A exposição das entranhas do maior escândalo de corrupção da história não serviu para a adoção de nenhuma mudança legislativa capaz de reduzir os incentivos para desvios de recursos públicos para bolsos privados. Muito pelo contrário”

Deltan Dallagnol, procurador chefe da força-tarefa da Lava Jato, sobre a maior e mais efetiva operação de combate à corrupção no País, e a atuação de parlamentar no Congresso,  em postagem nesta segunda-feira no Twitter.

Documentário de Petra Costa, que estreou no Netflix, traz um retrato para além do impeachment. E já nasce incompleto porque o equilíbrio ainda é distante

Primeira posse de Dilma Rousseff, que recebe a faixa de Lula ao lado do vice, Michel Temer.
Primeira posse de Dilma Rousseff, que recebe a faixa de Lula ao lado do vice, Michel Temer.Reprodução

31 de agosto de 2016. Dilma Rousseff desce pelo tapete vermelho do Palácio da Alvorada, sua residência oficial, cercada por um séquito de apoiadores. Estava preparada para fazer seu último discurso público como mandatária do Brasil. Chegava ao fim, dois anos antes da hora prevista, a presidência da primeira mulher eleita pelo país. Era o ato final de um período de turbulência que se arrastava havia anos. E também a despedida do Partido dos Trabalhadores (PT) do poder, lugar que a sigla de Luiz Inácio Lula da Silva ocupava havia 13 anos entre apoio apaixonado e rechaço fustigante de uma população dividida. Um poema de Maiakovski foi o desabafo final de Rousseff.

“Não estamos alegres, é certo,

Mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?

O mar da história é agitado

As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las,

Rompê-las ao meio,

Cortando-as como uma quilha corta as ondas

A metáfora do escritor russo também cabe ao reconto do Brasil recente feito por Petra Costa (Belo Horizonte, 35 anos). A jovem cineasta retraça em seu documentário Democracia em Vertigem o agitado mar dos últimos anos da pós-redemocratização brasileira, que culminou na eleição do ultradireitista Jair Bolsonaro, em outubro de 2018. Uma sequência de fatos, que organizados para além dos fragmentos dos jornais, tem todos os elementos que caberiam a uma boa ficção: vilões, mocinhos, traidores, as reviravoltas de uma trama bem amarrada. Um material que sustentaria, pra entusiasmo dos seriéfilos, muitas temporadas no Netflix, a plataforma que produziu e comporta o filme de Costa. Mas a realidade tem raízes muito mais profundas que o maniqueísmo da ficção. A história não se isola no tempo, mostra Costa.

As explicações do impeachment de Rousseff e da eleição de Bolsonaro necessitam de um mergulho mais profundo. Para antes até da vida da própria cineasta —Costa, que nasce neste novo Brasil em abrupta mudança, é também protagonista do filme, assim como havia feito com o premiado Elena—. Os porquês começam na transformação de um país que na década de 70 ainda lutava para deixar para trás uma ditadura militar sangrenta, enquanto alça à liderança política um metalúrgico sindicalista, Lula, que 30 anos mais tarde se tornaria presidente. Passam por recontar os acertos do PT na área social. E os graves —e criminosos— erros na relação do partido com o Congresso. Chegam na eleição de Rousseff, uma candidata por acaso: “Ê, presidente, o senhor inventou essa”, diz Dilma a Lula em imagem recolhida pelo filme, quando celebram a primeira vitória dela, em 2010. Mais à frente, uma Dilma humana desabafa sobre os tempos de poder, em uma das muitas entrevistas reveladoras captadas pela cineasta, desta vez com a ajuda da própria mãe, também ex-militante contra a ditadura: “Tem coisas que são dificílimas pra mim. O que acontece é que nunca mais se pode ser inteiramente anônima e ter a imensa liberdade que a gente tem quando está na clandestinidade”.

