Um cliente que pediu. Não sei quem é, algum advogado do Brasil.”
Antonio Carlos Atella, na entrevista à Folha de S. Paulo do contador que se valeu de uma procuração fraudada para ter acesso às declarações de Imposto de Renda de Verônica Serra, filha do candidato a presidente José Serra (PSDB).
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Na manhã desta quinta-feira o editor deste site blog estará voando rumo a Belém do Pará, com rápida escala em Brasília. De onde der e tiver notícia ou coisa interessante para dizer retomo o contato. Não faço muita questão de ver Jader Barbalho no Ver-o-Peso ou em qualquer outro lugar, mas se Fafá aparecer na despedida de solteiro ou na boda de Tiago, sábado que vem, contarei tudo. Se avistar alguma queimada na selva amazônica também avisarei.
Boa noite, um abraço e até mais. Fiquem com Sarah Vaugham e todos estarão em boa companhia.
(Vitor Hugo Soares)
Receita sob suspeita

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“Bem, desta vez não é como no Mensalão, que o presidente “não sabia”. A coisa é pior. Desta vez ele ainda não sabe”, escreve o jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo desta quinta-feira na Tribuna, sobre o escândalo da violação de sigilo na Receita Federal de pelo menos cinco pessoas ligadas ao candidato do PSDB à presidência da República, José Serra. Bahia em Pauta reproduz o texto.
(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA
Ele ainda não sabe
Ivan de Carvalho
“Eu não sabia”. Esta foi a frase que entrou para a história do Brasil na qualidade de conjunto da defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no escandaloso caso do Mensalão. Com esta única frase e a condescendência de grande parte das oposições – especialmente o PSDB – o presidente, ainda no seu primeiro mandato, conseguiu amortecer a disposição acusatória do Senado e passar à nação a idéia de que ele estava completamente alheio ao rio de lama que nascia sob o Palácio do Planalto e desaguava na Câmara dos Deputados.
“Eu não sabia” era uma frase que indicava passado. Uma vez que o Mensalão foi denunciado pelo presidente nacional do PTB, o então deputado governista Roberto Jefferson, o presidente da República passou a saber. Alegou, em sua defesa, que até esse momento – momento em que Jefferson disse a ele em audiência, antes mesmo de dar uma entrevista que detonou o escândalo – não sabia de nada.
Mas não chegou a dizer que continuava sem saber, embora haja continuado sem agir para investigar e afastar do governo e seu entorno os envolvidos. O procurador geral da República apresentou denúncia ao Supremo Tribunal Federal, na qual qualificava o ministro-chefe da Casa Civil na época que estourou o escândalo do Mensalão de “chefe da quadrilha”. No STF, o ministro Joaquim Barbosa (aliás, escolhido e nomeado por Lula) aceitou a denúncia.
No entanto, José Dirceu demorou a perder, se é que algum dia perdeu (o presidente Lula pode esclarecer isso, inclusive com a alegação de que Dirceu ainda não foi julgado e, por presunção, portanto, é inocente) a confiança do presidente da República. Assim é que permaneceu, durante o escândalo, bastante tempo no importante cargo de ministro-chefe da Casa Civil, um cargo que, pelo poder que tem, daria ao seu titular, caso este quisesse, condições efetivas de embaraçar as investigações, pelo menos no nível policial, já que a Polícia Federal é órgão do Poder Executivo.
Agora, estoura um outro grande escândalo na República. O tema é o sigilo fiscal. O escândalo dos Aloprados (esse apelido quem botou foi o próprio presidente Lula, um apelido que esconde boa parte da gravidade do caso, fazendo-o parecer coisa de gente apenas sem juízo e não de criminosos de alto nível) foi algo minúsculo quando comparado ao caso de agora.
O Poder Executivo federal, por intermédio de um órgão importante que o integra, a Receita Federal, violou o sigilo de pelo menos cinco pessoas ligadas ao candidato a presidente do PSDB, principal partido de oposição no país, incluindo o sigilo do vice-presidente deste partido, Eduardo Jorge. Violou também – é a descoberta mais recente – o sigilo fiscal de uma filha do candidato José Serra, com a utilização, para isto, de um procuração falsa, com assinatura falsa, obviamente, e sem firma reconhecida e com reconhecimento falsificado de firma.
