinhos, sempre debaixo de sua asa, e avós que se dividem entre que os netos as chamem de vovó, vó ou qualquer outro nome identificável, ou apenas pelo seu nome de batismo. Algumas agem como se tivessem o dever de educar os netos como fizeram com seus filhos. Outras se transformam em fadas madrinhas do consentimento ilimitado. Mas quase todas são tranquilas no manejo do tema, desfrutando de uma criança sem as angústias da maternidade.

Ser avó, porém, não é algo que se possa escolher. Algumas queriam ter sido avós desde o primeiro minuto e outras encaravam a situação como algo que viria em um futuro distante. No entanto, se você tem filhos, na maioria das vezes chega essa hora. Eu fui avó da minha primeira neta aos 49 anos, e, quando minha filha me comunicou alguns meses antes que estava grávida, fiquei certamente em estado de choque. Isso passou rápido, o que tem a ver com minha personalidade, mas há outras mulheres para as quais o susto dura vários meses, até mesmo anos. Como se o fato de ser avó mudasse a sua vida para pior, como se fosse um terremoto com uma vítima (você) e não uma porta de entrada para uma nova relação, que é, pode acreditar em mim, enriquecedora.

Ser avó envelhece o tanto quanto você permite que isso a envelheça. Isso intimamente, com você mesma. Pois, aos olhos dos outros, ser avó envelhece a pessoa, com certeza. Ninguém olha mais para você do mesmo jeito, vale dizer, ninguém mais olha para você. Você continua sendo a mesma pessoa de um mês antes do nascimento da sua neta, a mesma pessoa de um mês antes de sua filha dizer a (bela?) frase “você vai ser avó”. Você gosta de ir ao cinema tanto quanto antes, está ligada na mesma (ou em alguma outra) série, nunca deixa de estar com sua tacinha de vinho ou com um chope bem tirado, trabalha (dentro e fora de casa), se desespera com as gordurinhas crescentes e a vista cansada, e continua a rir e a chorar com suas amigas. Mas, para grande parte das pessoas, você mudou de estágio, aquele da invisibilidade. Pois a sociedade é assim mesmo: hipócrita e cretina.

As avós maternas costumam ter mais relação com os netos. As filhas, dizem, puxam as mães. Mas quantas rusgas isso gera, e como os papeis se invertem, pois agora é a filha que repreende a mãe e lhe impõe regras. No meu caso, quando cuido de minhas netas (agora são duas), o faço à minha maneira. O que acontece na casa da avó fica na casa da avó. Mas ouço colegas de “ofício” se queixarem de que não podem fazer isso ou aquilo com seus netos (principalmente dar chocolate a eles) ou das múltiplas broncas que levam se não cumpriram com essa ou aquela tarefa com eles (não acabar as lições de casa, não arrumar o quarto, não vestir o pijama antes que a mamãe chegue).

Há avós que são afastadas de seus netos, com horários de visita restritos, um relacionamento dosado. Há outras que querem que seja justamente assim, para poderem vê-los de vez em quando e devolvê-los o quanto antes. Nós, avós, temos muitos outros interesses, somos muito mais do que apenas avós e precisamos ter um tempo para nós mesmas. Mas também queremos ser avós, queremos que nos deixem ser avós à nossa maneira, com as nossas normas. Quando minhas netas, ao me ver, gritam entusiasmadas “vovóóóó” e se atiram no meu pescoço abraçando-me com seus bracinhos, eu me encho de orgulho e amor.

Pode ser que alguma coisa que escrevi aqui se aplique também no caso dos avôs. Não sei. Não sou avô. Certamente muitos têm outras coisas para contar e algumas irão coincidir com o que eu coloquei aqui. Tenho a minha opinião, que guardo para mim. Esse é o meu olhar de avó, a partir da minha realidade de avó, bem como de minhas amigas e conhecidas. Uma realidade tão particular quanto as das tantas avós existentes no planeta. E isso, sem falar daquelas que, por circunstâncias mais complicadas, são obrigadas a cuidar dos netos em regime full time.