As explicações sobre os novos erros do PT com o Congresso e com as suas bases nas ruas surgem em uma ótima entrevista de balanço do ex-ministro Gilberto Carvalho. Aparece também a inabilidade econômica de Rousseff diante de mudanças no cenário global. Ressoam nas traições de personagens a essa altura já quase esquecidos, como Eduardo Cunha, o presidente da Câmara que autorizou o processo de impeachment e, meses depois, acabou preso por corrupção, e Michel Temer. Pelos protestos nas ruas, que começaram em 2013 e se prolongaram até 2016 sem que se entendesse muito bem os motivos iniciais, pelas investigações da Lava Jato (e suas operações por vezes questionáveis) com o protagonismo do então juiz Sergio Moro. É só aí que se chega ao impeachment. E a um Power Point desastrado que coloca Lula como chefe de um esquema de “propinocracia”. E, então, Lula é preso. E Aécio Neves, o líder da oposição, é flagrado em um telefonema revelador que vaza à imprensa.

É assim que o fenômeno Bolsonaro se forma. Com as vias livres, o capitão reformado chega ao poder, numa conciliação que atendeu a uma direita defensora da democracia e a extremistas que rogavam pela volta dos militares. A história é cíclica e, no Brasil dos últimos anos, bastante revolta. Mas, para além dos capítulos da história, o filme de Costa é o retrato de um país que se forjou sobre uma base mambembe, que nunca se reconstruiu. “Fundada no esquecimento”.

Nos filmes, porém, toda história precisa ter um fim e Democracia em Vertigem nasce incompleto. Não por culpa do trabalho delicado da cineasta, que foi ovacionada em festivais como o Sundance, mas porque os balanços que começaram agitar os brasileiros com os protestos de 2013 ainda prosseguem como o fio de um novelo infinito. No exato dia em que o filme chegou à Netflix, o ex-juiz Sergio Moro, que aceitou a vaga de ministro da Justiça de Bolsonaro, prestava esclarecimentos no Senado sobre mensagens privadas, fora do processo, que trocou com os procuradores da Lava Jato responsáveis por condenações como a de Lula. A vertigem, essa sensação de que tudo gira tão rápido que o organismo social não consegue acompanhar, permanece. O equilíbrio ainda parece distante.

“Saudade”, Nana Caymmi: Um samba canção que atravessa o tempo como modelo da pujança na arte de compor de seu Dorival, e parece sob medida para a grandiosidade da voz e da insuperável força interpretativa de Nana, a filha querida do autor e xodó de todos que amam e reconhecem  o que a música brasileira produziu e tem de melhor. Viva!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

Saudade
Dorival Caymmi

Saudade
Tudo acontece na vida
Tudo acontece a todos nós
Sempre uma dor, um ai de amor
E, de um infeliz, se ouve a voz
Sinto saudades, tristezas
Bem dentro de mim
Coisas passadas, já mortas
Que tiveram fim
Tenho meus olhos parados
Perdidos, distantes
Como se a vida lhe fora
O que era antes
Cartas, palavras, notícias
Não vêem sequer
E a certeza me diz
Que ela era o meu bem
O que dói profundamente
É saber que felizmente
A vida é aquilo que a gente não quer

set
17

Postado em 17-09-2019 00:33

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 17-09-2019 00:33

 Rodrigo Maia disse a O Antagonista que, pelo regimento da Câmara, não pode aceitar os pedidos de retirada de apoio à CPI das Mensagens Roubadas.

“Não posso. Eu não posso retirar assinaturas.”

O regimento diz que assinaturas não podem ser retiradas após o pedido ser apresentado.

Lembramos ao presidente que, no ano passado, ele não retirou assinaturas, mas também não instalou uma outra tentativa de CPI para atacar a Lava Jato, depois que vários deputados recuaram.