E diante desta agressão ao estado de direito e à Constituição, que assegura e garante, em suas cláusulas pétreas, o direito à privacidade, como também garante o sigilo fiscal (assim como o sigilo telefônico e o sigilo da correspondência), o que diz o presidente Lula?
Ele diz que considera a Receita Federal confiável (sic) e, ante a insistência de repórteres que argumentaram com a quebra de sigilo fiscal, disse: “Primeiro, vamos ver se houve mesmo queda”. Quis dizer, quebra.
Bem, desta vez não é como no Mensalão, que o presidente “não sabia”. A coisa é pior. Desta vez ele ainda não sabe, ao contrário de todo mundo e da própria Receita Federal, que confessa o crime.
Fidel: “momentos de injustiça”

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O ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, pediu desculpa pelo comportamento homofóbico do regime comunista, que há meio século enviou centenas de homossexuais para campos de trabalho forçado sob a acusação de serem contra-revolucionários. “Foram momentos de grande injustiça, e se alguém é responsável, sou eu”, confessou Fidel, numa entrevista ao jornal mexicano La Jornada. “Foram momentos de grande injustiça, e se alguém é responsável, sou eu”, confessou Fidel (Reuters/Cuba TV)
Pela primeira vez, Fidel admitiu que, tal como as mulheres e os negros, os homossexuais foram marginalizados e perseguidos pelas autoridades, depois da revolução de 1959. Durante as décadas de 60 e 70, centenas de pessoas foram despedidas, forçadas ao exílio e enviadas para campos de reeducação – as chamadas Unidades Militares de Ajuda à Produção – por causa da sua orientação sexual.
“Nesses tempos, não me podia ocupar desse assunto. Tínhamos tantos problemas de vida ou de morte que não prestámos atenção”, justificou o antigo guerrilheiro, acrescentando que depois da revolução estava mais preocupado com “a guerra com os ianques” e os “planos de atentado contra a minha pessoa” do que com a repressão dos homossexuais.
Passados mais de 50 anos, Fidel disse que “queria delimitar a sua responsabilidade” na discriminação sofrida pelos gays, “até porque pessoalmente não tenho esse tipo de preconceito”, esclareceu. No entanto, e como revelou uma pesquisa nos arquivos dos discursos do “Comandante”, Castro usou várias vezes palavras depreciativas para referir-se aos homossexuais. “A nossa sociedade não pode dar cabimento a essas degenerações”, declarou em 1963.
Outra vez, Fidel especulou sobre as origens da homossexualidade: “Eu, que não sou cientista, sempre observei uma coisa: o campo não gera esse subproduto. Estou convencido de que esse problema tem tudo a ver com um ambiente de indolência”.
A homossexualidade foi descriminalizada em Cuba em 1979, mas, segundo denunciou a confederação espanhola LGBT Colegas, a homofobia ainda está latente naquele país. “A polícia ainda reprime duramente os homossexuais nos seus lugares de encontro, como parques, praias, cinemas ou festas, e continua a encarcerá-los. E também persegue as organizações e activistas independentes, como a Fundação Reinaldo Arenas, que não é controlada pelo Cenesex”, acusou o porta-voz da Colegas, Paco Ramírez, referindo-se ao Centro Nacional de Educação Sexual, dirigido pela filha do Presidente Raul Castro.
De acordo com números coligidos por aquela fundação, mais de 5000 jovens gays cubanos foram detidos ou multados pela polícia e cerca de 600 homossexuais soropositivos foram condenados à prisão por “perigo social”.
DEU NA FOLHA/OPINIÃO
RUY CASTRO
Velha magia
RIO DE JANEIRO – Ex-funcionários e leitores do “Jornal do Brasil” encontraram-se ontem na Cinelândia para lamentar o fim da versão impressa do jornal, que circulou pela última vez depois de 119 anos. Por motivo de viagem, não compareci. Melhor assim. Quando o “Correio da Manhã” se despediu, em junho de 1974, eu estava também a alguns milhares de quilômetros.