O magnífico bolero de Vicente Garrido na voz e interpretações perfeitas de Nat King Cole. O que mais se pode desejar, musicalmente, para começar a sexta-feira?.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

jul
28

Postado em 28-07-2017 00:28

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 28-07-2017 00:28

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Lula achava que Bendine ganhava pouco

Em 2010, em uma cerimônia pública, Lula comentou a “baixa remuneração” do então presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine.

“O presidente do BB (Aldemir Bendine) ganha um terço do que ganha (o presidente do) o terceiro ou quarto colocado no ranking de bancos deste país. Só de bônus, a iniciativa privada paga até cinco vezes o que ele ganha. Mas o Banco do Brasil tem o papel de ser indutor da economia brasileira”, discursou o petista.

Bendine aposentou-se do BB com um salário de 62 mil reais.


Lázaro Ramos incorpora Lima Barreto na abertura da Flip
Foto: Walter Craveiro


DO EL PAÍS

André de Oliveira

Paraty

Nesta quarta-feira a noite, o público aguardava em fila na porta da centenária igreja da Matriz, onde aconteceu a primeira mesa da atual edição da Festa Literária de Paraty, a Flip, enquanto um pequeno grupo do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (SEPE-RJ) protestava contra cortes de orçamento e atrasos de salários. Uma das faixas empunhadas dizia: “O Triste Fim de Milhares de Limas Barretos”. A frase, uma referência ao título do livro mais famoso do autor homenageado desta Flip – ele próprio um funcionário público –, servia como um presságio de como literatura e manifestações políticas devem se encontrar ao longo de todo o evento.

A abertura da Flip – uma espécie de aula dramatizada em que a historiadora Lilia Schwarcz e o ator Lázaro Ramos se revezaram falando sobre a vida de Lima Barreto e lendo trechos de sua obra – foi encerrada com o público gritando, em uníssono, “Fora, Temer”. No momento, repassavam o trecho final da mesa de inauguração em um palco externo, fora da igreja, e aberto para espectadores sem ingresso. Recebido com os gritos, o ator estendeu seu microfone para o público e depois completou: “Se Lima Barreto aqui estivesse, também estaria aqui gritando ‘Fora, Temer”.

A mesa da historiadora, que acaba de lançar uma biografia sobre o escritor homenageado, e do ator, teve também momentos descontraídos. Enquanto Lilia falava sobre a vida de Lima Barreto – seus percalços como escritor e funcionário público, sua aversão a estrangeirismos, sua intenção de construir uma literatura militante e o racismo que sofreu ainda em vida –, Ramos incorporava o próprio autor, declamando trechos de diários, crônicas, contos e romances. O jogo de cena entre os dois, ensaiado, foi dirigido pelo cineasta Felipe Hirsch.

A questão é que, por mais que a crise política não tenha sido tocada diretamente pela historiadora ou pelo ator, Lima Barreto é atual demais e traçar paralelos acaba sendo tarefa das mais fáceis. De forma ácida, ele fala do racismo brasileiro, mas também de outras fragilidades e defeitos da República: “A República no Brasil é o regime da corrupção. Todas as opiniões devem, por esta ou aquela paga, ser estabelecidas pelos poderosos do dia”, declamou Ramos, citando Lima em determinado momento.

Cenas como as da abertura devem se repetir ao longo do evento. Antes da começar, a atual edição já era reconhecida pela diversidade de sua programação. Está na ponta da língua de público e imprensa que, pela primeira vez, um dos principais eventos de literatura do Brasil tem mais convidadas mulheres do que homens e que 30% dos autores são negros. Se a intenção por trás dos convites não era, de fato, política, como diz a curadora Josélia Aguiar, mas de refletir a diversidade real da sociedade e do meio artístico, é inegável, também, que essa diversidade traz muitos dos temas que estão na raiz de lutas por mais direitos (e contra a redução dos já conquistados).
Funcionários públicos cariocas protestam antes da abertura do evento
Funcionários públicos cariocas protestam antes da abertura do evento André de Oliveira