“Nada a ver uma coisa com a outra”, afirmou Maia.

set
17

Por Bárbara Muniz Vieira, G1 SP

Presidente Jair Bolsonaro chega ao Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, na tarde desta segunda-feira (16) — Foto: Reprodução/TV Globo Presidente Jair Bolsonaro chega ao Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, na tarde desta segunda-feira (16) — Foto: Reprodução/TV Globo

Presidente Jair Bolsonaro chega ao Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, na tarde desta segunda-feira (16) — Foto: Reprodução/TV Globo

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) teve alta na tarde desta segunda-feira (16), e deixou o Hospital Vila Nova Star, na Zona Sul de São Paulo, pouco antes das 15h. Ele seguiu para o Aeroporto de Congonhas para viajar para a Brasília, onde seguirá se recuperando.

Bolsonaro estava internado no hospital desde sábado (7) para uma cirurgia de correção de uma hérnia (saliência de tecido) surgida no local das intervenções anteriores.

 
Bolsonaro tem alta hospitalar e volta para Brasília

Bolsonaro tem alta hospitalar e volta para Brasília

A primeira previsão era que o presidente retomasse o cargo na sexta-feira passada. Depois, isso foi adiado para terça –na manhã desta segunda, Mourão, que assumiu interinamente a presidência com a licençade Bolsonaro,  havia dito que ficaria no cargo apenas até esta segunda.

A viagem do presidente para Nova York, onde ocorrerá assembleia-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), foi adiada em um dia: em vez de ocorrer em 22, será no dia 23.

Segundo o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, a mudança na data da viagem não altera a participação de Bolsonaro no evento.

 

Avião presidencial decola em São Paulo para Brasília na tarde desta segunda-feira (16) — Foto: Reprodução/TV Globo Avião presidencial decola em São Paulo para Brasília na tarde desta segunda-feira (16) — Foto: Reprodução/TV Globo

Avião presidencial decola em São Paulo para Brasília na tarde desta segunda-feira (16) — Foto: Reprodução/TV Globo

O ministro entrou no hospital na Vila Nova Conceição, Zona Sul de São Paulo, sem ser visto e não falou com a imprensa. Acompanhado da sua mulher, Rosângela Moro, visitou o presidente por cerca de 20 minutos e, depois, postou em seu Twitter uma foto ao lado de Bolsonaro e a primeira-dama, Michele Bolsonaro. “Visita ao sr. Presidente e à Sera. Primeira-dama. Conversa agradável. Presidente recupera-se muito bem. O homem é forte”, diz o post. Pouco depois, Bolsonaro postou a mesma foto em sua conta no Twitter, mas sem nenhuma legenda.

Nos últimos meses, a relação entre Moro e Bolsonaro passou por altos e baixos. No final de agosto, contrariando o que dizia nas eleições do ano passado sobre Moro ter carta branca para conduzir ações do Ministério, Bolsonaro disse, mais de uma vez, que ele é o presidente e que pode vetar “qualquer coisa” que o ministro fizer.

 

O ministro Sérgio Moro em visita ao presidente Bolsonaro no hospital — Foto: Reprodução/ Twitter O ministro Sérgio Moro em visita ao presidente Bolsonaro no hospital — Foto: Reprodução/ Twitter

O ministro Sérgio Moro em visita ao presidente Bolsonaro no hospital — Foto: Reprodução/ Twitter

Quarta cirurgia

Esta foi a quarta operação desde a facada sofrida por Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018. Desta vez, o objetivo era corrigir uma hérnia (saliência de tecido) surgida no local das intervenções anteriores.

A alta vai ocorrer após sessão de fisioterapia no hospital. “A alta aconteceu em função da melhora dos exames, do trânsito intestinal, da melhora como um todo”, disse no fim da manhã o médico Antônio Luiz Macedo. Segundo o cirurgião, no domingo o presidente caminhou 3 km pelo hospital.

Durante o período de recuperação, o presidente deverá “seguir as orientações médicas relacionadas a dieta e atividade física”, segundo o boletim médico. “A gente prefere que ele fique em repouso em casa e que não faça esforço físico nem esforço de falar demais”, disse Macedo.

Alimentação

A dieta pela veia foi suspensa no sábado (14). Agora, o presidente segue com alimentação cremosa. Segundo o médico, isso ocorre porque “ainda tem um pouco de gás no intestino delgado”. “A dieta cremosa tem calorias suficientes para sustentar. Cerca de duas mil calorias por dia”, disse.