O “JB” se junta agora ao “Correio” e aos outros jornais do Rio que contaram a história do Brasil em boa parte do século 20, mas que há muito desapareceram das bancas: “Diário de Notícias”, “O Jornal”, “Diário da Noite”, “A Noite”, “Diário Carioca”, “A Luta Democrática”, “A Notícia”, “Gazeta de Notícias”, “O Radical”, “Última Hora” e “Tribuna da Imprensa”. Quase todos fecharam nos anos 60. Daquela geração restam apenas “O Globo”, “O Dia”, o “Jornal dos Sports” e o “Jornal do Commercio”.
O problema não é só do Rio, mas do mercado em geral. Concretamente, 90% dos jornais que circulavam em Nova York, Paris ou São Paulo até meados daquela década também deixaram de existir, e muito antes que alguém sonhasse com a internet. Mas, em vez de invocar uma suposta doença crônica, a pergunta deveria ser: por que, diante da mesma crise, outros jornais sobreviveram?
Algumas respostas seriam: seus administradores acertaram mais do que erraram, tiveram capacidade de renovação e foram criativos diante da concorrência, inclusive a das outras mídias. O “Jornal do Brasil” tem sido algoz e vítima de si mesmo há pelo menos 30 anos.
A edição de ontem minimizou o fato de ter sido a última em papel. Preferiu enfatizar que a de hoje será a sua primeira 100% digital e que, em 25 anos, todos os outros jornais o terão acompanhado. Pode ser. Mas algo da velha magia de ler jornal vai se quebrar. Teremos de levar o laptop para a mesa do café da manhã e, pior, para o banheiro?
Michael Douglas na TV: confiança/Público

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Na sua primeira entrevista desde que lhe foi diagnosticado o câncer na garganta, em Abril, o ator Michael Douglas, de 65 anos, garantiu que está optimista em vencer a doença e que conta para isso com o apoio incondicional da família.
Michael, que está atualmente promovendo o filme “Wall Street”, revelou que há cerca de uma semana começou a submeter-se a um intensivo tratamento de quimioterapia. Segundo o ator, o tumor foi descoberto após regressar de umas férias com a mulher, a também atriz Catherine Zeta-Jones.
(Informações do jornal Público, de Lisboa)
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BOM DIA E BOM SETEMBRO PARA TODOS
(vhs)
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OPINIÃO POLÍTICA
Bahia e segundo turno
Ivan de Carvalho
Quando as candidaturas principais a governador foram postas, na Bahia havia no meio político uma certeza: o segundo turno seria inevitáve. A esta altura da campanha eleitoral, a um mês e dois dias da votação, há dúvidas.
É este o tema do artigo do jornalista político Ivan de Carvalho esta quarta-feira, na Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)
Podíamos escolher qualquer dos três principais institutos de pesquisa de opinião pública que lidam com pesquisas eleitorais para servir de parâmetro desse comentário. Datafolha, Ibope, Vox Populi, qualquer um serviria, especialmente porque uns estão praticamente confirmando os outros, após um período em que as disparidades nos resultados foram flagrantes e até incompreensíveis, evidenciando que alguém estava errando feio, ainda que isso não garantisse que alguém estivesse acertando com precisão.
Mas de algum tempo para cá os resultados de pesquisas dos diversos institutos são convergentes, razão de merecerem mais credibilidade do que antes. As diferenças existentes ainda devem ser atribuídas aos períodos exatos em que a coleta de dados é realizada e, quem sabe, aos lugares em que os pesquisadores de campo colhem esses dados.
Li em algum lugar que, ao contrário do que determina a lei, institutos de pesquisa não estão informando (deixaram de informar, como antes faziam) à Justiça Eleitoral os locais (cidades, municípios) em que estão coletando seus dados. Seria bom que eles expliquem porque não cumprem a lei, neste particular – e que alguém os obrigue a cumprir.
Vamos optar, desta vez, pela última pesquisa Vox Populi (sob encomenda do jornal A Tarde), divulgada no dia 29. Atribui ao governador e candidato à reeleição Jaques Wagner, do PT, 46 por cento das intenções de voto (na modalidade de respostas estimuladas), enquanto o candidato democrata, o ex-governador Paulo Souto, aparece com 17 por cento e o deputado e ex-ministro Geddel Vieira Lima, com 11 por cento. A coligação governista, ante números assim, passou a transmitir uma espécie de quase certeza de que Wagner será eleito em 3 de outubro, dispensando assim o segundo turno.