Depois de finalizada a abertura, houve também o show de inauguração conduzido pelo pianista André Mehmari. Ele tocou a Suíte Policarpo, que compôs especialmente para a Flip, além de composições de Ernesto Nazareth, músico contemporâneo de Lima Barreto. Havia paralelos entre os dois artistas: ambos preocupados com a criação de uma identidade nacional, que não emulasse apenas estrangeirismos, ambos tiveram finais de vida tristes – o músico vítima da sífilis, o escritor do alcoolismo. A música de Nazareth, executada por Mehmari, ajuda a rememorar a época em que o Brasil, recém saído da escravidão, sem um projeto de inclusão social, foi tão criticado por Lima Barreto. “Que ele, então seja revisitado”, disse Lilia no encerramento da abertura da Flip. Para ela, o momento atual, de luta política e por direitos civis, com movimentos feministas e negros tão ativos, é bem propício para que a obra de Lima ganhe mais sentido. Agora, há, de novo, “espaço para uma literatura militante, como era a dele”.

jul
28

Postado em 28-07-2017 00:25

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 28-07-2017 00:25


Tacho, no jornal NH (RS)

jul
28


DO EL PAÍS

José María Irujo

Joaquín Gil

Madri

Rodrigo Tacla se transformou em uma bomba-relógio. Em um dos homens mais temidos pelos presidentes e altos funcionários da América Latina. Aos 44 anos, este advogado conhece bem os segredos da Odebrecht, a gigante brasileira da construção que abalou as estruturas políticas do continente depois de confirmar o pagamento de subornos milionários a Governos de 12 países. Até 2016, Tacla trabalhou como advogado do Departamento de Operações Estruturadas da empresa, a hermética unidade de negócios especializada em comprar vontades. Campanhas eleitorais, presentes, festas, prostitutas… Tudo valia para afagar os políticos. Como contrapartida, presidentes e chefes de Estado correspondiam com contratos de obras públicas, principal fonte de receita da maior construtora da América Latina. Um colosso com 168.000 empregados e tentáculos em 28 países.

O EL PAÍS localizou em Madri esse advogado de nacionalidade hispano-brasileiraque foi preso em novembro por ordem do juiz de Curitiba, estrela da Lava Jato, Sérgio Moro. Depois de passar 72 dias na prisão de Soto del Real –acusado de suborno e lavagem de dinheiro–, encontra-se em liberdade provisória. Tacla será julgado na Espanha depois que um tribunal superior do país rejeitou o pedido de extradição feito para que voltasse a seu país natal, Brasil. O advogado só tem nacionalidade espanhola desde 1994, porque seu pai e avô eram galegos.
ras na América Latina de construtoras espanholas que integraram consórcios com a Odebrecht. Empresas como Acciona, que participou no metrô de Quito (5,1 bilhões de reais), ou FCC, que construiu o metrô do Panamá (6,11 bilhões), estão sob suspeita. Qual foi o papel dessas empresas?
Resposta. Não posso dar detalhes porque estou colaborando com a Promotoria Anticorrupção espanhola. O que posso dizer é que Promotoria perguntou se estava interessado em fornecer informações ao Panamá. Respondi que não tinha nenhum problema, desde que a colaboração seguisse pela via judicial. Não posso aceitar que a Promotoria do Panamá ligue para as autoridades espanholas de um modo informal [extrajudicial]. Quando pedi que a colaboração deste país fosse oficial, não me ligaram novamente.

Pergunta. A Promotoria Anticorrupção investiga obras na América Latina de construtoras espanholas que integraram consórcios com a Odebrecht. Empresas como Acciona, que participou no metrô de Quito (5,1 bilhões de reais), ou FCC, que construiu o metrô do Panamá (6,11 bilhões), estão sob suspeita. Qual foi o papel dessas empresas?
Resposta. Não posso dar detalhes porque estou colaborando com a Promotoria Anticorrupção espanhola. O que posso dizer é que Promotoria perguntou se estava interessado em fornecer informações ao Panamá. Respondi que não tinha nenhum problema, desde que a colaboração seguisse pela via judicial. Não posso aceitar que a Promotoria do Panamá ligue para as autoridades espanholas de um modo informal [extrajudicial]. Quando pedi que a colaboração deste país fosse oficial, não me ligaram novamente.

P. Por que o Panamá não quer continuar a via convencional da colaboração judicial?

R.A chave está na amizade do responsável da filial da Odebrecht no Panamá, André Rabello, com o presidente do país, Juan Carlos Varela. Querem saber o que digo na Espanha.