A próxima etapa será a ingestão de alimentos pastosos. “Ele veio com melhora progressiva, foi aceitando a alimentação oral, foi uma evolução que se esperava e os cuidados devem se manter“, disse o porta-voz Barros.

 

Nesta sexta (20), a equipe médica do Hospital Vila Nova Star irá a outro centro médico da rede D’Or em Brasília para avaliar a recuperação do presidente. “Ele fará exame de sangue e imagem. Se estiver como eu gosto o abdômen, aí eu libero a dieta normal para ele na sexta”, disse o médico Macedo.

 

Bolsonaro faz live no hospital em SP — Foto: Reprodução/Facebook Bolsonaro faz live no hospital em SP — Foto: Reprodução/Facebook

Bolsonaro faz live no hospital em SP — Foto: Reprodução/Facebook

ONU

Segundo o porta-voz, está mantida a programação para a participação do presidente na Assembleia da ONU, em Nova York, no dia 24 de setembro. A viagem para a cidade norte-americana, que estava prevista para o dia 22, foi adiada para o 23.

Como de costume, o presidente brasileiro é quem faz o discurso de abertura da assembleia. Segundo Barros, o texto “está sendo promovido a várias mãos”. “O senhor presidente da República tem já entendido ou sinalizado quais são as ideias, quais são os tópicos frasais que devem ser abordados. Mas efetivamente o discurso só estará encerrado um pouco mais adiante quando o senhor presidente, junto com a sua equipe de assessoramento, debruçar-se-á sobre ele e definirá a finalização.”

Após o evento, Bolsonaro e sua comitiva devem seguir para o Texas, onde haverá “uma reunião com industriais, com empresários –alguns deles, inclusive, oficiais generais das Forças Armadas americanas–, e do Texas retornamos ao Brasil”, disse Barros. “Ele retorna no dia 25. O encurtamento é por recomendação médica.”

 

O porta-voz acrescentou que, no final de outubro, o presidente viajará para Japão, China e Oriente Médio pelo período de 10 dias.

set
17

Postado em 17-09-2019 00:21

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 17-09-2019 00:21

DO PORTAL TERRA
Francisco Carlos de Assis
 
 separatorO presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta segunda-feira, 16, que o pacote anticrime do ministro da Segurança, Sergio Moro, será votado nas próximas semanas. No entanto, de acordo com o deputado, o pacote não é definitivo na questão da solução dos problemas relacionados à segurança porque “não é uma reforma do sistema penitenciário global, mas são pontos que vão ajudar o trabalho da investigação seja do ponto de vista penal, seja do ponto de vista da corrupção”, disse.

Maia participou nesta segunda-feira, 16, de evento realizado em São Paulo, pelo Brasil de ideias

set
17

Postado em 17-09-2019 00:15

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 17-09-2019 00:15


 

S. Salvador, no

set
17

Postado em 17-09-2019 00:04

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 17-09-2019 00:04

 

Na TV, Jair Bolsonaro afirma que não haverá repasse imediato no preço dos combustíveis controlados pela estatal. Bombardeio é novo fator de instabilidade para setor, chamado de “11 de Setembro” do petróleo

 Heloísa Mendonça
  
Plataforma da Petrobras.
Plataforma da Petrobras. Petrobras/ABR

Os ataques realizados supostamente por drones na maior instalação de processamento de petróleo na Arábia Saudita, no sábado, fizeram os preços do petróleo dispararem quase 20% nesta segunda-feira, com o brent apresentando o maior ganho em uma sessão desde a Guerra do Golfo em 1991. A ação reivindicada pelo grupo rebelde houthis, do Iêmen, provocou um corte de mais da metade da produção de petróleo do reino saudita, maior exportador de petróleo do mundo, refletindo no aumento do valor da commodity, que fechou o dia em alta de 13%, a 68 dólares (278 reais) o barril. Os Estados Unidos, aliados dos sauditas, acusaram o Irã de estar por trás dos ataques à estatal Aramco, o que elevou a tensão entre os dois países. Os iranianos negam, no entanto, participação na ofensiva.