Quando as candidaturas principais a governador foram postas, havia no meio político uma certeza: o segundo turno seria inevitável. Agora, ante a evolução dos resultados das pesquisas, busca o governismo estadual chegar ao extremo oposto, à certeza de que a eleição será encerrada no primeiro turno, que passaria, assim a ser turno único.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Não há dúvida de que a posição político-eleitoral do governador Jaques Wagner, no momento, é muito boa e permite sonhar que a vitória no primeiro turno venha a se tornar uma realidade. Mas sonho é sonho, pode ser premonitório ou mera fantasia e frequentemente só é possível saber qual das duas hipóteses era a verdadeira quando o futuro se torna passado.
É o que, salvo melhor juízo, temos no momento no quadro eleitoral baiano. Note-se que somadas as intenções de voto em Paulo Souto e Geddel Vieira Lima, tem-se um total de 28 por cento, com o que Wagner livra uma frente de 18 pontos percentuais. Muito bom para ele. Mas, além de eventual erro dentro da margem de erro da pesquisa e da conquista, afinal, de ponto ou pontos pela soma dos demais candidatos (Luiz Bassuma, do PV, e outros), o principal é que ainda faltam 30 dias de campanha eleitoral. O segundo turno não é mais uma certeza, óbviamente, mas é uma possibilidade que só políticos ou jornalistas negligentes descartariam. Vai depender, e muito, do comportamento de Souto, Geddel e, talvez, Bassuma, neste último mês de campanha.
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Leal: um exemplo

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“Chegue mais, setembro, sem as implosões de agosto!”, diz Gilson Nogueira no e-mail de envio da bela marcha rancho garimpada por ele para recepcionar no Bahia em Pauta o mês que acaba de chegar.
Belíssima escolha e o BP aproveita o embalo para dedica-la também a um amigo e referência mais que especial deste site blog: o médico e ex-deputado Luiz Leal, que completa 84 anos neste 1 de setembro de 2010. Firme e resistente, sua voz sempre se fez presente nos momentos cruciais da política baiana e nacional, implacável com os ditadores de plantão em Brasília e seus delegados na Bahia , sempre ao lado causa das liberdades democráticas.
Médico de família dos mais conceituados em Salvador, vereador, deputado, superintendente do antigo INAMPS, secretário municipal, no governo Lídice da Mata, cassado pelo regime militar, LUIZ LEAL deveria servir de espelho para os políticos atuais….
Além disso, teve sucesso também como desportista: presidiu o Leônico, montando a equipe que se consagraria campeã Baiana em 1966, lembra Luisito, seu neto e tão admirador do avô quant o o irmão, reporter Claudio Leal, do Terra Magazine, colaborador do Bahia em Pauta.
Opinião em Pessoa , é modelo também para este BP.
Parabéns e longa vida para Leal!
(Vitor Hugo Soares)

Geddel Vieira Lima (PMDB) e Dilma Rousseff, em visita ao Rio São Francisco, em 2009. Candidato ao governo, peemedebista enfrenta infidelidade de prefeitos que apoiam Jaques Wagner (PT)
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DEU NO TERRA MAGAZINE (ELEIÇÕES 2010)
Claudio Leal
Briga rural na sucessão baiana. O prefeito de São Gonçalo dos Campos (BA), Antonio Dessa Cardozo (PMDB), conhecido como “Furão”, registrou queixa, na 1ª Coordenadoria de Polícia de Feira de Santana, contra um grupo que invadiu seu sítio e ameaçou sua família. À frente dos meganhas, afirma Furão, estava um homem que se identificou como Fernando Vieira Lima, tio do ex-ministro Geddel Vieira Lima.
O prefeito são-gonçalense se filiou ao PMDB em 2007, a pedido do governador eleito Jaques Wagner (PT), após a derrota do grupo de Antonio Carlos Magalhães no Estado. Na época, Wagner e Geddel eram aliados e trocavam declarações carinhosas. Nada semelhante à inimizade de ambos na campanha baiana de 2010. Furão decidiu apoiar o petista, atitude que fere uma resolução do PMDB, cujo candidato é Geddel.