A Justiça brasileira pede sua extradição por supostamente lavar mais de 50 milhões de reais a pedido da empresa. E a Odebrecht afirma que o contratou para lavar as comissões ilegais. Tacla nega. Argumenta que só prestou serviços. E que conheceu os esgotos da empresa porque “avaliou riscos” como advogado naqueles países onde a construtora comprou dezenas de políticos.

O advogado, que está colaborando com o Departamento de Justiça dos EUA e a Procuradoria anticorrupção espanhola, revela em sua primeira entrevista os pontos-chave do maior escândalo da América. Uma bomba política carregada de metralha que já afeta os presidentes Michel Temer (Brasil), Juan Manuel Santos (Colômbia) e Danilo Medina (República Dominicana), e os ex-mandatários Ollanta Humala (Peru) e Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil).

Pergunta. Você foi preso em um hotel em Madri em 18 de novembro de 2016, dois dias após desembarcar na Espanha. Foi detido por ordem do juiz Sérgio Moro que o acusa de suposto delito de suborno, lavagem de dinheiro e de integrar uma organização criminosa, por que veio para Madri?

Resposta. Não fugi do Brasil. Cheguei a Madri para participar da inspeção do Ministério da Fazenda nas minhas duas empresas espanholas. Depois da explosão do caso Odebrecht, as autoridades brasileiras e a construtora tentaram me pressionar para ser parte do acordo, um documento que assinaram 78 diretores da empresa e que significou reconhecer crimes em troca de uma redução da sentença e uma multa. No meu caso: seis meses de prisão domiciliar com tornozeleira, serviços comunitários e uma multa de até 44 milhões de reais. Odebrecht se ofereceu para me pagar 15 anos de folha de pagamento, se eu aceitasse o acordo. Neguei por uma questão de princípios. Enquanto falava com o Departamento de Justiça em Washington, o Brasil exigiu minha prisão em julho e setembro de 2016. Os EUA, no entanto, não me prenderam. Não quero trair ninguém.

P. A Audiência Nacional (tribunal espanhol para crimes especiais) decidiu não extraditá-lo ao Brasil, por que quer ficar na Espanha?

R. Os promotores do Brasil querem que eu reconheça crimes que não cometi. Não respeitaram meus direitos como advogado. Além disso, também querem atribuir crimes por informações que obtive na minha condição de advogado. Estão me atribuindo delitos sem provas, com base em declarações. Não houve nenhuma investigação policial.

P. Como a Odebrecht atuava?

R. A construtora arranjava tudo pagando. Distribuía comissões ao funcionário mais baixo da Administração e ao chefe de Estado. O primeiro contato era estabelecido na campanha eleitoral. A Odebrecht arcava com os gastos do marketing político dos candidatos. Tinha um acordo com o publicitário João Santana [responsável pelas bem-sucedidas campanhas dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff]. A construtora sugeria depois as obras que seriam incluídas nos planos do Governo.

“A Odebrecht também organizava festas. E mandava mulheres do Brasil para festas com políticos. Mas isso também se tornou uma chantagem…

P. O político devolvia o favor quando chegava ao poder…

R. Sim. O dirigente incluía em seu plano de Governo as obras que interessavam à Odebrecht. A construtora, em alguns casos, assessorava os países sobre como conseguir financiamento por meio de órgãos como o Banco Mundial ou o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

P. Quantos funcionários, candidatos e presidentes a Odebrecht subornou?

R. Mais de 1.000. Através da empresa, receberam desde gerentes de empresas públicas a chefes de Estado. Somente no Brasil há 500 pessoas afetadas. E existem políticos e altos funcionários brasileiros cujos nomes ainda não apareceram.

P. A Odebrecht pagou em 2016 a maior multa da história –-8,25 bilhões de reais– aos Governos do Brasil, Suíça e EUA para poder voltar a se candidatar a licitações públicas. A construtora reconheceu com este acordo que desde 2001 distribuiu subornos em 12 países. Consta a existência de mais Estados implicados?