No Brasil, a forte alta do preço será uma prova de fogo para avaliar se a Petrobras poderá ou não manter a política adotada há alguns anos de alinhamento do preço dos combustíveis no mercado doméstico às oscilações internacionais. A primeira reação do Governo Bolsonaro foi de sinalizar, especialmente ao estratégico grupo dos caminhoneiros, que não haverá mudança imediata de preços. Nesta segunda-feira, em entrevista concedida ainda no hospital onde se recuperava de uma cirurgia, Jair Bolsonaro disse ao Jornal da Record que havia conversado com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e havia sido informado de que não haverá repasse imediato no preço dos combustíveis. Fontes ouvidas pela Bloomberg também relataram que a equipe econômica avaliou que os preços do petróleo ainda estão muito voláteis.

“Tudo irá depender de quanto tempo essa crise e o preço mais alto irão durar. Ainda que seja constatado posteriormente que os danos não foram tão grandes e que a produção saudita voltará a normalidade em pouco tempo, só o fato do risco de uma ação dessas acontecer de novo pode elevar o preço por mais tempo. Pode não ser algo tão passageiro”, explica o professor Maurício Canêdo, da FGV . “Aí, de fato, teremos um teste para ver se a política da Petrobras repassa o preço internacional para refinarias e, consequentemente, para os consumidores ou continua sujeita a pressões de grupos organizados e irá controlar os preços”, completa.

Em abril deste ano, durante um ciclo de aumento das cotações internacionais quando o barril chegou ao valor de 72 dólares, o Governo de Bolsonaro pediu que a Petrobras suspendesse o reajuste do preço do diesel, com medo de uma nova paralisação dos caminhoneiros que haviam começado a se articular. A intervenção foi criticada pelos agentes financeiros e fez a estatal perder 32 bilhões de reais de valor de mercado.

Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), concorda que, se o movimento de alta persistir, em condições normais, a Petrobras terá que repassar o novos preços. “Se a estatal não alterar os preços ela estará perdendo rentabilidade. Ainda estamos em um momento de aguardar o que vai acontecer, a Petrobras deve esperar alguns dias, mas caso ela demore 15 dias, o mercado já irá interpretar como uma nova intervenção, fazendo as ações despencarem”, explica. Nesta segunda-feira, as ações da petroleira brasileira registram fortes ganhos, de aproximadamente 5%. “Agora, a ação está subindo, porque há uma leitura que a companhia repassará o aumento. Mas o brasileiro tem uma relação freudiana com o aumento do diesel e tem a questão da pressão dos caminhoneiros que podem impulsionar uma nova greve. Está todo mundo curioso para ver se o Governo vai encarar a pressão”, diz Pires.

Analistas do banco UBS também afirmaram em nota que “esse evento pode ser um importante teste sobre quão sólida é a política (de preços)”. Eles ressaltam ainda que nos últimos tempos foram vistos diversos exemplos em que a estatal não foi capaz de seguir os preços internacionais, “levando a perdas significativas no negócio de refino”.”Um dos maiores dilemas para investidores sobre a Petrobras está relacionado à sua capacidade de seguir as variações internacionais de preço e a volatilidade do câmbio. Nós agora vemos uma situação desafiadora para a companhia, uma vez que esperamos que o petróleo salte e o real potencialmente se deprecie”, escreveram os analistas no documento, publicado no domingo.