Agora, um pedaço da história relatada ao delegado da Polícia Civil, Fábio Lordelo. Na hora do almoço, Furão se reunia com a família na varanda, à espera dos pratos. Ouviu um barulho no portão do quintal. A voz masculina chamava uma das empregadas e interpelava a babá: “Lembra que, no mês passado, eu estive aqui e entreguei uma caixa de propaganda de Geddel Vieira Lima?”.
“Na segunda vez, ele perguntou com um tom mais arrogante”, descreve o líder municipal. Um dos quatro homens estaria filmando a invasão com um celular. “Parem, estou em minha casa!”, gritou.
“Tentou me agredir com um murro e fez menção de puxar uma arma. Não vi se estava armado. Continuamos a discussão”. Placas de candidatos, fincadas no sítio, foram inspecionadas. Havia propaganda da deputada federal Tonha Magalhães (PR), da base de Geddel.
Furão começou a furar a barreira de ombros, para expulsar os cabos eleitorais peemedebistas. “Não precisa disso! Porque se Lúcio (presidente do PMDB) e Geddel souberem…”, insinuaram. O prefeito gritou: “Que Lúcio e Geddel vão tomar no meio do rabo!”. Segundo Furão, Fernando Vieira Lima revidou: “Geddel e Lúcio vão saber disso e vão foder com você, prefeito!”. Saíram numa camionete Mitsubishi branca, com a placa encoberta por um plástico preto.
Sem mais, a versão de Lúcio Vieira Lima – presidente do PMDB da Bahia, irmão de Geddel e sobrinho de Fernando. O prefeito de São Gonçalo dos Campos enviou sete faxes cobrando propagandas do candidato ao governo (sim, Furão apoia Wagner). Na manhã desta terça-feira, 31, enviou o oitavo fax e um e-mail.
“Tenho tudo documentado. Ele pediu o envio do material. O que fazer? Hoje, saiu um carro pra entregar propaganda em diversos municípios. Não teve nada”, relata Lúcio a Terra Magazine, depois de conversar com o tio. Segundo os estafetas, o prefeito clamou por mais santinhos de Geddel: “Traz mais uns 30 mil!”.
Geddel havia denunciado irregularidades de Furão antes da entrada do são-gonçalense ao PMDB. Optaram pelas pazes com a ajuda de Jaques Wagner. “Estou no meio de uma briga de gigantes e eu sou um pequeninho da política. Tenho que agir dentro da lei pra me proteger”, diz o alcaide.
Peemedebistas avaliam, nos bastidores, que o prefeito deseja se precaver contra um eventual processo de expulsão. “É expressamernte vedado o apoio, ainda que indireto, a candidato nas eleições de 2010 que não seja integrante dos seguintes partidos coligados: PMDB, PR, PSC, PTB, PPS, PMN, PRB, PRTB, PSDC, PTC, PTdoB e PTN”, diz a resolução partidária, alcunhada de “AI-15″ pelos adversários petistas, em referência ao número da legenda.
“Estou indignado com isso. Lutamos pela fidelidade partidária”, desabafa Lúcio. “Ainda hoje ele enviou um e-mail, às 10h52, dirigido a mim e Geddel”. Breve pausa para a íntegra da mensagem:
“São Gonçalo dos Campos/BA, 31 de agosto de 2010.
A SUA SENHORIA O SENHOR
DR. LÚCIO VIEIRA LIMA
M.D. PRESIDENTE ESTADUAL DO PMDB
Assunto: CONVITE
“Senhor Presidente,
Ao cumprimentá-lo cordialmente, venho por meio do presente, convidar Vossa Senhoria e o Sr. GEDDEL VIEIRA LIMA, Candidato a Governo deste Partido, para a 8ª CAVALGADA DO GRUPO NOVA ESPERANÇA, neste Municipio de São Gonçalo dos Campos, a realizar-se no dia 12 de setembro de 2010, com a seguinte programação:
Missa na Igreja Matriz: 10hs
Saída da Cavalgada: 11hs
Show com Cantor FLÁVIO JOSÉ: 18hs
Sua presença é indispensável para abrilhantar esse tradicional evento.
ANTONIO DESSA CARDOZO
PRESIDENTE”.
É isso. Uma cavalgada.
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