R. Sim. Por exemplo, a empresa desembolsou 11 milhões de reais em janeiro de 2016 ao primeiro-ministro de Antígua e Barbuda, Gaston Browne. [O EL PAÍS tentou sem êxito contactar Browne. O primeiro-ministro de Antigua e Barbuda negou a meios locais ter recebido propina da Odebrecht]. O pagamento foi feito por intermédio do diplomata desse país Casroy James. E contou com o aval do vice-presidente jurídico da Odebrecht, Maurício Ferro. O dinheiro tinha por objetivo evitar que Antígua e Barbuda comunicasse às autoridades judiciais do Brasil as movimentações no Meinl Bank, uma instituição local adquirida pela Odebrecht e que foi utilizada para a lavagem de recursos dos subornos.

“A empresa apostava. Por exemplo, na disputa entre Lula e Dilma, a Odebrecht preferiu Lula.

Embora Browne tenha recebido 11 milhões, a operação custou à Odebrecht 39 milhões. A maior parte desse dinheiro acabou no bolso de vários diretores da construtora e do Meinl Bank. A decisão [do suborno de Browne] foi adotada em setembro de 2015 durante uma reunião no Hotel InterContinental de Madri da qual eu mesmo participei.

P. Pode explicar qual era a missão desse pequeno banco de Antígua e Barbuda comprado pela construtora?

R. O Meinl Bank era uma fachada nesse paraíso fiscal do Caribe, tinha só três empregados em um pequeno escritório. Sua sede em São Paulo estava no Consulado. Era o centro nevrálgico de onde se faziam os pagamentos irregulares. Daí se transferia dinheiro a outros bancos, como a Banca Privada de Andorra (BPA), uma instituição fechada em 2015 por corrupção. Mediante pagamentos internos se evitava deixar rastro e escapar das digitais dos fundos quando se inclui o Swift (código de transferência internacional).

P. Que papel desempenharam na estrutura de lavagem a Banca Privada de Andorra (BPA) e sua filial na Espanha, o Banco Madrid?

R. A BPA era o banco encarregado dos pagamentos finais. A Odebrecht abria contas nessa instituição em nome de Pessoas Politicamente Expostas (PEPs), que é como se denominam os cargos públicos suscetíveis de lavar dinheiro. A construtora ordenava transferências ao BPA de seu banco em Antígua e Barbuda. Depois, o dinheiro no BPA era transferido através de movimentações internas –alheias aos registros– até as contas dos beneficiários.

P. Quanto a empresa gastava por ano em propina?

R. Cerca de 960 milhões de reais. Era movimentado em dinheiro por meio de contas em paraísos fiscais e transferências internacionais. A construtora, por segurança, nunca pagava nos países de origem do beneficiário. E usava o Meinl Bank para enviar fundos a Pessoas Politicamente Expostas (PEP). Assim se fez chegar dinheiro a Michelle Lasso, uma pessoa próxima ao presidente do Panamá, Juan Carlos Varela.

P. Quem idealizou o esquema de lavagem de dinheiro? Quem era o cérebro?

R. Não há um cérebro. Há um banco como cérebro: o Meinl Bank de Antígua e Barbuda. O funcionário do Departamento de Operações Estruturadas (o escritório que distribuía os subornos), Luiz Eduardo da Rocha Soares, idealizou o sistema. Ele foi também o responsável pela compra do Meinl Bank. Havia dois diretores da construtora que eram acionistas dessa entidade em Antígua e Barbuda sem que a empresa soubesse, o próprio Rocha Soares e Fernando Migliaccio.

P. Quantas empresas a Odebrecht manejava em paraísos fiscais?

Os números da Colômbia reconhecidos pela empresa são muito baixos. Não acredito

R. Mais de uma centena. Eu cheguei à construtora em 2011. Mas a estrutura já existia desde 2006.

P. O presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, foi condenado a 19 anos de prisão. Junto com ele, 77 executivos da empresa colaboraram com o Ministério Público do Brasil em troca da redução de suas penas. A Odebrecht admitiu o pagamento de 2,5 bilhões de reais em subornos. Esse número está correto?

R. Não. Um ex-diretor do Meinl Bank declarou que essa instituição movimentou 8,15 bilhões de reais. E esse banco trabalhava exclusivamente para a Odebrecht. Não tinha clientes normais.