’11 de Setembro’ do setor do petróleo

Ainda que seja muito cedo para prever os reais efeitos do episódio do fim de semana para o Brasil e o mundo, há um consenso entre os especialistas de que o ataque na Arábia Saudita trouxe um novo fator de risco, a fragilidade das instalações petroleiras, o que pode demandar uma nova estratégia de segurança, que consequentemente poderá acarretar em um aumento nos preços. Na visão de Ildo Sauer, vice-diretor do Instituto de Energia e Ambiente da USP (IEE) e ex-diretor de Energia e Gás da Petrobras, o ataque contra infraestruturas petroleiras pode ser comparado ao 11 de Setembro em uma escala menor. “Algo inesperado no receituário tradicional de enfrentamento de forças se revelou como um mecanismo altamente desestabilizador capaz de gerar apreensão no mundo todo. Como o sistema capitalista vive de risco e precifica o risco, tivemos um aumento imediato de preço na ordem de 20%. Há um componente de 11 de setembro neste ataque, ele é econômico e vai para o coração do sistema do setor. Foi inusual”, diz Sauer.

Para o especialista, a ação visou um terrorismo econômico e geopolítico para mostrar que há uma vulnerabilidade na estrutura de produção e da logística. “A novidade, que veio para ficar, é um novo fator de vulnerabilidade que está demonstrado. Algo simples capaz de ser lançado de qualquer lugar é capaz de atacar e levará a necessidade de novas medidas protetivas. Assim como respondemos nos aeroportos ao 11 de Setembro, algo semelhante terá que proteger a logística e irá agregar um custo”.

Apesar da retirada momentânea de 5% da oferta global de petróleo da noite para o dia, Sauer explica que não faltará petróleo no curto prazo devido a grande quantidade de estoque, proveniente principalmente dos EUA, China e da própria Arábia Saudita. Trump, afirmou, inclusive que já autorizou a liberação da reserva estratégica do petróleo.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) informou que ainda está avaliando o impacto dos ataques e considera ainda muito cedo para os membros da entidade tomarem medidas para aumentar a produção. Entre os países da OPEP, a Arábia Saudita é o primeiro produtor, seguido por Iraque, Irã —submetido a sanções dos EUA por causa de seu programa nuclear—, Emirados e Kuwait. De qualquer forma, existe margem porque desde o final de 2016, sob iniciativa saudita, os membros dessa organização de produtores limitam o volume de petróleo bruto que entra no mercado para manter o preço.

Volatilidade e oportunidade para o pré-sal

Para os próximos dias, a tendência será de muita volatilidade. “Para além do novo fator de risco há também uma aumento de tensão entre Washington e Teerã. O viés será de alta, se o preço será de 70 dólares ou 90 dólares não dá para estimar”, explica Adriano Pires, do CBIE.

Apesar dos preços mais altos do petróleo terem grande chance de pesar no bolso dos brasileiros, caso o aumento do valor do barril e das incertezas no Oriente Médio se alongue por um período mais longo, analistas avaliam que a crise pode aumentar a atratividade dos leilões do pré-sal que o governo brasileiro realizará até o fim do ano. “Variações eventuais do preço não afetam muito, mas se de fato, houver a percepção de que o risco de extrair petróleo aumentou muito por conta da possibilidade de ataques, certamente aumenta o interesse por regiões alternativas e particularmente no pré-sal no Brasil. Neste sentido, o Brasil pode se beneficiar”, afirma Maurício Canêdo, da FGV.

“Interpreto que aumenta a percepção de risco no mercado de petróleo, o que deve se refletir nos preços, mesmo após a retomada plena do suprimento saudita, o que valoriza o pré-sal e os demais ativos brasileiros”, disse a jornalista o diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Décio Oddone. Pires concorda que a área do pré-sal está afastada das zonas de conflito, o que a valoriza e pode atrair investimentos. Ele ressalta, no entanto, cautela. “É preciso ver o que vai acontecer no setor até outubro e novembro, quando ocorrem os leilões”, diz ele, em alusão aos certames previstos de 36 blocos e à nova rodada envolvendo o pré-sal. 

Um sátrapa

Um sátrapaFernando Vicente

Sabe você por que milhões de africanos querem entrar na Europa como for, arriscando-se a morrerem afogados no Mediterrâneo? Porque, para sua infelicidade, ainda há na África um bom número de tiranetes como Robert Mugabe, o sátrapa que durante 37 anos foi amo e senhor do Zimbábue e que acaba de morrer no Hospital Gleneagles, em Singapura. Tinha 95 anos de idade, era muito aficionado do críquete, das lagostas e do champanhe francês, costumava gastar 250.000 dólares em cada uma de suas festas de aniversário, e calcula-se que deixa à sua viúva, Grace – apelidada Gucci por sua afeição pelas roupas e bolsas dessa célebre grife, e várias décadas mais jovem que seu marido –, uma herança de nada menos que aproximadamente um bilhão de dólares.

Sua mais extraordinária proeza não foram seus roubos, nem as dezenas de milhares de zimbabuanos que torturou, encarcerou e assassinou. Tampouco ter causado uma hiperinflação de 79,6 bilhões por cento ao ano – chegaram a ser impressos bilhetes de cem trilhões –, que fez a moeda nacional desaparecer. É, talvez, ter destruído a agricultura de um país sobre o qual, nos tempos do colonialismo britânico, dizia-se que aquela terra privilegiada poderia ser o celeiro de toda a África, e talvez do mundo inteiro. Hoje, aquela nação, a mais próspera do continente meio século atrás, morre de fome. Um terço da sua população foi obrigada a fugir para o exterior devido às perseguições e matanças de Mugabe; agora, são a miséria e a falta de trabalho que a impulsionam milhões de desventurados zimbabuanos a fugirem ao exterior para sobreviver.

A África é o berço daquele que foi talvez o melhor estadista que a humanidade conheceu no último século – refiro-me ao sul-africano Nelson Mandela, graças a quem seu país é um dos que escapam à crise que assola tantos outros –, mas, logo depois do desaparecimento do sistema colonial, assim como na América Latina, em vez de estabelecer a democracia e desenvolver seus abundantes recursos, esse continente se encheu de ditadorezinhos ambiciosos e venais, além de assassinos – as exceções cabiam em uma mão –, que continuaram empobrecendo seus países a ponto de gerarem um êxodo gigantesco que, hoje, se tornou um problema para o mundo inteiro. A tragédia que o Zimbábue viveu com a tirania de Mugabe é um bom exemplo do que ocorreu com muitos países africanos que, depois de se libertarem de um sistema colonial saqueador e racista, abismaram-se em ditaduras de ladrões sanguinários.

A história da África é tão triste como foi – e continua sendo em boa parte – a da América Latina

Como outros sátrapas na história, Robert Mugabe, filho de um carpinteiro e uma catequista cristã, recebeu uma boa educação. Obrigado a se exilar por sua militância anticolonial, estudou, primeiro, em universidades da África do Sul e logo depois em Gana, onde também lecionou. Declarava-se então discípulo do africanista Kwame Nkrumah, mas, durante os anos da ação anticolonialista contra o regime racista de Ian Smith (o Zimbábue então se chamava Rodésia), encabeçou um movimento maoísta. Passou quase dez anos na cadeia e saiu dela transformado no político inescrupuloso, intrigante e ardiloso que foi marginalizando (e às vezes liquidando) os seus antigos companheiros da luta anticolonial, como Joshua Nkomo, que terminou alçando-se contra ele. A repressão que Mugabe levou a cabo foi terrível; além dos rebelados, estendeu-se às comunidades dos shonas e ndebeles, as quais praticamente exterminou. Entre 20.000 e 30.000 membros dessas comunidades pereceram naquela espantosa sangria.

Segundo os acordos de Lancaster House, que deram a independência ao Zimbábue, o Governo de Mugabe se comprometeu a respeitar as terras de 5.000 agricultores zimbabuanos brancos que, embora fossem produto da rapina colonial, eram tecnicamente exemplares e asseguravam trabalho e grandes rendimentos ao país. Mas aqueles foram expropriados durante a pitoresca “reforma agrária” que Mugabe empreendeu no ano 2000 e que consistiu em distribuir aquelas prósperas empresas entre seus cupinchas e protegidos. Isto foi o princípio do desmoronamento da agricultura nacional que, após poucos anos, transformaria um dos países mais ricos da África em uma sociedade pobre e deprimida. O autocrata, apesar disso, não cessava em seus enlouquecidos dispêndios, nem tampouco os dissimulava. Encarregou uma firma chinesa de construir no centro de sua propriedade de 22 hectares, em Harare, um palacete versalhesco de 25 quartos que mobiliou com todo luxo e, em um de seus discursos mais difundidos, reconheceu que admirava Hitler e que não se importava em ser comparado a ele. Acreditava ter a cumplicidade assegurada de seu partido deixando que seus dirigentes roubassem, mas mesmo isso tinha um limite.