P. Por que a Odebrecht aceitou um acordo que implicava a admissão de culpa?

R. Porque havia muita pressão por parte dos funcionários. Se os diretores não tivessem feito o acordo, os trabalhadores o teriam feito individualmente. E a empresa não teria controlado o processo.

P. Foram pagos subornos em espécie?

R. Sim. Em 2014 a Odebrecht tentou dar um avião ao ex-presidente Panamá, Ricardo Martinelli. O político recusou. A empreiteira queria agradar Martinelli e o candidato do seu partido (o governista Mudança Democrática), que disputava as eleições gerais de 2014, José Domingo Arias, o Mimito.

A Odebrecht também organizava festas. E mandava mulheres do Brasil para festas com políticos no Panamá e na República Dominicana. Era a maneira de a empreiteira manifestar sua gratidão. Mas isso também se tornou uma chantagem…

P. Eram feitas fotos nessas festas?

R. Sim. E eram guardadas. O executivo da Odebrecht no Panamá, André Rabello, sabia como usar essas fotos. Rabello também lidava com informações sobre as esposas e as relações extraconjugais dos políticos panamenhos. A empreiteira dava presentes às esposas destes. Participei de uma reunião na qual Rabello disse que tinha a confirmação do presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, de que o país não iria responder às solicitações da Justiça do Brasil [sobre o caso Odebrecht].

P. A Odebrecht sabia que as esposas e as amantes dos políticos recebiam subornos?

R. Sim. A empreiteira resolvia a vida financeira das esposas dos políticos. Especialmente a das ex-mulheres.

P. No Brasil, a Odebrecht admitiu o pagamento de 1,12 bilhões de reais em subornos para obter contratos de obras no valor de 1,6 bilhões durante as presidências de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff…

R. O montante foi muito maior. A empresa gastava 481 milhões de reais por ano em propina. O pagamento era feito em espécie ou por meio de transferências. Até o porteiro recebia. Os subornos respingaram em todos os partidos. De direita, de esquerda… Do Governo, da oposição… E não há somente políticos entre os beneficiários… A empresa apostava. Por exemplo, na disputa entre Lula e Dilma, a Odebrecht preferiu Lula.

P. A empresa confirmou que na Colômbia pagou 37 milhões de reais em subornos para conseguir contratos no valor de 159 milhões entre 2009 e 2014. O montante está correto?

R. Não conheço em profundidade o caso da Colômbia, como tampouco tenho detalhes da situação na Argentina, Peru, Venezuela ou Guatemala. Mas os números da Colômbia reconhecidos pela empresa são muito baixos. Não acredito que a Odebrecht tivesse uma estrutura no país por causa de apenas 159 milhões de reais.

P. E no Equador, a empreiteira admitiu ter destinado 107 milhões de reais para propina ilegais para obter contratos no valor de 370 milhões durante o mandato do presidente Rafael Correa (2007-2017). Quais políticos equatorianos estão envolvidos?

R. Acabo de responder na Espanha a uma comissão rogatória –pedido de auxílio judicial entre Estados– do Equador. Informei que o ex-ministro de Eletricidade do Governo de Rafael Correa, Alecksey Mosquera, que foi preso pelo caso Odebrecht, recebeu uma comissão de 3,22 milhões de reais por meio da Banca Privada de Andorra (BPA), onde teve uma conta. Desconheço porque Mosquera recebeu essa comissão.

P. O que nos pode dizer sobre o México?

R. Que a Odebrecht acreditava que o presidente do México seria o ex-diretor geral da companhia petrolífera estatal Petróleos Mexicanos (Pemex), Emilio Lozoya Austin. E gostava da ideia. A empreiteira tinha muito interesse em Lozoya.

P. A Odebrecht admitiu que pagou 189 milhões de reais em subornos a funcionários do Governo no Panamá entre 2010 e 2014, o número está correto?

R. A quantia é maior. A empresa arcou com as despesas dos principais candidatos às eleições gerais panamenhas de 2014: o situacionista José Domingo Arias e seu adversário, o atual presidente Juan Carlos Varela. Apostou nos dois. A empreiteira também pagou 3,7 milhões de reais a dois fornecedores de uma empresa de rum de propriedade de Varela. O pagamento foi feito através de uma conta no HSBC em Hong Kong. Quando Varela era vice-presidente (2009-2014), foi enviado dinheiro a Michelle Lasso, uma pessoa ligada ao político que tinha uma conta no banco da Odebrecht em Antígua e Barbuda. A empreiteira ficou assustada porque Lasso teve um problema de negócios nos EUA e temia que fosse investigada.

P. A empreiteira reconheceu o pagamento de 296 milhões de reais em comissões ilegais na República Dominicana, onde conseguiu contratos no valor de 526 milhões. Quem se beneficiou desses subornos?

R. A Odebrecht tinha uma relação muito próxima com o presidente da República Dominicana, Danilo Medina. E recomendou a Medina o publicitário João Santana. Além disso, Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira, decidiu mudar o departamento de Operações Estruturadas (o escritório que pagava os subornos) de São Paulo para Santo Domingo em 2015. O objetivo era ter maior controle contra possíveis operações policiais e investigações.

P. O senhor já recebeu ameaças nos EUA ou na Espanha?

R. Sim, por telefone e pelas redes sociais. Exigiam que me calasse. Minha mãe também foi ameaçada. Denunciei essa situação às autoridades da Espanha e dos EUA. [Tacla mostra uma mensagem de WhatsApp da mãe com o seguinte: texto: “Filho, estou sendo ameaçada por telefone. Eles dizem que te amarraram. Que é um assalto. Que querem joias, dinheiro para te libertar... São três horas da manhã..."].

P. O senhor acredita que altos funcionários e governantes da América Latina temem sua confissão?

R. Sem dúvida. Meu depoimento pode afetar muita gente poderosa no mundo.
“Nunca paguei políticos”

Rodrigo Tacla enfrenta a acusação de ter lavado mais de 44 milhões de reais em cinco anos para a Odebrecht. De acordo com dois diretores da empresa brasileira UTC, envolvida no chamado caso Petrobras, o advogado criou uma constelação de empresas para lavar os fundos da construtora que acabavam em subornos.

Tacla diz que pode esclarecer até o último centavo de seu patrimônio. E, como exemplo, indica que está colaborando com as autoridades suíças para justificar suas contas naquele país. Acrescenta que seu principal depósito, 48 milhões de reais em uma empresa de Cingapura, é produto da venda de uma empresa de telefonia. E diz que recebeu da Odebrecht, em seis anos, 28 milhões de reais pelos seus serviços como advogado.

P. Qual o papel que desempenharam suas nove empresas no pagamento de comissões?

R. Nenhum. Nunca paguei a políticos. Jamais

P. Uma de suas empresas na Espanha, Vivosant, recebeu em 2010 um total de 37 milhões de reais de uma empresa ligada à Odebrecht através do banco Pictet de Cingapura. O que tem a dizer sobre isso?

R. É falso. Essa quantia corresponde à venda de uma empresa de telefonia. Já apresentei os detalhes do pagamento para a Promotoria Anticorrupção espanhola.

P. A empresa assegura que você foi contratado para uma missão: evadir capitais.

R. A Odebrecht diz que eu me dedicava a transformar fundos em dinheiro. Nunca retirei dinheiro em espécie.

jul
27

OUI,SALVADOR!!!

NA COPA DO MUNDO NÃO DEU!!! NA OLIMPÍADA TAMBÉM NÃO!!!

SERÁ QUE AGORA SAI?

A CONFERIR.

BOA NOITE MUSICAL PARA VOCÊ ,SALVADOR!!!
(Gilson Nogueira e Vitor Hugo Soares)

DO EL PAÍS

Regiane Oliveira
São Paulo

A Polícia Federal (PF) prendeu na manhã desta quinta-feira em Sorocaba, interior de São Paulo, Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras. Bendine é suspeito de prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro e foi preso durante a 42ª fase da Operação Lava Jato. Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior e o publicitário André Gustavo Vieira da Silva também foram detidos no Recife (PE). Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária no Distrito Federal e nos Estados de Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.