Logo depois do desaparecimento do sistema colonial, esse continente se encheu de ditadorezinhos ambiciosos

Seus problemas com os membros de seu próprio partido começaram quando se empenhou em que sua jovem esposa, Grace, o substituísse no Governo. Isto o levou a uma confrontação com seu braço direito e homem para toda obra, Emmerson Mnangagwa, o atual presidente, que conspirou com os militares, e estes obrigaram Robert Mugabe a renunciar, embora sem levá-lo a juízo e, sobretudo, deixando intacta a sua fortuna. Há, portanto, poucas esperanças de que com a morte do sátrapa as coisas mudem em seu desventurado país. Seus cúmplices, que têm as mãos tão manchadas de sangue como as tinha ele, e que ao mesmo tempo em que enriqueciam arruinavam o Zimbábue, continuam no poder, de modo que o empobrecimento do país prosseguirá, e continuará contribuindo para a migração dos milhões de africanos que devem buscar na Europa o que sua pátria é incapaz de lhes dar.

Talvez o mais absurdo desta morte tenha sido que quem o tirou do poder pela força, nada menos que o próprio Emmerson Mnangagwa, faça o anúncio de sua morte “com o maior dos pesares”. “Era um ícone da libertação”, proclamou, “um pan-africanista que dedicou sua vida à emancipação e empoderamento de seu povo. Sua contribuição à história da nossa nação e do continente nunca será esquecida”. E pouco depois anunciou que seu Governo decidiu nomear Robert Mugabe “herói nacional”.

A história da África é tão triste como foi – e continua sendo em boa parte – a da América Latina. Nunca aprendemos que a democracia não consiste apenas em que haja independência de poderes e diversidade política, e sim em ter políticos honrados, que respeitem as leis e que não se aproveitem do poder para enriquecer e liquidar o adversário. Os Mandelas que chegamos a ter – houve vários, embora nenhum tivesse a repercussão mundial do sul-africano – foram aves de passagem e não chegaram a fazer escola. O pior não é que existam esses lixos humanos como um Robert Mugabe, mas sim que haja povos que votem neles e os elejam e reelejam e, como fez Mnangagwa com aquele, os transformem em “heróis nacionais”. Com pouquíssimas exceções, nem africanos nem latino-americanos temos remédio, pelo visto.

“Minha Gente”, Roberto Leal: o grande artista luso-brasileira canta o Vira  com saudades da terrinha, em gravação de 1975. Agora parte o cantor que emprestou alegria à música português, e deixa saudades e ausência lá e cá. R.I.P.

SAUDADES! BOM DIA!

(Vitor Hugo Soares)

set
16

Postado em 16-09-2019 00:26

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-09-2019 00:26

 

DO BLOG O ANTAGONISTA

O governador da Bahia, Rui Costa, disse à Veja que o PT deveria enterrar a campanha Lula Livre e ter apoiado Ciro Gomes na campanha de 2018.

Em reação às declarações de Rui Costa, o PT publicou uma nota em que repete a mesma ladainha de sempre: “A bandeira Lula livre é central na defesa da democracia, da soberania e dos direitos no Brasil”.

Sobre Ciro, o PT afirmou que “nunca foi intenção dele constituir uma alternativa no campo da centro-esquerda, hoje menos ainda, dado que ele escancara opiniões grosseiras e desrespeitosas sobre Lula, o PT e nossas lideranças”.

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