Esta fase da Lava Jato foi batizada de Cobra em uma referência ao codinome dado a Bendine nas tabelas de pagamentos de propinas apreendidas no chamado Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht, descobertas durante a 23ª fase da Operação Lava Jato.

Desde que começaram as delações de executivos da Odebrecht, Bendine está no radar da PF. O delator Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental, contou que a empresa vinha sendo achacada por Bendine, desde a época em que ele era presidente do Banco do Brasil. O executivo estaria contrariado porque Marcelo Odebrecht tratava apenas com Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda) durante o Governo Dilma Rousseff, pois queria ter acesso às benesses do caixa da empreiteira.

Segundo o empresário Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, para facilitar a rolagem de uma dívida da Odebrecht Agroindustrial, Bendine teria pedido 17 milhões de reais em propina. Mas a empresa considerou que ele não tinha poder para decidir de forma ativa no contrato de financiamento do Banco do Brasil e negou o pedido.

A situação mudou quando Bendine foi alçado por Dilma à presidência da Petrobras, após a renúncia de Graça Foster, no início de 2015, uma vez que o grupo tinha relações profundas com a petroleira. De acordo com a PF, Bendine utilizava o nome da ex-presidente Dilma para tentar se aproximar dos empreiteiros. No entanto, não há indícios de que ela esteja envolvida com os crimes do executivo.

Os delatores afirmaram que Bendine e seus operadores financeiros pediram 3 milhões de reais pra não prejudicar as relações entre a Petrobras e a Odebrecht. Os valores seriam pagos em três parcelas. E de acordo com a PF, aparentemente, estes pagamentos somente foram interrompidos com a prisão de então presidente da construtora. Bendine renunciou a presidência da estatal em maio de 2016, após uma sucessão de escândalos que envolvia a Petrobras e em meio a um cenário em que a empresa apresentava um dos maiores prejuízos da empresa na história.

Bendine e os demais detidos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba onde permanecerão à disposição do juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba. A reportagem ainda não conseguiu contato com os advogados do executivo para comentar sua prisão.

CRÔNICA

Uruguai: do espanto ao encantamento

Maria Aparecida Torneros

Eu acabava de chegar. O Uruguay é cativante. No meu caso tive provas. Um cidadão de bem me salvou.

Tinha sido assaltada por um jovem adolescente desarmado que me derrubou numa praça e saiu correndo com minha bolsa de estampa de oncinha. Tudo meu estava ali. Passaporte e dinheiro.

Fiquei gritando por socorro e o jovem delinquente sumiu numa rua próxima.

Um transeunte me indicou a delegacia de Polícia pra onde fui com minha amiga. Lá chegando, minutos depois, entrou um outro jovem carregando minha bolsa. Seu nome, Gustavo, motorista de uma empresa que passava com o carro e viu o assalto. Seguiu o meliante e conseguiu reaver meus pertences. Pediu que eu conferisse. Tudo em ordem.

A explicação que me deu foi que eu era muito parecida com sua mãe. Salvou minha viagem no início da tarde do meu primeiro dia de visita ao Uruguay.

Agradeci mas ele não aceitou recompensa. Povo hospitaleiro e solidário.

Segundo os policiais, na pracinha estavam reunidos bandos de drogaditos. Acredito que a nova política para consumidores de drogas possa diminuir e concorra pra minimizar a criminalidade.

Felizmente tudo se resolveu e eu pude desfrutar outros dias muito felizes naquele país.

Conheci a colônia de Sacramento e fui também a Punta del Leste. Passeei por Montevideo seus monumentos e fiz a visita guiada no Teatro Solis.

Assisti ao show de tango uruguaio e conheci o curioso museu do Carnaval.
Desfrutei do encantamento da Casa Pueblo do artista Villaró.

Apreciei peculiaridades de um país organizado e de boa qualidade de vida.
O incidente no início da minha estada não diminuiu o brilho da passagem por aquelas terras acolhedoras, em dias de um agosto gelado em 2010.

Virei fã do Uruguai. Vizinhos irmãos do Brasil.

Cida Torneros é jornalista, poeta e escritora. Mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Cida

Simplesmente sensacional: música, letra e interpretação!

Viva Os Cariocas!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)